quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Vox

Eu tenho esse complexozinho ( é bem inho, mas tenho) com  a voz. Sempre tive. Minha voz é infantil demais, docinha demais, estridente demais. Minha voz não combina comigo.

Um dos meus esportes favoritos é confundir as pessoas que não me conhecem pessoalmente. Já perdi a conta das amigas da minha mãe que disseram assim: " Ué, é a Juliana quem tá falando?". Porque minha mãe diz pras pessoas que tem uma filha de quase 30 anos, obviamente. Aí as amigas ligam pra cá, eu atendo, digo que sou a Juliana e a pessoa fica sem entender.

Acontece muito também de eu enganar atendentes de telemarketing. Basta mudar um pouco a entonação e o " minha mãe não tá em casa " se torna muito convincente. Sou craque nessa arte de driblar atendentes de telemarketing.  Só me irrito um pouco quando ligam pra cá querendo falar com a Juliana e não se convencem de que sim, sou eu mesma.  Quer me matar? Ligue aqui pra casa e faça a seguinte pergunta: " Sra. Juliana, a senhora é maior de idade?". Juro. Juro. Juro que já ouvi essa pérola  muitas e muitas vezes. Muitas. Sério.

E tem o alunos. Além de ter voz estridente, eu falo alto. Sou daquelas pessoas cuja voz se ouve dois andares acima, que fala na sala e lá no portão todo mundo tá sabendo qual é o assunto. Eu sei, eu morro de vergonha também, mas tudo cansa nessa vida, então cansei de ter vergonha e agora rio quando alguém reclama da barulheira que eu faço. Bem, e os alunos? Vamos lá, tentem se colocar no lugar deles nos momentos em que eu me empolgo, me irrito, quero matar um deles. Não é legal ,né?

Mas eis que hoje, no fim da aula, uma aluna ( adulta ) que eu nem conheço direito ( o pessoal só começou a chegar mesmo depois do carnaval) virou pra mim e disse:

- Professora, eu tenho que te falar uma coisa. Sua voz... ( nesse momento, eu já fechei os olhos esperando a apunhalada. Toc!) Sua voz é linda. Linda demais.
- Minha voz???
- É linda, professora. E a senhora fala firme. Não dá moleza pra esses moleques ( a garotada das turmas da noite é legal, mas não é fácil). A senhora nasceu pra isso...

Bem, eu nem ouvi o resto. Saí pela porta, cantando e dançando,  explodindo de felicidade, jogando confete pelo ar. Mentira, eu agarrei a aluna e  dei um beijo de esmagar a bochecha nela. Mentira de novo. Eu agradeci, sem jeito, catei as minhas coisas e vim correndo contar isso aqui.

Ela achou minha voz linda, gente!  Acho que já sei quem tem aprovação garantida em português no fim do ano... (assovia).

P.S.: Dá pra ouvir a minha voz aqui e aqui.


terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Recém-nascidos: breves considerações desnaturadas

Após  21  dias de convivência ( leia-se: visitas esporádicas e ausência total durante o carnaval) com Vinícius, chego à conclusão de que recém-nascidos não são divertidos. Recém-nascidos só choram, mamam e dormem. Cadê as risadinhas fofas? Cadê as gracinhas? Cadê a adrenalina? Cadê os saltos de para-quedas?  Recém-nascidos não tão nem aí pras outras pessoas que não sejam aquela com peitos cheios de leite. Dura realidade.

Ah, outro dado importante sobre recém-nascidos: eles são mutantes. Sim, eles mudam de cara num piscar de olhos. Nascem com uma cara, dias depois já têm outra; na semana seguinte, parece que os pais trouxeram a criança errada pra casa. Ou que, de tempos em tempos, a cegonha  vem e substitui a criança, estabelecendo um verdadeiro rodízio de bebês. A cada visita, eu preciso reaprender qual é a cara do Vinícius. Árdua tarefa!

Mas o que mais me intriga nos recém-nascidos são os olhos. Primeiro: é tão difícil ver os olhos deles. Essas criaturinhas passam tempo demais dormindo ou mamando, daí que só nos resta contemplar as pálpebras. Segundo: quando recém-nascidos abrem os olhos, eles olham pro... nada. Ah, gente, que agonia! De início, fiquei toda ressabiada. Será que esse menino tem algum problema de vista, meu Deus? Será que dá pra confiar nesse exame do olhinho? Ai, ai, ai! Bem, segundo pesquisas realizadas num incrível banco de dados científicos,  o Google, parece que recém-nascidos têm olhos engraçados mesmo.Ufa! Mas vamos combinar que aquele olharzinho desfocado dá um nervosinho!

