quinta-feira, 27 de junho de 2013

Nunca vou aprender

Acordei cantarolando essa música.  Que bonito é o inconsciente, né?



"Não aprendi dizer adeus
Não sei se vou me acostumar

(...)

Não tenho nada pra dizer
Só o silêncio vai falar por mim
Eu sei guardar a minha dor
Apesar de tanto amor vai ser
Melhor assim
Não aprendi dizer adeus mas
Tenho que aceitar que amores
Vem e vão são aves de Verão"

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Dia mais feliz

Quando eu nasci, era inverno.

Quando eu nasci,  também havia um monte de gente nas ruas. (Na verdade, eu nasci poucos meses depois do último ato)

Quando eu nasci,  o Saramago, o Drummond, o Quintana, o Gonzagão eram vivos. Mas a Clarice já tinha morrido, sete anos antes.

Quando eu nasci, o Foucault tinha acabado de morrer.

Quando eu nasci, Indiana Jones e o Templo da Perdição estava no cinema  e a Shirley McLane ganhou o Oscar.

Quando eu nasci, minha mãe era 2 anos mais nova do que sou hoje.

Quando eu nasci, o criador do Facebook tinha um mês de vida.

Quando eu nasci, Madonna  lançou Like a virgin.

Quando eu nasci, a filha da Zizi Possi nasceu também.

Quando eu nasci,  a Juliana do Eça já tinha mais de 100 anos.

Quando eu nasci, um anjo torto...  não disse nada, eu acho. Se disse, eu não lembro.

Eu nasci há 29 anos. Não tenho ideia de como cheguei até aqui, mas cheguei. \0/

terça-feira, 25 de junho de 2013

I-
Assisti ao musical do Tim Maia. É uma coisa muito linda, viu? E nem vi com o Tiago Abravanel. O Tim que vi era o Danilo de Moura, e fiquei me perguntando como deve ser  a performance do Tiago, uma vez que ele ganhou o papel. Porque, amiguinhos, o Danilo de Moura é um acontecimento.

Chorei, cantei, dancei.

II- 
Hoje eu olhei pras minhas canelas e me dei conta de uma coisa:  faz uns 15 anos que não preciso fazer bainha na calça. Preciso de cinto, preciso de pregas na cintura, preciso de numeração maior, mas a bainha tá sempre ok.  Tenho 1,69 m. O que fazem as mulheres altas de verdade, com pernas compridas?

III-
Achei que poderia procrastinar a castração da Emma. Resultado: em breve,teremos mais gatinhos nessa casa.

IV-
 Falo de amenidades pra fingir um pouquinho de normalidade, porque a vida tá frenética, viu. Me disseram que mudanças estavam por vir, e eu acreditei. Espero que eu não esteja metendo os pé pelas mãos.  Torçam para que eu não esteja metendo os pés  pelas mãos, please.

V-
Não quero mais falar das manifestações e das duas últimas semanas. Ainda tô cansada, confusa, como quem toma um caixote no mar.

Eu não fui pras ruas, não me sinto parte de gigante nenhum. Aliás, uma pulga se instalou atrás da orelha justamente quando um monte de gente muito diferente se apropriou das manifestações promovidas por um grupo específico. Tinha gente que sabia exatamente o que tava apoiando, tinha gente que só queria apoiar, e eu ali dividida entre me sentir uma alienada que prefere ficar em casa e a necessidade de saber direitinho por que eu deveria ir pra rua. O chamado era forte, mas tava tudo muito nebuloso. Aí um menino de 17 anos me chamou de antipatriota. Esse adjetivo ainda ecoa na minha cabeça.

Por favor,  não pronunciem a palavra " pacífica" por uns 10 anos perto de mim.

VI-
Ando com preguiça do blog. Será que o amor acabou?

VII-
Cês conhecem Petrópolis? Acho que deveriam todos correr pra lá.



por Silvana

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Meme trouxa

Acabei de descobrir um blog delicioso; tô lendo os posts todos. E eis que, no meio dos posts todos, encontrei o meme mais legal do mundo. Como as Duas Fridas,  faz tempo que não sou adolescente, mas a idade não me impede de amar Harry Potter - amar um montão assim.

O post das Fridas é da época do lançamento do último filme. As perguntas são referentes aos filmes e aos livros, mas eu  vou ignorar os filmes - só gosto do sétimo filme.

Filme mais empolgante: Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1- O único filme que me comove, o único em que o trio principal parece mais próximo do que é no livro, o único com aquela cena linda da Hermione apagando a memória dos pais.

