terça-feira, 27 de novembro de 2012

Preguiça. Preguiça. Preguiça. Muita preguiça.

A maior preguiça do mundo é minha.  Eu deveria ganhar um prêmio por isso.

domingo, 25 de novembro de 2012

Tal qual Otelo

Se gênios da lâmpada existissem  e um deles viesse me visitar, eu imediatamente saberia o que pedir. Seu Gênio da Lâmpada, me livra desse fardo que é o ciúme; um coração leve e livre é o que eu mais desejo. Obrigada. Sou ciumentíssima, confesso. Sempre confesso. E não me orgulho. Ciúme não é bom, não é bonito e dói - como dói. Uma pessoa ciumenta, por mais elegante, educada, equilibrada que seja, nunca respira macio; o ciúme acelera as coisas dentro da gente, descamba com tudo, ainda que silenciosamente. Odeio ciúme, odeio ser ciumenta. Mais uns dez anos de análise pra mim.

Daí que semana passada Paulo Victor veio aqui pra casa. Paulo Victor ama passar feriados aqui em casa. Tem o vídeo game do marido da prima, tem a rua tranquila pra soltar pipa, tem os mimos e surpresas da vovó, tem o meu celular e seus jogos retrô. Paulo Victor não acredita que eu jogava PacMan quando era criança. Na verdade, suponho que ele nem consegue acreditar que já fui pequena  como ele, mas enfim. Junto com Paulo Victor, veio também Vinícius e sua mãe. Quer dizer, Vinícius e a mãe moram mais perto, tão sempre aqui, mas,quando Paulo Victor vem, Vinicius e a mãe vêm mais. Paulo Victor adora que eles venham, gosta de morder a barriga de Vinícius, fica todo besta quando Vinícius, do alto dos seus 9 meses de vida, se joga no colo dele. Eu entendo, eu também fico. Mas de uns tempos pra cá, o elétrico e adocicado  Paulo Victor não tem sido tão adocicado assim quando Vinícius tá por perto. O doce vira mau humor dos brabos, e de vez em quando escapa um " ninguém tira foto minha", " Ju, me pega no colo também", " eu cheguei e ninguém falou nada". Uma chatice. Aí minha mãe matou a charada: Paulo Victor tá  com ciúme do Vinícius! Como é que eu nunca tinha pensado nisso? Justo eu, tão cheia de ciúme, não tinha me dado conta de que a chatice era o modo de dizer " ei, não tô me sentindo amado o suficiente!".

Me peguei aqui tentando achar um jeito de explicar pro Paulo Victor que não é preciso se sentir menos amado porque outra pessoa chegou. Que  a gente ama muitas pessoas ao mesmo tempo. Que amor não precisa de advérbios de intensidade nem comparações. (bem, essa do advérbio é furada porque Paulo Victor mal sabe o que é uma sílaba.) Que bebês deixam a gente meio deslumbrado, mas que meninos de 6 anos são ainda mais interessantes, com suas piadas, suas tiradas, suas descobertas, sua energia infindável. Que Vinícius é de uma lindeza sem fim, mas cansa, irrita, dá preguiça tanto quanto meninos de 6 anos que choram pra não tomar banho. Que, oras, o nome disso que ele sente é ciúme  - o mais descabido dos sentimentos. 

Como eu sou hipócrita, vejam só. Quero que um menino de 6 anos entenda aquilo que  nunca me ocorre  quando me pego chafurdando no  esse amor não basta, a minha parcela de amor é sempre a menor mesmo, vou me trancar aqui e nunca mais amar ninguém. Meus 28 anos não me tornam mais esperta; os 6 anos de Paulo Victor não tornam os sentimentos dele menos lícitos.  Como é duro ser gente, às vezes!


domingo, 18 de novembro de 2012

Brincando de resenhar

Vou pouco ao cinema porque tenho preguiça. Mas era feriado, o amigo disse que o filme era bonito, tinha companhia, então fui. Não estava nos meus planos  gostar de Gonzaga - De pai para filho , mas eu  gostei. E, olha, tive de esperar os créditos acabarem, os espectadores todos saírem, antes de levantar após o término do filme. Pensei em me esconder embaixo duma poltrona daquelas até que os meus lábios desinchassem. Não conheço ninguém que chore com elegância, mas eu me supero. O choro intenso detona com a minha cara: os olhos pequenos somem ainda mais, o beiço incha, fica enorme mesmo, coça. Uma calamidade. O danado do filme me desidratou.

