quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Janeiro, 31


Um dia, cansada do cabelo, ela raspou a cabeça. Quer dizer, não raspou, raspou; passou máquina 2 ou 3, não sei. O cabelo ficou curtíssimo. Quando eu vi o cabelo  tão curto, fiz a minha habitual cara de espanto  e perguntei o que tinha acontecido. Ela  diz que o meu espanto foi tão sutil quanto se eu tivesse perguntado se o cabelo tinha sido raspado numa sessão de tortura. Ela não ficou brava; minha falta de sutileza é bem conhecida. E nada é mais a cara dela do que raspar um cabelo que não anda bom.

Dia desses, estávamos as duas tentando nos lembrar quando ela raspou a cabeça. Eu tava usando essa cena pra explicar  minha dificuldade de ser delicada, dificuldade essa que resvala até em que não é meu amigo. Peraê, mas a gente era amiga, disse ela. Não, não éramos, disse eu. Eu te considerava minha amiga, a gente era amiga, finalizou ela. Eu sou dessas pessoas  expansivas que parecem íntimas de todo mundo mas não são. Ela é dessas pessoas, à primeira vista, reservadas que encaram as pessoas de peito aberto.  Ela nem registrou  as minhas neuras e minhas reservas e  me fez sua  amiga. Ela é assim: traz as pessoas pra perto, gosta, se interessa. Delicadamente. Amorosamente. Despreocupadamente. Ela vive sem amarras e não amarra ninguém.

Ela é muito esperta.  Sabe todos os ônibus, todas as ruas, articula  ideias profundas  enquanto toma sorvete. Manda  e-mails  sensatos e salva amigos ocultos, me ensina a baixar filmes, tira fotos bonitas. Me manda SMS sobre Antônio Cândido antes das 10h da manhã.  Fala de Marx, barbárie e zumbis numa só frase. Gerencia orçamentos apertados. Uma esperteza modesta.

Ela é também um pouco maluca. Faz e volta atrás. Diz que não vai, mas vai. Experimenta pra ver qual é.  Foi morar longe da gente – a maior maluquice possível. E no dia da festa de  boa viagem, depois que fomos todos embora, ela chorou, no meio da plataforma do metrô. Ela chora, chora muito. Não tem pudor de lágrimas e sentimentos. Aliás, tem poucos pudores, apenas os pudores certos. Ela é uma pessoa que faz a coisa certa. Não por moralismo, por temor a leis maiores, nem faz tudo chatamente certinho o tempo todo. Nada disso. Uma honestidade intrínseca é o motor das  suas ações. Não perde tempo com hipocrisia, com jogos duplos, com mentira porque simplesmente seu funcionamento é outro. Ela joga claro, limpo;  fala abertamente. Sempre delicada,  sempre firme.

Vi a neve através da janela e da webcam dela. Tenho o mapa de Salzburg por que ela me deu. Ela é parte de metade das minhas boas lembranças.  Os bônus do meu celular expiram porque ela tá longe. A gente fala muito - só bobagens. Falamos de sapatos bonitos, fotos alheias, frivolidades - as melhores conversas. Gosto do Skype porque ele a traz pra perto. 

Eu gosto tanto dela, muito mais do que digo. Muito, tanto, mais e mais.

Hoje é aniversário da Sil.



















terça-feira, 29 de janeiro de 2013

L´amour

Tô longe de ser fã do Moska. Não gosto, simples assim. Mas, dia desses, uma amiga postou essa música dele no Facebook.





Continuo não gostando do cara, mas fiquei comovidinha ao ouvir essa lindezinha.




segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Primeira página


"Este é o  começo doloroso e persistente da nova etapa da minha vida. Que se inicia ali, um pouco adiante, no ponto final deste prólogo. Depois, trato de purificar a memória em invenção. Mas só depois daquele ponto final. Porque meu ofício é exclusivamente escrever - o que significa erro em cima de erro-, há um livro a ser escrito. Usar -me como matéria de ficção: aí está a única forma de saber o que foi, porque preciso saber o que foi para o novo começo.

Pouco importa que consiga ou não exumar a verdade dessa massa pretérita. Importa muito menos que o livro seja bom. Importa é saber: na passagem do tempo, o branco e o límpido do bom e da verdade vão se matizando até alcançar a nódoa cinzenta e baça e informe do que não significa absoluta e rigorosamente nada."


( Os dois primeiros parágrafos de Por que sou gorda, mamãe?, da Cíntia Moscovich.)


domingo, 27 de janeiro de 2013


Ontem, eu disse pro André que  andava menos dramática, e ele concordou. E mais: eu disse também que os anos como ansiosa crônica tinham me ensinado que simplesmente não vale a pena se descabelar .  Ansiedade nunca me rendeu nada que prestasse. André, que sabe bem o que significa ouvir algo assim de mim, se admirou. Eu ri um pouquinho porque mal acredito no que disse. Quer dizer, acredito  nas palavras, mas também me admiro que tenham saído da minha boca.

Quando fiz o tratamento pra ansiedade, eu vivia às voltas com as tarefas ligadas à terapia. Toda semana, eu ia lá no DPA da UFRJ, sentava na frente da psicóloga fofa que me atendia e avaliava as tarefas da semana. Na terapia, aprendi a ter agenda ( coisa que só usei mesmo naquela época), aprendi a fazer planilha de horários ( coisa que faço até hoje), aprendi a parar, pensar e  avaliar a real dimensão de tudo.  Toda vez que eu  ficasse muito ansiosa, tinha que parar, pegar um dos formulários que a psicóloga me dava e escrever ali tudo que tava passando pela minha cabeça. Depois eu tinha que pensar na pior coisa que poderia acontecer se todos os meus temores se confirmassem; em seguida, deveria traçar estratégias pra amenizar as possíveis tragédias que eu previra. Eu adorava fazer isso. Virou um hábito. Depois de um tempo, os formulários foram abolidos e eu fui treinando  fazer isso na vida, ali no meio da rua quando me batesse um desespero porque tava atrasada dez minutos pra aula.

