segunda-feira, 10 de junho de 2013

Brincando de Resenhar: Fim de Caso.

Eu não escrevo em livros. Não uso lápis, não uso marca-texto,  não uso caneta. Não escrevo em livros,porque interfere nas minhas releituras, porque nunca tenho um lápis por perto, porque gosto de páginas limpinhas. E o que faço com os trechos que não quero esquecer? Finjo que vou decorar, mas claro que não decoro. Me contento com a inexatidão da minha memória. Se preciso citar aquele trecho lindo do livro que amo, fecho os olhos, peço perdão mentalmente ao autor e reinvento descaradamente aquilo que li. E eu bem acho que a memória de qualquer leitora encantada é sempre um bônus.

Mas não é  sobre  meus hábitos de leitura  que quero falar. Falei que não escrevo em livros, para falar do livro que me fez pegar o lápis e, com muita leveza, sublinhar parágrafos inteiros. Não pude resistir, era mais forte que eu. Graham Greene é um escritor tão extraordinário que  eu  li trechos de Fim de Caso em voz semialta no ônibus, deliciada. E depois tracei uma linha suave - e perfeitamente apagável- sobre aquelas palavras lindas. Houve parágrafos que não só foram sublinhados como também ganharam um pequena inscrição no cantinho da página: lindo! Assim: com ponto de exclamação.



Um dia, abri o livro no meio da aula, enquanto meus alunos do Ensino Médio faziam exercícios. Eu não deveria abrir livros na sala de aula enquanto os alunos fazem exercícios, mas é que eu precisava terminar o capítulo... e os alunos tavam miraculosamente quietos e ... sentei na minha cadeira, pus o livro na mesa e li. Claro que meu gesto não passou despercebido. Alguém veio perguntar o que eu estava lendo, aí eu achei que a turma toda deveria saber que eu tava acompanhando o relato de Maurice Bendrix sobre ciúme, traição e amor. Bendrix tem um amigo, Miles, que não é exatamente um amigo: Miles é um burocrata inglês cuja vida e comportamento servem de material pro trabalho de Bendrix. Pois bem, esse amigo que não é amigo pede de um modo muito peculiar que Bendrix faça aquilo que ele não tem coragem: contratar um de detetive pra seguir a esposa dele, a Sarah. Bem, na verdade, na verdade, Miles não pede nada ao Bendrix. A coisa toda é descrita de um modo que é preciso ler o livro pra entender. Porque Fim de Caso é um livro de sutilezas - sutilezas essas perfeitamente engendradas pelo domínio que o Graham tem de seu texto. Temos Bendrix e Miles e sua relação complexa. Temos Sarah, que merece, no relato de Bendrix, alguns dos trechos e imagens mais bonitos que já li. Temos o diário de Sarah, que me faz sentir pena, raiva, indignação, tudo ao mesmo tempo.Temos o detetive, que ensina as manhas da profissão ao seu filho pequeno... Estou dizendo a vocês o mesmo que disse aos meus alunos, e eles acharam que o livro deve ser eletrizante porque eu não conseguia desgrudar dele. Bem, eletrizante não é bem a palavra.

Fim de Caso é um livro simples, fala dos mais batidos dos temas - traição e ciúme - e , sobretudo,  é um livro escrito extraordinariamente. Daqueles livros que você vai lendo e, quando menos espera, se depara com a beleza; beleza que não depende de imagens rebuscadas, de adjetivos pesados. O texto é simples, fluido e tocante. De você ler e sentir uma pontadinha no peito.Tão bonito que o meu exemplar tá todinho rabiscado. A escrita do Greene não merece ser desgatada pela minha memória.


P.S.: eu vi o filme há muuuuuito tempo e me lembro de chorar, chorar, chorar. E também suspirar, suspirar, suspirar pela mulher mais linda do mundo, Julianne Moore, e pelo Ralph Fiennes. O filme é bom.

P.S.2: vocês já conhecem meu discurso de que sou uma péssima "resenhadora", mas mesmo assim me deixem repeti-lo. Acho dificílimo falar de livro. Não sei dar uma opinião objetiva. Só sei dizer que é lindo, então é isso, pra resumir: é um livro lindo. hihihi

Eu queria ter feito um post assim: post do blog Não Leia sobre o livro.

9 comentários:

Deise Luz disse...

Ai, sem querer ser indelicada com o outro blog, mas mil vezes mais a sua resenha. Do outro texto eu desisti no primeiro parágrafo. Já os seus textos são sempre gostosos de ler.

E pronto, Fim de Caso entrou pra minha lista de leitura :)

Raphaella disse...

Eu também desisti do outro no comecinho... e li o seu até o fim! hehe
Nada melhor pra um livro lindo que um texto lindo :]
(não sei se lerei por enquanto, mas a sugestão tá anotada)

Juliana disse...

ah, meninas, eu adorei o post que linkei. Gostei mesmo.Depois cês dão uma outra lidinha lá.

Eu tenho a maior dificuldade pra falar objetivamente de livros. tinha tanto mais que eu gostaria de falar sobre o livro.

Minha vontade era mesmo colocar milhões de trechos aqui,mas ia dar muuuuito trabalho.

Raphaella, não conheço seu gosto, mas o livro vale a pena. Deise, eu aposto minhas fichas em que você vai gostar um bocado de Fim de Caso.

Tati disse...

Amei a capa e amei o que você falou! Também só leio resenhas assim como as suas, que falem sobre a pessoa que leu o livro e não apenas sobre o livro. Se for para ler só sobre o livro eu leio a orelha :)
Vou atrás dele e assim que eu ler te falo o que achei!
Beijo enorme!
Tati

Cheshire cat disse...

Eu já disse que amo esse filme?

Ops, já. Umas 200 vezes. :)

Juliana disse...

eu gosto um bocado do filme tb, Paula. o livro é incrível, é muito bem escrito, muito.

Tina Lopes disse...

Meu deus eu amo esse livro, amo amo amo.

Palavras Vagabundas disse...

Para mim você acertou em cheio com sua resenha, o livro é lindo.
bjs
Jussara

Juliana disse...

obrigadinha, Ju!