quarta-feira, 29 de maio de 2013

Um bocadinho de Bethânia

Eu não contei que fui ver Bethânia, né? Fui. Tem quase uma semana já. Estou pra escrever um post sobre o show, mas não ando com muita vontade de escrever. E eu queria falar do show quando estivesse com mais boa vontade porque o show... ah, o show da Bethânia...

Enquanto as palavras não vêm:


terça-feira, 28 de maio de 2013

" Ela sempre me chamava de 'você'. 'É você?', ela perguntava ao telefone. ' Você pode?' ' Você vai?' 'Você quer?' De modo que eu imaginava, como um idiota, minuto a minuto, que só havia um 'você' no mundo, e que era eu."

Trecho do livro mais bonito, Fim de Caso, do Graham Greene.






quinta-feira, 23 de maio de 2013

Anatomia

Voltei pra Grey´s Anatomy. Tinha parado no meio da terceira temporada. Vamos ver o quanto aguento até enjoar novamente. 

Além de chorar em TODOS episódios que vi até agora, só consigo pensar em 3 coisas:

1- Eu seria uma professora muitíssimo melhor se fosse um pouquinho parecida com a Bailey.
2- Eu jamais chegaria perto de um Alex Karev na vida real, mas não estamos falando de vida real. Tenho dificuldades de me concentrar quando Karev aparece, sabe.
2- Eu trabalho numa escola.Droga! Preciso largar a caneta pilot, virar cirurgiã e conseguir uma vaga no Seattle Grace, a fim de que minha vida tenha emoção, frases de efeito e colegas de trabalho tipo o Sloan.



quarta-feira, 22 de maio de 2013

Três vezes na semana, pego no trabalho às 7h. Estar de pé e funcionando tão cedo é uma tragédia pra mim, mas não tenho escolha... Mal tomo café, mal penteio o cabelo, mal me visto, mal consigo subir os degraus do ônibus. Mas chego no trabalho animada. Sou uma pessoa animada, saltitante até. Entro na sala, com minha voz estridente, mandando geral levantar a cabeça e esquecer que horas são.

Daí que ontem eu tava sem energia nenhuma, nenhuma mesmo. Dez minutos de aula e eu nem tinha feito a chamada, nem tinha reclamado dos preguiçosos e dos atrasados. Tava só lá sentada. Um aluno olhou pra minha cara e perguntou o que eu tinha.

 Respondi sem pensar:

-Tristeza.

Uma sombra de confusão passou pelo rosto do menino. Ele esperava uma outra resposta qualquer; a minha tristeza pegou o rapaz desprevenido. Eu deveria ter dito qualquer outra coisa, eu sei, mas é que a tristeza escapuliu.

***
Meu tio morreu. Morreu, morreu, morreu. Às vezes, eu esqueço que ele morreu, então preciso falar em voz alta pra me lembrar. Preciso também dizer o nome dele. Se digo " meu tio morreu", não parece verdade.

***

Eu estou triste  - de uma tristeza que eu não conhecia. Às vezes, sinto como se minha tristeza fosse ilegítima. Meu tio não era o meu pai, não era meu marido, não era meu filho. Não tem nada a ver uma coisa com a outra, mas eu fico pensando que essa tristeza já devia ter passado. Sem sentido algum, eu sei.

***

Na verdade, eu pensei que ir ao enterro resolveria tudo. Quando minha tia morreu, não fui ao enterro. Se eu tivesse ido, teria sido mais fácil apreender a morte dela - eu pensava. Fui ao enterro do meu tio e nada ficou resolvido na minha cabeça. Agora, acho que entendi: a morte vem devagar e vai se instalando aos poucos. O coração para, o cérebro morre, a pele esfria, há uma hora oficial da morte, mas a morte mesmo vem aos poucos. Todo dia o morto vai morrendo aos pouquinhos: a  cada vez que a morte é anunciada, a   cada roupa que é doada, a  cada pessoa que deleta o telefone do morto do celular.

Meu tio começou a morrer pra mim ainda lá no enterro. Enquanto eu percorria as ruelas do cemitério, seguindo o cortejo, me lembrei do amigo oculto da familia. Muito antes de eu nascer, todo anos, acontece um amigo oculto na família - todo ano, sempre. Meu tio esteve em todos; agora não vai estar mais. Essa constatação pesou em mim como se tivessem jogado um tijolo no meu estômago.  Quando o sorteio do amigo oculto acontecer em dezembro, meu tio vai morrer de novo.

sábado, 18 de maio de 2013

A morte é uma autoritária. Ela vem, ela leva e fica a obrigação da reinvenção.

