sábado, 29 de dezembro de 2012

A escolha de Felipe

Quando pensei nos presentes do sorteio desse ano, tinha em mente justamente celebrar as relações que se estabelecem a partir dos blogs - relações essas que merecem todo um estudo  de caso, eu acho. Porque, oras, você escreve, alguém lê, você lê, alguém escreve, e a gente fica com a sensação de que aquela pessoa que lê e aquela pessoa que escreve são próximas, chegadas. Quantas e quantas vezes eu já não contei pra alguém uma história que li em blog sem dizer que tinha lido num blog? Quantas vezes comprei um livro só porque alguém leu antes e mim e escreveu sobre ele no blog? Aliás, quando minha amiga me perguntou que livro ela deveria pedir no amigo oculto do trabalho, sugeri Pequena abelha sem pestanejar só porque o Felipe, a Rita e a Juliana gostaram. Deveria existir uma nomenclatura mais adequada pra essas interações, algo que fosse além de blogueiro e leitor. Vocês não são meu leitores, poxa! São alguma coisa mais que isso, né? Não sei o quê, mas são. Rá!

Assim que soube que tinha sido sorteado, o Felipe começou a saga em busca do presenteado perfeito. Ele pegou o espírito da coisa e achou que a pessoa sorteada devia ser escolhida de uma forma bacana. Primeiro, ele teve uma ideia mirabolante que me fez dar graças a deus por ele ter desistido; em seguida, ele me contou que tinha pensado em fazer uma escolha óbvia e mais uma vez eu achei ótimo que ele tenha desistido; por fim, ele decidiu e fez uma escolha pra  lá de simpática. Pois bem, vou deixar o Felipe contar pra vocês:


Quando eu disse para a Ju quem seria a pessoa escolhida e o porquê dessa minha escolha as palavras fluíram naturalmente mas agora que preciso revelar ao mundo (sintam o drama) estou me sentindo naquele comercial antigo do CCAA em que as palavras fogem e só o SORRY fica pra trás (muito drama). Mas vamos tentar, com calma.

LILIAN DO CAFOFO, O PRESENTE É SEU!

Pronto, falei.
Por quê? Bom, porque a Lilian é uma das pessoas mais engraçadas do Twitter e sempre me diverte com seus comentários ácidos ou não tão ácidos assim. A Lilian não pode ser descrita exatamente como fofa, porque ela é braba. Mas uma braba legal. Daquelas que botam a boca no trombone quando tem que botar. Uma braba que é louca por viagens, livros, cadernos enfeitados e que merece um presente de natal atrasado por também ser uma mãe não oficial do F.Harquimedes.

E não tem "rabudice" nenhuma nisso, Lilian, o presente é seu porque você é você. Feliz Natal atrasado!

Lílian, adorei a escolha do Felipe. 

Agora, eu tô ferrada! Dois presentes, duas pessoas que escrevem blogs que eu adoro. Onde foi que eu amarrei meu burrico?



quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Happy Birthday





O blog completa hoje 3 anos. Um recorde, eu acho.  Desisto tão facilmente das coisas que 3 anos são quase uma era geológica. E eu continuo gostando muito, muito dessa minha janelinha  virtual.  Ainda tenho umas crises com a " cara" do Fina Flor; eu queria tanto que ele fosse um blog legal de ler e de se ver; morro de inveja dos blogs visualmente bonitos que existem por aí, mas tudo bem. O Fina Flor tem uma aparência modesta,  no entanto eu gosto dele mesmo assim. 

Pra fazer uma coisa diferente nessa data, pensei  em dar uma remexida no arquivo e mostrar  5 posts de que mais gosto.  Não sei se são posts bonitinhos, populares, legais; são apenas os que mais gosto de reler. Não tenho muito o hábito de reler o blog. Aliás, isso fica bem claro diante da quantidade absurda de erros de digitação e de gramática nos posts de um modo geral. Tenho preguiça de reler, quero logo postar, aí tenho que ficar consertando depois. Reler também pode gerar um acesso de autocrítica um tanto dramático. Já houve vezes de eu pensar em apagar os posts todos. Quanta bobagem junta, meu deus! Vou deletar  tudo isso! Exagero pouco é bobagem, né? Pois bem, os posts a seguir são aqueles que passam pelo crivo da preguiça e da autocrítica, aqueles que espio de vez em quando.

