sábado, 28 de dezembro de 2013

4 anos



Hoje o Fina Flor completa 4 anos. A gente pisca, e o tempo passa voando. Não parece que o blog existe há tanto tempo. Considerando minha enorme capacidade de largar tudo pela metade, é quase um milagre que nós ainda estejamos aqui, com mais ou menos regularidade, mas sempre aqui - e eu adoro estar.O Fina Flor trouxe pra perto pessoas com as quais, provavelmente, eu nunca esbarraria. Me permite jogar conversa fora. Guarda nas suas linhas o que vai sumindo da minha memória -acho que todo mundo que tem um blog diarinho quer simplesmente não esquecer. Mas a coisa mais legal sobre o Fina Flor é que ele vai, de post em post, contando pra mim mesma um pouco de mim. O Fina Flor é o meu exercício involuntário de doçura. Minha amiga Sueli me disse uma vez que há um lado meu que não aparece no blog, e ela tem razão. Eu diria que o que aparece nas palavras delicadas do Fina Flor não costuma aparecer na vida; não porque eu faça escolhas mais duras de propósito, mas porque o blog foi me revelando essas delicadezas.  

O Fina Flor é também a minha conversa fiada, é o meu bate-papo demorado no telefone, é o meu contar pra todo mundo sobre aquele livro, é o meu observar as espuminhas que se formam nas ondas do mar, é a janelinha onde me debruço e olho um cantinho do mundo. Faz quatro  anos que me posiciono aqui no peitoril e aceno pra vocês.Que bom que vocês acenam de volta, entram pra tomar um capuccino  imaginário e se fazem em casa!

Voltem sempre!

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Cinco livros que amei ler esse ano e ...

 ... um  perfeitamente dispensável.


A ordem dos livros obedece ao critério "conforme fui lembrando".


1-  Cartas perto coração, do Sabino e da Clarice.

Escrevi sobre o meu processo de leitura aqui e aqui. Amei, amei, amei esse livro.




2- Fim de caso, do Graham Greene.


Livro incrível, incrível, incrível. Entrou  pra lista dos favoritos da vida toda. Também escrevi sobre ele aqui.



3- Como eu era antes de você, da Jojo Moyes.



Não sou muito fã de livros melosinhos, mas esse é uma delicinha. Nesse livro, a gente fica sabendo como  a Lou, uma moça fofa  que leva uma vidinha morna, conhece o Will, um cara legal que se esforça pra não parecer tão legal.

Uma delicinha de ler.

4- Pergunte ao Pó, do John Fante.


 Apena que: John Fante é um craque.

5- A resposta, da  Kathryne Stockett



Apenas que: <3 <3 <3 <3 <3<3 <3 <3 <3 <3<3 <3 <3 <3 <3<3 <3 <3 <3 <3<3 <3 <3 <3 <3

Falei dele aqui.

***

Não precisava. Bridget não merecia mais do mesmo.  Ainda adoro a Bridget, mas passaria muito bem sem esse novo livro.




quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Fina Flor Noel

Sorteio feito, galerinha!



O nome da pessoa sorteada aparece em 2:09.

Pessoa sorteada, já tô cheia de ideias de presentes pra vocês.


Feliz Natal!


***
O blog da pessoa sorteada é esse aqui.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Acabouuuuu

Fériaaaaaaaaaaaaaaaaaaasssss!

***

Chegou ao fim o ano letivo mais hardcore. Comecei trabalhando em 2 escolas. A tradicional desorganização do meu antigo empregador me levou a trabalhar em 5 escolas em abril. Também em abril, tive que tomar decisões. Em junho, dois dias antes do meu aniversário, mudei tudo. Agosto foi mês de adaptação. Setembro exigiu um equilíbrio que não eu  imaginava que teria. Outubro foi triste. Novembro se arrastou. Dezembro testou os limites. 

No dia 19, ACABOU.

2013 foi extenuante, mas resgatou o meu prazer de estar na escola. 

De tudo que vivi profissionalmente esse ano, sempre me lembro de uma coisinha que ouvi com meus ouvidos biônicos de professora. Não foi dito pra que eu ouvisse, mas eu ouvi - a gente sempre ouve. Eu tinha acabado de explicar crase na turma mais irritante e mais legal que conheci. Tavam lá os adolescentes com aquelas caras de quem ainda não sabe bem o que entendeu; no meio deles, uma das meninas que jamais deu confiança pro meu jeito meio simpático/meio irônico virou pra colega e disse no que era pra ser um sussurro:
- Cara, eu nunca tinha entendido pra que serve crase!

Ganhei meu ano ali. De verdade, sem demagogia. A gente se estressa, fica puta, quer arrancar o fígado dessa juventude preguiçosa e displicente - ninguém reclama mais que eu. Aí você percebe que alguém prestou atenção no que você disse e, daquele dia em diante ( pelo menos por um tempo), vai parar e analisar se o acento grave é necessário. Não é legal?


***





Notebook consertando.

Carregador do celular sumido.

Flash da câmera se recusando a funcionar.

Correria pra comprar presentinhos.



Eu tinha marcado o sorteio pro dia 21, né, então, diante da revolta dos  meus aparelhos eletrônicos só me resta adiar. Assim que meu notebook voltar pra casa, eu faço o sorteio.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Fomos pra praia mais distante em busca do pôr do sol. Havia mais nuvens que sol, o céu estava fosco. Não houve pôr do sol visível, mas ganhamos uma festa de presente. Com os pés na água, espiamos o casamento que acontecia logo adiante. Vimos os padrinhos jogarem o noivo pro alto, vimos as daminhas correndo fofas, vimos os noivos e sua primeira dança. O vestido da noiva girava leve e suave. Confesso: sou uma romântica no que diz respeito a casamentos.

Não estivemos na festa nem tivemos pôr do sol, mas ficamos ali, ouvindo e cantarolando as músicas bonitas, a praia só pra nós, o céu anoitecendo com aquele azul nublado. Estávamos cansados da semana e da vidinha, mas naquela noite fomos alegres, exatamente como os convidados daquele casamento deviam estar.

Uma noite de trégua. 

***

Os noivos dançaram ao som dessa lindeza:







Eu nem sou fã do Milton, mas, jesus...



segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Eu tava chata, chatíssima. Sei que é difícil imaginar alguém tão maravilhosa como eu tendo uma crise de chatice, mas olha... Quando fico chata assim, tudo me incomoda, reclamo, choramingo, fico ainda mais indelicada. Há de se ter paciência; eu mesma preciso ter autopaciência. Daí que eu peguei trânsito, vi uma moça morta na estrada, senti um calor desgraçado, meu estômago não tava bom, esqueci a roupa de dormir em casa, descobri que a cama era pequena demais, o chinelo não cabia no meu pé.Tudo isso mais a semana pesada resultou num enjoo de pessoa.

Eu não queria entrar no mar gelado, não queria ficar com  o pé cheio de areia, não queria colocar o maiô - e vejam bem, eu não sou assim, não mesmo.  Mas a gente não vai pra praia pra ficar de frescura,né? Então, coloquei meu chapéu novo lindo, me armei de boa vontade e fui. O sol tava ameno e gostosinho. A água clarinha veio lamber meu pé, decidindo por mim que era hora de deixar aquele guarda-sol pra lá. Me levantei cautelosa, medi cada passo, estremeci cada vez que as ondas me alcançavam. As sereias e os peixes deviam estar se perguntando o que tinha acontecido com aquela Juliana que nunca teve medo de água fria.  Um, dois, três, entrei. De uma vez, sem hesitações que é pra não perder a coragem. O mar me recebeu generoso, como sempre. Meu corpo reagiu feliz. 