A terapia pra ansiedade não fez milagre.  Ainda sou ansiosa. Minha primeira resposta  pra tudo é o pensamento catastrófico, o drama, o desespero sem medida. Tive de recorrer à psicanálise pra cavoucar os  buracos que  a ansiedade tenta preencher. Tô aí no processo; tentando, acertando, errando, prestando mais atenção. E cada vez mais me dou conta do quanto  os formulários que a psicóloga fofa me ensinou a usar fazem todo sentido. Ao preenchê-los, fui aprendendo que as coisas se tornam menores quando a gente para pensar nelas. Depois de redimensionados, os monstros da nossa cabeça podem ganhar uma concretude muito bacana. Coisas concretas podem ser muito boas.Coisas concretas podem ser marretadas.Olha, que beleza! Dá pra você derrubar um muro com uma marreta , com uma draga ou com o cavoucar insistente de um prego, uma faca, uma pedra. Tem gente que sabe dirigir dragas. Tem gente que sabe manejar marretas. Eu sou daquelas que poderiam subir numa draga, mas que vão cavando buraquinhos com pedrinhas afiadas. É do jeito que dá. Anos atrás, eu só via o muro.

Por esses dias, ando menos dramática e também mais melancólica. Eu gosto tanto dessa palavra, melancolia. É uma palavra bonita. Quando descobri que isso que parece tristeza mas não é poderia ter um nome tão bonito, passei a gostar de que melancolia fosse parte de mim.  Fiz as pazes com a contradição.  A gente pode ser tanta gente numa pessoa só. Alegre, saltitante, larga – e também ensimesmada. É bom, é bonito ser ensimesmada. Nem tudo cabe em palavras. Há partes da gente que são só silêncio – e tudo bem. Que se dê silêncio ao que pede silêncio.

Hoje, eu descobri que uma pessoa a quem quero muito bem não tá em sua melhor forma. Um desses parentes da ansiedade deu um pontapé nos eixos daquela que eu sempre admirei por ser tão encaixada.  É estranho perceber que as pessoas que a gente julga arrojadas, espertas, assertivas podem ser derrubadas pelas coisas duras que moram na nossa cabeça. Fiquei triste, chorei aqui em casa. Mas ao lado dessa tristeza, tenho essa esperança  que a experiência me deu de que tudo vai se ajeitar.

Eu acredito mesmo nisso de que a gente arranja um jeito de ficar bem.




P.S.: Fiquei achando que esse post tá com um tom muito autoajuda de boteco, mas a intenção não é essa. Não mesmo.

sábado, 26 de janeiro de 2013

I,II, III, IV

I
Anteontem, eu entrei numa livraria só pra não perder o hábito. Tô tentando me segurar pra comprar menos livros esse ano. Mas aí bati os olhos nesse aqui:




Caí de amores por esse título, aí juntou com a lindeza da capa e, por fim, vi o nome da autora. Já li uns contos muito bons da Cíntia; usei um deles num projeto de sala de aula e o resultado foi incrível. Sempre associo a autora àquela turma legal que tive, àquelas aulas legais. Pois bem,  eu precisava comprar o Essa coisa brilhante que é a chuva, sabe. Comprei. Li. E não gostei muito, não. Esperava mais, bem mais.





II
Li também um livro do Nicholas Sparks. Ok, pode parar de me julgar. Eu gosto de romances melosinhos, o livro tava baratérrimo, comprei. Quando pego um Nicholas Sparks pra ler, sei bem o que vou encontrar. O livro vai me dar lágrimas, mais lágrimas, drama, mais drama, muitos clichês. Nenhum problema. Eu gostei de Um amor pra recordar e A última música. Ambos são livros muito bons no que se propõem. Chorei tanto com Um amor pra recordar que minha mãe veio ver o que tava acontecendo comigo. Bem, tá claro que eu não tenho preconceito nenhum com romances açucarados.



Peguei Um Porto Seguro imbuída desse espírito de diversão, romance e lágrimas.  Esperava um enredo fofinho, crianças fofinhas, um paciente terminal de câncer. Encontrei um bande de personagem chato, um enredo chato, as primeiras 100 páginas mais chatas do mundo, os clichês mais chatos, uma tentativa boba de perigo e tensão. Nicholas quis mesclar seu habitual estilo a um gênero que ele não domina. De-tes-tei .Na verdade, DETESTEI. Só não larguei porque prometi ser uma leitora disciplinada.

Como é que esse cara consegue vender tanto?


III

Por influência da Tati, decidi resgatar o meu  São Bernardo da estante. Li há muuuuuito tempo, na faculdade. Acho que tá na hora de reler.






IV

Vocês já viram o documentário Muito Além do Peso? É muito legal. Vale a pena. Dá pra gente pensar um bocado e, no mínimo, desistir de vez de comer Trakinas. 

