sexta-feira, 29 de março de 2013

Meu coração tá aqui assim: tumtumtumtumtumtumtumtum.

Meu coração e eu somos uns eufóricos.

Eu acho euforia uma delícia.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Potato, potato


Vi Harry e Sally pela segunda vez hoje. Tinha visto em algum momento dos anos 90, portanto não se pode considerar a primeira vez. Por que vocês nunca me disseram que é um filme tão delicioso, hein?

Depois de assistir, fui procurar a trilha sonora e me deparei :

Com Ella e Louis

Com Rosemary e Gene


Com o outro Gene e a Ginger

Escolham um dos três vídeos e vejam, ou vejam todos, mas vejam. E depois fiquem cantando " You say tomato, I say tomato..."

segunda-feira, 25 de março de 2013

Você tá quieta no seu canto, vivendo sua vida, aí vêm as decisões pedindo pra serem tomadas.

O inferno não são só outros.O inferno é também ter de escolher.

Escolher feito gente grande, sem mimimi, sem ranger de dentes depois.

Olha.

domingo, 24 de março de 2013

Eu tinha um sonho recorrente.Voltava pra minha escola do Ensino Médio como professora, entrava na sala e a turma era mesma com a qual estudei no início dos anos 2000. Meus antigos colegas me olhavam como se eu fosse uma impostora, e eu tinha que dar aula de matemática. Lembro até da matéria: logaritmo -  coisa que nunca aprendi. Então, estou  eu lá dando aula do que não sei, pros meus pares, quando entra alguém da secretaria e me expulsa da sala. Eu tento explicar que sou professora, que passei dias e dias numa faculdade, fiz licenciatura. Olha aqui o meu diploma. Mas nunca funciona. Eu sou expulsa da sala, da escola - uma vergonha que chega a doer. Olha, era um danado de um sonho ruim. Costumava acordar com o coração aos pulos, agarrando as cobertas como quem agarra os cabelos da realidade.

Faz tempo que não sonho mais assim. Faz tempo. Mas é bem assim na vida. De vez em quando, acho que vai vir alguém aqui, de repente, e invalidar meu diploma de adulta. 

sábado, 23 de março de 2013

Eu, blogueira

Tem épocas em que você simplesmente olha pro seu blog e pensa: " Eu devia deletar isso daqui".

E só não deleta por que nunca parou pra descobrir como se faz.

Acontece com vocês também?



segunda-feira, 18 de março de 2013

Conexões

Não sei qual  é o sentido prático de ter uma página do blog no Facebook, mas deu vontade de fazer, então fiz. Cês vão aparecer por lá? Tô esperando: Fina Flor.

Ah, e o Twitter? Vocês usam? Eu adoro, sou totalmente #TeamTwitter. Se quiserem me seguir lá, esta é a minha arrobinha: @jufinaflor

Ah, ah, eu tenho também um perfil no Skoob. Não sou muito de cometar sobre os livros, mas costumo fazer trocas. Se quiserem trocar livros comigo, cliquem aqui.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Sei que tô estranha quando ouço Bethânia. Sei que tô estranha quando quero muito lavar esse cabelo que já tá limpo. Sei que tô estranha porque poderia comer 5kg de batata frita.

Lavei o cabelo, no banho, ouvindo Bethânia. Comi batata.

Denotativamente, tenho um tórax.

Conotativamente, tenho um peito e um vácuo delicado.



" Estamos cá dentro de nós/ Sós"

quarta-feira, 13 de março de 2013

"E o meu lugar é esse
Ao lado seu, meu corpo inteiro
Dou o meu lugar pois o seu lugar
É o meu amor primeiro"

( Dois rios - Skank)


Hoje, de repente, no meio da aula, me dei conta de que esses são versos bem bonitos.


***

Achei tão, tão delicado e tocante:




"Eu quero agora ser o seu amado
Você me deixa a perigo
O amor me corta feito adaga
Mas vem você e afaga
Com afeto tão antigo
(...)
Um dia em mim essa aflição sossega
More comigo e traga o seu amor"

terça-feira, 12 de março de 2013

Xingamento do dia

Hoje. Cinco da tarde.  Calor de derreter.  Trânsito que não anda. Van lotada.  Dois meninos de uniforme, 12 anos, no máximo. Pueris e engraçados como só meninos de 12 anos podem ser.

- Não vale! Você já ofendeu a minha mãe hoje. A gente combinou que só podia ofender a mãe e o pai uma vez por dia.
- Desculpa.
- Pô, você chamou minha mãe de lixeira. Não vale! Chamar minha mãe de lixeira é uma agressão verbal.