Acho que agora dá pra aguentar até o fim da semana.

***

Faltam 5 dias pras férias.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Eu tenho medo de esquecer ,todo meu esforço está direcionado pra não esquecer. Mas ainda assim me distraio e me pego quase acostumada com o fato de que ela não está. Quase. Me acostumar de verdade seria como negar que ela existiu. Às vezes, a imagem do rosto dela e das flores no caixão salta diante dos meus olhos. Tantas vezes eu brinquei sobre a  morte dela, dizia que usaria todas as roupas e bibelôs guardados. Quando mais menina, eu tinha sonhos frequentes em que chorava muito depois do enterro. Hoje, eu preciso espremer a memória pra me lembrar que não são dela os passos que cruzam o quintal. Olho pras fotos dela e não sinto nada. As fotos me fazem esquecer que houve uma morte. Nas fotos, ainda vejo vida.

Ainda olho pra escadas e penso em como seria cansativo pra ela subir. Ponho os copos nos mesmos lugares em que sempre estiveram. Nunca usei nenhuma de suas toalhas. Quando eu dizia que gastaria todas as moedas do cofrinho, ainda não sabia nada sobre a morte!

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Dias desses, entrei na sala de aula e encontrei os alunos do sexto ano escandalizados. 
- Tia, olhaaaaa o que desenharam no quadro.

 Alguém do turno da noite tinha feito uma daquelas representações bem infantis de um pênis. Sabem aquele desenho com as duas bolinhas e tal, então. Fiquei desconcertada por uns dois segundos e logo fui caçar o apagador na mochila. E os alunos de 11,12 anos absolutamente escandalizados tentando me convencer que aquele desenho era a coisa mais chocante do mundo. Eu ainda tentei me fazer um pouco de boba, mas nem deu. O desenhista fez questão de nomear sua obra com letras garrafais.


Em meio ao debate acalorado entre os alunos, comecei a apagar o quadro. Quando eu estava na metade do desenho, uma menina- uma doçurinha de menina- falou:
- Que que tem o desenho, gente? É só um peixe.


Um peixe. Tive que apertar os lábios pra não gargalhar.

A ingenuidade é uma coisa fofa.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Os bebês não são muito diferentes uns dos outros, mas você acha que aquele seu bebê ( no meu caso, nem é meu) é a melhor e maior novidade na Terra desde a invenção da roda. É que você nunca ouviu aquela vozinha antes, nunca ouviu aquela risadinha antes. Se você pensar direito, seu bebê está fazendo aquilo que a humanidade faz desde sempre- andar e falar -, mas não importa: tudo naquela criança é novo, aquela criança é o próprio mundo reinventado.

***
Dia desses, cheguei na casa de Vinícius e fui recebida por seu convite animado: - Enta! Enta!
Daí me pegou pela mão, me levou até o sofá e bateu vezes seguida no assento. Era pra eu entrar e sentar. Entrei e sentei. Então, Vinicinho me deu um de seus carrinhos e voltou lá pra sua brincadeira.
Um perfeito anfitrião. Me ofereceu o que tinha de melhor em casa, um carrinho sujo de sei lá o quê.

***

Num outro dia desses, tava jogando no celular, quando ouvi Vinícius dizer:
- Ania! Ania! Ania!
Levei um tempo pra perceber que a Ania em questão era eu.  As pessoas costumam arranjar muitos modos de reduzir meu nome, mas Ania é uma novidade. Ele aprende a língua e reinventa meu nome.

***
Minha vó não gostava muito de ser chamada de bisavó. Dizia que Bisa era coisa pra gente muito velha. Então,ela falava: " Dá um beijo na vovó, Vini! Senta aqui com a vovó, pretinho!" Ela falava vovó; nós falávamos bisa. Minha vó morreu antes que Vinícius soubesse falar qualquer uma dessas palavras.

Daí que estava ele olhando as fotos no meu celular- o moleque adora fotos e touch screen-, quando parou numa foto que não conhecia: minha vó no hospital, no último dia em que a vi. Vini apontou o dedinho pro celular e disse:
- Bisa!
- O que foi que você disse? 
- Bisa!
Meu coração deu um saltinho. De todas as coisas tristes sobre a morte, o esquecimento é uma delas  - talvez a pior. Todos os dias me vejo num embate entre esquecer e lembrar. A ausência da minha vó já é mais forte que sua presença. Todos os dias, ela vai morrendo mais e mais, e esse desaparecimento contínuo é o que mais dói. Ela não vai estar aqui no Natal, Vinícius não vai comer as rabanadas que ela fazia, Vinícius não vai ouvir a voz da minha vó. Vinícius vai ser gente grande nesse mundo em que minha vó não está. Enquanto ele vai crescendo, ela vai desaparecendo.

Mas aí acontece de esse bebê que está aprendendo o mundo olhar a foto da minha vó e dar a ela o nome certo.  Meu coração dá saltinhos sempre que me lembro.  Minha vó morta existe nesse mundo que a Vinícius inventa enquanto aprende português. 
Eu fiz planos de alegria pra hoje, mas  termino o dia triste. Levo mais tempo que todo mundo pra perceber que os encantos acabam. E detesto o que é feito só pra cumprir agenda. Detesto relações protocolares.

Não sei - e nem quero aprender- estar pela metade. A gente já  tem que aturar tanta chatice na vida, engolir sapos, conviver tempo demais com quem não importa, por isso eu prefiro o afeto e a inteireza. Eu prefiro os abraços inteiros, prefiro o aconchego. Porque, de superficiais e mornas, me bastam as horas perdidas no trânsito.

Eu pensei que o post de hoje seria alegre. Eu preferia que fosse. Tava acostumada com a alegria.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Presentinhos

Dezembro, gente! Dezembro! 
(Pausa pra todos aqueles comentários sobre a passagem meteórica do ano)

Dezembro é mês de natal,  de ano-novo e de presente no Fina Flor. Mais uma vez vou me oferecer para o cargo de ajudante do Papai Noel e 

vou enviar um presente pra uma das pessoas que lê o Fina Flor



Quem esteve por aqui ano passado, vai se lembrar que o sorteio do ano passado foi um sucesso, o Felipe e a Lílian ganharam presentinhos e fomos todos felizes. Por isso, vou repetir o método de sorteio e de escolha do presente: eu faço sorteio, eu escolho o presente. À pessoa sorteada, caberá a tarefa mais legal: escolher alguém para ganhar um presente também. Serão dois presentados: o/a sorteado/a e a pessoa que ela/ele escolher.Ai, Juuuu, que máximo! Posso escolher a minha mãe? Posso indicar o porteiro do meu prédio, aquele fofo que recebe minhas encomendas? Posso indicar meu namorado e assim economizar a grana do presente dela? Não,quer dizer, pode... Ai, melhor explicar direito.  A pessoa sorteada deve indicar alguém  para ganhar um presente escolhido por mim, mas a pessoa indicada tem que ser alguém que tenha um blog ou leia blogsQualquer um que tenha blog, qualquer um que que leia blog? Você vai poder indicar qualquer pessoa que escreva em qualquer tipo de  blog ( não precisa ser leitor do Fina Flor, nem precisa ser um blog que eu conheça) ou alguém que goste de blogs. 

