quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Duas rodas





Um dos meus grandes desejos na infância era ir pra escola de bicicleta. Eu tinha uma bicicleta roxa e bonitinha e queria muito chegar na aula em cima dela. Mas minha mãe nunca permitiu a realização desse pequenino sonho. Não, minha mãe não era uma bruxa má e castradora ( só um cadinho!); minha mãe era sensata. A escola em que estudei durante todo o ensino fundamental ficava à beira de uma estrada movimentadíssima, que só recentemente recebeu sinalização adequada. Uma menina, uma bicicleta, uma estrada mal sinalizada não é combinação legal, né?

Hoje, muitos e muitos anos depois, a bicicleta não existe mais, a escola não existe mais, porém eu fiz o caminho que fazia até a escola montada numa bicicleta. Quer dizer, na verdade, eu fui até a agência dos Correios, que ainda está localizada pertinho da minha antiga escola.  Desde ontem, eu estava enrolando pra despachar o pacote que precisava enviar, por pura preguiça de caminhar até aquele bairro longíííínquo. Quando menina, durante 8 anos, fui e voltei da escola a pé, pelo mesmo caminho que leva à agência dos Correios e tô aqui vivona, mas essa Juliana de 2012 acha que ir ao Correio é o equivalente a percorrer uma meia maratona. Mas eu tinha mesmo  que mandar esse pacote, então, vencendo a preguiça, subi na bicicleta e fui.

Eu adoro andar de bicicleta. Adoro mesmo! Dar voltinhas numa rua retinha, passear num parque, andar naquelas bicicletas duplas da Quinta da Boa Vista. Mas DETESTO usar a bicicleta como meio de transporte. Sou uma péssima ciclista. Na verdade, eu sou péssima com qualquer coisa que envolva guiar e diferenciar esquerda e direita. Toda vez que alguém me pergunta quando  vou tirar a carteira de motorista, afirmo que primeiro preciso aprender a conduzir a bicicleta por aí. Andar de bicicleta no trânsito é um pesadelo pra mim. Vou pedalando e pensando nas muitas chances que tenho de ser atropelada, de atropelar alguém, de cair e quebrar o pescoço. 

Ao longo da estrada que passa em frente à minha escola, construíram uma pseudociclovia; pseudo porque não tem uma sinalização clara, parece uma longa calçada inacabada ou um prolongamento esquisito da estrada. Eu evito essa ciclovia como quem evita a morte. Imagina se eu atropelo uma daquelas pessoas que usam a ciclovia como calçada, a pessoa cai pro lado da pista, um carro por cima? Imagina se EU caio e... Enfim. No entanto, hoje, eu resolvi encarar a ciclovia fajuta. Me armei de coragem, tentei deixar esses pensamentozinhos saudáveis de lado e coloquei as rodas no asfalto. Foram 15 minutos ( pois é, o trajeto é ridiculamente curto) de emoção, ranger de dentes, longas esperas nos cruzamentos ( eu desço da bicicleta e sé atravesso as esquinas quando não vem carro NENHUM. Sintam o espetáculo!), desejo profundo de arrancar a cabeça dos pedestres que saltitam pela pseudociclovia. Bem, sobrevivi! Muitos fogos de artifício pra mim! 

O único senão dessa minha aventura não está diretamente ligado à bicicleta, e sim ao fato de eu morar perto do trabalho. No caminho entre minha casa e os Correios, encontrei CINCO alunos e ex-alunos. CINCO. E todos eles fizeram questão de acenar, gritar meu nome, parar do meu lado pra perguntar a nota do teste de ontem. Francamente! Se algum deles perguntar por que não retribuí os acenos,  devo dizer que morro de medo de tirar as mãos do guidão?

E vocês, gente? Cês são bons ciclistas?

P.S.: Essa bicicleta ( na verdade, é um triciclo,mas façamos de conta que é uma bicicleta) da foto está na vitrine duma loja lá em Búzios. É, eu tiro foto de bicicletas em vitrinas de loja! Se eu ainda tivesse 10 anos, ia querer ir pra escola com uma bicicleta assim.


7 comentários:

Cíntia Ribeiro disse...

Eu também adoro bicicleta... Ainda me lembro do dia em que ganhei a minha, aos 3 anos, com uma sandália horrorosa de plástico e quatro caixas de bombons Garoto (uma, com os bombons pregados no corpo da bicicleta. As outras três seriam, teoricamente, uma pra mim, uma pra minha mãe e outra pro meu pai, mas eu sabia onde minha mãe escondia as coisas...) Pena que no meu bairro não haja um lugar decente para pedalar. Quando era criança, eu passava horas subindo e descendo aqueles morros, mas hoje não dá mais pra sair só por sair, com aquelas ruas estreitinhas e o trânsito ruim até dentro do bairro. Então fico só na vontade, mesmo.

Acho que sou uma boa ciclista. Já fiz algumas loucuras e nunca caí.

Palavras Vagabundas disse...

hahaha, eu já andei mais de bicicleta. Minhas filhas e o genro fazem tudo de bicicleta pelo bairro, eu já sou mais medrosa. Tenho visto muitos idosos com tricículo, estou pensando em comprar um, não que eu seja idosa, rs
bjs
Jussara

Cheshire cat disse...

Andar de bicicleta é o único exercício que me dá prazer de verdade, mas por enquanto a minha está guardadinha na casa da minha mãe pois não há lugar para ela no meu apertamento. Não veja a hora de arrumar um cantinho para a minha magrela, mas não sei se vou ter coragem de encarar o trânsito em São Paulo.

Anália disse...

Quando eu era criança, morava em Perdizes, bairro cheio de ladeiras muito íngremes e de paralelepípedos, e tb movimentado, do lado da PUC. Jogar bola e andar de bicicleta era meio impossível. E se não aprendeu de pequeno, já viu... Morro de medo!
Bjs,
Anália

Rita disse...

Adoro bicicleta. Adoro minha bicicleta. Meu bairro é cheio de ladeiras. Humpf.

Anônimo disse...

Redescobri a bicicleta tem duas semanas, resolvi tirar a poeira da bichinha que estava acho que uns bons anos, mais de 10 "escondida" no bicicletário do condomínio, quando ficava na varanda, ficava com preguiça de descer as escadas do segundo andar com ela. Depois os anos foram passando e os kg se acumulando, como moro próximo do Corredor Esportivo uma área de lazer com ciclovia, uns 5 minutos de pé, e uns 3 de bike e ODEIO fazer caminhada, já basta as que faço para ir para o trabalho, voltei a pedalar e estou adorando, apesar das dores pelo corpo. Ando tranquilamente, mas aqui na ciclovia onde ando, o povo também faz de pista de cooper e utiliza para caminhar, então imagina a cena, andar de bike, desviar dos pedestres e se cuidar para não cair na baia de Guanabara pois não tem proteção. Esse fim de semana 09/09 vou fazer um passeio por toda a Ilha do Governador com um grupo de ciclistas, no total de uns 22km e vou tentar me animar e começar a vir para o trabalho de bicicleta, mesmo trabalhando no "fim" da Ilha. Adoro as suas histórias. bjs Ps.: Desculpa pelo tamanho do comentário...acho que me empolguei.rs

Um brasileiro disse...

Oi. Tudo blz? Estive por aqui e gostei. Muito legal. Muito tempo faz que não ando de bicicleta. Apareça por lá. Abraços.