segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

" Escrevo com as mãos atadas. Na concretude imóvel do meu quarto, de onde não saio há longo tempo. Escrevo sem poder escrever e: por isso escrevo. De resto não saberia o que fazer com esse corpo que , desde sua chegada ao mundo, não consegue sair do lugar. (...) Não falo de aparência física, mas de um peso que carrego nas costas, um peso que me endurece os ombros e me torce o pescoço. (...) Um peso que não é todo meu, pois já nasci com ele. Como se toda vez em que digo 'eu' estivesse dizendo 'nós'.

Um sopro me paralisa. Uma espécie de fardo. Pesado. Mais do que isso: bruto, acimentado, capaz de me tirar todas as possibilidades de movimento, amarrando  as articulações uma à outra (...). Não que eu seja uma pessoa triste. Não se trata de ser ou não ser feliz, mas de uma herança que trago comigo e da qual quero me livrar. Nem que para isso tenha que correr riscos sem medida, nem que pra isso tenha de me desfazer de tudo que construí até hoje, de tudo que acreditei ser a minha vida."

Do livro que mal comecei a ler e que já tá apertando a boca do meu estômago:
A Chave de Casa, da Tatiana Salem Levy.

Essa danada escreve lindo demais.

3 comentários:

Chico Mouse disse...

Nossa, Ju... apertou o meu aqui também...

Preciso encontrar esse livro. Sério.

Leninha disse...

Pela amostra se vê que a moça é fera.

Também preciso ler este livro! Com urgência!!!
Bjssssss

Tati disse...

É muito lindo esse livro, principalmente as partes que ela fala com a mãe. Dá uma dor no coração!
Bjo