Um sorteio, dois presentes, simples assim.


Pois bem:

1- Vou sortear uma pessoa pra ganhar um presente. As chances de que algum de vocês receba um livro é gigantesca, viu!

2- A pessoa sorteada escolherá  uma outra pessoa, blogueira ou leitora de blogs, para a qual eu também enviarei um presente. A pessoa indicada não precisa ser leitora do Fina Flor e nem precisa ter um blog, mas precisa estar na blogosfera de algum jeito.

3- Deixem um comentário NESTE POST dizendo que querem participar do sorteio.

4- Sorteio no dia 21/12. A sorteada ou o sorteado deve entrar em contato até o dia 30/12. Se não houver nenhum sinal de vida dentro desse prazo, refaço o sorteio.

5- Peço aos leitores silenciosos  e àqueles que não têm blog que deixem um e-mail ou o twitter, para que eu possa avisar se forem sorteados.

6- O sorteio vale pra pessoas que moram no Brasil e fora dele, viu?

7- Não vale me escolher. Adoro ganhar presente, nada impede que vocês me encham de presentinhos,  sempre tenho planos de fazer um sorteio cujo prêmio seja me presentear, mas, desse sorteio, eu não participa.


Participem, gente! 


quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Ascendente

Sempre às voltas com o ir e ficar.

***
Ainda bem que existe quem diga: prioridades, Juliana, prioridades!
Outros verões estão por vir.

Mas tem horas em que bate uma urgência, como se nada fosse mais importante que o impulso. Bate também um medo: e se não houver?

Me imagino correndo e berrando pelo aterro, pelo desterro...

***
Uma aluna disse pra mãe dela que sou uma professora amorosa. Ninguém nunca tinha me chamado de amorosa antes. 

Amorosa. Amorosa. Amorosa.

***

Uma vez me disseram que tenho uma delicadeza que precisa ser adivinhada. Me disseram também ,  em outras circunstâncias,  que nunca se imaginaria que eu fosse tão sensível.

Eu mesma tantas vezes me sinto  uma fraude.

Aí me explicaram que é tudo culpa de sagitário.

Eu quero acreditar que seja mesmo.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Se mau humor mata, vão se preparando pro meu enterro.

***

Chega o apocalipse, mas não chega 21 de dezembro.




terça-feira, 19 de novembro de 2013

Dia desses, duas pessoas legais e simpáticas postaram no Facebook que são terminantemente contra o sistema de cotas raciais em concursos. Declarações tão enfáticas me espantam sempre, mas eu tendo a achar que as pessoas legais e simpáticas não sabem do que  estão falando quando afirmam coisas desse tipo. Prefiro achar que as pessoas são ignorantes ou desatentas.

Eu sou preta. Não passo o tempo todo da minha vida pensando na cor da minha pele, nas minhas características físicas. Devia pensar mais, acho, mas não penso. Sou das mais desatentas - e das mais sortudas. Nunca fui xingada de macaca, de negona; não me lembro de nenhuma situação em que fui abertamente discriminada, mas, como eu disse, não passei por nada disso porque tenho sorte. O racismo nunca me agrediu diretamente, daquele modo que faz com que as pessoas fiquem indignadas, divulguem mensagens no facebook, afirmem que têm um amigo negro e tal.  Mas não preciso dizer aqui, não pra vocês, que racismo existe, né? Existe e me atinge, dolorida e silenciosamente. O racismo me atinge quando me torna supervisível.

No fim de semana, estive em Tiradentes com minha amiga. Cidade cheia, feriado e  era possível contar nos dedos as pessoas pretas passeando por ali. Minha amiga e eu éramos umas dessas poucas pessoas. Não é que passamos o tempo todo procurando os outros negros. Não é preciso procurar:  em determinadas situações, tenho a impressão de que estou participando daqueles seriados americanos em que há um negro no grupo só pra constar. Não tenho como contar todas as vezes em que eu fui a única - ou uma das poucas- pessoa negra na turma da faculdade, no avião, naquela loja mais cara,  na fila do banco, nos empregos que tive. Quando eu era mais nova, não percebia muito. Ficando mais velha e mais calejada, passei a ser mais atenta. Em algum momento da minha vida adulta, me dei conta da minha supervisibilidade. E aí comecei a ficar incomodada. Porque incomoda. Ora, nasci e vivo num lugar cheio de gente parecida comigo. O país tá cheio de gente com o mesmo tom de pele que o meu, com o mesmo tipo de cabelo, com o mesmo formato de nariz e de bochecha. Então por que essa sensação de que em determinados lugares ninguém mais se parece comigo? E eu não estou falando aqui do mundo de gente muito rica, da alta sociedade, de coisas fora da realidade. Estou falando da universidade, estou falando do corpo docente das escolas públicas em que trabalhei e trabalho, estou falando do shopping na zona norte do Rio de Janeiro, estou falando da pousada numa cidade do litoral.

Não sei me expressar bem sobre esse tema - me falta estofo, de verdade-, mas acho que dá pra entender o que quero dizer. Suponho que as pessoas que dizem por aí que são terminantemente contra qualquer política racial não sabem o que é ser minoria, não conhecem esse desconforto de parecer um tantinho mais privilegiada enquanto  a maioria daqueles que têm a pele preta como a minha não têm acesso aos mesmos espaços, serviços e escolhas que eu tenho. A vida não é High School Musical, com seu único par de adolescentes negros. Joaquim Barbosa não tem de ser um super-herói.Desfile de moda com modelos negras não devem ser  tratados como exóticos. E mais:  devia causar estranheza, devia incomodar  o fato de as pessoas que a polícia mata, as pessoas que estão nas cadeias, as pessoas que não sabem ler e escrever terem, quase sempre, a pele como a minha.

Eu prefiro acreditar que somos todos desatentos e ignorantes.


P.S.: Não acho que os sistemas de cotas sejam perfeitos e estejam acima de qualquer crítica. Não mesmo, né, gente!

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Quando eu estava no ensino médio, odiava as quartas-feiras. Era o dia em que eu mais estudava, tinha o estágio de manhã e ainda ia pro inglês à noite. Era tanto cansaço. E eu tinha 12 anos menos do que tenho hoje. Numa quarta-feira dessas tenebrosas, cheguei em casa, depois do dia exaustivo, morta de fome. Eu poderia comer um pedaço da porta da cozinha se fosse o caso. Encontrei a casa vazia, nenhuma comida na panela, nadinha pra comer. Me lembro como hoje. Em vez de comer um pedaço da porta, sentei no chão da cozinha, vencida pelo cansaço, e chorei. Tanto desamparo.

Esse desamparo é o meu atual sentimento predominante. Estou cansada. 2013 vem sendo exigente. Eu mantenho a elegância e não sento no chão da cozinha porque sei que não adianta de nada.  Mas queria. Estou cansada, muito cansada. Meu corpo dá todos os sinais de exaustão. Se eu pudesse, anteciparia 31 de dezembro e dava o ano por terminado. Cansei de viver 2013. Quero um ano novo o mais rápido possível. Quero um ano novinho e mais ameno. Quero mais estabilidade, mais escolhas felizes, menos mudanças. Ou melhor quero só as mudanças que não exijam. Bem, eu sei que isso não existe, mas me deixem desejar.

