quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Eu ia dizer que estou muitíssimo mal humorada, mas não é verdade. Se eu tivesse muitíssimo mal humorada, não teria sobrevivido a essa tarde. Vinicius e Paulo Victor estavam aqui em casa; ambos exalando energia e demandando atenções.  Paulo Victor,  moleque carioca, soltador de pipa, tava lá tenteando quando a pipa avoou. Um outro moloque pegou a avoada e eu pensei que Paulo Victor fosse começar a choramingar ou coisa assim. Mas, pra ele, é uma grande honra que nenhum moleque mais velho venha lhe devolver  a avoada, afinal ele tava soltando pipa à vera - e não à brinca.  Não sabe o que é avoada, à vera ou tentear? Não se preocupe, até ontem eu também não sabia. Hoje eu aprendi que tentear é um movimento que se faz com a linha ( sem cerol, hein! Aliás, linha com cerol é linha chilena), que à vera equivale a aceitar o fato de que sua pipa pode voar ou ser cortada, que à brinca é antônimo de à vera. Avoada é deduzível, certo? Eu não sei nada de pipas, mas hoje fiz uma rabiola e aprendi que um  bom cabresto é fundamental. Aulas de aerodinâmica vindas de um menino de 6 anos.

Vinícius não solta pipa, mas tem suas próprias artes. Ainda não se sente seguro pra dar mais que três passos, mas engatinha que é uma beleza. Olha pra gente com uma carinha simpática e de repente dispara em direção aos lugares mais perigosos. Eu vivo com coração na mão quando ele chega aqui em casa. A casa dele já tá toda preparada pra um menino de quase 1 ano; a minha tem tomadas destampadas e caixas de costura na prateleira mais baixa. Tudo que vê no chão enfia na boca e mastiga. Hoje correu pra pegar o queijo que caiu da minha mão, enquanto eu preparava batata rostie. A gente fica com medo de ele comer as coisas que caem no chão; a mãe dele tem certeza de que Deus protege as crianças que comem comida suja.

Pro almoço, fiz batata rostie. Eu amo batata rostie e, modéstia à parte, faço umas bem boas. É o prato da alegria aqui em casa. Paulo Victor ligou e pediu pra eu colocar as batatas no fogo que ele tava chegando. Fui lá pra cozinha fazer o prato que mais amo e mais dá trabalho. Batata rostie boa tem que ser quentinha, daí a pobre da cozinheira passa o tempo todo fazendo batatas, enquanto os outros comem. Só não fico realmente  irritada porque o almoço se transforma numa festa.

A tarde passou, eles foram embora e eu dei graças a Deus. Sempre dou graças a Deus. Aí eu deitei no sofá e voltei a ler o conto de amor triste que venho lendo há dias. Depois meu amigo veio  pedir minha opinião sobre amor. Depois eu cochilei vendo a novela. Tentei voltar pro conto, mas o mal humor caiu sobre mim. Daí desisti de lutar. Deixei a melancolia dançar pelo meu corpo. A melancolia tá aqui fazendo cosquinha no meu olho.


2 comentários:

Tati disse...

Não sei o que é ter uma criança por perto. O que está se tornando um perigo porque sempre que eu vejo uma criança na rua me dá uma vontade louca de ter um filho. Não vejo o outro lado que vai me deixar extremamente cansada e irritada no fim do dia rsrs
Beijo, adorei o post!
Tati

Juliana disse...

acho que conviver com criança dá uma boa perspectiva de como é tê-las. Eu não tô preparada pra esse tipo de responsabilidade e trabalho.