quarta-feira, 30 de maio de 2012

terça-feira, 29 de maio de 2012

No sétimo filme do Harry Potter ( o único da série que me comove e empolga), há aquela cena em que o trio principal tá subindo a colina em direção à casa da Luna.  Harry pergunta pra Hermione se ela ainda tá com raiva do Ron. Quem conhece a história sabe que Hermione tem toooodos os motivos do mundo pra estar com raiva do Ron. Aí a Hermione responde :" Eu sempre tô com raiva dele!".Eu tava aqui tentando achar um jeito de explicar como tenho me sentido em relação ao meu trabalho, e eis que me lembrei dessa cena. Não é nenhum spoiler dizer que  Hermione e Ron vivem aquele arranca-rabo clichezento de quem gosta muito mas prefere brigar. Não sei se amores assim existem fora dos livros adolescentes, mas esse " Eu sempre tô com raiva dele" combina muito com o que sinto quando penso no meu trabalho. Todo ano é a mesma coisa: chegam as turmas, gosto  mais de umas  do que de outras, preciso bancar a bruxa má com todas elas, descubro minhas preferências e depois os alunos vão embora. Vou lembrar de alguns, esquecer de outros. Sempre assim.

Ando muito de saco cheio da sala de aula. Eu tô sempre de  saco cheio. Não tô com paciência pra entender que aquele pessoal é adolescente, que a aula de português não é a razão da vida deles, que muitos passaram por tantos fracassos na escola que já entraram na rotina da preguiça e da rebeldia. Há dias em que quero que uma bomba caia na escola! Claro que uma bomba que não cause mortes nem escombro. Queria apenas uma bomba que satisfizesse minha vontade de explodir. Uma bomba abstrata, carregada com toda a minha má vontade , incompreensão e preguiça. Seria uma bomba potentérrima!

Mas tem o outro lado. Aquela escola tá cheia de gente de quem eu gosto. Há uma turma lá, confesso, que é a minha favorita. A relação entre mim e essa turma começou torta, seguindo à risca a tradição de chatice e presepada do nono ano. Sempre é assim: os adolescentes vêm com rebeldia, eu venho com " coloquem-se no seu lugar , a professora aqui sou eu", passo umas semanas de cara fechada, eles se assustam um cadinho e , em algum momento, aquele monte de aluno chato se transforma em um monte de gente legal. Essa turma específica se transformou numa turma maneira e numa turma que aprendeu as novas regras de ortografia. Me transbordo de orgulho toda vez que penso que eles aprenderam direitinho o novo acordo, sabe?  Eles revisaram reportagens de sites engomadinhos,  pegaram a manha do uso do hífen e até me corrigiram quando escrevi uma palavrinha com trema no quadro. As notas de quase todo mundo são bem altas, eles reclamam horrores mas fazem tudo o que eu passo. Cês precisavam versões " final feliz" de Quadrilha , do Drummond, que eles escreveram! Não é o paraíso, mas eu gosto de estar nessa sala de aula.

Na EJA, o ano letivo é de seis meses. Essa turma legal tá indo embora  em julho. Eu pergunto toda aula quais são os planos deles. A maior parte pretende sobreviver ao primeiro ano do Ensino Médio, pra começar. Já é um plano. E eu, exalando toda pieguice que me é peculiar, fico querendo que eles sejam felizes, que fiquem bem, que me convidem pra formatura do Ensino Médio, que ganhem um prêmio Nobel.Já pensou se um deles ganha o prêmio Nobel, vai escrever o discurso de agradecimento, aí se lembra daquela professora de  voz estridente que dizia que saber escrever " antiético" é mais importante que respirar? Que grande emoção seria! Vou ali pegar uns lenços só de imaginar!

