quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Queria escrever um monte de coisa, mas tô tão cansada que até pra piscar dói. Vim aqui rapidinho pedir a vocês, caros leitores, que me amem um pouquinho hoje - só um pouquinho já basta - porque, ó, a chapa tá quente, parceiro.


sábado, 27 de outubro de 2012

Presente de natal

Tô aceitando muito uma dessas daqui, hein:




Eu  ainda sinto  peninha do Smelly Cat e tenho  I´ll be there for you como toque do meu celular.


Nada é mais não atraente do que um homem que faz discursos. Certo, muitas coisas são mais não atraentes que isso, eu sei. Mas se o cara é todo ótimo, perfeito e discursador, todos os adjetivos positivos caem por terra imediatamente. Não importa se tudo que ele diz faz sentido, não importa se  você compartilha daquelas convicções muito coerentes, não importa se a voz dele é bonita como o canto das sereias. Meu pensamento vagueia por  campos de margaridas azuis todas as vezes que o discursador começa com " Veja bem, eu acho que..."

***

Todo um fim de semana focado em um único objetivo: comer um sanduíche.


***

Ainda estou lendo Emma. Tinha dado um tempo, mas agora voltei. A cada página, fico mais apaixonada pelo livro. Muito, muito, muito amor mesmo!

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Os favoritos

Já tenho uma turma favorita. Eles são tão barulhentos, escandalosos,  irritantes, indelicados quanto os outros, mas têm um não-sei-o-quê  que me faz ter mais vontade de trabalhar nas quartas e quintas. Eles são engraçados e fazem umas coisas engraçadas que me arrancam risadas inoportunas e me surpreendem. A gente não se esquece de como é ser tão jovem, mas fica achando que esses novos jovens são muito diferentes do que fomos. No entanto, prestando atenção, tão lá os mesmos índices, as mesmas necessidades e delícias.

Esses meus alunos, como os outros da mesma idade, detestam quando os chamo de " criancinhas bonitinhas", mas não me deixam esquecer que a caneta que uso pra dar visto nos cadernos tem de ser a cor de rosa. Professora, a caneta amarela é da outra turma! A nossa é a rosa! Vou trazer uma caneta pra senhora. Há entre eles uns meninos bem terríveis, cujos nomes já decorei de tanto que chamo, peço, grito, mas também são desses meninos algumas das  melhores notas, algumas das ideias mais legais. Eu sou bagunceiro, mas não sou burro! Quase todos falam mais alto do que o necessário, mas um silêncio ensurdecedor enche a sala quando coloco qualquer coisa no quadro. Saio da sala cansada de ir de mesa em mesa porque as dúvidas são muitas, as perguntas são muitas e todos querem ser atendidos ao mesmo tempo. Ainda não tenho o dom da ubiquidade, gente!Calma aê! Tá xingando a gente, professora?

E há os amores - e os amores merecem um parágrafo só pra eles. Da minha posição privilegiada lá na frente da sala, vejo os olhares melosos que ninguém mais percebe. Esses adolescentes parecem cínicos tantas vezes, mas são uns românticos também.Dia desses,  parei do lado de um deles, o danado não tinha começado a ler o texto. Chamei, chamei e nada. Fui procurar o alvo do olhar dele: era a menina do cabelo estonteamente bonito sentada mais adiante. Quando me notou, o moço, marrento e metido a aluno difícil, disfarçou a cara de peixe morto, mas eu já tinha visto. Rá! E sorri pra ele, cheia de uma cumplicidade que ele odiou. E esse é só um dos apaixonados da turma.




quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Ouvi de uma menina de 13 anos: " Eu não vou fazer porque você tá pedindo, vou fazer porque eu quero. Eu só faço o que eu quero." Eu ri. Não devia, mas ri. Não gargalhei; foi um riso fraco, tão cansado quanto as outras partes do meu corpo. Um riso que a menina não entendeu. O objetivo dela era me afrontar; ela tem 13 anos, afrontar figuras de autoridade faz parte do pacote.