 Nesse momento, metade dos passageiros olhou pra trás, segurando a risada. Taí, nunca pensei em usar "lixeira" como xingamento.

- Desculpa. Mas você quase derrubou meu tablet. O que você ia fazer se o tablet tivesse caído, hein?
- ...
- Hein? Responde. Bota pra funcionar esse caixão  podre e em decomposição que você chama de mente.

Caixão podre e  em decomposição que você chama de mente!

Dessa vez, os adultos não se seguraram. Todo mundo riu, riu, riu. Uma senhorinha até se engasgou. Os meninos ficaram se achando as celebridades da van.  Todo mundo entrou na brincadeira.  Eu virei pra trás e disse pra eles:

- Olha, gostei dessa do caixão. Vou usar na minha vida.
- Vai mesmo?
- Vou. Vou decorar.

Quando fui descer, o menino chamou minha atenção:
- Ó não vai esquecer: caixão podre e em decomposição que você chama de mente.
- Pode deixar. Já decorei. Vou usar sempre e vou  divulgar. Vai virar um xingamento famoso. Um dia vão chamar sua mente de caixão em decomposição e você vai saber que fui eu que espalhei por aí.
O menino riu, deliciado.
- Vai mesmo?
-Vou.

Então, gente, vim aqui cumprir a promessa. Todo mundo que ler esse post tem que me ajudar nessa tarefa. Vamos lá!

Decorem aí: caixão podre  e  em decomposição que você chama de mente.




domingo, 10 de março de 2013

10 anos

Acordei muito tarde. Ao acordar, como sempre,  olhei o celular. Estava lá um SMS bonitinho pra me lembrar da data. 10 anos. Eu tinha sonhado com o remetente durante toda noite; sonhar com ele e com as crianças dele têm sido uma recorrente nesses últimos meses de mudanças infinitas. Meu coração ficou um tantinho mais manso ao ler o torpedo. Eu acho que  amizade é essa sintonia que sincroniza sonhos e mensagens.

Levantei, fui cuidar da vida e não respondi ao SMS. Uma regra desses últimos 10 anos: tentar achar palavras que estejam à altura das coisas bonitas que o moço do sonho e do sms diz. Não achei. Aí, mais tarde, abri o facebook. Um outro moço com o qual não sonhei e que não me mandou nenhum sms tinha postado uma foto. A qualidade da foto não é das melhores. Houve umas mil tentativas para que os 3 estivessem devidamente enquadrados; das tentativas, surgiram fotos que eu guardo no meu computador. A foto postada no facebook é a mais harmoniosa e está, ainda que guarde os defeitos da fotos de celular, pendurada no mural do meu quarto. Não fui marcada na foto, não fiz comentários adocicados. O moço do facebook sabe que quando falo de rugas e velhice, estou fingindo que não estou falando de amor.

Conheci os dois há tanto tempo que não sei, mesmo, como era o tempo antes de conhecê-los. E eu tenho isso de lembrar de quando vi as pessoas que são importantes pela primeira vez . Não sei datas - mal sei que dia é hoje-, mas lembro que sentei na carteira ao lado do moço do sms e elogiei a letra dele. Gostei dele ali, adivinhei toda generosidade e delicadeza que eu conheceria mais tarde e simplesmente fui com a cara dele. Já o moço do facebook me viu antes de que o visse; não  lembro de ter falado com ele, só lembro de como ele parecia compenetrado e sério. E ele é mesmo tão dedicado e determinado quanto parecia. E é também tudo mais que eu viria a saber.

10 anos. Tempo pra caramba. Eles mudaram muito. Tão mais velhos, tão mais lindos, tão mais tantas coisas que a minha péssima memória já nem consegue resgatar a aparência e os modos dos rapazes que conheci em 2003. Mas, vejam só, que coisa: olho pra eles e reconheço tudo aquilo que me cativou ao longo desses anos, todos os traços das pessoas extraordinárias que eles são. E são mesmo fora do comum. E mais: ao olhar pra eles, pras marcas que eles deixaram  ao longo desses anos, reconheço o que há de bom em mim.  Hoje, tanto tempo depois, eu também mudei. Gosto um bocado mais de mim, sinto menos o peso da humanidade, dou nome aos medos e fantasmas. Hoje, olho pra mim mesma e reconheço o que eles sempre viram, o que eles sempre acharam bonito. Eles me viram fina flor antes que eu soubesse o que isso significava.