O favorito de 2010: A receita do meu salgadinho preferido

Já contei pra vocês que adoro joelhos, né? Não aqueles que ficam no meio da perna, que  permitem que a gente ande e  que carregam as marcas das travessuras infantis. Desses, eu não sou fã,não? As articulações do corpo são funcionais e fundamentais,mas não são bonitas. Continua aqui.

O favorito de 2011:  Houve quem achasse que era um post de uma mulher apaixonada, mas  não é. Quem me conhece um pouquinho mais saca de cara a quem esse post é direcionado.

Você nos acostumou mal. Em algum momento lá no passado, você decidiu, sem querer, que a sua arma pra se garantir nesse mundo seria a doçura. Açúcares e afetos acostumam e viciam. Nessa vida tão cheia de gente doída e maluca, é quase um bálsamo esbarrar com você por aí, com esse seu riso fácil, seu humor delicinha e sua cara  boa de boa gente. Daí que é muito fácil te querer por perto, daí  que é muito facinho, facinho se acostumar com tanta mansidão, enquanto o mundo lá fora é tão inóspito. Continua aqui.

O outro favorito de 2011: Tão, tão a minha cara. Acho que é o meu favorito de todos.

Sutileza é coisa pra se admirar, eu acho. Tão lindo quem sorri macio, escuta quieto, nunca agride, nunca devasta, nunca descamba com tudo. Bonito isso de respirar antes de falar, de reagir na mesma medida da ação recebida, de pensar, só pensar um pouquinho antes; um cadinho de pensamento já basta... Continua aqui.

O favorito de 2012: Caí de amores pelo O Grande Gatsby e gosto do post que fiz sobre ele. Aliás, adoro "brincar de resenhar", mas tenho sempre preguiça.

Eu tentei. Juro que tentei não me apaixonar pelo O Grande Gatsby. Segui a leitura com cautela, tal qual uma garota que se aproxima do menino que todas as amigas amam. Eu não queria cair no engodo de uma paixão calcada somente no amor alheio. Queria me apaixonar por conta própria. E aconteceu: estou completamente apaixonada pelo livro. Acabo de tomar assento ao lado das tietesContinua aqui.

O outro favorito de 2012: O sentimento que motivou o post não é legal, mas acho que o texto ficou bacana.

Eu carrego por aí uma mochila enorme e, às vezes, ela me parece a metáfora da solidão que me bate no meio da manhã. A solidão se entranha nas horas das manhãs foscas e me invade por dentro, como água rompendo represa. Sento, abro um livro, mexo no celular, como meu iogurte, bem ali ao meu lado, o mundo acontece e eu olho. Continua aqui.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O perdão

Não sou a pessoa favorita do Vinícius. Ele gosta bem mais da minha mãe, dos outros primos dele, da minha tia que mima bebês. Não sou boa com bebês, não sei diverti-los, falo alto. Vinícius vive se assustando com as minhas risadas repentinas. Mas ele não me odeia. Ele me conhece, sabe que posso ser uma boa aliada quando a mãe dele o coloca no berço, se joga nos meus braços se os braços que o seguram são menos confortáveis que os meus. Deu pra sacar? Uma simpatia que é quase amor.

Mas de uns dias pra cá, Vinícius não queria me ver nem coberta de mucilon. Bastava que eu chegasse perto pro menino chorar. A mãe dele me pedia pra segurá-lo um pouquinho, e o menino esperneava irritadíssimo.  Perdi a conta das vezes que o moleque virou a cara pra mim.  Muita rejeição! Estávamos todos intrigados. Nunca serei a primeira alternativa na hora de trocar fraldas, mas ninguém cogitaria a possibilidade de me tachar de madrinha má. 

Pois bem, decidi chegar no menino e tratá-lo de igual pra igual.  Cheguei pertinho dele e perguntei: " Eu te fiz alguma coisa, chuchu? Se eu fiz, me desculpa! Você me desculpa?" Sério. Perguntei mesmo. Seja porque tava muito bem alimentado no colo da mamãe, seja porque me entendeu e me perdoou, Vinícius me agraciou com um dos seus apertões  em volta do meu pescoço - que gostamos de achar que são abraços - e voltou a alguma das suas tarefas habituais, do tipo esfregar a chupeta no chão, ou coçar o dentinho que tá nascendo, whatever.