Nossa senhora dos professores desmotivados, seja bondosa comigo no semestre que vem.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Existe um manual que ensine a ser adulto? Quer dizer, se existisse, eu não usaria. Quer dizer, eu tentaria usá-lo, mas sofreria tanto que o abandonaria. Quer dizer, eu abandonaria, mas me sentiria tão mal por ter abandonado que tentaria usar mais um pouco. Que dizer, eu ficaria nessa de tentativa e erro a vida toda e depois morreria.Quer dizer, angústia não mata, então eu passaria um tempo achando que ia morrer, mas não morreria porque  garganta inflamada só dói e mais nada. Quer dizer, dor é ruim, mas... Quer dizer. Quer dizer. Quer dizer. Quer dizer.

domingo, 27 de maio de 2012

O livro que eu queria ter escrito


Não sou o publico-alvo. Não entendo nada de cinema nem de ser uma adolescente que fala inglês . Não tinha lido nada a respeito dele. Mas, assim que vi esse livro, dei uma folheada, passei os olhos nas ilustrações, li um trechinho aqui e acolá, eu soube que precisava tê-lo pra mim.

Agora que terminei, tenho uma certeza: eu queria ter escrito.

Cês deviam ler.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Há no meu celular umas 200 fotos do Vinícius.  De vez em quando dou uma olhadela nelas. Demoro o olhar naquelas mais lindas por pura necessidade de revê -las. Tudo o que diz respeito a ele chega até mim como uma necessidade.

Vinícius me fez chegar a uma conclusão: não posso ter filhos. Se um menino que não é meu me comove, me afeta, me inunda de tanta beleza, não sobreviverei a filhos meus. Quando der por mim, já terei morrido de tanto amor. Sem metáforas.

Os segundos param quando Vinícius sorri.

terça-feira, 22 de maio de 2012

É maio. Eu tinha esquecido que maio é maio. Maio quase me faz acreditar nas desvantagens de ter nascido numa tarde de junho e nos infernos astrais.  Maio nunca gostou de mim nem eu dele. Simples assim

Nos últimos tempos, tenho evitado o mimimi. Eu não reclamo,não a sério. Posso tagarelar sobre livros, receitas de batata rostie, manhãs de outono. Às vezes,  fico só calada. Silêncio e uma certa antissociabilidade são melhores que mimimi.Mas hoje eu me rendo. Preciso pedir cinco minutos de arrego. Meu notebook deu pau. Peguei uma gripe braba. Meu ouvido esquerdo tá doendo. A Oi inventou uma conta que eu me recuso a pagar. Recebi finalmente um e-mail mais que desejado. A resposta é Não. Uma outra resposta, igualmente esperada não vai chegar. Dei viagens perdidas.  Perdi o fio da meada pela milésima vez.

Hoje, cheguei em casa cansada, pronta pra levar a Amy pro banheiro e emular dores de cotovelo.  Meu coração tá inteiro (até demais ),mas música de amor bandido funciona bem pras dores de Maio.  Lavar o cabelo devolve o equilíbrio do universo.  Eu ia ser feliz essa noite. Mas não há limites pros efeitos dessa droga de mês na minha vida.

O  chuveiro tava com um probleminha;fui tentar consertar. Crec.Quebrei  o cano do chuveiro. 

Porque é Maio, vou dormir sem banho.

E publicar um post idiota totalmente recuado à esquerda.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Eu quero

Fiz esse post ontem usando o  aplicativo do blogger pra Android. Fiquei toda animada com a possibilidade de usar o celular pra postagens, mas logo veio a decepção: não dá pra deixar o post ajeitadinho, justificadinho. Ai, eu tenho um nervoso sem fim de textos recuados à esquerda. Ok, não tentem entender.  
Vim agora rapidinho ajeitar o post e dizer pra vocês que a Querência de hoje é minha. Vão lá no blog da Ju espiar o meu bloquinho foférrimo ( Lia, diz pra Cíntia que o presente dela ganhou o mundo!) e conhecer os outros bloquinhos lindinhos dos leitores do Batom de Clarice.

A Juliana do Batom de Clarice criou uma brincadeira bem legal. Ela pediu que os leitores mandassem  fotos de suas querências literárias. Eu topei a brincadeira.Não costumo anotar os livros que quero ler,então usei um bloquinho fofo que ganhei recentemente pra entrar na brincadeira da minha xará.

