domingo, 28 de julho de 2013

A gente vai, mas a gente volta

O Fina Flor e eu tamos numa crise de relacionamento. São muitos anos de convivência - quase 4 -; a relação tá desgastadinha. Eu ando achando que ele tá muito chato, feio, bobo e repetitivo, e sei que não estou sendo muito justa nesse julgamento. Pobre Fina Flor! Por isso, nós vamos dar um tempo. Não sei quanto tempo. Do jeito que sou volúvel, pode ser um tempo de uma semana, de um mês ou de um século. Não sei. Só sei que a gente volta, porque ainda há amor entre nós.

Vocês aí, não se esqueçam de nós, hein! Qualquer  novidade me mandem um e-mail, falem comigo no twitter, façam um sinal de fumaça.


Até mais!



sábado, 27 de julho de 2013

Diário de viagem



Era um pote com um molho vermelho, colocado ao lado das massas e do queijo parmesão ralado. Enchi duas colheres com o molho e derramei sobre meu  prato.  Um molho vermelho ao lado de lasanhas só pode ser molho de tomate, certo? Errado. Era molho de pimenta - pimenta malagueta. 

Foi uma experiência difícil.

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Estávamos descendo a Brigadeiro Luís Antônio em direção ao Ibirapuera - descíamos pelo lado errado, mas ainda não sabíamos disso. De repente, não mais que de repente, um rapaz parado na calçada anunciou que algodão doce estava sendo distribuído de graça.  Eu não como algodão doce, mas meus amigos comem, então fomos lá pra pequena fila formada por adultos encasacados.  Um frio danado, um céu cinza, tanto asfalto e concreto e, de repente,  algodão doce.

Achei poético.

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Eu sempre durmo mal fora de casa - o que não me impede de dormir fora de casa, no entanto.  Dormir  naqueles colchões infláveis é o grau máximo de desconforto que suporto. Há quem diga que sou uma dondoquinha - não concordo nem discordo. Se não há escolha, durmo no colchão inflável, mas já me deito certa de que será uma noite ruim. Dessa vez, havia um frio inacreditável pra dar mais emoção à empreitada. Dormi de casaco, calça, pantufa  e mais um edredon e um cobertor. 

Na primeira noite, senti tanto frio que minha cabeça doeu.
Na segunda noite, tive pesadelos, acordei com falta de ar.
Na terceira noite, tive um pesadelo envolvendo todos os meus fantasmas, TODOS mesmo.

Não foi legal.



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Paulo Victor e eu costumamos brincar de ver quem consegue ficar mais tempo embaixo d´água.  A sensação é sempre a mesma: o ar vai acabando, uma coisa avoluma no peito, uma pressãozinha na cabeça, aí você destampa o nariz e tira a cabeça da água. É divertido. Daí que na segunda noite, acordei com essa mesma sensação e não foi divertido. Foi meio assustador, porque minha cabeça não estava submersa. Eu nunca tinha sentido falta de ar na vida. 

Sempre acho difícil respirar em São Paulo. O ar entra pelo nariz e sai detonando tudo. Minha garganta nunca sobrevive.


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A gente se guiou pelo mapa e se deu mal. Aí o Fabrício pediu informação prum moço que deu meia volta e nos levou até o ponto certo. Eu sempre estranho a gentileza dos traseuntes paulistanos.

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Comi novamente a pizza fantástica.
Compramos a tangerina e a frua do conde mais cara do mundo só porque esbarramos com um excelente vendedor.

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Não tenho senso de direção, portanto não entro em discussões sobre que caminho seguir.
Não tenho paciência pra organizar dinheiro, portanto só empresto dinheiro pra quem não vai me enrolar.


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Se não houver amor e querer bem, não há convivência. Eu já devia ter aprendido essa lição. Agora, aprendi.

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Tudo fica mais fácil quando se tem um amigo que dirige por horas sem reclamar, quando se tem uma amiga que sabe enrolar lenços e cachecóis no teu pescoço, quando se tem uma amiga que liga, diz " Vamos!" e já planejou tudo.