Juro que foi assim.


Caicó

Olha, eu acho Milton Nascimento chato, chato, chato ( ok, eu estou preparada pra receber as pedradas; tô com o meu escudo aqui), mas essa moça me deixou completamente embasbacada:


Deusdocéu!

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

"Eu adoro gente, conheço todo tipo, mas faço amigos em marcha lenta. Porque nos afetos eu sou um tipo de pessoa que gosta de tudo que árvore gosta: solidez, raízes profundas, fidelidade. Então não dá tempo de fazer muitos amigos, porque não dá tempo de cuidar deles. Faço um amigo por ano, em média."

copiei daqui.


Vou imprimir e entregar como cartão de apresentação. 
Paulo Victor foi o maior presenteado da noite. Uns três caminhões legais,  jogos pro PS3, tacos de beisebol ( de plástico), cesta de basquete (em miniatura), carrinho de colecionador e O Pequeno Príncipe. O livro foi dado por mim. Ele não queria, ligou aqui pra casa umas 30 vezes pra deixar bem claro que ele já tem livros o suficiente, mas eu dei o livro mesmo assim.  Embrulhei junto com a cesta de basquete pra amenizar o impacto, mas dei.  Este é o meu jeito de contribuir pra formação de novos leitores. Rá!

Enquanto abria os presentes, Paulo Victor saltitava e dizia, claramente emulando algum personagem do Discovery Kids: " Sou um menino muito sortudo! Muito, muito sortudo!"

***

As  festas de família sempre foram um peso.Anos e anos, desde que me entendia por gente, me sentindo deslocada, odiando tudo, esperando que uma nave alienígena viesse me buscar pra aventuras interplanetárias. Um saco, um tédio, quero morrer. Até que um dia a analista perguntou: " Já tentou fazer com que seja mais leve?" Louca, né? Leve? Rá! Leve? Humpf! Claro que eu duvidei da sanidade da analista! Doida, doida essa mulher. Leve? Rá! Leve? Humpf. Mas mesmo assim resolvi tentar. E naquele esquema de tentativa e acerto, ontem tive uma confirmaçãozinha de que meu projeto de leveza tem dado certo. Eu já sabia que tava dando certo há anos, mas feedback externo é legal. Minha tia sentou do meu lado e veio perguntar se eu vou viajar no ano novo - justamente a tia que me disse uma vez que nunca passou um ano novo longe da família porque é assim que tem que ser. Bobagem dela, né? 

Bobagem minha também, mas a pergunta da minha tia foi uma espécie de presente de natal pra mim.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Holly Night





Feliz Natal, Charlie Brown!


Eu tava desanimadíssima, aí decidi caçar músicas de Natal pra tocar mais tarde na ceia. Resultado: estou aqui girando e cantando pelo quarto.  Pra entrar no clima da festa, resolvi  parar de enumerar as desgraças e simplesmente pensar na comida boa que vou comer à meia- noite e nas pessoas pra quem vou ligar. 

Além do mais, adoro o fato de que Jesus nasceu.


***

E tem rabanadas, né? Não como rabanada porque açúcar e canela não rolam pra mim, mas fazer rabanada é coisa mais divertida do mundo.  Rabanada boa é aquela que causa muita sujeira; leite e ovo batido respingados no chão; farelo de pão no avental.  Natal feliz é sinônimo de fazer rabanadas.

***


Vem cantar também, gente:












quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Extra! Extra! Extra!

Eu tinha combinado que  faria  o sorteio amanhã,  20/12, mas decidi descumprir o combinado. Não sei onde tava com a cabeça quando marquei o sorteio pra amanhã. Essa semana tá pedreira, quinta e sexta serão dias especialmente ocupados, então decidi sortear de uma vez.

Pois bem, eu já sei quem vai ter a imensa e incrível honra de ganhar um presente. 



O nome da pessoa sorteada aparece em 2 min 33s.

P.S.: Ah, e  prometo não ficar chateada com as risadas que vocês darão às minhas custas.


Queria ter escrito ontem pra registrar o dia certo, mas  o cansaço me venceu. Cansaço. Cansaço. Muito cansaço. No dia de ontem, chegou ao fim um período de muito cansaço. Ainda não veio o alívio total porque as burocracias tão atadas aos meus pés ainda, mas, ó, o pior já passou.