P.s.: acabei de descobrir o aplicativo do blogger pro celular e é com ele que estou escrevendo agora. Tentei linkar o blog da Ju no texto,mas não rolou.  De qualquer modo, o blog dela tá ali na "vizinhança".


Status: cocô do cavalo do bandido.

Sério mesmo.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Chuchu

Vinicius tem 3 meses e  9 dias e é lindo. Um chuchu. Tento chamá-lo pelo nome dele, mas chuchu é a primeira palavra que me ocorre quando olho pra carinha dele. Chuchu, Chuchulino, Chuchubazento ou simplesmente Chuchu com Batata. O bom é que ele não tem a menor ideia de que estou associando a cara dele a um legume sem graça nenhuma. Quem nesse mundo gosta de chuchu?

E nessa de chamar Vinicius de Chuchu, acaba que todo mundo vira Chuchu também. Antes, as pessoas legais eram " meu bem". Agora, "chuchu" me escapole aqui e ali sem querer. Nessa de escapulir, apertei a mão do moço simpático da ótica que aturou minha vó na saga por óculos que não a deixassem com cara de coruja ( palavras dela) e disse: " boa tarde! Obrigada, Chuchu!". Onde enfiar a cara depois dessa?

domingo, 13 de maio de 2012

Genealogia


Toda uma vida como filha única me deu perspectivas que somente uma pessoa que não tem irmãos é capaz de entender. Quando criança, os filhos únicos são perseguidos porque se encaixam na categoria dos que, supostamente,foram abençoados com a felicidade suprema.  Irmãos são os representantes da Frustração, da Injustiça e da Disputa na terra; não tê-los, te torna um ser especial. As outras crianças têm a certeza absoluta de que a sua vida é melhor, que suas dores e lamentações são infundadas, que seus presentes são mais legais porque, afinal, papai e mamãe são só seus.

Conforme os filhos únicos vão crescendo, suas credenciais vão perdendo o valor distintivo e passam a ser apenas uma característica. Vez ou outra, suas colegas adolescentes podem lamentar o fato de você não ter irmão mais velho para que elas possam cobiçar, mas a hostilidade da infância não entra em pauta. Adultos, os filhos únicos e os filhos que compartilham os pais com outros filhos quase se igualam. Quase.

Eu não tenho irmãos, logo não terei sobrinhos. Não, não adianta dizer que vou ficar pra tia. Por virtude do nascimento do Vinícius ,as pessoas querem sempre saber se não sinto necessidade de filhos. Eu respondo que não, para o desespero dos que sabem o ano em que nasci. Aos 27, meus óvulos são taxados de ultrapassados, coitados. A pergunta mais assertiva a ser feita seria: " Você não sente falta de sobrinhos?". Aí eu diria aquele "sim" desejoso.  Sim, quero o que não posso ter. Porque sobrinhos de marido devem ser bem legais, filhos de amigos são crianças que você ama implicitamente, mas essas criaturinhas não  podem te dar a experiência de conhecer alguém que é filho daquela pessoa que cresceu no mesmo útero  ( e incluo aqui os úteros simbólicos) que você. Taí algo que um filho único nunca vai entender.

Adulta, tenho a apresentar apenas uma geração de primos pequenos, dois meninos e uma menina que está por vir. Primos pequenos costumam confundir a cabeça das pessoas ( todo mundo para pra montar mentalmente a minha ávore genealógica) , e , não, não dá pra transformá-los em sobrinhos fake. A bem da verdade, todo esse papo serve apenas pra  alcançar uma questão mais complexa. A menina que vai nascer muito em breve é filha da minha afilhada.  Nasci dez anos antes da minha afilhada e , por conta disso, nunca fui uma madrinha tradicional, mas, de qualquer modo, sei que a madrinha é uma mãe stand-by. Pois bem,  lanço, então, minha dúvida: se a minha filha stand by vai ter uma filha, isso signifca que em breve serei "vó-drinha"? Eis uma questão encafifante, não acham? Me deem uma equação com logaritmos e números complexos que eu resolvo mais rápido.

