quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

31 de dezembro, últimas horas do ano, e eu sentindo raiva. Muitíssima raiva. Taí um sentimento com o qual não sei lidar. Fujo da raiva como o diabo foge da cruz. Os mais sábios dirão que é uma fuga inútil, que raiva é um sentimento natural, mas eu prefiro evitá-la. Por isso pareço esse poço de compreensão, por isso estou sempre atenta, por isso prevejo os passos e as ações de quem conheço bem. Se eu souber antes, se eu me preparar, a raiva não vem. É quase uma partida de xadrez.

Mas acontece de a gente piscar o olho e lá está a  torre branca derrubando a torre negra. Você sabe que a torre branca pode derrubar a torre negra, há anos a torre branca derruba a torre negra, você sabe que pode acontecer. Mas imagina que o simples fato de você pedir que a torre branca não se comporte como torre branca vai funcionar. Não funciona. A torre branca derruba a torre negra e, droga, você não se aguenta. A raiva é tanta que você nem consegue falar. Daí você aprende o que já deveria ter aprendido há anos:  que mesmo as pessoas que você mais ama, aquelas em quem você mais confia, aquelas que fizeram promessas vão te decepcionar. Aliás, três delas te decepcionaram e você fica confusa porque tá acostumada a pensar nelas só com amor. É estranho isso de sentir a garganta fechar de tanta raiva e ainda sentir muito amor.

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Fui de ultimíssima hora pra Arraial do Cabo. Gosto de Arraial, as praias de Arraial são de uma lindeza, tô aqui com um bronzeado bem legal. Não foi o reveillon que eu esperava, mas foi bom. Tinha queima de fogos e gente vibrando com as luzes bonitas no céu. Nada do glamour do céu de Copacabana, mas havia a euforia de quem tá em contagem regressiva, as pessoas na areia à espera, o vento deixando a gente descabelada, a noite quente e clara. Adoro noite de ano-novo.


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Houve até espaço pra surpresas. Fui pra Arraial de sopetão, no dia 31, sabendo que meu amigo estava lá. Deixei pra ligar pra ele quando chegasse na cidade, mas esqueci que os bônus do celular não funcionam fora da área 21 e não conseguia recarregar o celular de jeito nenhum. Meu amigo tava na cidade, e eu não tinha como avisá-lo. Droga! Mas olha como são as coisas: eu tava lá, na orla da Praia Grande, mandando mensagens de ano novo pela internet do celular, quando a amiga que estava comigo reconheceu o casal parado bem do meu lado. Dei uns pulinhos de alegria. Eram mesmo conhecidos;  mais que isso: eram o meu amigo e a namorada. Eu não tinha visto os dois; os dois não tinham me visto. Eles nem iam praquela parte da praia, foram por acaso, e a gente se encontrou. Coincidências existem, gente! Eu também gosto de achar que coincidências são fruto de sintonia. 

Eu fiquei tão, tão feliz!

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O pessoal que tava comigo foi embora no dia 1, e eu fiquei. Tô de férias, tinha mais uma diária, por que não ficar? Fiquei. O hotel/ pousada/ whaterever não era dos melhores. Pra ter uma ideia,  hoje cedo, preferi comer pizza fria a descer pro tenebroso café da manhã. Mas o que é um hotel ruim diante de uma cidade cheia de praias lindas? Fiquei e fui à praia, almocei, jantei, vi o pôr do sol, comi hambúrguer na praça, tudo isso sozinha. 

Não sou do tipo que tem problemas em fazer coisas sozinha. Vou ao cinema sozinha, ao teatro também, almoço sozinha quase sempre. No entanto, descobri que não sirvo pra turistar sozinha. Na praia lotada, fiquei com medo de deixar minhas coisas na areia. No restaurante, paguei caro por pratos que deveriam ser servidos pra duas pessoas. Quando fui pedir pro garçom me trazer pizza, até estranhei minha voz. Eu, uma tagarela reconhecida e certificada, tinha passado um dia inteiro sem falar. Sou uma péssima turista solitária.