 Falo da escola e dos alunos sempre muito amorosamente por aqui - e falo com verdade. Apesar da dureza de algumas relações difíceis, das pressões, da falência do sistema, há ternura e um certo encantamento permeando a sala de aula. Esses sentimentos me dão vontade de escrever, por isso o Fina Flor parece o blog de uma professorinha fofa e feliz. E eu gosto desse olhar açucarado; não quero perdê-lo. Meu maior medo é o de perder a capacidade de olhar pras pessoas com quem trabalho com doçura, especialmente pros adolescentes. Porque só muito afeto dá conta de aliviar a chatice e o trabalho que é lidar com muitos adolescentes ao mesmo tempo. Um adolescente já é difícil, imaginem 30/ 35 no mesmo espaço por horas seguidas. Pois é.

E eu tava acostumada com a ternura, com a doçura, com os sorrisos, com a cara feia e minha pose de durona que surtiam efeito. Nesses poucos anos de trabalho, tive todos os problemas que os professores enfrentam, obviamente, mas vou aprendendo a lidar com eles. Tô mais cascuda. Mas nunca antes eu tinha precisado lidar com hostilidade, maldade e até uma certa dose de crueldade. E, olha, não é legal.  É infinitamente menos que legal. De início, recorri à minha capacidade de compreensão. Eu sou uma pessoa bem compreensiva - e nem sempre isso é bom. Sempre entendo os dois lados, sinto pena, não morrerei por falta de empatia. Daí escolhi ser compreensiva: é difícil se adaptar a mudanças, as transições são complicadas, eles são meninas e meninos, vai dar tudo certo. É, não deu. A empatia foi vencida pela complexidade da situação, e, pela primeira vez, nesses anos como professora, a doçura escapou de mim. Houve um dia - e lembro bem que dia foi esse - em que parei, sentei e pensei: "não dá!". E foi bem assustador. Ora, sempre tinha dado, eu sempre entendia, no fim, as coisas se ajeitavam, eu conseguia sorrir e balançar carinhosamente a cabeça no final do ano. Dessa vez, não houve afeto, não houve doçura. Meu estoque de gentileza e educação se esgotou, e eu fiquei desamparada. Descobri que há batalhas nas quais a gente não pode e não deve lutar, ainda  tenha sido convidada a guerrear. Não era uma questão de gostar ou não gostar daquelas pessoas - eu já tinha não gostado de outros alunos tantas vezes antes. Pela primeira vez, eu não queria estar de jeito nenhum com aquelas pessoas que estavam levando, ao último patamar, a imaturidade de quem não entende que a  vida não é como a gente quer.


Meninas e meninos adolescentes são pessoas, a gente esquece.  Pessoas são capazes de muitas coisas - boas ou ruins. Um grupo pode influenciar positiva ou negativamente. Um grupo pode potencializar o que a gente tem de bom e de ruim. Até esse ano, eu tinha conseguido equilibrar essas variáveis todas no meu trabalho, mas, dessa vez, não deu. E eu não tiro dessa situação nenhum sentimento que não seja o de alívio. ACABOU. E minha ternura não ficou na estrada/ não ficou no tempo presa poeira.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

De castigo

  1. Não devo odiar conselho de classe.
  2. Não devo odiar conselho de classe.
  3. Não devo odiar conselho de classe.
  4. Não devo odiar conselho de classe.
  5. Não devo odiar conselho de classe.
  6. Não devo odiar conselho de classe.
  7. Não devo odiar conselho de classe.
  8. Não devo odiar conselho de classe.
  9. Não devo odiar conselho de classe.
  10. Não devo odiar conselho de classe.
  11. Não devo odiar conselho de classe.
  12. Não devo odiar conselho de classe.
  13. Não devo odiar conselho de classe.
  14. Não devo odiar conselho de classe.
  15. Não devo odiar conselho de classe.
  16. Não devo odiar conselho de classe.
  17. Não devo odiar conselho de classe.
  18. Não devo odiar conselho de classe.
  19. Não devo odiar conselho de classe.
  20. Não devo odiar conselho de classe.

Sabem quando a gente é aluna e fica achando que conselho de classe é aquela reunião na qual os professores comem pizza e se divertem reprovando o maio número de alunos possível? 