Tudo seria mais fácil se eu tivesse irmãos. Tenho certeza.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

O Filho e o @mor

Eu tenho uma obsessãozinha: o serviço de rastreamento de pacotes dos Correios.  Se tem alguma coisa a caminho da minha casa, estejam certos de que  estarei, todos os dias, duas vezes ao dia, no site dos Correios checando por onde anda o meu pacote. Hoje mesmo, já entrei lá . Há dois livros vindo pra cá, e eu gosto de achar que tenho controle sobre eles. Aliás, tenho usado bastante o rastreamento dos Correios nessa semana. Comprei pra minha amiga um exemplar de @mor e, pra mim, O Filho de Mil Homens. O primeiro é um livro delicioso, viciante, que te  faz querer que o metrô entre em pane só pra que você fique presa lendo. O enredo é simples : uma mulher envia um e-mail para o endereço errado, o destinatário do e-mail errado responde e , plim!, começa a relação de amor virtual mais maluca que eu já vi. Os protagonistas dessa história são dois doidos, te contar! Muita maluquice mesmo! Tive vontade de virar personagem só pra dar um soco nos dois! Vale a leitura! Já o outro livro merece uns parágrafos só pra ele, então vamos lá pro próximo parágrafo. 

(Antes do próximo parágrafo, a capa de @mor.
 Em Portugal, traduziram o título original, em alemão, como Quando Sopra o Vento Norte. Lendo o livro, esse vento norte faz todo sentido, mas eu adorei o título brasileiro.)


Estava lendo displicentemente a Bravo! desse mês, mais precisamente a reportagem sobre os novos nomes da literatura portuguesa, quando me deparei com essas palavras:

" Um homem chegou aos quarenta anos e assumiu a tristeza de não ter um filho(...). Estava sozinho, os seus amores haviam falhado e sentia que tudo lhe faltava pela metade, como se tivesse apenas metade dos olhos e dos talheres, metade dos dias, metade das palavras para se explicar às pessoas."

Eu pre-ci-sa-va ler o livro que começa com palavras assim. Eu precisava muito. Larguei a revista de lado, entrei no site da Travessa ( comprem na Travessa, galera! Se der algum problema no seu pedido, uma moça esperta e fofa te atende por TELEFONE e resolve tudo. Confiem em mim!) e comprei O Filho de Mil Homens. Não quis saber quem era o autor, o Valter Hugo Mãe (ó o nome do cara!Rá!), não quis ler resumos e críticas sobre o livro. No fundo do meu coração, eu acreditei que Filho de Mil Homens seria um livro que me mataria de tanta beleza, portanto tratei de esperar que o carteiro viesse me entregá-lo. Bem, neste ponto do post, devo acrescentar que o fato de eu esperar o livro pacientemente se deve, em parte, à pessoa que traria os livros até mim. O carteiro aqui da rua, gente, é fofo! Fofo mesmo! Simpático, sorrisão, voz bonita. E eu morro de paixonite toda vez que ele chama o meu nome lá no portão. Um carteiro fofo torna a espera pelos pacotes menos dramática, eu acho. Bem, minha espera foi recompensada: o carteiro sorriu pra mim, e Filho de Mil Homens é um livro lindo.



Bem, quando falo que o livro é lindo, estou me referindo à única beleza a que tive acesso até agora, a beleza física. O livro é da Cosac Naify, aquela editora dos livros visualmente lindos, portanto   Filho de Mil Homens é um deleite pros olhos. Capa linda, miolo lindo, cheiro bom. Toda beleza do mundo. Tô apaixonada!Tô o cúmulo da superficialidade, julgando o livro pela capa! Do texto, só conheço os parágrafos  da primeira página. Bem, são parágrafos lindos também! É tanta beleza, tamanha é minha paixão à primeira vista que tô com medo de me decepcionar com os outros parágrafos. Não vou ler. Vou pendurar o livro no teto do meu quarto e olhar pra ele toda noite, antes de dormir.





quinta-feira, 10 de maio de 2012

Um Dia

Quero registrar  aqui que vi Um Dia e deixar um lembrete pra mim mesma: Jamais leia o livro! Jamais leia o livro! Jamais leia livro. Não sei se é um filme bom, não sei se Anne Hathaway foi  massacrada por causa do sotaque britânico, não sei se todo mundo concorda que o  Dex é a cara do ator da novela das sete.  Só sentei no tapete do quarto  e vi o filme.