Quando alguém morre, o mundo deixa de ser o mundo conhecido e se torna um outro. O morto vai pro mundo dos mortos, os vivos precisam inventar esse mundo novo em que se diz " o morto".

***
Cheguei bem perto pra ter certeza. Achava que a visão do corpo morto decretaria a morte, mas o corpo de um morto ainda é vivo. Você passou toda a vida olhando pra vida daquele corpo, por isso só consegue enxergar vida nele. É um cadáver, mas você só enxerga o que viu tantas vezes: um homem dormindo.

***
Estou deitada na minha cama quente e só me vem à cabeça a terra fria e o caixão.

Parei de escrever pra reler essa linha daí de cima e parece tão inacreditável que eu esteja falando de caixões, que  todo mundo tenha voltado pra casa e que o homem que estava só dormindo tenha ficado lá. Sozinho.

***
A morte. Eu digo " a morte", mas é como se não dissesse nada.

***
Eu chorava e ouvia meus soluços como se estivesse ouvindo o choro de uma desconhecida.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Eu vinha andando sobre o asfalto molhado com minha vó, quando me lembrei. Caminhava olhando o reflexo das luzes nas gotas de chuva espalhadas no asfalto e me lembrei de um trecho do meu livro favorito. Assim que chegasse em casa,  eu pegaria o livro favorito na estante e releria aquele trecho em que... Aí, no instante em que coloquei a chave no portão, me veio uma segunda lembrança: meu livro favorito não está na minha estante, emprestei pro Felipe.

Mas o importante é que me lembro do trecho, palavra por palavra, e, nesse momento, eu entendo o que Santomé sentiu e escreveu. As palavras não dão conta. Nada dá conta. A gente age como num sonho, ainda que saiba que está acordada. A realidade se repete infinitamente na mente como se fosse invenção em vez de lembrança.

Porque, de tudo, o que resta é a lembrança - que , por ora, nem lembrança é;  é vontade de ser memória.


Vou dormir agora e esperar que a tristeza legítima chegue. 

Eu sei que ela quer chegar.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Todo um mimimi

TPM, inferno astral, maio.

um cabelo híbrido 
(amiguinhas e amiguinhos, jamais tentem modificar seu cabelos. Amem seus cabelos como eles são. Se ainda não conseguem amar, esforcem-se: deixar de fazer relaxamento pode causar muito estresse. É melhor nem começar!)

abstinência do Nescau
( parei com o Nescau e com o Trakinas depois que vi o tanto de açúcar que há neles. Comer um pacote de Trakinas equivale a comer oito pãezinhos. Verdade ou mentira, não importa. Toda vez que olho prum Trakinas penso nos OITO pãezinhos que eu jamais comeria.Já o Nescau, me faz uma falta danada, mas só consigo comer alimentos que disfarçam bem suas doses de açúcar. Agora que a magia do Nescau foi revelada, acabou amor. Mas sinto uma falta. Comprei uma latinha pra misturar no iogurte  de vez em quando.

mudanças à vista
( um medo de que dê certo. Um medo de que dê errado. Um medo. Uma vontade de deixar quieto. Uma vontade de ser impulsiva. A menor vontade de levantar da cama, às vezes.Toda uma tristeza. A alegria comum de todos os dias. Um deslize ocasional. Pesadelos. Planos que são só meus.)

uma manicure que não tem horário pra mim
( nem venha me dizer que posso fazer minhas unhas, porque não posso. Não tenho domínio sobre minha mão esquerda, logo não posso manejar um alicate e uma tesoura com ela. Ah, e eu não quero outra manicure, sabe!Não quero!)

a secura do ar
( uma chuvinha pra aliviar, por favor!)

a volta de Saturno
( eu tô velha, muito velha, bem velha. Crise. Crise. Crise. Ai,  eu deveria estar lendo, sei lá, Schopenhauer, mas quero é reler As Relíquias da Morte e discutir a personalidade de Belatrix Lestrange. Ai, eu deveria estar aprendendo a dirigir, mas prefiro aprender a  dançar Ah lek lek lek com Paulo Victor. Ai, eu deveria procurar marido pra atender às expectativas de quem me pergunta dia sim dia não se eu sou casada, mas prefiro jogar Criminal Case no Facebook. )

uma vontade louca de só reclamar, reclamar, reclamar.

uma vontade um pouco menos louca e mais real de ir pra Paris. Paris é a solução. ( Mentira. Qualquer lugar seria a solução. Qualquer lugar, 3 dias, celular desligado, nenhuma internet, nenhuma obrigação de ser legal . E uma comida boa, claro. Paraíso)

uma vontade de dormir por 36 horas, só pra experimentar.

uma vontade malandra de tomar um monte de suco de laranja bem gelado.


