sexta-feira, 20 de abril de 2012

Para Vinicius #2


Eu sempre te observo enquanto você dorme. Seus olhos não se fecham completamente, e é possível ver os movimentos que os sonhos provocam neles. Eu te olho e torço pra que você acorde. Se a sua mãe deixasse, eu te acordaria todas as vezes que te encontro adormecido porque sinto uma saudade só de ver suas pálpebras fininhas fechadas.

Eu gosto é de tê-lo acordadinho nos meus braços desajeitados. Nada é mais desconjuntado do que o movimento que  faço pra te acomodar sobre meu antebraço. Você odeia o meu antebraço. Na verdade, você não se encanta muito com meu colo, mas, quando não tem saída, prefere meu ombro esquerdo a qualquer parte do meu braço. Eu também prefiro o ombro porque nele sua cabecinha cheirosa fica ao fácil alcance do meu nariz. Não me canso de te cheirar. Eu poderia ganhar a vida te cheirando. O cheirinho do seu cabelo seria o cheirinho da minha  Amortentia.

Eu te adoro com os meus sentidos. Olho por instantes infinitos sua pele marrom e suas íris que são da mesma cor que a madrugada. Deslizo a ponta do indicador pelas dobrinhas do seu cotovelo. Apoio a orelha na sua barriga (vai que descubro que você é igual ao urso com música na barriga). E um dia, quando seus pais não estiverem olhando,  NHOC!  eu como um dedinho seu que nem a bruxa do João e Maria. 

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