Muito além do Peso - na íntegra

Conversando com a Silvana, ela me sugeriu um outro documentário, o Food Inc. Eu ainda não vi, mas a Sil gostou bastante.
Trailer do Food Inc


É isso, pessoal! Inté!









sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Eu ia dizer que estou muitíssimo mal humorada, mas não é verdade. Se eu tivesse muitíssimo mal humorada, não teria sobrevivido a essa tarde. Vinicius e Paulo Victor estavam aqui em casa; ambos exalando energia e demandando atenções.  Paulo Victor,  moleque carioca, soltador de pipa, tava lá tenteando quando a pipa avoou. Um outro moloque pegou a avoada e eu pensei que Paulo Victor fosse começar a choramingar ou coisa assim. Mas, pra ele, é uma grande honra que nenhum moleque mais velho venha lhe devolver  a avoada, afinal ele tava soltando pipa à vera - e não à brinca.  Não sabe o que é avoada, à vera ou tentear? Não se preocupe, até ontem eu também não sabia. Hoje eu aprendi que tentear é um movimento que se faz com a linha ( sem cerol, hein! Aliás, linha com cerol é linha chilena), que à vera equivale a aceitar o fato de que sua pipa pode voar ou ser cortada, que à brinca é antônimo de à vera. Avoada é deduzível, certo? Eu não sei nada de pipas, mas hoje fiz uma rabiola e aprendi que um  bom cabresto é fundamental. Aulas de aerodinâmica vindas de um menino de 6 anos.

Vinícius não solta pipa, mas tem suas próprias artes. Ainda não se sente seguro pra dar mais que três passos, mas engatinha que é uma beleza. Olha pra gente com uma carinha simpática e de repente dispara em direção aos lugares mais perigosos. Eu vivo com coração na mão quando ele chega aqui em casa. A casa dele já tá toda preparada pra um menino de quase 1 ano; a minha tem tomadas destampadas e caixas de costura na prateleira mais baixa. Tudo que vê no chão enfia na boca e mastiga. Hoje correu pra pegar o queijo que caiu da minha mão, enquanto eu preparava batata rostie. A gente fica com medo de ele comer as coisas que caem no chão; a mãe dele tem certeza de que Deus protege as crianças que comem comida suja.

Pro almoço, fiz batata rostie. Eu amo batata rostie e, modéstia à parte, faço umas bem boas. É o prato da alegria aqui em casa. Paulo Victor ligou e pediu pra eu colocar as batatas no fogo que ele tava chegando. Fui lá pra cozinha fazer o prato que mais amo e mais dá trabalho. Batata rostie boa tem que ser quentinha, daí a pobre da cozinheira passa o tempo todo fazendo batatas, enquanto os outros comem. Só não fico realmente  irritada porque o almoço se transforma numa festa.

A tarde passou, eles foram embora e eu dei graças a Deus. Sempre dou graças a Deus. Aí eu deitei no sofá e voltei a ler o conto de amor triste que venho lendo há dias. Depois meu amigo veio  pedir minha opinião sobre amor. Depois eu cochilei vendo a novela. Tentei voltar pro conto, mas o mal humor caiu sobre mim. Daí desisti de lutar. Deixei a melancolia dançar pelo meu corpo. A melancolia tá aqui fazendo cosquinha no meu olho.


segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Cinco palavras...

... que preciso pensar antes de escrever:

1- Sovaco : ok, ninguém escreve sovaco, ninguém fala de sovaco, mas, nas poucas vezes em que precisei escrever sobre os meus sovacos ( quem nesse mundo tem axila?), tive de pensar umas três vezes. Primeiro,eu acho que é com U; depois eu acho que tá faltando algum Ç. Pois é, meu sovaco ideal seria assim ÇUVACO.

2- Independência : tantos N me confundem. É lógico que eu quero colocar um N depois do DE. Lógico. Essa necessidade de colocar um N a mais é um fenômeno linguístico cujo nome devia estar na ponta da minha língua mas não está.

3-Bandeja: como  assim não tem um ditonguinho ali penúltima sílaba. BAN- DEI-JA.

4-Pôr do sol: Não, não tem hífen. Acreditem em mim ou deem uma olhadinha no VOLP. Eu sempre acho que tem hífen, depois que não tem mais, aí acho que  tem novamente. E o acento, Jesus? Que acento chato!

5- Doce: Não, eu não acho que é DOSSE. Na verdade, a professora que me alfabetizou me ensinou assim: DÔCE. E o que a professora do pré ensina a gente não esquece, né? Só queria saber de onde essa professora tirou esse acento, meu deus.

***

A construção " Cinco palavras que preciso pensar antes de escrever" não é a mais bonita, mas me concedam uma licença poética.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Cinco coisas que...

... não fazem sentido:

1- sempre acho estranho quando alguém me chama de Juliana. É o meu nome, eu sei. Um nome bem lindinho, aliás. Eu digo Oi, prazer! Sou a Juliana! Eu assino Juliana. Juliana é ótimo. Mas na minha cabeça, eu sou a Ju. Os e-mails que recebo começam com Ju, Paulo Victor levou um bom tempo pra saber que Ju e Juliana eram a mesma pessoa, os vendedores nas lojas me chamam de Ju. Aí, quando alguém fala Juliana, eu estranho.

2- Até pergunto as horas pras pessoas na rua, mas nunca acredito no que elas dizem. Quem me garante que  aquele sujeito  sabe ajustar o próprio relógio? Quem me garante que aquela moça não tá nem aí pra chegar atrasada? E se o relógio na parede daquela loja tá parado há anos? Não acredito no relógio de ninguém; só no meu.

3-Não consigo trabalhar de porta aberta. Como meu trabalho envolve compartilhar uma sala com umas 30 pessoas, passo os dias dizendo: Sai e fecha a porta! Fecha a porta aê, por favor! A porta! A turma mais legal que tive era tão legal que eu nem precisava dizer nada. Era só eu olhar pra porta aberta que alguém ia lá e fechava. Portas abertas me deixam nervosa, me fazem perder o raciocínio.Não sei lidar.