Não consigo encontrar uma legenda pra essa imagem. hihihi

Melhor cena de ação: toda a parte em que Harry e Dumbledore estão na caverna, procurando a horcrux.

Melhor cena apoteótica: O enterro do Dumbledore. Capítulo mais bonito da série toda,  uns 15 mil litros de lágrimas derramadas.

Melhor cena fofa:  Vou escolher duas

Harry e Ron se conhecendo no trem.
Hermione abraçando Ron quando ele se oferece pra ajudar no processo do Bicuço.

Melhor personagem adulto: Lupin -  trágico, lindo, fofo. Entendo muito a Tonks. Como não amar o Lupin?

Melhor personagem jovem: Ron. 

Melhor personagem não humano: Dobby, claro.

Melhor animal fantástico: Bichento. É que eu gosto de gatinhos.

Melhor apetrecho bruxo: Vira-tempo.Pena que não existem mais. 

Cena que mais fez chorar:  Hermione sendo torturada. Harry já sofreu coisas muito piores, mas fiquei muito mais angustiada ao ler  sofrimento de Hermione nas mãos da Bellatrix. Parece tão injusto.

Melhor cena de premiação: Harry agarrando a Ginny, na comemoração do Campeonato de quadribol.

Melhor fala de briga: " Minha filha não, sua vaca!" #WeasleyIsOurQueen

Melhor feitiço: Quem não queria poder gritar Expecto Patrono por aí?

Melhor vingancinha: Hermione estapeando a cara  do Malfoy.








quarta-feira, 12 de junho de 2013

Diva






Tô desde o dia 24 de maio tentando escrever um post sobre o show da Bethânia. É que eu queria escrever  algo à altura do que senti durante o show. Não consegui, não consigo, por mais que eu tente. O show da Bethânia é uma experiência, a experiência. Quando acaba, você fica com sensação que poderia passar a vida toda sentada ali, só ouvindo aquela mulher. Ela termina o show, faz o bis mais lindo que já vi ( imaginem O que é o que é e Explode coração cantadas a capella, com um Vivo Rio lotado fazendo coro. Pois é!), agradece, vai embora e todo mundo ainda lá, se recusando a aceitar que é preciso voltar pra casa e pra vida. 

A expressão " de arrepiar" não é uma metáfora, em se tratando de Bethânia. Em vários momentos do show, senti aquele calafrio percorrendo o corpo, os olhos cheios de lágrima sem querer. Sobrenatural, extraordinária, diva.

 P.s.: no youtube, há vários vídeos do show: aqui e aqui.

 P.S.: a Sil tirou as fotos.


Junho, 12


segunda-feira, 10 de junho de 2013

Brincando de Resenhar: Fim de Caso.

Eu não escrevo em livros. Não uso lápis, não uso marca-texto,  não uso caneta. Não escrevo em livros,porque interfere nas minhas releituras, porque nunca tenho um lápis por perto, porque gosto de páginas limpinhas. E o que faço com os trechos que não quero esquecer? Finjo que vou decorar, mas claro que não decoro. Me contento com a inexatidão da minha memória. Se preciso citar aquele trecho lindo do livro que amo, fecho os olhos, peço perdão mentalmente ao autor e reinvento descaradamente aquilo que li. E eu bem acho que a memória de qualquer leitora encantada é sempre um bônus.

Mas não é  sobre  meus hábitos de leitura  que quero falar. Falei que não escrevo em livros, para falar do livro que me fez pegar o lápis e, com muita leveza, sublinhar parágrafos inteiros. Não pude resistir, era mais forte que eu. Graham Greene é um escritor tão extraordinário que  eu  li trechos de Fim de Caso em voz semialta no ônibus, deliciada. E depois tracei uma linha suave - e perfeitamente apagável- sobre aquelas palavras lindas. Houve parágrafos que não só foram sublinhados como também ganharam um pequena inscrição no cantinho da página: lindo! Assim: com ponto de exclamação.



