domingo, 10 de março de 2013

10 anos

Acordei muito tarde. Ao acordar, como sempre,  olhei o celular. Estava lá um SMS bonitinho pra me lembrar da data. 10 anos. Eu tinha sonhado com o remetente durante toda noite; sonhar com ele e com as crianças dele têm sido uma recorrente nesses últimos meses de mudanças infinitas. Meu coração ficou um tantinho mais manso ao ler o torpedo. Eu acho que  amizade é essa sintonia que sincroniza sonhos e mensagens.

Levantei, fui cuidar da vida e não respondi ao SMS. Uma regra desses últimos 10 anos: tentar achar palavras que estejam à altura das coisas bonitas que o moço do sonho e do sms diz. Não achei. Aí, mais tarde, abri o facebook. Um outro moço com o qual não sonhei e que não me mandou nenhum sms tinha postado uma foto. A qualidade da foto não é das melhores. Houve umas mil tentativas para que os 3 estivessem devidamente enquadrados; das tentativas, surgiram fotos que eu guardo no meu computador. A foto postada no facebook é a mais harmoniosa e está, ainda que guarde os defeitos da fotos de celular, pendurada no mural do meu quarto. Não fui marcada na foto, não fiz comentários adocicados. O moço do facebook sabe que quando falo de rugas e velhice, estou fingindo que não estou falando de amor.

Conheci os dois há tanto tempo que não sei, mesmo, como era o tempo antes de conhecê-los. E eu tenho isso de lembrar de quando vi as pessoas que são importantes pela primeira vez . Não sei datas - mal sei que dia é hoje-, mas lembro que sentei na carteira ao lado do moço do sms e elogiei a letra dele. Gostei dele ali, adivinhei toda generosidade e delicadeza que eu conheceria mais tarde e simplesmente fui com a cara dele. Já o moço do facebook me viu antes de que o visse; não  lembro de ter falado com ele, só lembro de como ele parecia compenetrado e sério. E ele é mesmo tão dedicado e determinado quanto parecia. E é também tudo mais que eu viria a saber.

10 anos. Tempo pra caramba. Eles mudaram muito. Tão mais velhos, tão mais lindos, tão mais tantas coisas que a minha péssima memória já nem consegue resgatar a aparência e os modos dos rapazes que conheci em 2003. Mas, vejam só, que coisa: olho pra eles e reconheço tudo aquilo que me cativou ao longo desses anos, todos os traços das pessoas extraordinárias que eles são. E são mesmo fora do comum. E mais: ao olhar pra eles, pras marcas que eles deixaram  ao longo desses anos, reconheço o que há de bom em mim.  Hoje, tanto tempo depois, eu também mudei. Gosto um bocado mais de mim, sinto menos o peso da humanidade, dou nome aos medos e fantasmas. Hoje, olho pra mim mesma e reconheço o que eles sempre viram, o que eles sempre acharam bonito. Eles me viram fina flor antes que eu soubesse o que isso significava.

E eu não me canso de me espantar, me deleitar, de me sustentar na sintonia delicada que nos une. A sintonia dos e-mails e  sms inesperados, dos livros que se tem certeza que o outro vai querer ler, das músicas, das viagens, do desejo de compartilhar, da caixa vermelha onde guardo lembrancinhas, do meu ciúme por eles morarem mais perto e se verem sempre mais, do Apesar de, dos mapas que dizem as mesmas coisas, das luas que são as mesmas, das letras.

Sintonia desse pro que der e vier.

.


7 comentários:

Luana disse...

Espero que voce tenha mandado esse texto pros dois moços... =)

Rebeca Cavalcante-Wilkerson disse...

Que texto lindo, Ju!!!
Nada como amigos de verdade, amigos pra vida toda!

Beijooo,
Rebeca
xoxo

Rita disse...

Ju, inspirada. Adoro.

Tati disse...

Lindo Ju! Como disse a Luana, espero que os dois moços leiam =)
Beijos

Aline Souza disse...

Amizade duradoura e verdadeira assim faz tão bem, né? Bjss

Daniela disse...

Tanto tempo que eu venho aqui e ainda não sabia que você escreve poesia. :-)

Juliana disse...

vcs sempre tão gentis.

tati e luana, eles leram.