segunda-feira, 22 de outubro de 2012



Eu carrego por aí uma mochila enorme e, às vezes, ela me parece a metáfora da solidão que me bate no meio da manhã. A solidão se entranha nas horas das manhãs foscas e me invade por dentro, como água rompendo represa. Sento, abro um livro, mexo no celular, como meu iogurte, bem ali ao meu lado, o mundo acontece e eu olho. Gosto do mundo, nada me apetece mais que devorar o mundo, mas aí eu presto atenção, ouço as indelicadezas, ouço as não bondades, ouço umas palavras pras quais não tenho escudo. Eu não tenho escudo pro mundo. O mundo me afeta - pro bem e pro mal- de tal modo que me pergunto se vale a pena expor minha pele calejada de amores e delicadeza. Sou mundana - que  fique claro- , muitíssimo mundana, mas gosto mais da maciez e dos vínculos. Acho tão difícil estar e não estar, ser e não ser, confiar e não confiar.

A alternativa é essa solidão que me pesa nas costas e faz um vinco na minha testa.

***

"Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
(...)

Este o nosso destino: amor sem conta,

distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor à procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa, amar a água implícita,e o beijo tácito, e a sede infinita."
( Amar - Drummond)

3 comentários:

Lilian disse...

Você me definiu nesse texto, Ju. Nem consigo dizer mais nada.

Rita disse...

<3

livroseoutrasfelicidades disse...

Sei que o sentimento não é bom, mas o texto ficou lindo.