Gonzagão é um continente imenso nos domínios da minha memória afetiva. Aos cinco anos, eu formava com ele e minha vó um trio improvável. Ele na vitrola, minha vó no tanque, e eu com meu microfone imaginário, girando e dançando pra minha plateia imaginária. Sempre estive no Rio de Janeiro, nascida, criada; eu abro a boca e todo mundo sabe de onde eu vim, no entanto, as lembranças da minha infância remetem a uma saudade que Gonzagão inventou pra mim. Eu cantava um Sertão que nunca vi. Morria de pena do Assum Preto, cujos olhos foram furados, sem nem saber o que era um Assum Preto. Levei anos pra entender do que Asa Branca, a música mais linda do mundo, falava. Gonzagão, muito antes de ser o Rei do Baião, é um rei pra mim. Deu pra sacar o nível de amor? Muito amor. Mas eu não sabia nada do Gonzagão de carne  e osso, não tinha ideia de como era  a relação dele com o filho; Gonzagão era só o moço com chapéu legal na capa do disco de vinil.

De  pai pra filho não é um filme primoroso. Já li em algum lugar que a película ( ai, que chique!) beira o dramalhão, é didática demais, parece novelão. Concordo, na medida que meu nulo conhecimento de cinema permite concordar, mas quem liga pra didatismos e defeitos quando uma história linda tá sendo contada? Bem, talvez "linda" não são seja o adjetivo adequado, " humana" me parece mais certeiro. O filme faz  mais que nos apresentar a trajetória de um pop star; De pai pra filho mostra as entrelinhas da relação fundamental entre um homem e seu filho; relação essa que não pode ser negada, ainda que se estabeleça na ausência. A gente conhece o Gonzaga homem, o seu passado, as suas escolhas, os seus erros, tudo aquilo que vai determinar os caminhos do relacionamento dele com o filho. E não há como não sentir empatia por dois homens que viveram do jeito que souberam viver, frutos de suas épocas, iguaizinhos a mim e a vocês. Não há também como  não se emocionar com o amor que um sente pelo outro, com a  dureza que permeia essa relação, com a maturidade que permitiu que esses dois homens aprendessem a seguir juntos.



Ô, gente, vão ver o filme. Não sei se vocês vão morrer de chorar como eu, mas duvido que não vão ficar tocados  pela história. Pros chorões, aconselho passar na farmácia antes e comprar um lencinho de papel. Alguém aí já viu?



P.S.: Eu fiquei particularmente arrepiada com a representação da relação do Gonzagão com o pai e com o modo como a música Respeita Januário foi inserida no filme. Olha, os olhos embaçaram de um jeito...


Update
Só pra quem viu o filme:



sábado, 17 de novembro de 2012

 Eu já sabia que o show dela era bom, mas, ó, os vídeos não fazem jus.Essa danada me mata de inveja e encantamento, desde sempre, com tanta lindeza:


domingo, 4 de novembro de 2012

Skype, meu amor

Já declarei mais de uma vez neste blog minha aversão ao Skype. Pois bem,  venho por meio deste post declarar o inverso. Não posso seguir detestando o Skype, desde que ele possibilitou que uma tradição de fim de ano se mantivesse: Silvana e eu olhando e comentando, JUNTAS, possíveis presentes pros nossos amigos ocultos. Ano passado, andamos pelo Saara ( não é o deserto, gente!) entrando e saindo de lojas que vendem Havaianas. Esse ano, ela lá no quarto dela na Áustria, eu aqui no meu quarto do Brasil, espiamos, JUNTAS, as vitrines virtuais das lojinhas que vendem itens divertidos e fofos pra enfeitar casas.

O mesmo esquema, a mesma empolgação e as mesmas risadas ( e menos dor na panturrilha, claro!)

A internet faz a gente feliz, né?