É possível que eu tenha escolhido uma má hora para assistir. Eu tava cansada, tinha acabado de chegar do trabalho, num dia em que tenho de trabalhar com uma turma dementadora - é botar o pé na sala de aula que  toda  alegria e disposição se esvaem, e eu nunca aprendi o feitiço do patrono, então... Só sei que terminei o filme com uma tremenda dor no estômago e querendo dizer pra Emma: " Sei como é! Sei como é!"


P.S.: Achei clímax  do filme clichezão e desnecessário. 

P.S.2: Dex é um idiota mesmo ou a babaquice é toda daquele ator cheio de cacoetes? Li em algum canto que Jim Sturgess defende o papel com destreza. Bem, eu passei o filme todo querendo dar um jeito naquela suposta malemolência. Que nervoso!




***
UPDATE: O livro é fofo e honesto. Concordo com o comentário da Fabi aí embaixo, o filme é idiota.

Ahhh, Dex é um babaca, mas também uma doçura.

E, de fato, vi o filme num dia ruim. O filme parece uma apresentação de power point.


terça-feira, 8 de maio de 2012

A crise do presente

Sábado passado, fui ao shopping de noite. Eu sei, eu sei, loucura! Mas eu fui, não posso mudar o que já passou. Bem, eu até queria poder voltar no tempo e não ir ao shopping no sábado à noite porque um formigueiro deve ser menos lotado. Enfim. Entrei no shopping e senti o desespero se abater sobre mim. O que essas pessoas todas estão fazendo aqui? Vão sair tomar pra chopp, gente! Vão pro parque com crianças, gente! Aí me lembrei que dia das mães está pertinho e todos estavam lá pra comprar mimos pras suas progenitoras. Menos eu.


Eu tenho um problema - um sério problema: não sei dar presentes. Quer dizer, a coisa é mais complexa. Eu até  sei escolher coisas simpáticas pra agradar as pessoas. A questão é que nunca me lembro de dar presente. É aniversário de Fulano? Ótimo! Vamos lá comer, beber, festejar, esmagar o fulano com muitos abraços. E o presente? Eu nunca lembro de comprar, de fazer, de encomendar. Não é que eu seja pão-dura. Quer dizer, até sou, pra mim, pros meus impulsos consumistas. Pra comprar coisas legais pra quem eu gosto, abro a mão com mais facilidade.  O problema não é presentear; o problema é a obrigação. É um saco ter de dar presente. Minha presença não basta? Quem sabe se eu aparecer no almoço do dia das mães ou no aniversário de alguém embrulhada em papel colorida e com um laço na cabeça?

A bem da verdade, meu grande problema nem é a obrigação.Tipo, não consegui encontrar presente, não dou e pronto. O meu grande problema de verdade é que estou cercada de excelente presenteadores. E mais: as pessoas adoram me dar presentes. Eu vivo ganhando presentinhos, ainda que o aniversário não seja meu, ainda que não haja qualquer motivo. Já houve amigo oculto em que ganhei o presente oficial, um presente da pessoa que tinha me tirado no sorteio cancelado e um presente da pessoa que havia me tirado no ano anterior. As pessoas viajam e trazem coisinhas pra mim ( justo pra mim, que nunca trago nada pra ninguém). E mais: eu ganho presentes muito legais. Legais mesmo! Saca só esse: um dos meus sonhos de infância era conhecer Salzburgo, uma cidade da Áustria, por causa de um livro que li. Daí que minha amiga foi passear por lá e trouxe pra mim um kit fofo. Eu teria me contentado com os relatos da viagem, mas fui agraciada com um mapa da cidade ( pro dia em que for lá! ), cartões postais lindos e um moeda comemorativa. Morri, né? E o máximo que eu já fiz foi trazer uma linguiça de Minas pra ela, entregue com muito atraso porque deixei a linguiça congelada e esquecida no fundo do freezer por um dois meses. 