Enquanto isso, vou lidando com as lágrimas que cismam de aparecer nas horas indevidas. Lágrimas, essas coisinhas rebeldes, de natureza incontrolável.

Quero férias.

Muitos anos

Mil anos é tempo demais, especialmente pra amar quem quer que seja. Um amor assim deve pesar para ambos os lados.  Prefiro promessas mais suaves.

Mas ando cantarolando esse musiquinha fofinha sem parar:

A Thousand Years 

As musiquinhas podem dizer o que elas quiserem, né?


domingo, 17 de novembro de 2013

De volta à cidade delicada

Melhor silêncio. Melhor barulhinho de chuva. Melhor vista distante da janela. Melhor capuccino. Melhores taxistas. Melhores pessoas gentis/simpáticas/ calorosas. Melhor tutu. Melhor caldo verde. Melhor pão de queijo. Melhor igreja iluminada. Melhor igrejinha iluminada. Melhor igrejona iluminada. Melhor céu encoberto. Melhor noite azulada. Melhor praça lotada. Melhor garçom. Melhor moça que trabalha na loja de rocambole. Melhor doce de leite sem açúcar. Melhor pão francês. Melhor ar geladinho da manhã. Melhor praça silenciosa.Melhor ladeira pra ver o pôr do sol. Melhor pôr do sol delicado. Melhor luz do sol.













Tiradentes.

Suspiros.




P.S.: Jaqueline tirou a última foto.




quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Eu sei que só ando falando de morte por aqui. Tô monotemática. Me perdoem; me aguentem, se puderem. Vai passar.  Juro que se vocês pudessem estar o dia inteiro ao meu lado saberiam que eu falo de outras coisas,  só não sei que outros assuntos são esses. Os dias são tão corridos que sinto como se eu passasse pelos lugares e pelas pessoas sem realmente registrá-los. É novembro, e eu nem percebi.

***

Me falta um talento fundamental: traquejo. Todo dia, cada vez mais, percebo a falha na minha formação: em algum momento da vida, deixei de aprender ( ou deixaram de me ensinar) a medida certa na relações sociais. Oscilo entre excesso de cuidado e cuidado nenhum. Oscilo entre muita ternura e muita displicência. Às vezes, simplesmente não me importo - e não sinto culpa. Mas se me interessa, se me cativa, eu gosto muito, muito, muito. O engraçado é que anda cada vez mais difícil me importar. Não sei se sou eu, não sei se são as pessoas. Não sei se tem a ver com a idade e com o que não aprendi. Parece que ainda estou na quinta série - e estou mesmo, todos os dias na escola. Os adultos  nunca saem dos 11 anos, acho.  Tudo parece igual; a diferença é que os adolescentes costumam ser mais crus e mais honestos. Nós adultos gostamos do verniz.

Eu pensei que tivesse aprendido. Quase andei por aí exibindo meu traquejo adquirido como quem tira onda com um troféu. Adquiri traquejo coisa nenhuma. Ainda sou aquela mesma movida pelos afetos. Pior: hoje sou mais mimada. Tô acostumada a gostar e a ser gostada por inteiro. Acho estranhas as meias medidas, acho estranho ficar sempre na superfície. 

Acho estranho. Queria não achar, mas acho. Estranhíssimo.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Contrariando as expectativas, cheguei cedo no trabalho. Contrariando as expectativas, não entrei em sala. Fui, então, pra sala de leitura procurar um conto pra aula de amanhã. Saí de lá com um livro da Ana Maria Machado, que foi devidamente lido no ônibus, na volta pra casa. Tenho o meu livro de gente grande me esperando na bolsa, mas nunca resisto aos juvenis.

***

A escola em que trabalho funciona num prédio antigo de tijolos vermelhos, chão preto, quente no verão e frio no inverno. Nos dias amenos, um vento gelado surgido não sei de onde passa pelos corredores - é um vento meio fantasmagórico. Conversando com a secretária, fiquei sabendo que escolas vêm funcionando naquele prédio desde a década de 1940. Recentemente, esteve lá uma pessoa que se formou em 1954. Muito tempo. Minha mãe nem era nascida.

Conversar com os meus colegas do trabalho sempre me dá uma noção do tempo. Todo mundo tem de profissão o que tenho idade. Todo mundo não, mas quase. Hoje soube que uma das minhas colegas é professora desde 1968. Mil novecentos e sessenta e oito. Tem noção?

***

Uma das minhas colegas é professora e enfermeira. Daí que, nem sei bem como, nosso papo chegou no processo de preparação do corpo para o velório. A gente sabe que os cadáveres recebem um tratamento, mas eu nunca tinha ouvido  um profissional contar como funciona esse processo. Achei interessante. Todas as pessoas mortas que vi até hoje estavam com a aparência mais serena e suave do que a que  tinham nos últimos dias de vida, então nunca me ocorreu que , por baixo de todas aquelas flores que cobrem o caixão estivesse um corpo apodrecendo, com órgãos sendo devorados por bactérias.

Eu não me importo de falar sobre morte; me incomodo justamente com o contrário.

***
Noite dessas, sonhei que encontrava  minha vó sentada no sofá e ela me dizia que os médicos tinham encontrado um jeito de ela viver mais um pouco. Tinham ido ao cemitério, tirado o corpo do caixão e colocado um coração novo no lugar. O efeito desse procedimento não seria duradouro; ela morreria em breve novamente, mas, dessa vez, não seria tão difícil nem pra ela ,nem pra nós. Minha vó ainda ria e me dizia: " Estou igual àquele cara daquele filme de maluco que você vê." Eu franzia a testa sem entender e acordava.

Ontem, me dei conta de que minha vó estava se referindo ao que acontece ao Mulder, naquela temporada de Arquivo X  que me recuso a assistir. 

***

Estou chegando naquela fase do luto em que a saudade rói.

***

Eu queria ser inteligente, dizer coisas inteligentes. Queria não dizer a primeira coisa que passa pela minha cabeça, queria ser mais difícil de ler. 

O que eu queria mesmo era só parecer mais adulta. Só parecer já tava de bom tamanho.








domingo, 27 de outubro de 2013


"A realidade é que sem ela

Não há paz, não há beleza

É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim
Não sai de mim
Não sai"


Há exatos 30 dias minha vó morreu. É tão estranho esse mundo em que ela não está. A gente precisa se adaptar à nova rotina, mudar a lista de compras, deixar de ligar pra casa no meio do dia porque não vai ter ninguém pra atender. O leite estraga na geladeira porque não dou conta de tomar uma caixa em tão pouco tempo. Ninguém mais liga a tevê da cozinha. A casa está mais silenciosa. 

A ausência da minha vó é um silêncio dentro mim. Não sei definir de outra forma.

2013 me ensinou que existe um tipo de saudade para a qual não há solução.


terça-feira, 22 de outubro de 2013

Criminal Minds: a série fofa

antes de ler: sempre que vejo o povo falando de seriados por aí, aparece um aviso sobre spoilers. Eu não tenho a menor ideia se as coisas que digo aqui podem ser consideradas spoilers. Não conto a solução de nenhum crime, não conto detalhe nenhum de episódio nenhum, esse post é pura zoeira, mas vai que aparece alguém que não gosta de saber de nada. Então: contém spoilers.


