domingo, 7 de abril de 2013

Deito no chão do quarto, sobre o tapete, porque quero me sentir fincada em algo. Minha cabeça arde. Tudo arde, pareço uma fogueira. Um lastro de fogo brando corta minha garganta. Acho que vou chorar, mas não choro. Lágrimas pra mim são fruto de um quase parto - só choro no divã e nos sonhos.

Hoje cedo, acordei com o coração na boca. Sonhei com gente que não existe, com gente que vi uma vez, com a minha boca percorrendo uma bochecha. Era uma bochecha de homem, uma pele tão lisa e quente - eu esfregava o nariz na pele porque a textura era boa. Depois, um mundo de coisas oníricas acontecia,mas não lembro de nenhuma delas. Acordei com o coração aos pulos e com a lembrança da bochecha. Parece um sonho bom, mas não era. Sei que eu chorava em algum momento que não lembro, e acordei com o cansaço que vem depois do choro longo.Acho que não foi um sonho gratuito. Dormi lendo um conto bonito de amor e pensando que, se o conto fosse meu, o final seria outro.  Se o conto fosse meu, a última palavra da última linha seria desejo.

Acordei com os lábios secos. E meu coração começa a acelerar só de lembrar e escrever.

***

( é engraçado como a gente escreve querendo dizer uma coisa e diz outra totalmente diferente.)


3 comentários:

Maeve disse...

Mas isso é já normal comigo. Acredito que nossas mãos tem vontade própria, escrevem aquilo que querem, povinho desobedientes.

Juliana disse...

eu tava falando de tristeza,mas ao reler o que escrevi não vi nada de triste. hihihi

Maíra Ramos disse...

Tristeza, não vi por aqui... Adorei seu espaço!