Nem vou listar as muitas outras coisas legais que já recebi porque o sofrimento é muito grande. Como é que eu vou dar um par de brinquinhos pra uma pessoa que encomenda meu presente de aniversário com meses de antecedência ? Com que cara apareço com um sapato qualquer na festa de uma pessoa que monta um bauzinho cujo fundo vem estampado com as minhas  fotos favoritas? Eu já ganhei um sanduíche de mortadela embrulhado com muito esmero, gente! ( Ok, é um presente estranho aparentemente, mas ,dentro do contexto,  foi o mais legal que recebi.)Sacaram o meu drama?Onde vendem ideias simpáticas e fofinhas? Será que devo me afastar dessas pessoas criativas que conheço? Meu caso não tem solução!

P.S.: Eu tenho peninha da minha mãe. Ter uma filha só não deve ser legal nessa época do ano.


segunda-feira, 7 de maio de 2012


"Só se pode viver perto de outro, e conhecer outra pessoa, sem perigo de ódio, se a gente tem amor. Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura."


Guimarães Rosa

" Descanso na loucura"

Depois que  recebi um sms no meio da madrugada perguntando por que apaguei esse post pieguinhas, tive que tirá-lo do limbo dos rascunhos.




Minha amiga que me conhece desde os 14 anos diz que fui uma adolescente difícil. Eu acho graça das impressões que ela guarda de mim porque sempre penso em mim como uma pessoa nula, sabe, inexpressiva, do tipo que não se faz notar. Sempre que digo isso minha amiga ri da minha cara e  diz que é fácil pensar um absurdo desses porque nunca estive do lado de fora, tendo de conviver comigo mesma. Bem, eu não tenho a menor ideia do que ela tá falando! Eu sou um doce, um anjo de candura, todo mundo me ama. Sempre fui assim! ^^

Me lembrei da minha amiga e da pessoa terribilíssima que fui na adolescência porque ontem um amigo retirou do fundo do baú algo que eu vivia repetindo sem parar no passado. Eu dizia que não sentia saudades, que enjoava das pessoas, que eu era adepta do desapego. Meu amigo disse, e eu tive vontade de rir porque inverdades são coisas engraçadas. A Juliana que dizia essas coisas tinha era pavor de pertencer, de precisar, de lidar com a dolorosa fisicalidade da saudade e da ausência. Porque amor é tão bom que a gente tem medo de que a fonte se esgote; amor é tão bom que ... Ah, o amor!

A gente tá aí nesse mundo que louva e industrializa o amor romântico e a paixão. Não sei vocês, mas eu às vezes me esqueço de celebrar o amor que não vem acompanhado de adjetivos, que pode ser chamado de amizade, de carinho, de sei lá o quê. Amor que aquece, que acolhe, que causa um aperto  bom no peito. Sabe quando você ama tanto que só de pensar se encolhe toda e suspira feliz? É tão bom precisar de outra pessoa, é tão bom ficar feliz porque outra pessoa tá bem, é tão bom estar  entre amores/amigos e se deleitar nos poderes maravilhosos que a sintonia e o afeto têm.

***

Ok! Esqueçam toda minha pieguice e fiquem só com o Rosa:

"Só se pode viver perto de outro, e conhecer outra pessoa, sem perigo de ódio, se a gente tem amor. Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura."





domingo, 6 de maio de 2012

Precisamos Falar sobre Kevin - Filme

Assim que terminei de ler Precisamos Falar sobre Kevin, quis ver logo o filme. Eu precisava ver Tilda Swinton na pele da Eva, eu precisava ver Kevin em movimento. Procurei pelo filme, mas  só achei por um preço salgadinho ( não, eu não sei e não gosto de baixar filmes), então desisti. Aí ontem esbarrei sem querer num dvd barato, comprei e corri pra ver.