Então, não é assim.


" Escrevo com as mãos atadas. Na concretude imóvel do meu quarto, de onde não saio há longo tempo. Escrevo sem poder escrever e: por isso escrevo. De resto não saberia o que fazer com esse corpo que , desde sua chegada ao mundo, não consegue sair do lugar. (...) Não falo de aparência física, mas de um peso que carrego nas costas, um peso que me endurece os ombros e me torce o pescoço. (...) Um peso que não é todo meu, pois já nasci com ele. Como se toda vez em que digo 'eu' estivesse dizendo 'nós'.

Um sopro me paralisa. Uma espécie de fardo. Pesado. Mais do que isso: bruto, acimentado, capaz de me tirar todas as possibilidades de movimento, amarrando  as articulações uma à outra (...). Não que eu seja uma pessoa triste. Não se trata de ser ou não ser feliz, mas de uma herança que trago comigo e da qual quero me livrar. Nem que para isso tenha que correr riscos sem medida, nem que pra isso tenha de me desfazer de tudo que construí até hoje, de tudo que acreditei ser a minha vida."

Do livro que mal comecei a ler e que já tá apertando a boca do meu estômago:
A Chave de Casa, da Tatiana Salem Levy.

Essa danada escreve lindo demais.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Último dia

Liberei o uso das câmeras e dos celulares pra que todos pudéssemos tirar fotos. Eu queria tirar fotos pra que, mais tarde, quando os nomes de todos eles sumirem da minha memória, eu possa ainda me lembrar da nossa convivência. Aprovados, aliviados, animados, tão jovens. Em algum momento entre posicionar a câmera e disparar o flash, senti um nó na garganta. Obviamente, não deixei que o nó escapasse pelos olhos ou coisa que o valha. Professoras não choram no último dia; professoras saltitam de felicidade no último dia, fazem a dança da liberdade, agradecem ao universo pelas aprovações alcançadas. Em vez de chorar, tão açucarada que sou, tirei fotos e fotos e posei pra outras tantas com o meu melhor sorriso.

Mais tarde, no ônibus, olhando as fotos todas no cartão de memória, fiquei me perguntando por que aqueles retratos de adolescentes escandalosos me comoveram tanto. A resposta estava ali mesmo, mais adiante, no cartão de memória. Sábado aconteceu o amigo oculto mais esperado. Meses de e-mails, preparações, especulações, buscas por presentes que culminariam numa tarde leve e feliz. Somos uns 15. Quase todos estudaram juntos, quase todos estivemos na mesma escola, todos temos um vínculo que remete a tempos em que os presentes  de amigo oculto eram feitos com giz de cera e cartolina. Somos adultos hoje. Alguns têm novas famílias, alguns dirigem  carros e motos, todos têm conta no banco e  salário, nossos presentes não são mais manufaturados, uma de nós está do outro lado do oceano. Mas guardamos algumas semelhanças com as meninas e meninos que fomos. Somos ainda um tanto parecidos com meus alunos e suas poses juvenis. Fazemos um estardalhaço pra posar pra fotos coletivas, fingimos ousadias em fotos bobas, cantamos o refrão que só quem esteve no encontro do ano passado vai entender. Olho pras fotos dos meus alunos e me dou conta dos anos que se passaram desde o primeiro amigo oculto. E nós temos planos pro futuro: faremos  amigo oculto via holograma, se for necessário. Com eles e por eles, sem esforço, sem cobranças, só porque a gente tá junto, eu ouço as minhas risadas e me reconheço; eu falo um tom acima e acho bom; meu corpo fica mais leve.




segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

"Quem te conhece/ não esquece jamais"


antes de ler: eu sempre namoro  a pieguice, mas devo avisar que o  nível de açúcar desse post atingiu a estratosfera.


A Jussara pediu num comentário do post anterior que eu falasse mais  de Tiradentes. Pois bem,  um pedido de Jussara é uma ordem por aqui. Um post sobre Tiradentes faz parte  dos meus planos desde que coloquei os pés em casa, mas , ó, o cansaço anda me vencendo. Além disso, os efeitos de Tiradentes são de ordem tão abstrata que não sei se sou capaz  de me fazer entender, mas vou tentar.

