sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Não é mau humor. É tristeza. Porque a minha amiga vai morar longe e eu não quero que ela vá. Ok, somos adultas, eu tenho 28. Ela vai pra um lugar bonito, ela vai pra ser feliz, mas eu tô nem aí. Se houvesse uma votação, um plebiscito: ela vai ou fica? Eu votaria no fica.Não quero saber que vai ser legal, que ela é amada, que é um mundo novo. Não quero. E cada vez que alguém diz: " Que maneiro, que legal!'. Vou ficando mais triste, e a minha tristeza é raivosa. Parece cara feia, má vontade, impaciência, mas é tristeza. Uma tristeza engraçada porque não é uma partida definitiva, não é a morte, não é irreversível. Mas é. Tá aí. 

Ela vai pra tão longe  e eu não sei o que fazer com os bônus do meu celular.  Meu celular tem bônus diários que não são o bastante pra nossas conversas. A gente detona os bônus do celular e termina o papo no telefone fixo, rapidinho, porque se deixar... Ela disse que vai me ligar, mas DDI não é bônus de celular. O skype não é o meu celular. 

Ela vai pra tão longe e eu não dou conta de dizer tchau. Provavelmente, não vou dizer nada. Ou direi algo como " se eu pudesse, eu arrancaria o seu braço, assim nós teríamos um pedaço de você  pros momentos de saudade." Se eu disser algo assim, ela vai rir e dizer que uma fala como essa é típica de mim - uma fala simpaticamente opressora. E ainda que eu não diga nada, ela vai saber que a ausência dela vai doer como o diabo. Meu celular sentirá falta dela todos os dias. Os bônus do meu celular vão se acumular e vencer.

Minha saudade é antecipada. Ela ainda não foi. Ela vai voltar. Mas minha saudade chegou antes porque é uma saudade vidente, uma saudade que antevê o tempo em que tudo será mais definitivo.É uma saudade precoce e raivosa.

E nem dou conta de escrever mais porque as lágrimas tão grudando os meus cílios e a tela tá parecendo um borrão.



6 comentários:

Felipe Fagundes disse...

Ah , Ju :-/

Estou passando por uma situação semelhante. Minha melhor amiga de todos os tempos, que trabalha comigo, vai mudar de emprego mais cedo ou mais tarde. E eu sei que isso será ótimo pra ela mas não quero que ela vá! Mas também não aceitaria que ela ficasse! Confuso, né?

Rita disse...

Minha amiga mais amigona de todas possíveis foi embora há muito tempo. A gente se vê, em média, uma vez a cada, sei lá, três anos, talvez. A amizade continua igualmente intensa. A gente aprende a manter assim. O amor é bem elástico às vezes, você vai ver.

Bj.

Lisa disse...

Ai, Ju! Tô com nó na garganta por vc. Não sei como é ver sua melhor amiga viajar e ficar muito tempo muito longe. Mas imagino como deve ser.

É difícil aceitar que às vezes aquilo que é melhor para as pessoas que a gente gosta não é aquilo que é melhor pra gente. Aquela história do "Se vc a ama, deve deixá-la partir".

Mas logo ela estará de volta, e vai parecer que tempo nenhum se passou. Esse é o mais legal da amizade verdadeira.

Luana disse...

=(

Luciana Nepomuceno disse...

Eu podia dizer: te entendo. Mas estaria mentindo, né? Eu já tive gente que foi, que voltou, que foi e que ficou. Eu mesma já fui, voltei, eu mesma estou, por assim dizer. O amor é elástico, como a rita disse. Mas não entender não faz com que eu respeite menos ou faça julgamentos. Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é e amar como ama. Além disso, olha, esteticamente só posso dizer que esse post tá lindo.

SMarcelina disse...

Por essa você não esperava, Ju!
Estou aqui comentando o post q vc tentou simpaticamente sintetizar pelo facebook. Pois é, as emoções nos tomam de uma forma que às vezes o silêncio ou poucas palavras podem falar muito mais.
Não respondi a sua mensagem e, na verdade, só hoje é que estou me esforçando para encarar as minhas emoções. Dói bastante e por isso mesmo me mantive nos últimos dias num estado de suspensão. A verdade é que não estou nem aí e nem aqui, até agora. Todas as madrugadas acordo com os diversos sonhos que estou tendo com vc, o pessoal, o Rio, os cheiros, as delícias e tudo mais. Fico um tempão sem conseguir dormir e depois volto a sonhar com tudo isso.
Não há posts nos blogs, não há posts no face, não há status disponível no skype, no yahoo ou no face. Meu silêncio é do tamanho da minha dor.
Hoje e só hoje fiz uma lista de coisas que precisava fazer: desfazer as malas, postar as fotos, escrever mensagem de agradecimento aos amigos, postar nos blogs dentre outras coisas burocráticas. Hoje e só hoje passei as fotos para meu computador e vi cada uma delas em tela grande.
E decidi fazer algo hj pq ontem o Jörg me perguntou se eu não queria chegar. Aí percebi o quanto estava fugindo dessas lágrimas que agora escorrem pelo meu rosto como cachoeira (para ser um pouco passional).
Não sei se isso é um privilégio ou o que, mas de todo mundo você é a única amiga que falei mais de tudo que estou sentindo nesse processo. E fico muito feliz com seu lado egoísta que censura logo qualquer frase de desejo de "vá e seja feliz" (sei que vc quer minha felicidade, mas ela não precisava ficar tão longe não é mesmo?!).
Te amo muito amiga e espero, que como da outra vez, nós possamos tagarelar muito mesmo que com esse oceano entre nós.

beijos,
Sil.

p.s.: Se vc ficasse com meu braço, aposto que vc o usaria para bater. rsrsrsrs