Por enquanto, é só. Em breve, publicarei novos relatórios.



Posso ser Michelle Obama quando eu crescer? Que ves-ti-do!

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Saldão de carnaval

1- Uma pele absurdamente preta. ABSURDAMENTE. Tudo culpa de um protetor solar fracote. FPS 15 nunca mais!

2- Cadê o castanho dos meus cabelos? CADÊ? Tô quase um Curupira! Eu sempre uso chapéu na praia,  mas fiz o favor de deixar meus chapéus em casa e me recusei a dar 30 reais praqueles vendedores de praia. Muquiranice: nós praticamos! ( Tô aceitando diquinhas de creminhos, receitinhas, poções mágicas capazes de dar um jeitinho no meu cabelo.)
3- Pela primeira vez na vida, usei um banheiro químico. Não tenho palavras pra essa experiência. Eu sou fresca, gente! Muito mesmo, fresquíssima, tão fresca que nunca sinto vontade de fazer xixi na rua pra não ter que enfrentar banheiros melequentos. Mas ,dessa vez, fui vencida pelo meu organismo e me vi obrigada  a atravessar aquela porta azul. Ok, ok, vamos mudar de assunto!

4- Descobri as manhas pra se dividir, com muito sucesso, casa de praia no carnaval: 
a) deixe que meninos tomem conta da cozinha. Pelo menos, os meninos que estavam comigo foram os melhores cozinheiros do mundo, e todo mundo sabe que é mais fácil ser feliz com barriga cheia de comida boa.

b) nunca use aqueles colchonetes infláveis. Nunca! Nunca mesmo! Durma no chão duro, durma numa rede, durma em pé, mas não compre colchão inflável. Suas costas vão agradecer.

Não acredite em propagandas. Ela não tirou essa foto depois de passar oito horas sobre esse moedor de colunas.

c) divida uma casa  grande com os amigos legais da sua grande amiga. Você terá uma certa garantia de que está em boa companhia porque sua amiga tem bom gosto pra amigos, né? E haverá também o bônus de você não participar dos conflitos porque não conhece as intimidades do grupo e é tratada como uma visita querida.  O problema é que no ano seguinte terá de procurar um outro grupo, porque depois de uma semana de convivência você acaba virando de casa e perde as mordomias.

5) Me perguntem quantos livros li nessa semana. Nenhum. Quer dizer, eu reli as partes legais de Trabalhos de Amor Perdidos numa tarde de cansaço e vontade de ficar quietinha e li a primeira página  de Paula e fim.

6)  MAR. MAR.MAR. SOL.SOL.SOL. AREIA.AREIA.AREIA. 

7) Uma dificuldade danada de vir embora. Uma dificuldade danada de vir embora. Uma dificuldade de vir embora. Já pode voltar?

8)  E pra terminar: cara, não vi desfile nenhum, mas digo desde já que é uma injustiça o Salgueiro ter ficado em segundo. ABSURDO.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

" Lá vou eu, lá vou eu"

Se eu fosse chique como o Fernando Pessoa e tivesse heterônimos, minha heterônima seria uma passista do Salgueiro, daquelas lindonas de 1,80m e pernão. Ela se chamaria Elisa e respiraria carnaval. Bem, mas como eu não sou o Pessoa nem a Elisa, fico aqui, nas vésperas de carnaval, fingindo que sou uma foliã. Finjo porque só hoje fui ouvir os sambas das escolas, porque odeio o Cordão do Bola Preta  e as multidões que seguem os blocos, finjo porque sambo tão bem quanto piloto carros de fórmula 1.

Eu adoro carnaval, mas não é qualquer carnaval. Acho que gosto da ideia do carnaval. Adoro a parte abstrata das escolas de samba, aquela coisa do espetáculo, dos componentes da escola cantando sambas lindos numa só voz. Gosto daquela imagem panorâmica que a Globo faz das escolas de samba no sambódromo. Tudo é lindo e mágico quando aquele colorido se espalha pela passarela, especialmente se visto de cima e de longe.