Os dois últimos meses foram pesadinhos. Novo trabalho, novas escolas, novas pessoas, choques de realidade, adaptação. Eu ando cansada e precisando de amor. É que não cabe entrar em detalhes aqui no blog, mas imaginem filme americano sobre escola complicada; então, é por aí - ou talvez pior, porque eu não tenho talento pra heroína de película de superação. Mas, por outro lado, eu tô feliz comigo, com o modo elegante e razoavelmente equilibrado como estou lidando com as novidades. As coisas se ajeitam, a gente encontra saídas e soluções, tudo se acerta. E mais: meu trabalho é o meu trabalho, eu sou eu - duas coisas bem distintas. É importante ter isso claro na minha cabeça, porque aí eu me lembro de que não tô no mundo pra arrastar correntes e bolas de ferros. 

No entanto, apesar do razoável equilíbrio,  ando cansada, contando nos dedos os dias que faltam pro fim do ano. Ainda é novembro por aqui, como vocês sabem. Aí decidi usar os poderes que a idade adulta nos oferece: fui pra Tiradentes tomar capuccino. Estávamos minha amiga e eu no shopping, procurando um capuccino decente e não achamos. Virei pra ela e disse: "Vamos pra Ouro Preto tomar aquele capuccino bom?" Ela topou, Ouro Preto se transformou em Tiradentes, ela reservou a pousada que tinha as fotos mais bonitas, eu fiz uma mala com  3 blusas, uma calça, um vestido e fomos. Nós não esperávamos de Tiradentes nada além de um capuccino decente. E , vejam bem, há um mundo de significados nesse desejo por capuccino. Não somos tão frívolas assim.

Eu estou aqui no Rio de Janeiro, vocês sabem, na região metropolitana  de uma das maiores cidades do mundo. Nascer e viver  no Rio e nas cidades da região metropolitana significa muitas coisas, dentre elas carregar uma certa truculência disfarçada de despojamento. Somos despachados, caras de pau, gostamos de sol e praia, andamos de chinelo no shopping, mas não somos gentis. Eu não vejo gentileza em mim nem nos meus conterrâneos. Daí cheguei em Tiradentes saturada desse modo de ser, aterrada pela dureza das relações difíceis num espaço problemático como a escola e fui abraçada ( não consigo encontrar outra palavra) por aquela cidade silenciosa, mansa, delicada. Tudo em Tiradentes é delicado: as casas, as ruas, os aromas que escapolem pelas portas dos restaurantes, as lojinhas de lembrancinhas, as pessoas. As pessoas de Tiradentes encheriam o Profeta Gentileza de orgulho. Você chega e um mundo de simpatia se despeja sobre você. As vendedoras das lojas não te olham feio porque você não quer comprar o paninho de prato da loja. Os garçons não jogam os pratos na tua mesa.  E mais: uma cidade tão pequena, num período de baixa temporada, pode dar conta de se lembrar de duas mulheres um tanto barulhentas e encantadas que já passaram umas dez vezes naquela esquina em menos de 2 horas. Recebi mais bom-dia nos 3 dias que passei lá do que nos últimos dois meses.


Tiradentes é pequenina -  8 mil habitantes, segundo a moça da chocolateria. E linda. O sol derrama uma luz  diferente sobre aqueles prédios antigos. O céu da noite é uma absurdo de estrelado; as estrelas parecem mais baixas e eu , uma romântica admiradora de estrelas, fiquei contando todas elas. E há tanto silêncio que se ouvem grilos na rodoviárias, o barulho da chuva, o som da própria respiração na hora de dormir. A gente está  aqui acostumada com o grande, o enorme, o barulhento, aí vem Tiradentes e te dá a beleza da miudez.




 Há também o capítulo especialísssimo das comidas: nunca comi tão bem. Do espetacular pão de queijo da pousada, passando pelo estupendo tutu ( e baratíssimo) do Bar do Celso e chegando ao feijão tropeiro do Restaurante do Padre, não comi nada que não fosse MUITO BOM. Ah, claro, encontramos o capuccino que queríamos: decente, decentíssimo, o melhor que tomei até hoje. O capuccino perfeito é servido numa loja especializada em rocamboles tão bonitos que quase me fizeram reconsiderar a minha aversão a doce deleite. 