E eu não me canso de me espantar, me deleitar, de me sustentar na sintonia delicada que nos une. A sintonia dos e-mails e  sms inesperados, dos livros que se tem certeza que o outro vai querer ler, das músicas, das viagens, do desejo de compartilhar, da caixa vermelha onde guardo lembrancinhas, do meu ciúme por eles morarem mais perto e se verem sempre mais, do Apesar de, dos mapas que dizem as mesmas coisas, das luas que são as mesmas, das letras.

Sintonia desse pro que der e vier.

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quinta-feira, 7 de março de 2013

I-

Passei tanto tempo trabalhando em ambientes hostis que não sei lidar com pessoas gentis. Sou desconfiada por hábito e reservada por natureza, então me sinto um bicho do mato perto de gente que simplesmente convive - sem dramas, sem neuras. Queria ser mais leve e divertida, mas tô tão acostumada a ser cautelosa que me pego agindo como sempre. O bando de gente desajustada que encontrei nos últimos anos deixou sua marca. 

II-

Já na primeira semana de aula, passei um trabalho que sempre passo: pedi que os alunos escolhessem um livro qualquer com mais de 50 páginas pra ser lido e resenhado. Teve gente que reclamou, teve gente que tentou me passar a perna, mas a maioria anda bem interessada. Ontem, tava vindo embora, quando um menino me abordou. Ele queria saber se podia ler Romeu e Julieta. Claro que pode! Eles não conseguem se acostumar com o " QUALQUER livro que você quiser". Satisfeito com a resposta, o menino acrescentou: " Professora, por sua culpa, tem um monte de gente lendo no horário vago. Tá lá um grupinho lendo. Acredita?" Fui lá ver.

E não  é que estavam mesmo, sentados à sombra de umas plantas, uns seis alunos lendo entretidos os livros que tinham pegado na biblioteca no dia anterior?  Um deles tinha pegado um livro que recomendei  ( Meu pai não mora mais aqui, do Caio Ritter) e veio me dizer que tava rindo à beça  com o Tadeu.  Fiquei animada, fiquei feliz.

III-

Fiquei sabendo da morte do Chorão através de uma aluna. Cheguei na sala, às 7 da manhã, e ela tava lendo notícias no celular. Ela leu a reportagem do G1 pra gente, e muitos dos alunos ficaram arrasados. Não tinha ideia de que Charlie Brown ainda fazia sucesso.

Depois, já no meio da aula, a gente tava discutindo um texto sobre  Machado e precisei explicar o que era maniqueísmo. E foi aí que aula ficou bem legal.  Da velha discussão sobre a fidelidade de Capitu, chegamos a uma deliciosa  conversa sobre os modelos de heroísmo presentes nos filmes e videogames de hoje. Sempre que falo de filme em sala, o pessoal me pede pra passar Velozes e Furiosos. Nunca atendi ao pedido porque não vi nenhum filme da franquia, mas agora fiquei curiosa. Os alunos me convenceram de que vale a pena ser visto e que devo prestar atenção nos mocinhos tortos do filme. Vou ver.

De maniqueísmo em maniqueísmo, a gente acabou nos EUA, no 11 de setembro. E eu contei pra eles que tinha a idade deles em 2001 e que estava no estágio quando soube dos atentados.  Comentei como a internet era diferente naquela época, que seria impossível ler notícias no celular como a menina fez no início da aula. Eles ficaram chocados que eu não tivesse um celular aos 17 anos. E ainda mais chocados que tenho  28 anos. Quer dizer, pessoas com menos de 30 anos viveram num tempo em que celular não era item essencial para sobrevivência. Assustador!


IV-

Nenhum livro tem me empolgado ultimamente. Tô lendo um que foi  indicado por um amigo que me deu de presente alguns dos meus livros favoritos, mas, dessas vez, não tá rolando. Alguém aí já leu Vaclav e Lena? Fica mais legal depois daquele início modorrento?

sexta-feira, 1 de março de 2013

Alter ego


Não havia a possibilidade de aumentar as bochechas, nem de engordar uns bons 20 kg. Parece que personagens de mangá são sempre magras.

O cabelo não é bem assim, mas tá quase.

Meus óculos de grau são pequenos, mas eu prefiro os escuros maiores.

Gosto desse tom de rosa, mas tenho ombros mais largos.

Não sei erguer uma  sobrancelha só, mas gosto de achar que tenho uma expressão assim na vida.

Meu nariz não é um pontinho no meio do meu rosto.

Tenho mesmo a boca rosada.

As argolas são o item mais condizente com a realidade.

( Bem, e eu acho que seria legal ter asas.)


Vão lá brincar vocês também: clique aqui