sábado, 20 de abril de 2013

Faz um pouco de frio. Estou sentada sobre o tapete, de pantufas e vestido vermelhos. O vestido é daqueles muito usados que agora só servem pra ficar em casa. Emma se alojou faz uma meia hora na minha coxa esquerda e ronrona delicamente. Essa gata acha que meu corpo é propriedade dela: passeia nas minhas costas e me acorda, se acomoda no vão dos meus joelhos e dorme. Passei o dia todo trabalhando - ou fingindo que estava trabalhando. Mas, de verdade mesmo, aproveitei a calmaria rara desse sábado pra girar e dançar no meu quarto:




Na bruma leve das paixões

Que vem de dentro
Tu vens chegando
Pra brincar no meu quintal


Fiz dupla com essa Ellen extraordinária e nós duas cantamos pra Emma e pra minha plateia imaginária. Tenho 28, mas ainda acho que escovas de cabelos são excelentes microfones. E tenho certeza de que as  músicas que   surgem no meio de uma tarde mansa são sinais. Sinais de quê, eu não sei, mas gosto de acreditar que são.



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