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As fotos que a Silvana tirou:






















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quinta-feira, 18 de julho de 2013

Rita, a lua e o planeta

Ontem foi um dia de encontros. Encontrei  com a Rita, a Lua e Saturno. 

O primeiro encontro foi previamente combinado: Rita está no Rio, com a família; aí aproveitamos o ensejo, para nos vermos de pertinho. Saí do trabalho, coloquei de lado toda a timidez que toma conta de mim nessas situações ( vocês, pessoas da internet, me intimidam!) e fui lá pro Planetário da Gávea. A tarde tava bonita, minhas férias tinham acabado de começar, o trânsito tava bom, mas, apesar disso tudo, eu tava um pouquinho nervosa. Toda vez  que encontro alguém que conheço na internet,  penso as mesmas coisas: e se eu me sentir deslocada? E se não houver nada pra falar? E se a pessoa olhar pra minha cara e disser " Ah, tu é muito sem graça pessoalmente. Tchau!"? Delírio, fantasia, exagero, eu sei, mas eu fico nervosinha.Me compreendam.

Aí eu cheguei no Planetário e, claro, corroborando o que aprendi nas experiências anteriores com as pessoas da internet,  Rita apareceu falante, animada, simpaticíssima, calorosa, e todo o nervosinho se dissipou. E ainda veio acompanhada do marido tão simpático quanto ela e duas crianças absolutamente fofas. Quem lê o blog da Rita meio que já é automaticamente fã de Arthur e Amanda, mas, olha, a fofice e a graça desses dois, vistas de pertinho, são insuperáveis. Caí de amores! Agora, vou ler o Estrada Anil, ouvindo a voz da Rita. E é uma delícia esse movimento de conhecer alguém através dos textos da pessoas, depois conhecer pessoalmente e dar um novo significado aos novos textos, porque agora você conhece um pouco dos gestos, da personalidade, da vibração. O Estrada Anil, a partir de agora, terá ares  ainda mais solares pra mim. 

Mas, ô, Ju, e que papo é esse de encontrar a Lua e Saturno? É que, graças a uma conjunção dos astros,  Arthur precisou ir ao banheiro e no caminho até lá o marido da Rita, o Ulisses, descobriu uma sessão de observação do céu. Fomos nós pro terraço do Planetário, encaramos duas filas lotadas de crianças animadas e por fim vimos a Lua e Saturno, através do telescópio. Gente! É o máximo! Você entra numa construção parecida com um iglu de concreto, lá dentro está o telescópio - um coisa moderna controlada por controle remoto. Amanda foi a primeira de nós a usar a lente do telescópio e expressou com perfeição  o que a gente sente ao ver as crateras da lua: "Noooooossa!".  Ela disse ter visto até a pegada de Neil Armstrong.  Bem, eu só vi as crateras e uma luz linda - e aprendi que a lua é pequena, tem a extensão territorial do  Brasil... quer dizer, foi isso que entendi. E Saturno, Ju? Ah, Saturno é menos legal que a lua. Eu vi os anéis, vi as luas, mas fiquei com a impressão de que Saturno, visto do telescópio, parece um daqueles planetinhas de videogame antigo. Sou #TeamLua.

Resumo da ópera: eu só leio blogs legais, cujos autores são ainda mais legais.

P.S.:  A observação do céu só acontece às quartas-feiras, entre 18h30 e 19h30. Demos muita sorte.

domingo, 14 de julho de 2013

Eu nunca ...

