terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Muito prazer

Conhecer um recém-nascido cuja gestação acompanhei me pareceu igualzinho a encontrar pessoalmente amigos virtuais. Eu acredito em conhecer amigos e amores pela internet, mas também acho que  estar cara a cara com a pessoa dá uma nova dimensão ao relacionamento, né? Antes do primeiro encontro, você sabe uma porção de coisas sobre a pessoa, sabe talvez coisas que ela não conta pra muita gente; você conhece a fonte favorita da pessoa, já ouviu a voz dela por skype, já até recebeu as impressões digitais dela na sua casa marcadas naquele presente maneiro que chegou de surpresa. Aí chega o momento do encontro de carne e osso e ...

Bem, eu, particularmente,  fico muitíssimo intimidada ao encontrar amigos da internet. Fico com vergonha. Se pudesse, eu colocava um saco de papel na cabeça e ia lá conhecer a pessoa.  É que tem sempre aquele momento em que olho pra pessoa e estranho. Eu estranho tudo: o modo como mexe as mãos, o sotaque ( rá! cês sabem que eu sou apaixonada por um sotaque, né?), os novos significados que a voz imprime no que a pessoa já te disse no twitter 20 vezes, a comida que a pessoa escolhe, a possível timidez do meu interlocutor, enfim, tudo me é estranho.  A pessoa é igualzinha ao que eu conhecia virtualmente ( até hoje não esbarrei em ninguém que fosse um lobo em pele de cordeiro), mas também é diferente.  E leva um tempinho pra que eu assimile aquelas nuances que não pude adivinhar, bem como  para que  eu remodele a identidade que criei pra pessoa na minha cabeça. É um processo. As pessoas que conheci não eram melhores nem piores pessoalmente,  apenas diferentes das minhas projeções. Conhecer Vinícius foi  assim também. Ele é muito diferente do que eu imaginei. Passei um tempo olhando pra ele, identificando os traços desse e daquele parente. Eu não soube o que fazer além de olhar  e tirar fotos.

Agora, aos pouquinhos, ele vai deixando de ser abstrato. Agora, Vinícius é a concretude manifestada num corpo minúsculo e em olhos que quase nunca se abrem. Hoje fiquei observando seus olhinhos fechados enquanto ele dormia. Os olhos se moviam rápidos, então eu supus que ele estava sonhando e tentei adivinhar o que os bebês sonham. A mãe do Vinícius disse que eles sonham com anjos beijando suas testas ( as testas dos bebês, claro).  A verdade é que eu não sei nada ainda desse Vinícius de carne e osso, estou aprendendo tudo sobre ele e agregando ao que eu já sabia. É um processo, como eu já disse. Um ótimo processo, eu diria!



P.S.:  Não contem pros pais do Vinícius, mas devo confessar que tenho planos de  pegar ele pra mim. Vocês acham que é uma boa ideia? 

3 comentários:

Rita disse...

Não se esqueça de levar os peitos cheios de leite da mãe dele junto. :-)

Bem vindo, pequenino. O,mundo é louco, mas a gente se vira.

Bj

Rita

Annie Adelinne disse...

Eu tenho uma ideia melhor: você deixa a parte chata pros pais dele, e sequestra o Vinicius só pra poder brincar e depois ficar admirando enquanto ele dorme. Aí, quando as sirenes apitarem, você devolve!

Juju Balangandan disse...

Hum, apaixonei pelo seu texto, como sempre! Parabéns titia!