domingo, 8 de julho de 2012

Eu já tinha percebido que tinha engordado. As roupas não mentem, tenho espelho, essas coisas. Daí vi  as fotos lindas do meu aniversário. Bem, as fotos são muito mais certeiras que as roupas e o espelho. Me deu um certo desespero, tive vontade de picar a fita métrica, cogitei alguma dieta doida. Mas tudo isso já passou: marquei um nutricionista e vou começar a me mexer mais. Não sei que tipo de atividade física posso fazer. Academia não dá, não rola, e olha que sou até disciplinadinha quando quero. Vou pensar,vou pensar. Tô mesmo preocupada com o histórico de doenças cardíacas da minha família...Mas o ponto não é exatamente esse. 


Hoje, um conhecido chegou na mesma festa que eu tava, passou por mim e disse: " Oi, Gordinha!". Não respondi. Um homem adulto , pelo menos aqueles com quem convivo, não cumprimenta uma mulher adulta assim. Aí o conhecido insistiu: " Pô, não vai falar comigo?". Respondi: " Você tava falando comigo? Eu tenho um nome, e geralmente usam ele quando falam comigo!" Ok, eu não sou muito delicada! Ok, foi uma resposta muito quinta série B, mas, ah, a gente tem que enquadrar as pessoas, né? Aí o sujeito ficou meio sem jeito: " Pô, tu é braba. Não quis ofender. É que você engordou,né?"  E eu , ainda no espírito quinta série B: " Então, o meu peso é algo assim tão importante que até substitui meu nome?"  " Foi mal!" O sujeito sumiu de perto de mim e passou o restante da festa fazendo gracinha pra se redimir.

Eu vivo numa bolha. Na minha bolha, ninguém fala do corpo de ninguém. Quer dizer, a gente até fala ( e aperta, e abraça, e pega, e beija, e cheira), mas eu  não tô acostumada a ganhar epítetos que variam de acordo com a quantidade de gordura no meu corpo. Na minha bolha, todo mundo tem um nome e esse nome é usado sempre.  Não tô acostumada a ser chamada de  " negona", "gordinha", " elefanta". O tamanho da minha bunda ( e da bunda de ninguém ) não  é o meu sobrenome, sabe!

Tá, eu sei da nossa sociedade, do culto ao corpo, etc etc etc . Mas eu fico besta quando alguém vira pro outro e faz qualquer observação  sobre o peso. Comentários que vêm sempre acompanhados de um tom autoritário, como se o tamanho da sua barriga fosse um assunto a ser discutido por quem não a carrega. Acha feio ter pneu? Jamais namoraria uma mulher gorda? Não iria à  praia se tivesse coxas como a minha? Ótimo! Eu preciso das minhas coxas pra chegar até a praia, então eu gosto bastante delas. Mas eu sou eu. Deixe minhas coxas e minha barriga em paz e cuide das suas. Tão simples. Simples até demais.

Eu sempre me espanto com comentários desse tipo. E fico ainda mais espantada quando pessoas que mal sabem quem eu sou fazem observações sobre o meu corpo. Às vezes, eu penso que deveria me tornar mais calejada, gastar menos energia com situações como essa do cara da festa, mas  eu prefiro ficar indignadinha. Sei lá.  Preciso tentar  manter esse senso de respeito pelo corpo e pelo espaço das outras pessoas. E quero que me respeitem.

P.S.: Depois, mais pro meio da festa, o clima entre mim e o patrulheiro do peso alheio desanuviou. Ele é legal - só acha que é divertido dar apelidinhos pras pessoas. Ele deve ter sido o menino da quinta série B que chamava os outros de baleia.



16 comentários:

Cíntia Ribeiro disse...

Claro, moço, você tem todo o direito de se incomodar com a quantidade de gordura no meu corpo, porque é você que paga meu chocolate, né?

Eu, normalmente, devolvo esses apelidinhos com um equivalente. Ok, não é o mais bonito a fazer, mas não resisto.

A BHS tá com um programa pra deixar todo mundo em forma, tem até nutricionista pra atender lá na fábrica mesmo. Vou marcar uma consulta assim que voltar das férias. Ficaria mais feliz se houvesse uma academia boa perto de casa, mas, já que não tem... Por mais incrível que pareça, eu gosto de malhar.

Cor de Rosa e Carvão disse...

O cara é legal? Não,não... O cara é um trolha, isso sim. E Ju, tamu junto nessa colega. Também engordei...

Luana disse...

Eu detesto essa patrulha da dieta... A minha família só tem gente magra, dai a minha mae deu uma engordada quando meu pai ficou doente (doente mesmo, câncer, terminal) e o povo "nossa, mas você não pode engordar assim!".

Porra! Nao? Tenta segurar a sua sanidade mental com o marido morrendo num hospital?

Nao que isso justifique.. Na verdade se ela quisesse engordar era problema dela! O que me mata eh que as pessoas se sentem no direito de cobrar, de apontar... A gente tem espelho e balança, ne?

E olha, eu vivo na mesma bolha que voce...

Felipe Fagundes disse...

Fiquei horrorizado com o comentário do cara (E mais ainda com a sua resposta, imagina essas palavras com a voz fofa. Envergonha qualquer um Hahahah).
O chato disso é que o cara era só um "conhecido", se fosse um amigo eu até não me importaria (Se bem que nenhum dos meus amigos me chama de "magrinho" ou coisa parecida). Mas um conhecido É FOGO!
"Não quis ofender. É que você engordou,né?" PUTZ! Cadê o bom senso?