4-Adoro picles de pepino, mas detesto pepino in natura.

5- Meus períodos compostos  têm 3 orações sempre que possível. Se dou exemplos, cito 3 exemplos. Mas detesto os três pontinhos, as reticências. Aliás, o uso inadvertido das reticências me enlouquece. 


***

Tô montando uma brincadeirinha pros meus novos alunos e resolvi brincar aqui antes. É tão divertido fazer listinhas.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

No dia 31 de dezembro, recebi um SMS assim: 

" Espero que possamos estar mais juntos em 2013. Beijos". 

Um desejo simpático e nenhuma assinatura. O número me parecia vagamente familiar, mas eu não sabia de quem era, então respondi:

 " Feliz ano novo tb, anônimo! Quem é você?"

A resposta:

" Um admirador secreto"

Rá! Com certeza, era alguém que eu conhecia! Mas quem? Quem? Mostrei a mensagem pra amiga que tava perto  e ela ficou empolgada. Imagina, Ju, se não é um admirador secreto, mesmo. Vai que você não começa um romance assim.  Ela não estava falando tão sério quanto possa aparecer, mas também não tava descartando nenhuma possibilidade. Imagina, Ju, imagina!

Respondi: " Você é bonito?"

A resposta veio: " Beleza é algo relativo, mas tem gente que adora o meu braço."

Eu sabia! Eu sabia! Claro que eu conhecia o anônimo. Ele tem mesmo um braço adorável. Piada interna, sem nenhuma conotação ambígua, viu?  Nunca tive uma admiração secreta que durasse tão pouco. .


***

Aí ontem eu recebi um outro SMS sem assinatura. Era uma mensagem  avisando que um pagamento já havia sido feito. Antes da mensagem, recebi uma ligação desse número anônimo, mas não deu pra atender. Como resposta à ligação, mandei um SMS pedindo que me ligasse de novo, que agora eu podia atender. A pessoa não ligou, mas mandou  o tal SMS sem assinatura.

Mais uma vez, o número me parecia conhecido, mas eu  não tinha ideia de quem poderia ser. Mais uma vez, falei do SMS sem assinatura pra minha amiga e ela disse que eu deveria responder com algum charme. Vai que dessa vez era um cara realmente adorável, com quem eu teria um romance digno de ser reportagem da Marie Claire.Sempre tem uma história de romance inusitado nas revistas femininas, né?

Não segui o conselho da minha amiga e mandei um SMS avisando que a pessoa tava enviando mensagem e ligando pra pessoa errada. Fim.

Bem, não é exatamente o fim. Hoje, minha chefe me ligou. Era dela o número que parecia vagamente conhecido. Ela  confundiu meu número com o de uma outra Juliana. Acontece.

***

Lição do dia I: Salvar o telefone das pessoas na agenda do celular.
Lição do dia II: SMS anônimo é só um SMS anônimo. Príncipes costumam vir em cavalos brancos alados.


P.S.: Por que não liguei pros números e desvendei os mistérios? Rá! Nunca tenho crédito.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Eu, leitora 4

Dia desses, a Sil me perguntou como eu comecei a ler os blogs que leio e eu fiquei sem saber como responder. Essa coisa de ler blogs é um tanto inexplicável, né? Há blogs que leio porque gosto do modo como a pessoa escreve, há outros que são tão visualmente bonitos que dá vontade de morar neles, há aqueles que só me conquistaram lá pela terceira visita. Leio um montão de blogs. Alguns tão linkados ali ao lado; outros estão no Reader; alguns estão linkados em outros blogs, aí eu tenho que ficar caçando em que blog tá qual link.

O blog que me fez querer ter um blog foi o Livros, Bobagens e Guloseimas, da Miriam.  Não tenho ideia de como fui parar lá, mas foi no blogroll da Miriam que encontrei outros blogs - e um blog puxa o outro... O LBG ( ADORO esse nome! Sempre quis plagiá-lo) é basicamente um blog sobre livros, daí eu tive vontade de ter um blog assim também, mas a mim faltam paciência e disciplina pra essa empreitada. Sou uma leitora com meu próprio tempo, abandono e resgato leituras, não dou conta de ser mais objetiva, portanto desisti de um blog só de livros - prefiro lê-los. Alguns dos meus blogs literários favoritos tão linkados, outros tão no Reader: Tinny Little,  O Batom de Clarice, No País das Entrelinhas, Livros e outras felicidades, Lá no Cafofo,Cartaz Amarelo. Tem  também o maravilhoso blog da Jussara, Palavras Vagabundas, é sobre livros,mas não se encaixa exatamente nesse "gênero bloguístico".

E tem os blogs diarinhos. Amo blogs diarinhos. Quanto mais diarinho, quanto mais cotidiano, mais legal fica. Aí eu fico achando que a pessoa que escreve no blog é minha amiga de infância, falo das coisas que ela conta pras pessoas da minha vida,  já tive até sonhos com esse povo que nunca vi de perto. 

