sexta-feira, 17 de maio de 2013

Eu vinha andando sobre o asfalto molhado com minha vó, quando me lembrei. Caminhava olhando o reflexo das luzes nas gotas de chuva espalhadas no asfalto e me lembrei de um trecho do meu livro favorito. Assim que chegasse em casa,  eu pegaria o livro favorito na estante e releria aquele trecho em que... Aí, no instante em que coloquei a chave no portão, me veio uma segunda lembrança: meu livro favorito não está na minha estante, emprestei pro Felipe.

Mas o importante é que me lembro do trecho, palavra por palavra, e, nesse momento, eu entendo o que Santomé sentiu e escreveu. As palavras não dão conta. Nada dá conta. A gente age como num sonho, ainda que saiba que está acordada. A realidade se repete infinitamente na mente como se fosse invenção em vez de lembrança.

Porque, de tudo, o que resta é a lembrança - que , por ora, nem lembrança é;  é vontade de ser memória.


Vou dormir agora e esperar que a tristeza legítima chegue. 

Eu sei que ela quer chegar.

4 comentários:

Inaie disse...

E quando a tristeza chegar, faça o melhor proveito dela, para que ela vá embora logo...

Felipe Fagundes disse...

Socorro. Preciso ler logo seu livro. Você PRECISA dele.

É triste te imaginar triste ._.

Aline Gomes disse...

Qual é o livro?

Daniele C. S. disse...

Aprendi que temos que viver e nos permitir viver tudo intensamente, até a tristeza