domingo, 13 de maio de 2012

Genealogia


Toda uma vida como filha única me deu perspectivas que somente uma pessoa que não tem irmãos é capaz de entender. Quando criança, os filhos únicos são perseguidos porque se encaixam na categoria dos que, supostamente,foram abençoados com a felicidade suprema.  Irmãos são os representantes da Frustração, da Injustiça e da Disputa na terra; não tê-los, te torna um ser especial. As outras crianças têm a certeza absoluta de que a sua vida é melhor, que suas dores e lamentações são infundadas, que seus presentes são mais legais porque, afinal, papai e mamãe são só seus.

Conforme os filhos únicos vão crescendo, suas credenciais vão perdendo o valor distintivo e passam a ser apenas uma característica. Vez ou outra, suas colegas adolescentes podem lamentar o fato de você não ter irmão mais velho para que elas possam cobiçar, mas a hostilidade da infância não entra em pauta. Adultos, os filhos únicos e os filhos que compartilham os pais com outros filhos quase se igualam. Quase.

Eu não tenho irmãos, logo não terei sobrinhos. Não, não adianta dizer que vou ficar pra tia. Por virtude do nascimento do Vinícius ,as pessoas querem sempre saber se não sinto necessidade de filhos. Eu respondo que não, para o desespero dos que sabem o ano em que nasci. Aos 27, meus óvulos são taxados de ultrapassados, coitados. A pergunta mais assertiva a ser feita seria: " Você não sente falta de sobrinhos?". Aí eu diria aquele "sim" desejoso.  Sim, quero o que não posso ter. Porque sobrinhos de marido devem ser bem legais, filhos de amigos são crianças que você ama implicitamente, mas essas criaturinhas não  podem te dar a experiência de conhecer alguém que é filho daquela pessoa que cresceu no mesmo útero  ( e incluo aqui os úteros simbólicos) que você. Taí algo que um filho único nunca vai entender.

Adulta, tenho a apresentar apenas uma geração de primos pequenos, dois meninos e uma menina que está por vir. Primos pequenos costumam confundir a cabeça das pessoas ( todo mundo para pra montar mentalmente a minha ávore genealógica) , e , não, não dá pra transformá-los em sobrinhos fake. A bem da verdade, todo esse papo serve apenas pra  alcançar uma questão mais complexa. A menina que vai nascer muito em breve é filha da minha afilhada.  Nasci dez anos antes da minha afilhada e , por conta disso, nunca fui uma madrinha tradicional, mas, de qualquer modo, sei que a madrinha é uma mãe stand-by. Pois bem,  lanço, então, minha dúvida: se a minha filha stand by vai ter uma filha, isso signifca que em breve serei "vó-drinha"? Eis uma questão encafifante, não acham? Me deem uma equação com logaritmos e números complexos que eu resolvo mais rápido.

Tudo seria mais fácil se eu tivesse irmãos. Tenho certeza.

3 comentários:

Luana disse...

"Me deem uma equação com logaritmos e números complexos que eu resolvo mais rápido." - eu também! E pode ate colocar uma integral ai, que fica mais simples do que ter que responder se voce vai virar vo-drinha... =)

Andrea disse...

Acho que sou a pessoa que menos liga pra criança ever. Não tenho aquela coisa de achar bebê a coisa mais linda do mundo, pegar no colo e ficar cuticuti. Trato meus primos como adultos (quando preciso entrar em contato com eles) e nem sou muito de ficar de mimimi com qualquer criança.

Não tenho esse tipo de questão existencial. Primos são primos, não tenho afilhados - é, sou filhaúnica. Filhos de primos são filhos de primos... Também não vou nessa de primo em segundo grau, terceiro... décimo. Algumas são pessoas eu nunca vou ver mais do que 3x na vida mesmo. (E uma provavelmente, em algum velório.)

É, acho que não é à toa que costumam me chamar de "seca". :P

juliana g. disse...

ju, sua linda, pode publicar aqui sim =D
o seu está na fila dos posts programados!

estou colocando por ordem de chegada.

beijocas