Dos diarinhos, tem:

o da Amanda, que escreve tão esporadicamente que dá vontade de bater na porta da casa dela e pedir mais atualizações;
o da Luana, que  li de uma tacada só. O Hunfs é engraçado, ácido e doido, no melhor sentido.
o da Rita, que é, tipo, a blogueira que  quero ser quando eu crescer. 
o da Tina, que eu acho fantástica. Adoro o "em hibernação" Pergunte ao Pixel. A Tina é a minha blogueira - ídala. 
o da Helô, que tá lá em Londres.
o da Suzana Elvas, que já me fez chorar, chorar, chorar nas madrugadas de insônia. Tão lindo!
o da Paula, que,nossa, eu ADORO. Nunca vi essa moça na vida, mas eu imagino que ela seja legal só pelas coisas deliciosas que ela escreve.
o da Deise, que tem uma simplicidade e um toque de delicadeza  que me fazem querer ler sempre.
o da Fabiane, cujo hiato me deixa ar-ra-sa-da.


Dos " já vi essa moça de perto" tem:

o da Luciana - ou, melhor, os blogs da Luciana -, que escreve absurdamente bonito, é uma agregadora  de gente e ainda  dá conta de ser ainda mais legal e interessante ao vivo.

o da Maeve, que é de uma simpatia e escreve posts com os quais me identifico tanto. Tive a impressão de conhecer Maeve há anos.

Estive com Maeve e Luciana, em dias diferentes, por algumas horas no ano passado. Uma veio ao Rio pra burocracias, a outra pra se divertir. Confesso que fui vê-las com um certo medinho; conhecer pessoalmente pessoas da internet me deixa tímida - tímida, tímida, tímida. E quando eu fico tímida, não paro de sorrir - o que não deixa de ser uma coisa boa. Imagina se eu ficasse tímida e beslicasse as pessoas, por exemplo.


Ufa! Que post enorme! Ainda há outros tantos blogs sobre os quais  falar, mas é coisa pra um outro post.

***



segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Eu tenho medo de moto. Tenho também medo de escuro e doenças, mas esses são  medos possíveis. Circulo no escuro, se preciso for; tomo remédio pras doenças. Mas moto é medo impossível. Conto nos dedos as vezes em que subi numa moto. Em todas elas,  fiquei esperando a queda, um esbarrão de ônibus, um membro do corpo esmigalhado. Não consigo  associar moto a nada de bom. Na primeira vez que  desci da garupa de uma moto, senti um alívio que não conhecia. É um medão mesmo.

Acontece que em alguns lugares do Rio e da região metropolitana é bastante comum motos oferecerem serviço de táxi, são os mototáxi. Os motoqueiros que prestam esse serviço são conhecidos pela  rapidez  assustadora e a  capacidade de fazer com que a moto circule em qualquer lugar, ultrapasse qualquer obstáculo. Daí que um dia desses, passando  bastante da meia-noite, peguei o ônibus errado e fui parar num bairro próximo de casa. O bairro é perto, mas não  suficientemente perto pra que eu possa ir até lá a pé. Só percebi que tava no ônibus errado quando não podia fazer mais nada a respeito, então tracei um plano modesto: desço no ponto final mesmo e pego um ônibus - ou ligo pra um táxi. Não tinha erro. Dei uma olhada no celular pra ver se tinha bateria. Tinha. Ótimo! Esqueci que tava tarde,  esqueci que meu ônibus não era aquele e voltei pro meu livro.

Mas nem sempre planos modestos, elaborados por mulheres modestas, dão certo. Chegando no ponto final do ônibus, descobri que não havia mais ônibus pra lugar nenhum. Ok. Vamos procurar uma kombi. Sempre tem kombi. Não, não tinha kombi. Nenhuma kombi. Ok. Bora ligar pro táxi. Liguei pra empresa A. Nenhum táxi  disponível praquela aquela área no momento. Liguei pra empresa B. Nenhum táxi disponível praquela área no momento. Aí eu olhei pra calçada em frente e vi aquele monte de moto estacionada bem na minha frente. A minha única saída era subir na garupa de alguma daquelas motos e experimentar o jeitinho moto-táxi de se locomover. A única saída.

Nesse momento, olhando pra calçada, eu comecei a chorar. Não sou chorona, não, sabe. Nem arranco os cabelos tão facilmente. Tenho consciência de que estar sozinha, numa madrugada de terça-feira, num bairro que não conheço bem é um perigo. Meu corpo todo tava alerta.  Mas,em geral, consigo raciocinar um pouco, dou um jeito e só depois eu choro - sempre de alívio, graças a Deus.  Mas, nesse dia, eu não dei conta de raciocinar. A minha única saída exigiria muito de mim. Não dou conta de subir numa moto com um desconhecido. Não dou conta de andar num mototáxi. Game over.

Mas aí eu me lembrei de alguém que  entenderia perfeitamente a cilada em que eu me encontrava. Dois alguéns, aliás. Lembrei das pessoas que jamais diriam: sobe logo numa moto dessa e vai pra casa. Uma dessas pessoas é o único motoqueiro em quem confio. Confio porque ele é daquelas pessoas absolutamente confiáveis, porque ele respeita meu medo, porque ele não se importa em andar abaixo dos 40km/h, porque ele é meu amigo. Vencendo uma certa dose de orgulho e de vergonha, liguei pra casa desses dois alguéns, quase matei os dois de susto e perguntei se o motoqueiro confiável podia vir me pegar. Ele foi, claro, e ela também, DE CARRO. Enquanto esperava, fui me preparando pra subir na moto conhecida, com o motoqueiro conhecido e percorrer uma distância  nunca dantes percorrida. Mas eles vieram de CARRO. Carro. Carro. Carro. Nunca fui tão feliz ao ver um carro. Se estivesse em meu estado normal, eu  teria dado pulinhos de alegria.