Minha mãe se preocupa comigo. Todo dia tem uma preocupação. A atual preocupação da minha mãe é que eu passo meu tempo livre assistindo a Criminal Minds,  um seriado policial cheio de cenas violentas, muito sangue e morte, muita morte. As pessoas morrem em Criminal Minds, morrem muito, morrem das piores formas possíveis. Quando um personagem aparece em cena, procuro não me apegar muito. Se a pessoa não for do elenco do principal,  a chance de ser fatiado em mil pedacinhos é grande. Além de morrerem, as pessoas em Criminal Minds  são atacadas no conforto do seu lar, enquanto jantam, tomam banho ou sonham em suas camas macias.Nenhum lugar é seguro pra um personagem do seriado. Mas, apesar das mortes e dos crimes horripilantes, minha mãe não deveria se preocupar tanto: Criminal Minds é uma série fofa, muito fofa.Hum, bem, eu entendo se vocês não concordarem de imediato com essa afirmação, minha mãe também não concordou, mas nada me impede de tentar convencer vocês.



As estrelas do seriado são agentes do FBI lotados numa unidade de elite. Os caras são especialistas em traçar o perfil de criminosos ( apavorantes) em série, são top de linha, muito qualificados, muito espertos, os caras. A gente sabe que um monte de gente fodona junto pode dar confusão, guerra de egos, essas coisas legais. Mas brigas, fofocas e intrigas não têm espaço na BAU, a equipe chefiada pelo bom pai/ bom marido/ bom chefe  Aaron Hotchner . Aquele pessoal se adora, vai ao cinema junto, janta junto, viaja naquele jatinho legal junto. Eles são convidados pra chefiar outras equipes e não aceitam porque preferem a BAU. Eles são obrigados a aceitar uma promoção e choram copiosamente. Eles apoiam uns aos outros,  consolam uns  aos outros. Ninguém fala mal de ninguém pelas costas, ninguém fica revoltado por ter de fazer horas extras. As patadas são perdoadas e compreendidas, os atrasos são perdoados e compreendidos, Garcia dá um chilique com o chefe e recebe elogios. Essas pessoas são colegas de trabalho de comercial de margarina. A BAU é o melhor lugar pra trabalhar, eu quero ser profiler do FBI também.

Agora vamos analisar a fofice individual:

 * O chefe:  Hotchner é todo sério e compenetrado, nunca se altera, nunca move mais que um músculo do rosto. Tem uma  esposa incrível, um filho liiindo, uma casa aconchegante. Tem total controle de seu trabalho,  lida bem com a chata da Strauss, viaja o país inteiro e ainda assim é um pai dedicado. Seus subordinados simplesmente adoram o cara, se preocupam com ele, e a recíproca é verdadeira.


 Vem ser meu chefe, Hotch!

*O Gênio: Reid, ou melhor, Dr. Reid, é um gênio, tem mil formações, uns 300 doutorados, guarda tudo na cabeça graças à sua memória fotográfica,  enche o saco de todo mundo com suas genialidades, mas todo mundo ( inclusive eu ) ama o Reid.  Spencer é gentil,  fofamente estranho. Tem empatia pelas vítimas, usa seus talentos com o objetivo de prender criminosos  perigosos. Sua vida pessoal parece ser a menos organizadinha, mas ele recebe de seus colegas o apoio e a proteção que uma família daria.


Vem me ensinar todas as teorias, Reid!




* A porta-voz:  JJ é a pessoa perfeita. Inteligente, articulada, equilibrada, doce, linda, com aqueles olhos lindos, com aquela voz linda ( amo a voz da JJ). Da sexta temporada pra cá, então, virou o suprassumo da perfeição. Não só continua maravilhosa, como virou a agente que salta, bate, atira, corre, prende, salva  o dia. JJ é a pessoa que mantém contato com as famílias das vítimas, então a gente sempre a vê sendo delicada, atenta, fofa. E pra completar: JJ tem o filho mais lindo que já vi em todos os seriados. Como não querer ter um Henry pra chamar de seu?


Vem tomar chá aqui em casa, JJ!


* A poderosa: Prentiss é diva. Prentiss nem está mais no seriado, mas a mulher é tão amada que a gente ignora completamente a sua substitua - até os roteiristas ignoram. Emily fala línguas que ninguém fala, Emily  tem o passado mais legal, Emily fez sacrifícios inimagináveis pra salvar uma pessoa inocente. Ela é inteligente, lê livros difíceis, é fã de ficção científica. Os cílios dela são enormes. Toda vez que Prentiss conversa com uma vítima criança eu choro.  É melhor eu parar de falar da Prentiss, antes que conte o que não devo contar. Mas, ó, muitos <3 pra Emily.



Vem me contar o segredo desses cílios lindos, Emily!


* A nerd:  O que dizer de Garcia? Ela é a fofurice de Criminal Minds corporificada. Garcia usa as roupas mais coloridas e loucas, atende o telefone feliz, paparica todo mundo, não consegue trabalhar "se alguém que ela ama não está bem". Ela é capaz de descobrir qualquer coisa sobre qualquer pessoa, sentadinha naquela sua salinha cheia de fofurice. Garcia se recusa a ver as fotos mais chocantes dos crimes, faz o grande sacrifício de se vestir como os pobres mortais só pra que a equipe não sinta o peso de ter um membro a menos. 3500 coraçõezinhos de amor pra Garcia!



                                                 Vem ser minha melhor amiga, Penelope!

* O famoso: Rossi é o melhor amigo de sua ex-mulher, financia uma investigação ilegal que salva um monte de gente com o dinheiro do próprio bolso, organiza o casamento mais bonito, dá jantares legais, oferece uma sessão de videogame a suas colegas estressadas, ajuda os colegas com a reforma de suas casas. Não sou muito fã de Rossi, mas, ah, como eu queria que ele fosse meu coleguinha de trabalho e me levasse pra jantar na casa dele.

                                                 Vem me dar festas de presente, Rossi!

* O mais gato de todos os gatos de todas as séries: Deixei por último o meu favorito. Claro que Morgan é meu favorito. Deveria ser o favorito de qualquer pessoa sensata. O homem é lindo, lindo, lindo, tem um sorriso lindo, uma voz linda, uma andar lindo, tudo de lindo. O primeiro episódio que assisti é um em que ele aparece só de toalha logo no início; foi uma excelente cena de boas vindas à série! Enfim, deixa  eu respirar fundo aqui antes continuar. Respirei. Morgan é, sim, um homem lindo ( é a última vez que digo isso), mas não só. O cara chama a responsabilidade pra si, é esquentadinho mas nunca ultrapassa os limites da ética. Os episódios focados no passado dele me fizeram chorar de soluçar. A família dele é toda legal, as irmãs dele são legais, a mãe dele é legal, a tia dele é uma fofinha. Derek é o cara que poderia ter dado errado, mas deu certo, muito certo. E ainda é todo protetor, atencioso. Ah, e, claro, protagoniza com Garcia os momentos " amigos também dizem eu te amo" mais fofos.


                                               Vem me chamar de Baby Girl, Morgan!



É muita fofice!

 E eu nem falei do Kevin e  dos personagens que aparecem em um episódio só. A verdade é que eu poderia passar posts e posts falando de Criminal Minds, mas passa de 1h da manhã e preciso dormir. Mas, antes, me diga: minha mãe não devia parar de se preocupar? hihihi



P.S.:Não vou citar  Elle e Gideon porque não os conheço bem. Até agora vi  a sexta, a sétima e parte da oitava temporadas e alguns episódios aleatórios, então não conheço bem esses dois, e ,pelos poucos episódios que vi, não fui muito com a cara deles.Também não vou citar a Blake, porque, né, ainda não entendi pra que o nome dela tá na abertura da série. Pra cês terem ideia nem lembro o primeiro nome dela.