Antes de dar minha opinião, quero contar que já tinha lido várias críticas sobre o filme, e todas elas pareceram unânimes : atores ótimos, estilo de filmagem pretensioso. Nem sei se existe esse conceito " estilo de filmagem", mas o que eu quero dizer é que a fotografia, a direção, a escolha narrativa soam pedante. Ao ler as críticas, fiquei meio besta porque não conseguia imaginar como poderiam ter transformado uma história daquelas em algo pretensioso. Dias atrás, li o que a Ju do Batom de Clarice, uma apaixonada pelo livro, disse a respeito do filme e fiquei ainda mais pasmada. A Ju não consegue entender como conseguiram fazer um filme como aquele partindo daquele romance incrível.

Bem, eu gosto de ler críticas de cinema e não costumo me abalar muito com elas. Em geral, acho interessante como essas leituras dos filmes podem ampliar sua percepção da história, das atuações. Então fui ver  Precisamos Falar curiosa pra entender por que tanta gente não ia com a cara do filme e esperando reviver , de outra forma, os sentimentos que aquele enredo apavorante me provocou. Olha, vou te dizer,que filme chato!Chato, chato, chato. O enredo do livro tá lá todinho, nunca vi uma adaptação tão fiel a um livro, até os diálogos do livro foram transpostos pra tela. O elenco, cara, o elenco! Tilda Swinton deveria ganhar um Oscar. Por que não deram um Oscar pra ela por esse filme, hein? Adorei os meninos que interpretam Kevin. O Kevin adolescente é exatamente como imaginava. Celia está perfeita. Eu só esperava um Franklin um tantinho mais bonito, mas o ator tb é ótimo. Aí vocês me perguntam: " Juliana, como é que o filme pode ser chato?" Sendo, eu respondo! De dar sono e vontade de pular pro final.


Eu concordo com os críticos que consideram a estética do filme pretensiosa. Não precisava de tanto vermelho,  não precisava daquela narrativa entrecortada, não precisava. No livro, a história chega até nós de forma não linear porque o que lemos são as cartas que escrevemos pro marido. A tentativa de transpor essa fragmentação pra  tela parece não surtiu efeito nenhum , a não ser dificultar a compreensão do enredo. Achei tudo confuso e pedante. Nem o final, que eu tava doida pra ver, conseguiu ser impactante.Eu teria ficado bem mais satisfeita com um filmão básico, cheio de intervenções do roteirista, mas que fosse capaz de me chocar, comover e provocar como o livro.

Alguém aí leu o livro e  também viu o filme? Que vocês acharam?


sábado, 5 de maio de 2012

Terra da garoa

Que preguiça! QUE PREGUIÇA! É brabo voltar à vida normal depois de passar quatro dias sendo deliciosamente mimada.



No feriado, fui dar uma passeadinha em São Paulo. Apesar do avião da ida e das seis horas de ônibus na  volta, acho estranho dizer que viajei pra São Paulo. Tão pertinho, logo ali. Fui passear nessa cidade que sempre ferra com a minha garganta e cisma de ficar absurdamente fria toda vez que boto meus pés por lá. Basta que eu vá pra São Paulo para que a cidade tenha sua noite mais fria do ano. Amante do sol quente e acostumada  a viver na abafada região metropolitana do RJ, precisei de muita coragem pra encarar o chuveiro e o vento frio que me deixou com as bochechas rosadas.

Apesar do frio, São Paulo, essa vizinha aqui do lado, sempre é gentil comigo. Sempre encontro paulistanos legais que impedem que eu pegue o metrô errado, que me levam aonde quero chegar, que sorriem só porque eu peço desculpas com esse sotaque bonito, lindo e maravilhoso que o Rio de Janeiro me deu. É bem comum chamar os paulistas de apressados, durões, sérios; eu prefiro chamá-los de gentilíssimos. Pode até ser que eu tenha tirado a sorte  grande  de turista e só tenha cruzado justamente com os únicos paulistas legais. Pode ser, mas eu duvido.