Contei toda essa história porque fiquei pensando em como é bom ter amigos. É bom ter pra quem ligar quando você não consegue mais dar jeito. É bom ter quem saiba qual é o seu limite, quem deixa as perguntas pra depois.  E mais: é bom não precisar explicar. Você diz uma palavra, e o entendimento todo vem. E ainda mais: é bom ter quem respeite seu medo. Sabe aquelas pessoas que entendem que seu coração não vai desacelerar e por isso permanecem caladas? Então...


P.S.1: Esqueci de falar que havia faltado luz no bairro do ônibus errado. Só a praça onde eu estava tinha iluminação. 

P.S.2: No bairro do ônibus errado, não há sinal decente de internet da Oi, logo não pude nem procurar o telefone de outras cooperativas de táxi. Olha.

P.S3: Tô na dúvida quanto à grafia : mototáxi ou moto-táxi. A Wikipédia diz que tem hífen, o VOLP não tem registro da palavra, o dicionário online diz que não tem hífen e não tenho como acessar o Houaiss no momento. Fiquemos com o dicionário online, pois.



Sem filtro

 por André


domingo, 13 de janeiro de 2013

Missão cumprida

" Talvez eu não seja velha demais pra recomeçar, penso e rio e choro ao mesmo tempo, com esse pensamento. Por que, ainda na noite passada, pensei que nunca mais ia existir nada de novo na minha vida."

Da minha querida , linda, linda Aibileen. 

Terminei A Resposta. Missão dada é missão cumprida, parceiro!  Em breve, falo mais desse livro delicinha  por aqui.

***
Pra essa semana, reservei um livro que comprei só porque o título é lindo:

Vamos ver no que dá.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Mais presentinhos


Estava eu aqui em casa, quando ouvi um moço chamando no portão. O moço chamou uma , duas, três vezes e eu  nem me  mexi pra atender.  Ele não tava chamando o nome de ninguém que more nesta casa, então achei que podia ser na casa da vizinha. Mas aí eu me dei conta de que conhecia aquele nome que ele tava chamando; um nome bem peculiar que pertence  a alguém que conheço, mas que mora há quilômetros daqui. A ficha caiu. Era o presente da minha amiga oculta Bandida/Sisterchick. Chegou! Chegou! Saí correndo pelo quintal, descabelada como sempre, gritando pra minha mãe que o presente tinha finalmente chegado. O moço sorriu pro meu cabelo bagunçado, me deu o papel e pra assinar e disse: " Ahhh, então Fulana é sua amiga, e você é a Juliana. Ahhhh! Por que ela comprou seu presente pra internet?"  Aí, eu virei pra ele e disse: " Senta que lá vem história..." 

Rá! Mentira! 

Contei pra ele assim: Lembra do orkut? Então, em 2008, eu entrei numa comunidade dedicada aos novos livros de uma série que li na adolescência. Quando dei por mim,  tava comentando ativamente e até participando de um bate-papo no msn. Dessa comunidade, surgiram amizades, afinidades e um amigo oculto. As participantes do amigo oculto moram em estados diferentes, então a gente manda o presente pelos Correios ou por serviço de entrega. O moço adorou essa história de amigo oculto, orkut e afins e ficou lá esperando que eu abrisse o pacote. Ele esperou mesmo e presenciou minha dancinha de animação. 

 Minha amiga oculta me mandou esses dvds aqui:


O primeiro, em sentido horário, é um episódio da oitava temporada de Arquivo X, que foi lançado individualmente (numa estratégia mercenária) em dvd. Adoro ganhar qualquer coisa relacionada a Arquivo X; minha coleção de dvds e livros  agradece. Como fã decepcionada e arrasada com os rumos finais da série, não comprei os boxes das últimas temporadas, mas achei ótimo ganhar de presente. Meu protesto de fã permanece ( afinal eu não comprei), mas agora tô mais perto de ter a coleção completa.Oba!

O segundo DVD é uma edição especial de Harry Potter e As Relíquias da Morte - parte II. Adoro Harry Potter - muito, um montão mesmo-, mas não tenho os filmes. Não gosto muito dos filmes da série, apenas dos dois últimos. Já tinha aqui em casa a primeira parte ( linda, linda, linda) de As Relíquias da Morte e agora tenho a segunda parte. Ontem de noite fiquei assistindo o dvd de Extras e fiquei toda encantadinha com J.K. Rowling falando das  suas personagens femininas. É bonitinho como ela  diz que ficou irritada quando lhe disseram,certa vez, que Molly Weasley não  passa de uma dona de casa, naquele tom de quem acha que as donas de casa são a escória da humanidade. É ainda mais bonitinho tudo o que ela diz sobre Hermione, as escolhas que fez pra essa personagem. 

O terceiro DVD é do filme Pequena Miss Sunshine, e eu quero falar desse filme com mais calma depois. Eu ainda não tinha assistido (eu sei, fui a última pessoa na face da Terra a assistir). Aluguei umas duas vezes, mas o dvd sempre dava problema.

 Pois bem, a  safra de presentes de amigo oculto foi excelente esse ano. Além desses dvds e das fofurices que mostrei no vídeo do outro post, fui sorteada por Vinicius no amigo oculto de casa e ganhei uma calça jeans bonita. No amigo oculto dos amigos, ganhei uma moto. Essa moto aqui:
Cês sabem  o que é isso?



Presente da amiga que sempre me dá os melhores presentes e ainda contribui pra que eu me livre dos meus medos. Sueli juntou o útil ao agradável e me deu um cortador de pizza em forma de moto, assim eu posso superar meu pavor de moto, comendo pizza! Muito esperta essa menina!


quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Presentinhos

Essa semana recebi o presente de um dos amigos ocultos de que participei. Como queria mostrar pra vocês as fofurinhas que ganhei, achei que foto não bastava, então gravei um vídeo. Cês vão assistir, né?






