Eu sempre te observo enquanto você dorme. Seus olhos não se fecham
completamente, e é possível ver os movimentos que os sonhos provocam neles. Eu
te olho e torço pra que você acorde. Se a sua mãe deixasse, eu te acordaria
todas as vezes que te encontro adormecido porque sinto uma saudade só de ver
suas pálpebras fininhas fechadas.
Eu gosto é de tê-lo acordadinho nos meus braços desajeitados. Nada é
mais desconjuntado do que o movimento que faço pra te acomodar sobre meu antebraço.
Você odeia o meu antebraço. Na verdade, você não se encanta muito com meu colo,
mas, quando não tem saída, prefere meu ombro esquerdo a qualquer parte do meu
braço. Eu também prefiro o ombro porque nele sua cabecinha cheirosa fica ao
fácil alcance do meu nariz. Não me canso de te cheirar. Eu poderia ganhar a
vida te cheirando. O cheirinho do seu cabelo seria o cheirinho da minha Amortentia.
Eu te adoro com os meus sentidos. Olho por instantes infinitos sua pele
marrom e suas íris que são da mesma cor que a madrugada. Deslizo a ponta do
indicador pelas dobrinhas do seu cotovelo. Apoio a orelha na sua barriga (vai
que descubro que você é igual ao urso com música na barriga). E um dia, quando
seus pais não estiverem olhando, NHOC! eu como um dedinho seu que nem a bruxa do João
e Maria.
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