P.S.2: Ó, isso de dizer que Morgan é o homem mais lindo de todas as séries é uma pequena licença poética. Ele é o segundo mais lindo. Todos sabem que o mais lindo é esse aqui. =p

P.S.3: Esqueci de dizer que o elenco da série parece se dar muito bem. Há um monte de fotos engraçadinhas deles:






domingo, 20 de outubro de 2013

Cresceu

Em fevereiro, o meu cabelo estava assim:

Estamos em outubro e meu cabelo tá assim:


Só tive o cabelo tão curto quando era criança. Vi um dia desses uma foto minha,aos 10 anos, com o cabelo Joãozinho. O trauma causado pelo corte foi tão grande que não lembro daquela fase. Sério mesmo. O problema não foi o corte, e sim  o motivo de meu cabelo ter sido cortado tão curto. Uma tia minha, que costumava cortar os cabelos da família, decidiu que um cabelo " difícil" como meu precisava ser bem curto pra ficar domado. Pois é. Desde então, nunca mais cortei de verdade até fevereiro desse ano. Quase 20 anos depois, tava na hora de superar, né? Cortei bem curto porque quis, porque queria mudar a cara. E , ao cortar, acabei descobrindo que meu cabelo fica mais saudável sem o relaxamento. Na verdade, a única parte do meu cabelo com a qual é " difícil" lidar é justamente aquela em que o relaxamento permanece.  É que eu arrumei bem arrumadinho pra  sair na foto, senão vocês veriam que essa mecha aí na frente é híbrida - até certo ponto, tem o meu cabelo natural; de um ponto em diante, os fios estão quebradiços e espigados. Eu já poderia ter cortado logo essa parte com química, mas uma ousadia de cada vez.


Com o cabelo curto, aprendi duas coisas importantes: brincos pequenos não mordem ninguém e pentear o cabelo de manhã não é assim tão ruim. Você não penteava o cabelo de manhã, Juliana?! Não. Eu sou daquelas pessoas que não deveriam viver antes das 9h da manhã, mas o sistema capitalista não tá nem aí pras necessidades do meu corpo, né? Então, entre arrumar o cabelo  e dormir mais, sempre preferi dormir mais. Aí acordava, tomava banho, fazia um coque e saía. Foi difícil me adaptar à impossibilidade de fazer coque.Agora tenho que dar uma olhada no espelho de vez em quando pra ver se não estou completamente descabelada. Claro que sempre que vou checar, estou completamente descabelada, mas nada que um sprayzinho não resolva.

Com o cabelo curto e as orelhas mais expostas, descobri que as minhas habituais argolas e os brincões que costumava usar não ficavam tão legais. Brincos grandes, pelo menos em mim, só ficam bons se forem daqueles que começam presos no lóbulo .E eu nem tinha brincos pequenos, era oito ou oitenta: brincões ou nenhum brinco. Eu sou grande, bochechuda; achava que brincos pequenos ficavam desproporcionais. Aí descobri que existem os pequenos- não -tão- pequenos.


Agora, eu ando pensando em botar em prática um velho desejo: mudar a cor. Nunca pintei o cabelo. Quer dizer, aos 13 anos, tentei tornar minhas madeixas vermelhas, usando papel crepom e água. Não riam da menina de 13 anos que eu fui. Tudo ficou manchado, as mãos, as unhas, a testa, menos o meu cabelo. Nem sei de que cor pintaria hoje, só queria mudar esse tom escurão de sempre. Vamos ver, vamos ver!


quinta-feira, 10 de outubro de 2013

E eu que pensei que luto se resumiria a  chorar na primeira semana e escrever um post no blog?

 Eu e minha ingenuidade. Ou eu e essa arroganciazinha de achar que posso gerenciar o que quiser - sentimentos, principalmente. Ou eu e o medo de lidar com o que não está previsto. 

Ou eu e minha humanidade. Simples assim.


***

Não quero que minha vó vire uma lembrança. Não sei pensar na minha vó como lembrança. Não sei falar dela no passado. Não sei olhar pras coisas dela e dizer " eram dela". Minha vó ainda é pra mim. Não sinto falta dela porque ela ainda está

O quarto está desfeito. As roupas foram distribuídas. Não fiquei com nada além da chave de casa e a canga de praia dela - coisas que já eram mais minhas do que dela mesmo. Mas nada disso faz muita diferença. Essa ainda é a casa dela. Eu ainda sou a neta dela. Tudo sobre minha vó ainda é vivo, íntimo, habitual. 

Minha vó ainda é um hábito meu.

***
Até esse ano, poucas eram  as fotos de gente morta nos meus álbuns. 2013 será lembrado como o ano em que  passei a ter muitas fotos de mortos em casa.

***

Fomos à missa no sétimo dia de morte da minha vó. Fui à missa por ela, porque faz tempo que não vou  a missas por mim mesma, especialmente às missas da igreja do bairro. É engraçado você fazer uma coisa pensando em alguém que nem vai saber que você fez. Mas eu fiz.

***
A morte da minha vó , em si, não é um peso. Eu não tinha qualquer pendência com ela, não deixei de dizer nada pra ela , fiz tudo que pude pra que ela tivesse uma morte digna. Minha vó foi das pessoas mais próximas que tive na vida. Cresci perto dela, herdei algumas de suas maluquices, aprendi alguns de seus bons hábitos, tínhamos vozes tão parecidas que confundiam até quem nos conhecia bem. Sobretudo, tenho em mim as marcas do seu excelente humor  e um tantinho da sua resistência. Brigamos um bocado, mas também conversamos muito, saímos pra ela tomar chope, sentei no colo dela, sentamos  pra ver novela, comi a dobradinha com batata que fazia só por mim.

Não queria - e não preciso- que minha vó vivesse mais. O corpo dela não dava mais conta. Sobrava vontade, mas não havia mais corpo. Minha vó gastou todas as suas reservas de energia e coragem. Ela não merecia e nem precisava de uma sobrevida. A morte da minha vó não é um sofrimento pra mim. A morte é um alento, um consolo. Acabou - e eu não me arrependo de nada.

Durante todo o tempo em que ela esteve internada, minha cabeça doeu terrivelmente. O médico disse que eu estava tensa. Faz todo sentido, claro. Desde que minha vó morreu, a dor não voltou mais. Eu não durmo, fico mal humorada, sinto meu corpo esvaziado de energia e vontade, mas dor de cabeça passou. Minha cabeça doía porque eu não aguentava ver o sofrimento, aquelas dores, aquela cama de hospital, aquela falência do corpo, o esforço dela pra ficar só mais um pouco.

Minha vó esteve perto de mim por 29 anos. Foram 29 anos de saúde, de animação, de teimosia, de maluquices, de implicância, de músicas ecoando pela casa, de autonomia, de bravura. Não trocaria nenhum desses 29 anos pra que ela estivesse viva agora, sem saúde, sentindo dor, com um coração que não dava mais conta, com rins que sobrecarregavam o coração, com pernas que não se sustentavam mais.

Eu prefiro a saudade que vai vir.