O blog da Cíntia: aqui
O blog da Nanie: aqui
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Endless Love

Não gosto muito da terceira temporada de Friends. É uma temporada cheia de chatices. Quem tem saco pro casal Ross e Rachel? Quem consegue seguir a vida depois de ver Richard sem bigode? Quem não odeia aquele restaurante em que a Monica trabalha? Tudo chato. Ou quase tudo.

Chandler e Phoebe não têm muitas cenas juntos e sozinhos  ao longo da série, mas, quando acontece, surgem cerejinhas do bolo como essa:







Eu tinha esquecido qual era a minha versão favorita de Endless Love.

P.S.: Chandler e Phoebe também protagonizam a minha cena favorita de todas, mas não posso colocar o link aqui porque não quero dar spoiler pra Annie. É que a Annie tá assistindo as temporadas pela primeira vez, e eu fico falando dessa e daquela cena só pra provocá-la. Vocês não acham que Annie deveria largar essa vida de trabalhadora/estudante/ namorada/ amiga/ filha e só assistir Friends o dia todo. Eu acho.

Minha cena favorita tá lá na quinta temporada, no melhor episódio de todos, Aquele em que todos descobrem.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Histórico de leitura - A Resposta

" Constantine chegava para trabalhar na nossa casa às seis da manhã, e na época da colheita ela chegava às cinco. Assim, podia fazer os pãezinhos e o mingau de que papai gostava, antes de ele sair para a lavoura. Quase todos os dias eu acordava, e a primeira coisa que via era ela na cozinha, ouvindo o reverendo Green no rádio que ficava sobre a mesa do café. No instante em que me via ela sorria.
' Bom dia, menina linda!', e eu sentava à mesa e contava a ela com o que eu tinha sonhado.Ela dizia que os sonhos prediziam o futuro.
' Eu estava no sótão, olhando para baixo, para a fazenda', eu contava. ' Dava pra ver a copa das árvores."
'Você vai ser cirurgiã de cérebro!O topo de uma casa quer dizer a cabeça.' "







A Resposta me pegou. Demorou umas 80 páginas. Precisei chegar no relato da Skeeter para me sentir envolvida pela leitura. As primeiras páginas do livro são dominadas pelas fantásticas Minny e Aibileen, o que de forma nenhuma é um defeito. Porém eu já assisti ao filme baseado no livro , e as duas personagens são incrivelmente  bem representadas na tela. Enquanto lia os primeiros textos das duas mulheres, negras e  domésticas, pude ouvir as vozes das atrizes que as interpretaram no cinema. O filme consegue captar essas duas de uma forma que eu tava começando a ficar entediada com o mais- do- mesmo do livro

Já com Skeeter, a mulher branca e jornalista recém-formanda, o caso é outro. O filme não dá conta da profundidade dos conflitos internos de Skeeter, assim como negligencia a grandeza da relação que ela tem com a empregada de sua casa, Constantine. As palavras de Skeeter cavaram um buraquinho no meu coração. Já peguei uma caixinha de lenços.

Passei da página 100. Meta cumprida.

P.S.: O filme está disponível no Youtube. Se alguém quiser: Histórias Cruzadas.

P.S.2: Constantine não é uma intérprete de sonhos muito fofa?

sábado, 5 de janeiro de 2013

A resolução


Sempre que penso em resoluções de ano novo, me vem na cabeça Ross e suas calças de couro.  No entanto,como  não dá pra tomar Ross Geller como medida pra nada, decidi estabelecer aqui no Fina Flor uma resolução de ano novo: quero voltar a ser uma leitora mais disciplinada e profícua. Em 2012, comprei mais livros do que li. Comprei, ganhei, troquei no skoob, mas ler que é bom... 

Nunca fui uma leitora organizada. Leio uns três livros ao mesmo tempo, pulo partes chatas até encontrar uma legal, leio o final pra querer ler o começo. Mas, em  2012, superei os limites da indisciplina. Comecei e não terminei muitos livros - e não necessariamente por não gostar deles. Por exemplo, o livro que mais me encantou no ano passado foi O Filho de Mil Homens. Agora, me perguntem se eu terminei de ler? Não, não terminei; não consegui terminar; não quis terminar. Fiquei tão apaixonada que não quis que o livro acabasse. Dei o livro de presente pra um amigo, ele amou muito, mas nem posso perguntar pra ele de que parte ele mais gostou porque não passei do terceiro capítulo. Aliás, que lindos três primeiros capítulos esse livro tem.

Em 2012, fui a leitora mais preguiçosa do mundo. Acho que a modernidade tá potencializando a minha dificuldade de parar quieta pra fazer qualquer coisa. Tão mais fácil ficar na internet lendo mil textos curtos. Livros, com suas páginas que precisam ser viradas, suas palavras e imagens que exigem paciência e entrega, têm servido somente pra pegar poeira na estante. Tenho preguiça de lê-los, ma ainda há poucas coisas que me dão mais prazer que ver uma estante cheia de livros  meus- só meus, todos meus. Mentira! Alguns são emprestados.