E pra completar, tive uma crise de cólica fortíssima na noite passada. Tô acostumada com as minhas crises de cólica, tenho sempre o remédio, mas toda vez que a cólica vem acho que vou morrer.  Terei sempre um pezinho fincado na hipocondria. Pois bem, sozinha no quarto do hotel ruim, tomei mais remédio do que deveria, molhei uma  toalha no chuveiro quente e coloquei na barriga, deitei na cama e esperei a dor passar. Enquanto isso, pensava no que eu teria de fazer se a dor não passasse e eu tivesse que ir pra emergência como já aconteceu antes. Será que há emergências na cidade? Nunca que vou pedir ajuda praquela mulher antipática da recepção! Melhor procurar o telefone de uma companhia de táxi! Caramba, eu tô muito velha pra cólica! Amanhã com ou sem cólica, eu vou pra praia. Ah, se vou!

***

E não é que deixei o livro lindo da Tatiana Salem Levy no hotel ruim? Nem sei pra que levei o livro pra Arraial. Não se leva um livro doído daquele pra praia. Não li mais que duas páginas e enfiei o livro embaixo do travesseiro, achando que tava em casa. Eu vim embora e o livo ficou.

 Droga! Droga! Droga!

***

Pois é! Janeiro já começou.


8 comentários:

Tati disse...

Entendo perfeitamente o seu sentimento de raiva, também sou assim. O problema é que quando ela vem, sai arrasando com tudo. Já senti isso tanto que perdi as contas. E luto constantemente tb para não ser assim, porque sei que faz mal, ao coração, aos órgãos, à pressão, mas...
Fico feliz que no fim você encontrou seu amigo e deu tudo certo. Pelo menos na noite do reveillón né?
Também teria que aprender a turistar sozinha, nunca fiz isso, mas acho que você vê uma coisa legal sempre procura alguém do lado para falar né?
Beijos,
Tati

Maeve disse...

Pois é menina! Janeiro já começou com tudo mesmo! queria até escrever mais no comentário sobre esse novo ano, mas né. preguiça
[Toca aqui companheira]

ei, vc também é minha parceira das cólicas arrasadoras?
[Toca aqui companheira] 2

Lilian disse...

Concordo com a Tati. A raiva simplesmente faz coisas terríveis com a gente. É uma droga quando não tem como evitar, quando quem provoca isso é alguém muito próximo. Odeio, odeio, odeio. Pior ainda é fica com raiva da própria raiva. É devastador.

Surpresas boas de ano novo. A única que tive foi em 2002. Nunca mais vai acontecer.

Não levo livros em viagens. Já leio tanto durante o ano que em viagem quero mais é desligar e curtir o lugar. Seja ele qual for.

Ainda preciso me testar como turista solitária. Realmente fica mais difícil - até almoçar sozinha em shopping é mais difícil, porque tomam seu lugar - mas estou acostumada também a fazer TUDO sozinha, sou sempre eu me levando a tudo que é lugar (exceto nas férias, quando minha mãe vai junto). Mas quero me desafiar quanto a isso. A única vez em que viajei sozinha foi pra Brasília, pra um concurso, e me dei muito bem, exceto por umas pataquadas de gente que nunca ia viajar, do tipo não levar tênis. Mas de resto, me virei bem. Só que como não foi pra turismo mesmo, quero fazer de novo.

E bem... 2013 já tá aí, né. Já é dia 4! Mas acho que ainda temos alguns trezentos e poucos dias pra fazer coisas legais. :P

Juju M. disse...

Adorei a descrição da turistagem, daqui da mesa do escritório mesmo eu babei de vontade de curtir essas praias. Ótimo 2013!!

Juju M. disse...

Adorei a descrição da turistagem, daqui da mesa do escritório mesmo eu babei de vontade de curtir essas praias. Ótimo 2013!!

Felipe Fagundes disse...

ESQUECEU O LIVRO! :O
Isso sim me daria uma raiva tremenda de mim mesmo. Pelo menos você mal tinha começado. Tenho quase pavor de perder um livro que estou na metade e ficar sem saber o final da história imediatamente. Se tentarem roubar minha mochila um dia, juro que peço para o ladrão, por favor, deixar eu ficar pelo menos com o livro /o\

Fernanda disse...

Esqueceu o livro.

Taí uma coisa que ninca fiz, e acho que nunca farei! :P

Bjs

http://inescrita.blogspot.com.br/

Penny Lane disse...

posso falar?

tem coisas que é melhor fazer sozinha do que acompanhado.Não tem ninguém reclamando que está andando demais,você pode demorar em um determinado lugar à vontade...eu adoro sair sozinha.

Agora esquecer o livro...isto nunca aconteceu comigo rsrsrsrs acho até impossível de acontecer rsrsrs

bjs

http://queeuestejanumaboa.blogspot.com.br/