segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Cinco livros que eu queria não ter lido...

... só pra ter o gostinho de ler pela primeira vez novamente.


1- os dois últimos Harry Potter: O Enigma do Príncipe é um livro tão legal que já reli umas mil vezes, mas nenhuma releitura dá conta da desolação que tomou conta de mim ao ler pela primeira vez a morte de Dumbledore. Ele morre, o livro continua um pouquinho mais, o ministro  enche o saco do Harry, Ron e Hermione reafirmam sua lealdade, o livro acaba e você ainda lá sem acreditar. Semanas passam e você ainda não acredita. Chorei de soluçar naquele capítulo do funeral. De soluçar mesmo. 

Já as mortes de As Relíquias da Morte, ainda que aterradoras, não provocaram lágrimas. Nesse livro, o impacto veio da cena em que Hermione é torturada. Tão injusto que Hermione - tão cheia de empatia e compaixão -  sofra daquele jeito. Nem gosto de reler. 







2- O Filho Eterno, do Cristovão Tezza: esse livro mexeu comigo de tal forma que falei dele pros amigos, pra minha mãe, pra vocês aqui no blog, pros alunos, pra analista.  Tão desestruturante, tão bem escrito. No momento em que o pai fala que o filho não existe porque pessoas como ele não aparecem na literatura, eu simplesmente parei de ler porque não dei conta. Parei e voltei dias depois. Aí , de vez em quando, enquanto dava prosseguimento à leitura, voltava nesse trecho só pra ter certeza de que eu tinha entendido direito, pra ver se ainda tava lá, se eu ainda ia sentir uma pontada na boca do estômago. Sempre está lá, e eu sempre fico sem palavras ao reler. 


3- Nas Tuas Mãos, da Inês Pedrosa: se eu pudesse, apagaria a minha memória quantas vezes fossem necessárias só pra ler o álbum da Natália de novo. Tive de parar a leitura várias vezes porque os olhos tavam borrados de lágrimas. Sério mesmo. Como essa danada da Inês pode escrever tão bonito?


4- O Evangelho segundo Jesus Cristo, do Saramago: Nem sei se ainda gosto tanto do Saramago. Já gostei muito. Li quase tudo dele, acho O Ano da Morte de Ricardo Reis FABULOSO, não tenho vontade de ler nenhum dos mais recentes. Mas O Evangelho, ah! Nunca tinha lido nada como aquilo. Aquele final, aquela morte de José, aquela cena de amor absurdamente herética e linda. No dia em que o Saramago morreu, eu  lamentei profundamente. Durante anos, estive certa de que  um dia a gente iria se encontrar e eu mostraria pra ele o poema que fiz depois de conhecer Madalena.



5- A Trégua, do Mario Benedetti: se me dessem a chance de fingir que escrevi um livro, eu arrancaria o nome do Benedetti da capa de A Trégua  e colocaria o meu no lugar. Diria pra todo mundo: olha só, fui eu que fiz. Eu queria escrever como Benedetti - simples, delicado e absurdamente poético. Os livros dele são todos legais, mas A Trégua... Há trechos nesse livro que releio em voz alta só pelo prazer que aquele arranjo de palavras me dá. Acho que é o meu livro favorito.



8 comentários:

Juliana disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rebeca Cavalcante-Wilkerson disse...

Ju, que post mais lindo!
Deu pra te conhecer melhor e sentir o quanto vc é sensível. A única parte ruim é que eu quero ler livros em português e aqui eu n posso encontrar.
Vou separar esse post pra próxima vez q for ao Brasil. Quero comprar, pelo menos, um desses livros!

Beijooo,

Rebeca
xoxo

Luciana Nepomuceno disse...

Amei este post, lynda. Você sempre me toca quando toca a falar de livros.

Pandora disse...

"... releio em voz alta só pelo prazer que aquele arranjo de palavras me dá..." Tuchê!!! É isso, faço isso com os meus textos preferidos. É um habito apaixonante. Também tenho livros que gostaria de não ter lido e eles são justamente aqueles mais próximos ao meu coração!

Annie Adelinne disse...

Aqui o que eu queria contar:
totalmente influenciada por vc (sim, a culpa é toda sua) eu dei O Filho Eterno de presente pro Haralan. (Dou livros pra ele como um auto-presente, já que em breve juntaremos os bibliocantos).

Vamos acompanhar.

Maeve disse...

Onw!
Eu sinto o mesmo tmb! Mas tem um livro que nunca consegui reler pq sabia que a sensacao nao seria a mesma. Por outro lado, eu li uma seis vezes o Como agua para chocolate da Laura esquivel e tenho que dizer viu, a mesmíssima emoção a cada pagina relida. Talvez pq minha memória eh ruim mesmo, rs.

Rita disse...

Oi. Meu nome é Saramago. Ouvi dizer que você tinha feito um poema quando conheceu a Madalena. Posso ver?

Aguardo,
Saramago

Juliana disse...

olha, rita, morri de rir aqui com seu comentário.

Mas nunca, nunca, nunca que eu mostro aquele poema. A última coisa que sei fazer é poema. E não estou usando de falsa modéstia. Li o Evangelho há exatos 10 anos. Aos 18 anos, a gente ainda tem permissão pra " cometer" poema, mas não deve exibi-los por aí aos 28. =p