Eu ri porque a fala dela é tão carregada dessa ilusão besta que a gente gostaria de ter: a de viver pro nosso desejo.Também estava nos meus planos fazer só o que eu quero. Nossa! Acordo todos os dias certa de que só o que eu quero me importa. Mas, né, nem preciso dizer nada. 





segunda-feira, 22 de outubro de 2012



Eu carrego por aí uma mochila enorme e, às vezes, ela me parece a metáfora da solidão que me bate no meio da manhã. A solidão se entranha nas horas das manhãs foscas e me invade por dentro, como água rompendo represa. Sento, abro um livro, mexo no celular, como meu iogurte, bem ali ao meu lado, o mundo acontece e eu olho. Gosto do mundo, nada me apetece mais que devorar o mundo, mas aí eu presto atenção, ouço as indelicadezas, ouço as não bondades, ouço umas palavras pras quais não tenho escudo. Eu não tenho escudo pro mundo. O mundo me afeta - pro bem e pro mal- de tal modo que me pergunto se vale a pena expor minha pele calejada de amores e delicadeza. Sou mundana - que  fique claro- , muitíssimo mundana, mas gosto mais da maciez e dos vínculos. Acho tão difícil estar e não estar, ser e não ser, confiar e não confiar.

A alternativa é essa solidão que me pesa nas costas e faz um vinco na minha testa.

***

"Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
(...)

Este o nosso destino: amor sem conta,

distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor à procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa, amar a água implícita,e o beijo tácito, e a sede infinita."
( Amar - Drummond)

Paixonite

A combinação simpatia + ótimo humor + sorriso de aquecer o coração + 1,80m + voz bonita devia ser proibida, eu acho.

sábado, 20 de outubro de 2012

Sempre aviso às pessoas que elas tão um cadinho enganadas: pareço fofa, mas não sou. Reconheço que tenho  voz fofa, bochechas fofas, gesticulo fofamente com as mãos, meu sorriso é de uma fofura que até me espanta quando o vejo nas fotos.Mas eu, euzinha, o conjunto da obra, não sou fofa.

E se eu andasse por aí com uma camiseta assim: " Não sou fofa. Sou pseudofofa" ? Seria bom? Daria mais certo? Evitaria os problemas que a fofice presumida acarreta de vez em quando?

Ou eu deveria simplesmente dizer " dane-se você que achou que eu fosse o que eu não sou e se ferrou"?



sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Prazer, Emma Bovary

Eu cresci ouvindo minha vó dizer que odeia gatos. Gato é bicho chato, bicho que traz doença, bicho egoísta. Pobres gatos! Mas se por um lado sempre ouvi esse discurso de repulsa, por outro, a prática é bem diferente. Tivemos duas gatas aqui em casa, Miau e Shakira ( sem comentários sobre os nomes, por favor), e muitos gatos passaram por esse quintal, onde sempre houve uma vasilha de água e um restinho de comida pros gatos sem dono. 

Semana passada, apareceu no portão de casa uma bolinha de pelos, magrela e esfomeada,  tão pequena que cheguei a tropeçar nela. O vizinho do lado arranjou uma vasilhinha com ração, eu botei uma vasilhinha com água, e a pobre da gatinha esfomeada parou de miar feito uma louca e nos deu um pouco de paz. Daí veio feriado, passei quatro dias fora. Quando voltei, a gatinha esfomeada já tinha novas acomodações: uma caixinha forrada, vasilhas de comida e água e o rato de brinquedo que comprei pro Paulo Victor. Sim, um rato pra fazer companhia, tadinha. Tudo isso na varanda da minha casa, perto da máquina de lavar.

Minha vó jura que a gatinha magrela é uma hóspede, mas eu achei por bem não manter um ser sem lenço sem documento aqui em casa. Nossa " hóspede" precisava de um nome e sobrenome, né? Depois de muitas especulações, chegamos a um consenso, e eis que lhes apresento Emma Bovary  (Emminha pros íntimos):


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Se você se chama Juliana, não tem o direito de falar nada a respeito do nome de ninguém. Juliana é o"Maria" da minha geração. Darei a vocês dez segundos pra que possam calcular quantas Julianas vocês conhecem? 10.9.8.7... Viram? Vocês conhecem pelos menos umas 3 Julianas. Uma coisa que uma Juliana aprende cedo na vida é não ter exclusividade.