***

Eu queria é ter podido filmar a cara da minha vó ao ver a Sil no Skype pela primeira vez. A mais perfeita ilustração praquela frase : " nunca pensei que fosse viver pra ver algo assim."


sábado, 3 de novembro de 2012

Ontem, morreu um vizinho meu, um moço mais ou menos da minha idade. Nós não tínhamos nenhuma intimidade, duvido que ele lembrasse do meu nome, é possível que a gente tenha participado das mesmas brincadeiras quando crianças, não sei. Uma morte absolutamente inesperada, acidente de motos. Minha tia contou pra minha vó ao telefone. Enquanto elas conversavam e eu só ouvia as exclamações de espanto da minha vó, tentava deduzir de quem elas tavam falando. Em nenhum momento, pensei nesse moço - em parte, porque eu mal me dava conta de que ele estava ali, na casa quase ao lado; em parte , porque a gente não espera que motoqueiros prudentes se acidentem. Me peguei dizendo, feito uma velhinha: é por isso que odeio motos. Nada me apavora mais que motos, e o temor só aumenta.

Quando a gente  mora há muito tempo num lugar, nem percebe o quanto sabe dos vizinhos, do cara da padaria, da dona do mercadinho, do dono do bar. Por mais que não se tenha nada a dizer para eles, querendo ou não, se tem o que dizer sobre eles. Ontem, antes de dormir, involuntariamente, fui fazendo um inventário da vida do moço do acidente de  moto: me lembro do uniforme da escola em que ele estudou, o tio dele colocou os vidros da janela aqui de casa, a mãe dele era mesária da sessão onde voto, andei de ônibus inúmeras vezes com a esposa dele. E nesse processo de remontar essa história de vizinhança compartilhada, me lembrei de que é de um dos aniversários dele uma de minhas lembranças mais significativas.

Eu não como doce ( chocolate não entra na categoria doces, ok?), consequentemente não como bolo. Pois é,  não gosto de bolo. Agora, imaginem o que é ter 5 , 6 anos de idade e não gostar de doces. Toda criança gosta de doce, eu não gostava de doce, logo...  E nada era mais torturante pra mim que festas de aniversário. Melhor: nada era mais torturante que o momento do parabéns! Eu morria de ansiedade e de medo de chegar aquela hora em que um pedaço daquele bolo apareceria na minha mão. Veja bem, eu sabia que bolos não eram bombas prestes a explodir, a ansiedade advinha especialmente do ensinamento que a minha querida vó me enfiou goela abaixo: NUNCA, JAMAIS, RECUSE um bolo de  aniversário. SOB HIPÓTESE NENHUMA, diga pras pessoas que você não quer o bolo porque não gosta do bolo. É falta de educação, é feio, é o fim do mundo. E lá vinha eu pra casa com um bolo todo amassado na mão, um bolo que eu jamais comeria, cheio de glacê, eca! Detesto glacê.

Olha, levei anos pra quase superar isso. Ainda hoje, nos aniversários, fico um cadinho tensa - um cadinho menos, mas ainda fico - e agradeço aos céus o fato de ser adulta e poder dizer não,não quero. Quando me perguntam se tô de dieta, digo logo, marcando território, deixando bem claro pra minha vó, que NÃO, EU NÃO GOSTO DE BOLO. É tão bom dizer : não gosto, não quero, obrigada, mas que festa boa a sua, hein! Melhor ainda, é comemorar meus aniversários sem bolo. Mas, Juliana, as outras pessoas comem! Não quero saber das outras pessoas. Pra que bolo? Serve torta salgada? Uma amiga já me disse que serei realmente feliz no dia em que eu oferecer um desses bolos fofinhos que eu faço ( desculpem a falta de modéstia, tá?) aos meus convidados, o meu bolo, batido à mão como eu gosto,  com um sorrisão na cara , num 26 de junho desses que estão por vir. Quem sabe? A gente faz terapia pra essas coisas, né?

Mas o que tem a ver o moço da moto e os bolos que não comi? Foi num aniversário desse rapaz, provavelmente há mais de 20 anos, que me dei conta pela primeira vez que odiava trazer o bolo que eu não ia comer pra casa. Não me lembro da festa, nem sei por que exatamente fui convidada, mas fecho olhos hoje e mais uma vez atravesso o portão da casa dele com aquele bolo melecado de glacê na mão, contrariada e irritada. Como são peculiares os caminhos que a memória da gente percorre!

Lamento muito a morte desse meu vizinho. Lamento por ele, pela família, pela esposa, pelo vazio que ele deixa no mundo.