Estou  neste momento dividida entre terminar um trabalho, arrumar a mochila e baixar músicas pra viagem de ônibus. Eu vou com amigos pra uma cidade no litoral do RJ.  As pessoas costumam dizer que vão viajar no Carnaval, mas eu tenho certo pudorzinho de dizer que vou viajar. Na verdade, vou me afastar 200km da minha casa, pra me meter numa possível roubada.  Não tenho ideia de como fica uma cidade praiana nesse período, mas a julgar pelo que ouço, padecerei no paraíso. Vamos ver, vamos ver!

Pro caso de tudo dar errado, estou levando 3 livrinhos no fundo da mochila:




Porque sou maria -vai - com - as - outras e quero saber por que todo mundo ama esse livro.
( minha edição não tem essa capa pavorosa, não! Senão eu não ia nem dormir depois de olhar  pra esse
"bicho" aí.)


 Um livro com projeto gráfico tão fofo tem de ser legal. Tem de ser!


Comprei porque tava barato ( sou muquirana, vocês sabem!), porque a Rita diz que é lindo e porque nunca li nada da Isabel Allende.


Obviamente, não lerei os três em 1 semana.  Meus planos consistem em eleger um só livro pra ser meu companheiro em horas e horas de sol quente e praia boa. Que os anjos digam amém.

E vocês aí:  juízo e aproveitem  bem os dias de folga! Inté!





terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Muito prazer

Conhecer um recém-nascido cuja gestação acompanhei me pareceu igualzinho a encontrar pessoalmente amigos virtuais. Eu acredito em conhecer amigos e amores pela internet, mas também acho que  estar cara a cara com a pessoa dá uma nova dimensão ao relacionamento, né? Antes do primeiro encontro, você sabe uma porção de coisas sobre a pessoa, sabe talvez coisas que ela não conta pra muita gente; você conhece a fonte favorita da pessoa, já ouviu a voz dela por skype, já até recebeu as impressões digitais dela na sua casa marcadas naquele presente maneiro que chegou de surpresa. Aí chega o momento do encontro de carne e osso e ...

Bem, eu, particularmente,  fico muitíssimo intimidada ao encontrar amigos da internet. Fico com vergonha. Se pudesse, eu colocava um saco de papel na cabeça e ia lá conhecer a pessoa.  É que tem sempre aquele momento em que olho pra pessoa e estranho. Eu estranho tudo: o modo como mexe as mãos, o sotaque ( rá! cês sabem que eu sou apaixonada por um sotaque, né?), os novos significados que a voz imprime no que a pessoa já te disse no twitter 20 vezes, a comida que a pessoa escolhe, a possível timidez do meu interlocutor, enfim, tudo me é estranho.  A pessoa é igualzinha ao que eu conhecia virtualmente ( até hoje não esbarrei em ninguém que fosse um lobo em pele de cordeiro), mas também é diferente.  E leva um tempinho pra que eu assimile aquelas nuances que não pude adivinhar, bem como  para que  eu remodele a identidade que criei pra pessoa na minha cabeça. É um processo. As pessoas que conheci não eram melhores nem piores pessoalmente,  apenas diferentes das minhas projeções. Conhecer Vinícius foi  assim também. Ele é muito diferente do que eu imaginei. Passei um tempo olhando pra ele, identificando os traços desse e daquele parente. Eu não soube o que fazer além de olhar  e tirar fotos.

Agora, aos pouquinhos, ele vai deixando de ser abstrato. Agora, Vinícius é a concretude manifestada num corpo minúsculo e em olhos que quase nunca se abrem. Hoje fiquei observando seus olhinhos fechados enquanto ele dormia. Os olhos se moviam rápidos, então eu supus que ele estava sonhando e tentei adivinhar o que os bebês sonham. A mãe do Vinícius disse que eles sonham com anjos beijando suas testas ( as testas dos bebês, claro).  A verdade é que eu não sei nada ainda desse Vinícius de carne e osso, estou aprendendo tudo sobre ele e agregando ao que eu já sabia. É um processo, como eu já disse. Um ótimo processo, eu diria!



P.S.:  Não contem pros pais do Vinícius, mas devo confessar que tenho planos de  pegar ele pra mim. Vocês acham que é uma boa ideia? 