***

A depiladora da minha vó é a mesma que faz as minhas sobrancelhas. Daí hoje fui fazer as minhas sobrancelhas indomáveis. A depiladora gostava um bocado da minha vó, então inevitavelmente falamos dela, e eu fiquei  feliz por isso. A moça não falou da minha vó como se tivessem  se conhecido num passado distante. 

Num dado momento, ela me disse assim:

- O mais triste pra mim é não saber  que nunca mais vou ver a pessoa. Quando meu pai morreu, chorei todos os dias pensando nisso.

Deve ser por isso que não choro todos os dias. Ainda não pensei que nunca mais vou  ver minha vó.




quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Fina Florzinha

Botei essa foto no perfil do Facebook.  Adoro todo mundo colocando foto da infância no perfil.

Bem, olho pra esse meu retrato e penso em várias coisas:

* minha vó odiava essa roupa porque não escolhi comprar o lindo vestido cheio de babados que ela queria que eu usasse.

* eu era uma criança de 3 anos grande demais. Essa foto é de junho de 1987.

* o fotógrafo achou que o chão era tão importante quanto a aniversariante.

* meus olhos apareciam em fotos quando eu era menina. Hoje em dia preciso provar que eles existem.

* sou de um tempo em  que havaianas eram chinelo de pobre. Olha minhas havaianas de pobre ali. Não tinha essa frescura de reposicionamento de marca, de sandália que vc usa na praia e no shopping. Era chinelo de dedo, pronto e acabou. Ah, e quando arrebentava, minha vó colocava um preguinho na tira,pra estender a vida útil do chinelo. 

* Que cama bagunçada essa, hein!

* Há uma caixa de fósforo nessa foto! Há uma caixa de fósforo nessa foto e eu tô sentada do lado dela. Nunca tinha notado isso. Eu sentada do lado de uma caixa de fósforo é um evento e tanto. hahahaha
Já falei do meu nojo de palito de fósforo aqui no blog, neste post.

* meus dentes eram mais bonitinhos em 1987, mas o sorriso de 2013 é mais caloroso.

terça-feira, 8 de outubro de 2013


Faz  tempo que venho querendo falar sobre a greve dos profissionais de educação do Rio aqui no blog, mas me falta estofo pra tratar, com propriedade, os detalhes do famigerado plano de cargos e salários, pra falar  de todas reivindicações de um modo geral. Aí li um texto excelente no Blogueiras Feministas, escrito por uma professora, a Larissa Costard. A Larissa  faz um resumo da situação da escola pública na cidade do Rio e explica alguns pontos do plano.  É um texto bacana de verdade. Se quiserem entender um pouquinho o que tá acontecendo aqui no Rio, comecem a ler o texto aqui e depois vão lá no Blogueiras Feministas:

" (...)
Eis então, que surge o PCCR (Plano de Cargos, Carreiras e Remunerações) da Prefeitura do Rio de Janeiro, que une as duas frentes da nossa luta. Ataca diretamente a nossa carreira e institucionaliza o projeto de educação a partir da reforma do quadro de professores. Todos os parquíssimos benefícios só valem para os professores que migrarem para 40 horas semanais, sem a remuneração condizente (o salário nem se compara ao pago nos colégios federais), eliminando aqueles que trabalham nos regimes de 16 horas (fundamental II), 22,5 horas (fundamental I) e os 30 horas (modalidade especial do professor de fundamental II).
O plano institucionaliza a separação entre professor e pesquisador, desautorizando-nos a produzir o conhecimento (logo, criando cada vez mais profissionais com dificuldade de criticá-lo) quando afirma que as pós-graduações valorizadas serão somente as da área de educação (não que esta não seja importante, mas o professor precisa ter o direito de escolher a área que deseja pesquisar); institucionaliza o professor polivalente (extinguindo as carreiras de PI e PII – respectivamente professor de 6º ao 9º e os de 1º ao 5º anos), criando o professor de educação básica, que pode atuar em qualquer área. Esses são alguns exemplos de como o PCCR mata, via carreira do professor, não só nosso futuro profissional como a educação crítica e de qualidade."
Continua aqui


sexta-feira, 4 de outubro de 2013

À noite, em vez de dormir, passo horas pensando no contraste entre a pele fria do corpo morto da minha vó e a textura da palma viva e quente da mão dela. Eu nunca havia tocado um corpo morto antes. Se eu pudesse voltar  atrás, teria resistido ao impulso de tocar  a pele da minha vó uma última vez, antes que o caixão se fechasse. Estendi a mão e toquei a testa dela, antecipando as sensações que eu conhecia. Minha vó tinha a pele da testa fina e vincada, como todo idoso. Eu saberia recriar as rugas daquela testa - e de todo rosto- de tanto que as tinha visto, porque minha vó envelheceu diante dos meus olhos, o corpo dela viveu e foi morrendo perto de mim. Eu sabia exatamente o que meus dedos sentiriam toda vez que encostassem na pele dela.

Mas o meu primeiro e único toque no corpo morto da minha vó foi  um evento absolutamente inédito. Encostei a ponta dos dedos na testa morta dela; a testa estava gelada, muito gelada. Eu não conhecia aquele tipo de temperatura. Não era gelado de geladeira, nem aquele gelado de quem tá doente.Era um gelado de pele morta, e eu sou incapaz de descrever o que é isso.

Pra minha sorte, sou uma pessoa das sensações, do tato.. Minha memória não guarda imagens ou sons. Já agora, com tão pouco tempo, me arrependo de não ter vídeos da minha vó no meu celular, porque não consigo recuperar  o timbre da voz dela. Mas a pele dela tá viva na memória - especialmente, a pele delicada da palma da mão. Não preciso nem fechar os olhos pra sentir o quentinho de sua mão viva apertando minha, enquanto eu a visitava no hospital. Não consigo me lembrar com exatidão da última coisa que ela me disse, mas me lembro da textura da parte interna dos dedos dela. Queria ser uma dessas escritoras de talento pra saber descrever a textura da mão viva da minha vó. Assim, quando minha memória começasse a falhar - e eu sei que ela vai falhar- eu viria aqui, leria esse post e saberia, como ainda sei agora, como era a pele viva da minha vó.

Eu só queria nunca esquecer.

sábado, 28 de setembro de 2013

Meu remédio é cantar

Eu não sei cantar, não tenho a menor noção de ritmo, não tenho voz bonita. Mas, hoje, enquanto seguia o cortejo que ia atrás do corpo da minha vó, senti uma vontade enorme de cantar.  Eu ri, enquanto chorava, porque a memória da voz desafinada de minha vó me tirou do cemitério e me transportou pros dias da minha infância. Me lembrei da vitrola verde, da voz do Gonzaga e de uma música:

"Ai quem me dera voltar
Pros braços do meu xodó
Saudade assim faz roer
E amarga qui nem jiló
                                                                            (...)
                                                      Saudade, o meu remédio é cantar"


Então, hoje, enquanto o corpo da minha vó era ajeitado na cova, eu cantei. Desafinado, com uma voz tão embargada que mal consegui me reconhecer, alto demais, cantei, cantei, cantei.

Nunca haverá saudade como essa.

A maior saudade do mundo.




terça-feira, 24 de setembro de 2013

100 respostas que você não quer ler para 100 perguntas que você não fez

Peguei dela.