Um dia, abri o livro no meio da aula, enquanto meus alunos do Ensino Médio faziam exercícios. Eu não deveria abrir livros na sala de aula enquanto os alunos fazem exercícios, mas é que eu precisava terminar o capítulo... e os alunos tavam miraculosamente quietos e ... sentei na minha cadeira, pus o livro na mesa e li. Claro que meu gesto não passou despercebido. Alguém veio perguntar o que eu estava lendo, aí eu achei que a turma toda deveria saber que eu tava acompanhando o relato de Maurice Bendrix sobre ciúme, traição e amor. Bendrix tem um amigo, Miles, que não é exatamente um amigo: Miles é um burocrata inglês cuja vida e comportamento servem de material pro trabalho de Bendrix. Pois bem, esse amigo que não é amigo pede de um modo muito peculiar que Bendrix faça aquilo que ele não tem coragem: contratar um de detetive pra seguir a esposa dele, a Sarah. Bem, na verdade, na verdade, Miles não pede nada ao Bendrix. A coisa toda é descrita de um modo que é preciso ler o livro pra entender. Porque Fim de Caso é um livro de sutilezas - sutilezas essas perfeitamente engendradas pelo domínio que o Graham tem de seu texto. Temos Bendrix e Miles e sua relação complexa. Temos Sarah, que merece, no relato de Bendrix, alguns dos trechos e imagens mais bonitos que já li. Temos o diário de Sarah, que me faz sentir pena, raiva, indignação, tudo ao mesmo tempo.Temos o detetive, que ensina as manhas da profissão ao seu filho pequeno... Estou dizendo a vocês o mesmo que disse aos meus alunos, e eles acharam que o livro deve ser eletrizante porque eu não conseguia desgrudar dele. Bem, eletrizante não é bem a palavra.

Fim de Caso é um livro simples, fala dos mais batidos dos temas - traição e ciúme - e , sobretudo,  é um livro escrito extraordinariamente. Daqueles livros que você vai lendo e, quando menos espera, se depara com a beleza; beleza que não depende de imagens rebuscadas, de adjetivos pesados. O texto é simples, fluido e tocante. De você ler e sentir uma pontadinha no peito.Tão bonito que o meu exemplar tá todinho rabiscado. A escrita do Greene não merece ser desgatada pela minha memória.


P.S.: eu vi o filme há muuuuuito tempo e me lembro de chorar, chorar, chorar. E também suspirar, suspirar, suspirar pela mulher mais linda do mundo, Julianne Moore, e pelo Ralph Fiennes. O filme é bom.

P.S.2: vocês já conhecem meu discurso de que sou uma péssima "resenhadora", mas mesmo assim me deixem repeti-lo. Acho dificílimo falar de livro. Não sei dar uma opinião objetiva. Só sei dizer que é lindo, então é isso, pra resumir: é um livro lindo. hihihi

Eu queria ter feito um post assim: post do blog Não Leia sobre o livro.

sábado, 8 de junho de 2013

Hoje eu fiz um pouquinho das tripas coração.

Contei pro moço do táxi todas as minhas manobras pra estar ali e esperei que ele se espantasse com o meu plano de percorrer uma distância  tão grande pra ficar tão pouco tempo. Mas ele não se espantou e ainda disse:  as pessoas com quem você vai passar esse pouco tempo devem valer a pena. Valem ainda mais.

Eu não gosto de dias chuvosos; chuva é minha desculpa pra ficar em casa, se puder. Sempre que me vê desistindo de sair por causa de chuva e vento, minha vó diz: se tivesse que ir pro trabalho, você não iria? Então, se agasalha, pega o guarda-chuva e vai. Pois é. A gente se esforça pra tantas coisas que nem deixam a gente feliz. Por que não ter um pouquinho mais de trabalho pra tá perto de quem suaviza a vida?

E vejam só como são as coisas: você passa duas horas com amigos, comendo coisa boa, celebrando vidas que vão chegar, e todo o peso de uma semana dá lugar a uma alegria familiar e simples. Você come salgadinho, ri, amontoa docinhos numa sacola e a vida parece boa demais. 

E a vida é mesmo boa , apesar de.

A vida é boa, e amigos são uma festa.

***

Eu tenho a certeza de que a vida é boa mesmo, quando volto pra casa com a sobra do almoço soberbo que o amigo fez. Esquento a sobra pra janta, ponho a mesa, sento pra comer. E é como se eu nunca tivesse entrado no ônibus e voltado pra casa. As risadas, as provocações, o conforto tão ali misturadinhos com a batata, o requeijão e a linguiça. 

***
"Um bicho igual a mim, simples e humano 
Sabendo se mover e comover 
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica..."

As duas últimas estrofes do Soneto do Amigo, do Vinicius de Moraes.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Questionário