Dessa vez, fui pra casa da minha amiga Lia. Ela disse que, depois de me hospedar nos Jardins e na Paulista, eu  precisava conhecer a realidade da vida, então fui pra casa dela, num bairro menos engomadinho. Bem, fui tão feliz quanto daquela vez em que descobri que a Oscar Freire ficava ali na esquina. Eu tenho muitos motivos pra  gostar da Lia. Muitos. Ela diz pra todo mundo que eu sou legal, diz que meu cabelo é maneiro, me manda e-mails animados, me empresta os cobertores mais quentinhos do mundo, paga minha passagem porque eu nunca tenho dinheiro trocado, vai me pegar no aeroporto. Tá bom ,né? Não, tem mais. Lia é esse tipo de amiga que sabe antes de você que é hora de pedir arrego e te oferece todas armas e ferramentas para que você descanse um pouco da loucura dessa vida. Tem como não amar? E não é só isso! ( a iogurteira top therm faz um delicioso... =p) Lia vem acompanhada de um combo de amigos   tão especialistas na arte de fazer com que você se sinta bem que dá vontade de trazê-los pra casa, só pra garantir. Os amigos da Lia retribuem uma tarde que eu passei com eles no Arpoador com passeios por lugares com comida MARAVILHOSA , a ESPETACULARMENTE DELICIOSA pizza da Mooca, com casa acolhedora, presentinhos, simpatia, bom humor. Ai, ai.

Ah, posso bancar a turistona com vocês só um pouquinho? Cês conhecem o Museu da Língua Portuguesa? Se não conhecem, prometam pra mim que vão aparecer por lá quando estiverem em São Paulo. Prometido? Eu juro que é legal! Quer dizer, eu acho muito legal e queria que  todas as escolas do país tivessem um daqueles no pátio. Ah, e aproveitem pra comer pizza marguerita numa daquelas cantinas do Bixiga e qualquer pizza em algum lugar na Mooca. Dizem que toda pizza de São Paulo é gostosa, mas minha experiência me diz que não é bem assim. Eu só coloco minha mão no fogo pelas que comi nesses dois bairros. Ah, se der, comam  o pastel de palmito com queijo do Mercadão! Ah, claro,  tem também o sanduíche de mortadela ( que eles chamam de  "lanche" de mortadela). Já chega, né?

Só pra terminar, vou fazer  uma outra recomendação que não tem nada a ver com São Paulo, mas vale a pena aproveitar o post. Sabem o livro @mor? Queria escrever um post beeem empolgado sobre ele porque o livro merece, no entanto a preguiça, no momento, é maior que eu. Como boa preguiçosa, vou aproveitar o que a Lílian disse sobre o livro e assinar embaixo. Gente, eu fiquei doida por esse @mor! Deem uma olhada no resumo do livro. Quem curte esse tipo de livro, PRECISA ler @mor. Sério mesmo!

Agora, eu vou de verdade! Tá um sol bonitão lá fora e eu preciso ir ao supermercado. Feriado, São Paulo, sanduíche de mortadela, que saudade!


sexta-feira, 4 de maio de 2012

Pro moço da Vila

Se eu pudesse, eu te escolheria pra ser o meu amor. Minha opção, hoje, seria me atar a você, com elásticos longos que se estenderiam por onde você quisesse, mas que me manteriam perto, muito perto.Hoje, eu sossegaria minha testa na curva do teu pescoço e diria: aceito, topo, entendo, me rendo. Eu seria outra, essa que sou agora, e talvez você ainda gostasse de mim. Eu acho que você ia gostar, sim.Tenho ainda todas as suas lembranças. Sou ainda tão agridoce quanto você já sabia que eu era. Faço ainda dramas e estardalhaços porque minhas sobrancelhas nunca serão bonitas.

Mas o tempo é outro. O tempo não é mais nosso. Você ficou aí longe de vez. Sua vida deve ser muito legal - e eu espero mesmo que seja.  A gente não se encaixa mais, e eu estou em paz com isso. No entanto, nesses dias em que estive tão perto novamente, me dei conta de que o que eu julgava longe, quase os confins da Terra, são meros quilômetros, que, hoje, eu cruzo na hora que eu quiser ( e quando a grana permite). Dessa vez, não estive no seu bairro, mas fui perto. Se eu quisesse, eu poderia ter ido até a sua Vila. Caramba, é muito bom saber disso!