1: Você dorme com as portas do seu armário aberta ou fechada?  Tenho pavor de porta aberta. Saio fechando todas.
2: Você leva embora os shampoos e condicionadores dos hotéis? Não. Não sou Ross Geller, tá!
3: Você dorme com seu edredom dobrado pra dentro ou pra fora? Pergunta que a gente não entende a gente pula.
4: Você já roubou uma placa de rua? Não. Pra que eu iria querer uma placa de rua?
5: Você gosta de usar post-it?  Só tenho post-it porque minha prima me deu um pacote uma vez. Nunca uso.
6: Você corta cupons, mas depois nunca usa? De onde eu recortaria cupons?
7: Você prefere ser atacado por um urso ou um enxame de abelhas? Prefiro que as abelhas ataquem  os ursos e eu fique livre do dois.
8: Você tem sardas? Não.
9: Você sempre sorri para fotos? Sim, sempre,  é automático.
10: Qual é a sua maior neura? Odores corporais. Suo bastante nos pés, então sou paranoica com chulé.
11: Você já contou seus passos enquanto você andava?  Claro.
12: Você já fez xixi na floresta? Nunca estive numa floresta.
13: E quanto fazer coco na floresta? Ver a resposta ao item anterior.
14: Você dança, mesmo se não tiver música? Claro, sempre.
15: Você mastiga suas canetas e lápis? Superei essa fase.
16: Com quantas pessoas você já dormiu essa semana? Deixa eu ver, uma, duas, três, quatro, cinco, seis...
17: Qual é o tamanho da sua cama? Solteiro.
18: Qual é a música da semana? Natural Luz, da Ellen Oléria.

19: O que você acha de homens que usam rosa? Tem alguma coisa pra achar?
20: Você ainda assiste desenhos animados? Não. Não sei quando me tornei uma pessoa que nem sabe o que é Phineas e Pherbs.
21: Qual é o filme que você menos gosta? A.I.- Inteligência Artificial. Detesto o Spielberg e acho  que ele se superou no quesito apelação nesse filme.
22: Onde você enterraria um tesouro escondido, se você tivesse algum? Não enterraria; tesouros foram feitos pra serem gastos. hihihi
23: O que você bebe com o jantar? Dificilmente, bebo algo com a comida.
24: No que você mergulha um nugget de frango? Não sou chegada em nugget.
25: Qual é a sua comida favorita? Pizza
26: Quais filmes você poderia assistir várias vezes e continuar amando? Ai, eu não sou uma pessoa de filmes.
27: Última pessoa que você beijou/beijou você? Não tenho recebido nem dado muitos beijos. Triste constatação. Venham me beijar, gente!
28: Alguma vez você já foi escoteiro(a)? Não.
29: Você posaria nua em uma revista? Não.
30: Quando foi a última vez que você escreveu uma carta para alguém no papel? No século passado, certamente.
31: Você pode trocar o óleo de um carro? Olha, eu nem sei pra que serve colocar óleo no carro. Sintam o drama.
33: Alguma vez ficou sem gasolina? Não tenho carro.
34: Tipo favorito de sanduíche? Algum que tenha bacon.
35: A melhor coisa para comer no café da manhã? Iogurte.
36: Qual é a sua hora de dormir? Lá pelas 11.
37: Você é preguiçosa? Muito.
38: Quando você era criança, o que você vestia para o Dia das Bruxas? Nem sabia que existia  esse dia quando era menina.
39: Qual é o seu signo astrológico chinês? Rato.
40: Quantos idiomas você fala? Tô tentando aprender o segundo.
41: Você tem alguma assinatura de revista? Tinha da Bravo, mas como a revista acabou...
42: Quais são melhores, Lego ou Logs Lincoln? Nem sei o que é esse segundo.
43: Você é teimoso(a)? Acho que não. Sou?
44: Quem é melhor … Faustão ou Silvio Santos? Netflix aos domingos.
45: Já assistiu alguma novela? Várias. 
46: Você tem medo de altura? Não.
47: Você canta no carro? Depende do carro.
48: Você canta no chuveiro? Sempre.
49: Você dança no carro? Depende do carro.
50: Alguma vez usou uma arma? Não.
51: A última vez que você teve um retrato tirado por um fotógrafo? Num casamento ao qual fui no ano passado.
52: Você acha que os musicais são legais? Só vi um musical até hoje.
53: Natal é estressante? Nunca. Amo o Natal.
54: Nunca comeu um Pierogi? Nunca.
55: Tipo favorito de torta? Torta salgada.
56: O que você queria ser quando era criança? Escritora famosa, tipo a Agatha Christie.
57: Você acredita em fantasmas? Não.
58: Já teve um sentimento de Deja-vu? Vivo tendo.
59: Toma uma vitamina diária? Não.
60: Usa chinelos?  Tenho mais chinelos que sapatos.
61: Usa um roupão de banho? Já usei muito.
62: O que você usa para a cama? Lençol, ué.
63: Primeiro show? Paralamas do Sucesso. <3 <3 <3
64: Wal-Mart, Target e Kmart? Nem conheço.
65: Nike ou Adidas? Sei lá.
66: Cheetos ou Fritos? Cheetos de requeijão.
67: Os amendoins ou sementes de girassol? Quem além do Mulder come semente de girassol?
68: Já ouviu falar do grupo de Tres Bien? Não.
69: Já teve aulas de dança? Já, mas nunca levei muito à frente.
70: Existe uma profissão que você imagine fazer no seu futuro? Eu penso em ficar milionária e viver de viajar.
71: Você consegue enrolar sua língua? Nunca tentei.
72: Já ganhou um concurso de soletração? Não.
73: Você já chorou porque você estava feliz? Já.
74: Possui algum disco de vinil? Não.
75: E uma vitrola? Não.
76: Você utiliza incenso regularmente? Detesto incenso.
77: Já se apaixonou? Sim.
78: Quem você gostaria de ver em um show? Jamie Cullum e Joss Stone.
79: Qual foi o último show que você viu? Bethânia.
80: Chá quente ou chá frio? Quente.
81: Chá ou café? Capuccino.
82: Açúcar ou adoçante?Nenhum dos dois.
83: Você sabe nadar bem? Não sei nadar.
84: Você consegue prender a respiração sem segurar seu nariz? Não.
85: Você é paciente? Nunca, jamais, de forma nenhuma.
86: DJ ou banda, em um casamento? DJ
87: Já ganhou um concurso? Já.
88: Já fez alguma cirurgia plástica? Não.
89: Quais são as melhores azeitonas, pretas ou verdes? Verdes.
90: Você faz tricô ou crochê? Quando eu era menina, minha vó tentou me ensinar. Achei um saco, mas aprendi um pouquinho só pra agradar minha vó.
91: O melhor lugar para uma lareira? Prefiro não ir a lugares onde lareiras são necessárias.
92: Você já viajou pra fora do seu país? Ainda não.
93: Que lugares pretende conhecer? Um montão.
94: Qual era a sua matéria preferida no Ensino Médio? Biologia.
95: Você esperneia até conseguir as coisas do seu jeito? Não.
96: Você tem filhos? Não.
97: Você quer ter filhos? Não sei.
98: Qual é sua cor favorita? Vermelho.
99: Você sente falta de alguma coisa da sua infância? Não. 
100: Se você encontrasse o gênio da lâmpada, qual seria o seu pedido? Pediria pra ser menos dramática, mais suave e bem mais rica.