segunda-feira, 12 de março de 2012

" Mais as coisas findas (...), essas ficarão"

Há um monte de coisas terríveis nessa vida. Dentre elas: estar perto de alguém que  toma consciência da sua própria finitude. 

Nossos corpos morrem aos poucos, todos os dias, na mesma medida em que vamos vivendo. Estou dizendo o óbvio, claro.  E eu queria dizer o óbvio com palavras bem bonitas que suavizassem o peso dessa verdade. Quem sabe palavras bonitas não fossem capazes de tornar o óbvio mais aceitável? Palavras bonitas que naturalizassem em nós o que é o contrário de sobrenatural.

Estamos todos morrendo e vivendo. Paradoxo é uma figura de linguagem difícil demais de se entender.

Eu não tenho palavras bonitas, mas o Gil tem:


"não tenho medo da morte
mas medo de morrer, sim
a morte é depois de mim
mas quem vai morrer sou eu
o derradeiro ato meu
e eu terei de estar presente
assim como um presidente
dando posse ao sucessor
terei que morrer vivendo
sabendo que já me vou"

(Não tenho medo da morte, Gilberto Gil)

3 comentários:

Luana disse...

Eh, eu nao tenho medo da morte, tenho medo de morrer... mesmo que eu ja esteja morrendo...

Leninha disse...

Na falta de palavras bonitas procurei Noel:

Fita amarela

(Noel Rosa)

Quando eu morrer não quero choro nem vela
Quero uma fita amarela gravada com o nome dela
Se existe alma, se há outra encarnação
Eu queria que a mulata sapateasse no meu caixão
Não quero flores, nem coroa de espinho
Só quero choro de flauta, violão e cavaquinho
Estou contente consolado por saber
Que as morenas tão formosas a terra um dia vai comer
Não tenho herdeiros, não possuo um só vintém
Eu vivi devendo a todos mas não paguei nada a ninguém
Meus inimigos que hoje falam mal de mim
Vão dizer que nunca viram uma pessoa tão boa assim
Quero que o sol não visite o meu caixão
Para a minha pobre alma não morrer de insolação


Bjssssss,
Leninha

Margareth Gervason disse...

Eu não tenho medo da morte "literalmente"
Obrigada por participar do sorteio
Boa sorte
Boa semana
Beijos coloridos