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Lullaby

Parece que já tem muita gente nesse mundo,né?  Pois é, hoje chegou mais um pra dividir o espaço com a gente.




Bem-vindo, Vinicius!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Para Vinícius


Passei muito tempo da vida tentando descobrir o que  faz a gente amar uma pessoa. Pra ser mais precisa, eu tentava descobrir o que justificava o amor que as pessoas me davam. Eu achava que se descobrisse resposta pra isso,  passaria a ter mais garantias. Eu me iludia achando que dá pra se tornar aquilo que as pessoas querem amar. Nos últimos anos,porém, eu cheguei à conclusão de  que amor não é equação,  não se mede em garantias, não é explicável. A gente ama porque ama e é isso.

Eu não me  preocupo se você vai me amar ou não. Também não me preocupo se vou olhar pra sua cara e cair de amores no mesmo instante. Há anos convivo com  a possibilidade de você existir e há meses convivo com a sua existência misteriosa aí dentro da sua mãe.  Dizer que gosto de você seria  uma deformação da verdade porque você pra mim nada mais é que uma coisinha que se move feito um alienígena de filme de terror na barriga da minha prima mais nova. Você é um bebê se movendo dentro da barriga de uma mulher, isso é muito abstrato e insondável. Sendo assim, me limito a dizer que gosto da   abstração que você representa.

A gente só vai se amar ou não com o passar dos anos. Primeiro , você tem que chegar no mundo, sair desse saco gestacional, depois tem que aprender um monte de coisas. Enquanto você cresce e conhece o mundo, o amor entre a gente vai se construindo - é um processo. Eu estou em vantagem nesse processo porque já sei como é amar um monte de gente e já estou predisposta a ir com  a sua cara. O fato de você ser filho da sua mãe já facilita bastante as coisas pra mim.  Ela sempre disse que nós - você e eu- nunca seríamos parentes porque nós - ela e eu- nunca  fomos chegadas aos nossos primos em segundo grau, no entanto , para contornar essa crença, sua mãe decidiu me encaixar numa categoria mais amorosa: sou sua prima em segundo grau e madrinha.  Ser madrinha significa ter direito de te obrigar a pedir a bença e ter o dever de dar presentes caros. Bem, meu caro, você tem  a sorte e  o azar nesse quesito; eu dispenso a formalidade da bença, mas  sou uma péssima presenteadora. Só dou bombas pras pessoas e tenho planos engenhosos pra você: te darei todos os livros infantis legais que existem. Sua mãe vai me odiar quando eu aparecer com  A Vida Íntima de Laura. Ela acha que eu não deveria gastar tanto dinheiro com livros, mas eu não ligo pra opinião de alguém que compra tantas Melissas.

Aliás, me deixa falar da  sua mãe. Quer dizer,  é melhor não falar muito. Essa mulher que você vai chamar de mãe é alguém que só consigo enxergar como  uma garota de 12 anos.  Falo de sua mãe pras pessoas e elas se espantam ao descobrirem que ela nasceu pouco depois de mim. Eu olho pra ela e vejo duas: a menina que ela foi e a pessoa que ela é. E não tenho muito a dizer sobre a pessoa que você vai conhecer porque nunca vi sua mãe sendo mãe de ninguém. Só posso supor que ela será bem legal contigo e desejar que você absorva um pouco da generosidade dela. Sua mãe é, de verdade, uma das pessoas mais generosas que  conheço, e a generosidade é uma virtude tão doce, eu acho. Eu queria ser generosa, mas não sou. Generosidade pra mim só funciona  na marra. Eu quero que pra você seja mais fácil.

Ah, e aqui estou eu  te envolvendo nos meus desejos, projetando em você  aquilo que eu adoraria que fosse meu. É inevitável. Você já vai chegar recebendo um monte de quereres e vai passar a vida toda às voltas com esses desejos e com outros que serão só seus. Mas isso é papo pra muitos anos lá na  pra frente. Por agora, você é só um bebê que faz os mesmos movimentos que os alienígenas de filme na barriga da sua mãe. E estou escrevendo pra você porque , de repente, me deu uma vontade de te tornar mais concreto, de te fazer meu interlocutor antes mesmo de te ver. Estou te escrevendo porque estou na dianteira naquele nosso processo amoroso. Escrever pra você é como te pegar no colo, meu bem. 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012