Feita toda essa introdução dramática, vamos ao que eu queria dizer mesmo: Por favor, futuros mães e pais,existem muitos nomes possíveis pra seus filhos, muitos mesmo.  Por favor, o mundo não precisa mais de Mateus, Lucas, Gabriéis , Pedros, Jéssicas. Facilitem a vida dos futuros professores dos seus rebentos.

Fiz um pequeno apanhado dentre os meus novos alunos adolescentes:

2 Andrews - Um em cada turma. Nunca sei quem é de qual turma.

5 Jéssicas -  " O nome dela é Jéssica/ eu já falei pra vocês/ Ela é a coisa mais linda / que Deus pôde fazer"

12 Pedros - Tem Pedro Henrique, Pedro Ivo, Pedro Miguel, Pedro só Pedro.

Aproximadamente 15 Anas - Tem Ana de todo tipo- Clara, Luiza, Helena, Paula, Letícia.

Uns 500 Gabriéis- Todos os meninos de 12 anos desse mundo têm nome de anjo, meu Deus! Hoje, na dúvida, chamei um menino de Gabriel e adivinhem... Acertei.

4 Carolines

5 Mateus

1 Sandy

Sim, uma das minhas alunas se chama Sandy. E devo dizer que, como uma digna representante da geração dig dig joy, é incrível estar lá fazendo a chamada e de repente chamar por uma Sandy. 




quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Livrinho

Lembram que eu reclamei uma vez que nunca ganhava sorteios? Essa falta de sorte até inspirou o sorteio de aniversário do blog. Então, já posso parar de reclamar. Há um tempo a ganhei chocolates belgas da Luana; hoje acabou de chegar o livro que a minha xará sorteou:







Vou começar a reclamar que a minha conta tá no vermelho, que meu coração tá vazio,  que nunca estive em Paris... Vai que funciona!

Dar aula pro sexto ano significa querer estourar um tímpano pra não ter de ouvir " ele pegou meu lápis" mil vezes a cada hora. Mas também significa ganhar beijinho na bochecha na hora da saída.

Smack!

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

E quando esfregam um ato falho na sua cara? Olha...

Descanso dos barcos



Quando avisto os barcos descansando no mar, o vento gelado da tarde entrando pelos buraquinhos do meu casaco, penso que tô na profissão errada. Meu ofício deveria ser o de pescadora. Eu jogaria a rede e seria um grande arrastão. Não haveria salário melhor.

( Mentira! Não como peixe nem frutos do mar, tenho pavor de água fria, sou obcecada pelo protetor solar. Mas sou do mar. Sou dos desenhos rasbicados na areia, sou da espuminha das ondas, sou das estrelas feitas de raio de sol. Sou de girar só pro  vento  brincar com o meu vestido.)

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Eu, rejeitada

Tô num emprego novo, escolas novas, alunos novos. Mas no fim do ano letivo? Sim, no fim do ano letivo! Não perguntem. Antes de mim, havia uma outra professora: fofa, legal, colorida. Daí eu cheguei, sem aviso, sem preparações, e conheci a face adolescente da rejeição. Uma parte dos alunos começou a gritar o nome da antiga professora, a outra parte marchou pra direção a fim de obter mais explicações. Quando a coordenadora veio, eu já tinha convencido os que gritavam o nome da professora de que ela não os havia rejeitado, que eu não era uma terrível usurpadora, que burocracia faz parte da vida, acostumem-se. A palavra da coordenadora deu a acalmada final, e eu consegui trabalhar.

Eu entendo os alunos. Estive com a professora fofa, legal e colorida por uma horinha e tô aqui lamentando a falta de oportunidade de me tornar melhor amiga dela.  Além do mais,  a sala de aula  é resultado de uma rede afeto, afinidades e troca - pro bem e pro mal. Substituição de professor  parece com   a saída de um ator do seu seriado favorito. O cara vai embora fazer carreira no cinema, matam o personagem dele e os fãs levam um tempo fazendo campanha no site da emissora até que se acostumam.