Tiradentes me deu a chance de sentar na praça, numa noite quente  e estrelada, e planejar festas hipotéticas.  Me deu a vista  do sol se escondendo todo laranja e lindo naquele céu de nuvens densas. Me deu risadas e  uma pizza FABULOSA, sem hora marcada pra voltar, sem buzinas e apertos. Me deu a lembrança das moças legais da loja cheirosa que me ensinaram um macete pra fazer render o sabonete que comprei. Tiradentes me deu o presente da delicadeza.

 E eu já tô cheia de saudade.

Muita saudade.





terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Vem, vai ter presente!

E chegou aquela época do ano em que me faltam tempo, engenho e arte: escolas, provas, notas, os detestáveis conselhos de classe, o inferno na Terra, minha cabeça vai explodir. Dezembro chegou, e eu nem percebi. Bem, mas esse post não é pra falar do peso que o último mês do ano deposita sobre minhas costas. Esse post tem como objetivo cumprir uma tradição: Dezembro é mês de presente no Fina Flor. Viva! Oba!

Vamos lá! Como é impossível mandar o Papai Noel bater na porta de todo mundo que aparece por aqui, 

vou enviar um presente para uma das pessoas que lê o Fina Flor




 Para tanto, usarei um método incrivelmente inovador de sorteio no dia 20/12. Você, você mesmo, que está aí lendo considere-se convocadíssima (o) a deixar um comentário neste post, dizendo que é claro, lógico, óbvio que você quer participar do sorteio. Mas, ô, Juliana, como é que vou participar de um sorteio se nem sei o que será sorteado? Peraê que eu explico no parágrafo seguinte. Vamos lá!

Depois de pensar, pensar, pensar e não ter nenhuma ideia brilhante, decidi que o presente desse ano será o imenso e incrível  prazer de receber um presente escolhido por mim. Olha que maravilha! Ano passado, a sorteada teria de escolher o seu próprio presente, que também seria o meu presente, lembram? Mas a fórmula não deu muito certo. A Rita burlou as " regras" e acabou que escolhi o presente dela. Dessa vez, vai ser assim:  eu faço o sorteio, eu escolho o presente! Rá, como tô mandona! Mas, pra que vocês não digam que sou totalitarista, achei por bem conceder algum poder ao sorteado.Então, vai ser assim: a pessoa sorteada, além de ganhar presente, vai escolher alguém para ganhar um presente também. Ai, Juuuu, que máximo! Posso escolher a minha mãe? Não,quer dizer, pode... Ai, melhor explicar direito.  A pessoa sorteada deve indicar alguém  para ganhar um presente escolhido por mim, mas a pessoa indicada tem que ser alguém que tenha um blog ou leia blogs. Qualquer um que tenha blog, qualquer um que que leia blog? Você vai poder indicar qualquer pessoa que escreva em qualquer tipo de  blog ( não precisa ser leitor do Fina Flor, nem precisa ser um blog que eu conheça) ou alguém que goste de blogs. Um sorteio, dois presentes, simples assim.


Ajeitando tudo:

1- Vou sortear uma pessoa pra ganhar um presente. As chances de que algum de vocês receba um livro é gigantesca, viu!

2- A pessoa sorteada escolherá  uma outra pessoa, blogueira ou leitora de blogs, para a qual eu também enviarei um presente. A pessoa indicada não precisa ser leitora do Fina Flor e nem precisa ter um blog, mas precisa estar na blogosfera de algum jeito.

3- Deixem um comentário NESTE POST dizendo que querem participar do sorteio.

4- Sorteio no dia 20/12. A sorteada ou o sorteado deve entrar em contato até o dia 30/12. Se não houver nenhum sinal de vida dentro desse prazo, refaço o sorteio.

5- Peço aos leitores silenciosos  e àqueles que não têm blog que deixem um e-mail ou o twitter, para que eu possa avisar se forem sorteados.

6- O sorteio vale pra pessoas que moram no Brasil e fora dele, viu?



Acho que é só. Espero que  dê certo! Tô esperando os comentários de vocês, hein!


Inscrições encerradas!




"I hate to go"









sábado, 1 de dezembro de 2012

A cidade delicada

Tiradentes me enche de amor com suas ruas lindas, sua comida boa e cheirosa, sua luz suave, sua gente tão gentil, seu silêncio.

Tão linda, tão delicada.

Não quero ir embora.