( a bem da verdade, não tenho TPM e não acredito em inferno astral, mas maio, ah, maio, esse sim adora manter uma tradição de chatice)

( a bem da verdade, nas atuais circunstâncias não casaria nem com o Justin Timberlake. Imagina a cena: Justin aparece aqui dizendo que largou aquela mulher deslumbrante dele e quer ficar comigo. Imaginou? Pois bem, eu diria não. Desculpe, Justin, mas hoje, esse mês, esse ano, não rola, tá? Em 2014, a gente conversa!)

( a bem da verdade, eu só desaconselho alisamentos e relaxamentos. Deixemos tintas e tonalizantes pra quando eu tiver moral pra falar deles.)

( a bem da verdade, nem tô tão mimizenta assim.) 









sábado, 11 de maio de 2013


Eu me comovo com quase tudo. Choro com música, com sol nascendo, com o fim de tarde em Copacabana, com sorriso de crianças fofas, com cachorrinhos que recebem a gente no portão. Vivo disfarçando as lagriminhas e a comoção. Só duas coisas não me comovem: pedidos de casamento postados no facebook  e o  dia das mães.

Fui falar isso num grupo de conhecidos e disseram que meu coração é gelado. Logo imaginei um freezer dentro do meu peito - um freezer cheio de picolé  de banana, claro.

Se for pra gostar de data comemorativa, prefiro o Natal - é que eu gosto de aniversários. =p


terça-feira, 7 de maio de 2013

Eu, blogueira 2

Eu não respondo comentário, mas sou legal. Juro.

Não respondo comentário porque nunca sei o que dizer, mas faço dancinha da vitória toda vez que alguém deixa algum.


***

Eu, blogueira 1



( A regência verbal mandou um beijo e disse que a coloquialidade pode se sentir à vontade nesse post.)

domingo, 5 de maio de 2013

Extraordinário Ney

Sil e eu queríamos ver a Bethânia, mas já não havia ingresso, então ficamos com o Ney. Eu não sou fã do Ney Matogrosso. Conheço as músicas que todo mundo conhece, sei dele o pouco que li em entrevistas, mas quis ir ao show mesmo assim. André já tinha me dito que o show  me encantaria, o ingresso tava num preço bom,  Sil é das melhores companhias possíveis, pois bem, fui ver o Ney. Sem expectativas, sem especulações. Fui.

A iluminação é um espetáculo à parte

E amei cada segundo que estive lá, do alto de um lugar danado de bom, ouvindo e vendo aquele homem sobrenatural. Porque deve ter algo de extraterreno nele, só pode. Ney entra no palco, e você pensa que tá sendo enganada. Aquela figura sinuosa e exuberante não pode ser o Ney, não pode. Passamos os primeiros minutos do show calculando as possíveis idades do cara; por tudo que a gente sabe, ele tinha que estar quase nos 70. Pois é, já passou: tá caminhando pros 72.CA-RA-CA! MEN-TI_RA!Verdade! Muita verdade!E como canta, e como dança, e como faz toda música parecer um evento, um espetáculo. Passei metade do tempo embasbacada. Como pode tanto domínio do palco, da voz e da gente? Como?

O show começou pontualmente às 22h e terminou 15 minutos depois. É, eu duvido que uma hora e meia tenha se passado desde que o Ney começou a cantar. Tenho certeza de que todo mundo saiu de lá com a mesma sensação com que Sil e eu saímos: ué, já acabou? Mas não é possível? Não quero ir embora. Posso ficar aqui num cantinho esperando o show de amanhã? Nessas horas, o vira-tempo da Hermione faz uma falta...

Amei tudo, mas essa música... :



"Quero perder o medo da poesia
Encontrar a métrica e a lágrima
Onde os caminhos se bifurcam
Flanando na miragem de um jardim

Quero sentir o vento das esquinas
Circulando a calma do meu íntimo"

P.S.: E dia 24 tem Bethânia.\0/







quinta-feira, 2 de maio de 2013

Missão cumprida

O plano era simples: tomar sol, mas...

Ô, nuvens, o que é que vocês tão fazendo aqui, hein?


Aí depois ficou assim...


E finalmente ele veio, com sua luz mais linda.


A amiga e a foto rara
( enquadramento é o meu talento nato)

 O livro não lido e o farnel não devorado    


     


                                                 Machado e a Lomo não me representam.
         
Tanto azul