Qual foi o último filme que você assistiu? Era uma vez, com os alunos, tela de cinema improvisada no quadro branco na sala de aula. / O que almoçou hoje? Uma decepcionante lasanha. Comprei num lugar onde  se vendem os melhores salgadinhos, mas a lasanha é das piores. / Bebida: Água do filtro de barro/ Time de futebol: Digo que sou Vasco, mas entendo mais de Quadribol do que de Futebol/ Mapa astral: Câncer, o ascendente é sagitário, a lua é em gêmeos/ Com quem você não dividiria a mesa do bar? Um montão de gente / O que te provoca enjoo? Grosseria, abuso, violência gratuita / Qual seu assunto de maior interesse? Um tanto definitiva essa pergunta, não? / Que tipo de mulher você gostaria de ser? Das que incomodam, positivamente/Para quem você tiraria o chapéu?Tirar o chapéu só me lembra a música da Alcione, então eu tiro chapéu pro Lenny Kravitz. ;) / Qual seu tipo ideal? Outra pergunta muito definitiva. / O que você pretende da vida: ir vivendo, com saúde e liberdade / Que país gostaria de conhecer? Eu ia dizer França, mas a Silvana vai brigar comigo, então direi Itália e também Portugal / Tem tatuagem? Onde? Não / Que tipo de coisa você mais gosta? Tempo livre, biblioteca, céu claro e azul, silêncio, sol quentinho, música bonita / O que vc fazia e não faz mais? Eu dizia pras pessoas NUNCA me ligarem antes das dez da manhã e depois das 10 da noite / Que figura mitológica mais te atrai? Afrodite / Personagem preferido - telenovela: não sou muito das novelas /Personagem preferido - literatura:hum, ai, vai, Lesje, de A Vida antes do Homem  / Personagem preferido - seriado: No momento, Miranda Bailey; sempre, Dana Scully / Poeta: Drummond  / Quem vc gostaria que escrevesse sua biografia? Sei lá, duvido que algum dia escreverão minha biografia / Que personagem do seriado Sex and City mais se parece com você? Só vi um episódio da série / Por quem os sinos dobram? Ainda não li o livro / O que menos se parece com vc? Um dia chuvoso no inverno / Sua última resolução: Aprender a nadar / O que mais te atrai? Cheiro bom / Sentimento do dia: Fastio

Peguei dela.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

De mais ninguém

Eu tenho direito.

De cortar o cabelo, odiar o corte,  ainda assim amar o meu cabelo e ter paciência com a transição pela qual meu cabelo passa. Tenho direito de não falar mal do meu cabelo, de achar que ele é ótimo, como tudo que está no meu corpo.

Tenho direito.

De não fazer dieta, de não comer açúcar, de ser gorda, de não falar mal do meu corpo, de não me incomodar com o tamanho da minha bunda, de ter crises na frente do espelho, de achar que tudo que há em mim é bom. ( Se bem que eu queria ter olhos maiores e mãos menores, mas  tenho direito de querer alterar o que não pode ser alterado)

Tenho direito.

De sair na hora que quiser, com quem eu quiser , pra onde quiser. De pegar metrô, táxi, trem, ônibus, barca, avião e ir. Do jeito que eu quiser, se eu quiser, ainda que o céu esteja desabando, ainda que uma nevasca esteja pra chegar no Rio de Janeiro.

Tenho direito.

De dormir onde eu quiser, com quem eu quiser, quando eu quiser, como eu quiser.

Tenho direito.

De comprar livro velho, livro novo, livro, livro. De não comprar sapato, de não comprar roupa, de comprar as coisas erradas. De perder meu celular, de esquecer a chave, de ligar pra pedir ajuda, de cair e não quebrar o pé.

Tenho direito.

De ter os mesmos complexos há anos, de ter complexos novos, de só falar dos complexos no divã. Minhas maluquices são minhas, só minhas e de mais ninguém. Podem não ser maluquices elegantes ou publicáveis, mas são minhas e  tenho direito de mantê-las pelo tempo que eu quiser. Quando eu quiser, abandono as maluquices velhas e arranjo umas novas, só pra conservar a humanidade.

Tenho direito.

De não ter medo. De ter medo, mas viver mesmo assim. De ser não ser dócil, de ser meio marrenta, de dizer o que eu quero dizer. De nunca saber o que dizer.

Tenho direito.

De ter o meu tempo. E o meu tempo é mesmo outro; não é um tempo cronológico. Vou fazer 29, mas nem sempre me pareço com as outras que também vão fazer 29 e tá tudo bem. Tenho paciência e ninguém merece mais a minha paciência do que eu mesma. 

Tenho toda paciência do mundo.Me dou o direito de ter toda paciência do mundo. 

Me dou o direito de ir aos poucos, como pode, como dá.

Me dou o direito de não ser feliz o tempo todo.

Me dou o direito de sentir o peso da tristeza, de sentir o peso do cansaço na testa.

Eu simplesmente me dou o direito.

E ninguém tem nada com isso. E ninguém devia se preocupar com os meus direitos  além de mim mesma, porque, ó, sou gente como todo mundo é gente.  E a gente é bem mais feliz quando cuida bem da própria vida - só da nossa e de mais ninguém.