( agora, vou dizer pra vocês: sou sensata, descoladinha e tal, mas não deixei de me sentir um cocozinho diante do olhar desconfiado daquele monte de adolescentes.)

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Não só, mas também

Mas esse blog tá uma macambuzice só, né? Credo! Assim vocês todos vão sair correndo e achar que eu não faço outra coisa a não ser chorar. Eu choro sim, mas no meu cantinho porque tenho uma fama de má a defender. Mentira! Choro no meu cantinho porque a vida não para e a gente tem que ser alegre e triste de acordo com a demanda. Há umas coisinhas tristes acontecendo, mas há as alegres também. Como sempre.

Pra espantar esse clima de arrastar de correntes, com vocês ( especialmente pra @tiapaula), aquele que sempre me faz alegre:


Não dá pra ser infeliz depois de ouvir o Mika. Não dá! Dança aê, gente! Tem que dançar mesmo, hein!








Angústia que é angústia aparece às 3 da manhã de um dia em que você precisa dormir bastante.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Não é mau humor. É tristeza. Porque a minha amiga vai morar longe e eu não quero que ela vá. Ok, somos adultas, eu tenho 28. Ela vai pra um lugar bonito, ela vai pra ser feliz, mas eu tô nem aí. Se houvesse uma votação, um plebiscito: ela vai ou fica? Eu votaria no fica.Não quero saber que vai ser legal, que ela é amada, que é um mundo novo. Não quero. E cada vez que alguém diz: " Que maneiro, que legal!'. Vou ficando mais triste, e a minha tristeza é raivosa. Parece cara feia, má vontade, impaciência, mas é tristeza. Uma tristeza engraçada porque não é uma partida definitiva, não é a morte, não é irreversível. Mas é. Tá aí. 

Ela vai pra tão longe  e eu não sei o que fazer com os bônus do meu celular.  Meu celular tem bônus diários que não são o bastante pra nossas conversas. A gente detona os bônus do celular e termina o papo no telefone fixo, rapidinho, porque se deixar... Ela disse que vai me ligar, mas DDI não é bônus de celular. O skype não é o meu celular. 

Ela vai pra tão longe e eu não dou conta de dizer tchau. Provavelmente, não vou dizer nada. Ou direi algo como " se eu pudesse, eu arrancaria o seu braço, assim nós teríamos um pedaço de você  pros momentos de saudade." Se eu disser algo assim, ela vai rir e dizer que uma fala como essa é típica de mim - uma fala simpaticamente opressora. E ainda que eu não diga nada, ela vai saber que a ausência dela vai doer como o diabo. Meu celular sentirá falta dela todos os dias. Os bônus do meu celular vão se acumular e vencer.

Minha saudade é antecipada. Ela ainda não foi. Ela vai voltar. Mas minha saudade chegou antes porque é uma saudade vidente, uma saudade que antevê o tempo em que tudo será mais definitivo.É uma saudade precoce e raivosa.

E nem dou conta de escrever mais porque as lágrimas tão grudando os meus cílios e a tela tá parecendo um borrão.



Quer me deixar pu-tís-si -ma? Me diga que eu não posso/devo sentir o que eu tô sentido.

Gente que finge que sente o que não sente só porque não pode/deve sentir deveria ser infeliz sozinha.

( eu não sou muito dada a palavrões, mas "putíssima" é uma palavra ótima! Muito eufônica, eu acho!)

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Por não saber dizer adeus






"So kiss me and smile for me
tell me that you'll wait for me
hold me like you'll never let me go
'Cause I'm leaving on a jetplane,
don't know when I'll be back again,
oh babe I hate to go
I hate to go..."

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Item essencial de sobrevivência: saco de papel pra colocar na cabeça em horas como essa.

Quando foi que me tornei essa pessoa que acha todo mundo chato, feio e bobo?

(claro que vcs, queridos leitores, não se incluem nessa categoria,neam?)