Pois bem, pra começar a colocar a resolução de ano novo em prática, vou finalmente me entregar ao  A Resposta, que a Annie me emprestou em setembro, já foi lido pela minha mãe e só não tá pegando poeira porque guardei num saquinho plástico. Gostei um bocado do filme e tô cheia de expectativas para o livro. Pra que esse negócio de resolução tenha mais chance de dar certo, vou usar os mesmos métodos que uso pras leituras que faço por obrigação: estabeleci um mínimo de páginas a ser lido por dia  e não vou ler antes de dormir. Tem dado certo. Vamos ver se vai funcionar com livros que não precisam ser lidos dentro de um prazo determinado. Quando terminar, venho contar o que achei do livro.


quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

31 de dezembro, últimas horas do ano, e eu sentindo raiva. Muitíssima raiva. Taí um sentimento com o qual não sei lidar. Fujo da raiva como o diabo foge da cruz. Os mais sábios dirão que é uma fuga inútil, que raiva é um sentimento natural, mas eu prefiro evitá-la. Por isso pareço esse poço de compreensão, por isso estou sempre atenta, por isso prevejo os passos e as ações de quem conheço bem. Se eu souber antes, se eu me preparar, a raiva não vem. É quase uma partida de xadrez.

Mas acontece de a gente piscar o olho e lá está a  torre branca derrubando a torre negra. Você sabe que a torre branca pode derrubar a torre negra, há anos a torre branca derruba a torre negra, você sabe que pode acontecer. Mas imagina que o simples fato de você pedir que a torre branca não se comporte como torre branca vai funcionar. Não funciona. A torre branca derruba a torre negra e, droga, você não se aguenta. A raiva é tanta que você nem consegue falar. Daí você aprende o que já deveria ter aprendido há anos:  que mesmo as pessoas que você mais ama, aquelas em quem você mais confia, aquelas que fizeram promessas vão te decepcionar. Aliás, três delas te decepcionaram e você fica confusa porque tá acostumada a pensar nelas só com amor. É estranho isso de sentir a garganta fechar de tanta raiva e ainda sentir muito amor.

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Fui de ultimíssima hora pra Arraial do Cabo. Gosto de Arraial, as praias de Arraial são de uma lindeza, tô aqui com um bronzeado bem legal. Não foi o reveillon que eu esperava, mas foi bom. Tinha queima de fogos e gente vibrando com as luzes bonitas no céu. Nada do glamour do céu de Copacabana, mas havia a euforia de quem tá em contagem regressiva, as pessoas na areia à espera, o vento deixando a gente descabelada, a noite quente e clara. Adoro noite de ano-novo.


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Houve até espaço pra surpresas. Fui pra Arraial de sopetão, no dia 31, sabendo que meu amigo estava lá. Deixei pra ligar pra ele quando chegasse na cidade, mas esqueci que os bônus do celular não funcionam fora da área 21 e não conseguia recarregar o celular de jeito nenhum. Meu amigo tava na cidade, e eu não tinha como avisá-lo. Droga! Mas olha como são as coisas: eu tava lá, na orla da Praia Grande, mandando mensagens de ano novo pela internet do celular, quando a amiga que estava comigo reconheceu o casal parado bem do meu lado. Dei uns pulinhos de alegria. Eram mesmo conhecidos;  mais que isso: eram o meu amigo e a namorada. Eu não tinha visto os dois; os dois não tinham me visto. Eles nem iam praquela parte da praia, foram por acaso, e a gente se encontrou. Coincidências existem, gente! Eu também gosto de achar que coincidências são fruto de sintonia. 

Eu fiquei tão, tão feliz!

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O pessoal que tava comigo foi embora no dia 1, e eu fiquei. Tô de férias, tinha mais uma diária, por que não ficar? Fiquei. O hotel/ pousada/ whaterever não era dos melhores. Pra ter uma ideia,  hoje cedo, preferi comer pizza fria a descer pro tenebroso café da manhã. Mas o que é um hotel ruim diante de uma cidade cheia de praias lindas? Fiquei e fui à praia, almocei, jantei, vi o pôr do sol, comi hambúrguer na praça, tudo isso sozinha. 

Não sou do tipo que tem problemas em fazer coisas sozinha. Vou ao cinema sozinha, ao teatro também, almoço sozinha quase sempre. No entanto, descobri que não sirvo pra turistar sozinha. Na praia lotada, fiquei com medo de deixar minhas coisas na areia. No restaurante, paguei caro por pratos que deveriam ser servidos pra duas pessoas. Quando fui pedir pro garçom me trazer pizza, até estranhei minha voz. Eu, uma tagarela reconhecida e certificada, tinha passado um dia inteiro sem falar. Sou uma péssima turista solitária.

E pra completar, tive uma crise de cólica fortíssima na noite passada. Tô acostumada com as minhas crises de cólica, tenho sempre o remédio, mas toda vez que a cólica vem acho que vou morrer.  Terei sempre um pezinho fincado na hipocondria. Pois bem, sozinha no quarto do hotel ruim, tomei mais remédio do que deveria, molhei uma  toalha no chuveiro quente e coloquei na barriga, deitei na cama e esperei a dor passar. Enquanto isso, pensava no que eu teria de fazer se a dor não passasse e eu tivesse que ir pra emergência como já aconteceu antes. Será que há emergências na cidade? Nunca que vou pedir ajuda praquela mulher antipática da recepção! Melhor procurar o telefone de uma companhia de táxi! Caramba, eu tô muito velha pra cólica! Amanhã com ou sem cólica, eu vou pra praia. Ah, se vou!

***

E não é que deixei o livro lindo da Tatiana Salem Levy no hotel ruim? Nem sei pra que levei o livro pra Arraial. Não se leva um livro doído daquele pra praia. Não li mais que duas páginas e enfiei o livro embaixo do travesseiro, achando que tava em casa. Eu vim embora e o livo ficou.

 Droga! Droga! Droga!

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Pois é! Janeiro já começou.