Uma das coisas que me incomoda nessa vida é pessoas ofenderem (propositalmente ou não) outras por coisas que não se pode fazer muito a respeito. Tenho um amigo que é estrábico e fico pra morrer toda vez que alguém o cita como "zoinho" ¬¬

Engraçado você comentar dessas fotos, porque eu também as vi (Se forem aquelas do piquenique no Facebook. Se não for, finja que são ) e não reparei em nenhuma mulher gorda. Sério, as fotos são mesmo lindas! E o que vi foram muitas pessoas felizes, tão felizes que cheguei a escrever um comentário de "Quero essa quase felicidade pra mim!" mas apaguei porque talvez ninguém fosse entender que isso fazia referência à uma das suas antigas bios aqui no blog. "Juliana, X anos, quase feliz" :-)

PS: Não sei se vale a pena emagrecer muito. Pessoas magras tem os piores abraços (Digo isso por mim mesmo rs)

Vanessa Carneiro disse...

Aff! Que cara sem noção esse! Povo que não tem o que fazer e quer cuidar da vida alheia.

Juliana disse...

Cíntia, me ensina essa fórmula de gostar de malhar! kkk Eu odeio! Musculação é tedioso demais.

Elaine, dá a mão aqui, amiga!

Pô, Luana, que bizarro, né?

Ah, Felipe, eu dou essas respostinhas infantis e depois fico morrendo de vergonha. Mas é mais forte que eu . Ainda tenho 12 anos. hihihi Acho que se fosse um amigo, eu tb não me chatearia, mas só tô dizendo isso porque meus amigos não são do tipo que comentam nada assim, a não ser que vc mesmo comece com o assunto.
Por que vc apagou o comentário nas fotos? Poderia ter deixado, eu teia entendido! =) Tão bonitas, ne? Tava um dia lindo, aquele lugar faz qualquer um relaxar e ficar animado.

Palavras Vagabundas disse...

Detesto gente que fala de corpo, do seu ou dos outros, a maior invasão, também ficaria indignada.
bjs

Fabi disse...

Nossa, vc foi finérrima. E o cara, nossa, sem noção, sem educação e sem espelho em casa.

Nicole disse...

Que i-d-i-o-t-a! mandava logo enfim haha mas o que realmente importa é a sua saude e como voce se sente consigo mesma! e siiiiim! a bolha! nossa tudo seria tão melhor se cada um vivesse na sua! e voce agiu super certo (:

Laís Doce disse...

Como você é uma dama! Eu mandava logo ele a m... pra aprender a ser gente!! kkkkkkkkkk Sem noção MASTER!

Fernanda disse...

Não sou de comentar muito por aqui, mas AMEI ESSE POST e precisava dizer isso! ;)

Me identifiquei totalmente em tudo o que vc falou. A única diferença é que eu provavelmente não teria tido a sua coragem de dar uma resposta malcriada. Eu provavelmente só teria dado um sorriso sem graça e engolido o sapo, me sentindo uma grande idiota. Então, parabéns pela atitude de colocar o folgado em seu devido lugar! ;)

Bjs

Juliana disse...

Vocês são " chapa quente", hein? kkkk Eu sou respondona, mas morro de vergonha depois. Queria dar respostas mais elaboradas, aquela coisas que dizem nos livos, e não dizer bobagenzinhas que denunciam a minha imaturidade! kkkkk

Fernanda, eu não sou exatamente corajosa. Sou agressivazinha de natureza, até quando não quero saem respostas desaforadas da minha boca. A única coisa boa nisso é que não levo muitos desaforos para casa, mesmo quando fico calada, porque dizem que minha cara é pior que qualquer resposta. hihihi

Daniela disse...

A coisa mais legal do tempo que eu passei na Europa é que o peso não era questão, não era tema de conversa, e a única vez em que ouvia coisas como "amanhã só na saladinha", "exagerei hoje, furei a dieta" ou "qualquer frase com a palavra dieta no meio" é quando eu estava com brasileiras.

É uma coisa onipresente isso no Brasil, a dieta. Mesmo qdo ninguém fala dela. Eu já sabia pq -oi?- minha família não deixa ninguém esquecer isso jamais. Mas não sabia o peso que isso trazia pra minha vida até sentir que eu estava mais...leve.

Olha, não dá pra explicar o bom que é não ter ninguém te julgando pq vc tá gorda-magra-engordou-emagreceu

Lilian disse...

Eu dou resposta e não me arrependo depois. (Mentira, posso até me arrepender, mas não demonstro não).

Quer me tirar do sério é me tratar como um objeto e achar que devo ser assim ou assado. Eu sei como é viver estando acima do peso, eu sei onde meu calo aperta e ó, de mim, tirando a gordura, ainda fica a personalidade. E esse povo que, se não for pelo corpo, não tem nada?

Acho que sou tão casca grossa que ninguém nunca se atreveu a me chamar desses nomes. Tão triste quando as pessoas não conseguem ver além das aparências, né...

Bjs!

Miriam disse...

O cara foi um babaca.... Sem mais.

livroseoutrasfelicidades disse...

Salvo o médico cardiologista, não sei quem mais tem direito a dizer qualquer coisa sobre seu peso.
Esse seu conhecido é um babaca.