... comi maçã do amor.  
(nem quero!)
... tomei vinho branco.  
 (é bom?)
... pintei o cabelo.  
(mas a coisa que mais me perguntam é se pintei o cabelo)
... estive no nordeste.  
(aceito convites!)
... colei em prova.  
(também não percebo quando os alunos colam)
... pintei as unhas dos pés de vermelho.  
(nem sei por quê.)
... senti dor de dente. 
(dizem que tenho sorte.)
... estive em outro país. 
(também aceito convites)
... terminei um livro da Virginia Woolf. 
(já tentei vários, ainda não deu.)
... consigo controlar o volume da minha voz. 
(morro de vergonha do quanto falo alto)
... sei a diferença entre "after" e " before". 
(não há macete que dê jeito)
... coloco o celular pra carregar.
 (primeiro tenho que achar o carregador)
... sei a data de hoje.
 (nem de ontem, nem de amanhã, nem de anteontem)
... atravesso a rua se o sinal não estiver fechado. 
(mas vem alguém e me obriga a atravessar)
... dirigi carro.
 (morro de medo)
... aprendi a fazer contas de dividir cujo divisor é um número com vírgula.
 (um trauma, uma dificuldade)
... entrei no mar no Leblon.
 (uma constatação apenas)
... fiz feijão. 
( podem me julgar)
... fui a uma sinagoga.
 (vejam só!)
... li Monteiro Lobato.
 (nem tenho vontade, viu!)
... uso meus óculos.
( odeio, odeio, odeio)
... atendo números desconhecidos que ligam pro meu celular.
( não mesmo!)
... vi um filme do John Wayne.
(minha mãe adora!)
... fui a um reumatologista.
( mas já fui ao hematologista, ao endocrinologista, ao psiquiatra, ao pediatra, ao alergista, ao...)
... entendo o extrato do banco.
(nem sei usar cheque, nem sei qual é a melhor data pra comprar com cartão de crédito)
... reconheço o toque do meu celular.
( tenho toda uma problemática com celular, né?)
... comi lagosta.
( nem quero!)
... vi estrela cadente.
( puxa!)
... acho que vou sobreviver à aterrissagem do avião.
( morro de medo que o avião se espatife no chão. Pá!)
... andei de ambulância.
( que bom, né?)
... virei o jogo do Mário no Super Nintendo. 
( sou desse tempo aí)
... doei sangue.
( que vergonha!)
... vi Game of Thrones.
( tenho o livro, mas ainda não li)
... tive piolho.
( meu sangue deve ser ruim)

sábado, 13 de julho de 2013


A aluna  me chama no bate-papo no facebook e diz que não acredita que eu saí da escola.  Digo pra ela que eu também  não acredito ainda.

E começo a chorar.

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Tava falando pra Silvana que minha vida tá parecendo aqueles brinquedos de parque que giram, giram, giram. Você tenta não ficar zonza, tenta focar num ponto qualquer, mas são tentativas inúteis. A graça do brinquedo é justamente  te fazer perder o eixo.

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Eu tava na van,  ouvindo a playlist da semana no celular. Aquele tinha sido um dia mais calmo. Minha cabeça tava mais ajeitada. Eu tinha voltado a ser sensata. Daí sinto um baque forte no pescoço, uma chuvinha de caquinhos de vidros escorrega pelas minhas costas, ouço minha voz gritando bem longe.  Um ônibus bateu na traseira da van. Ninguém se machucou, não houve briga, as coisas se ajeitaram. Mas o susto... Que susto! Você tá lá deslizando tranquila pela estrada, cantarolando com o Luiz Melodia e ... Paf! 

Ainda não consigo descobrir  um jeito de descrever aquele momento em que meu corpo foi jogado pra frente, sob a pressão do impacto. Senti como se estivesse prestes a ser esmagada.

Detalhe:  vans nunca passam vazia àquela hora. Todo mundo que entrou na van tava surpresíssimo de que uma van estivesse dando bobeira na pista lateral da Avenida Brasil às 5 da tarde.

Outro detalhe: tava aqui escrevendo e me dei conta de que não falei da batida pra minha mãe. Esqueci. Falei agora  e ela tem certeza que minha dor na garganta tem a ver com o acidente.

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Minha atual foto do facebook foi tirada na minha festa surpresa. Estou com chapéu de bruxa, cachecol com as cores da Grifinória e óculos de Harry Potter. A foto anterior foi tirada por Paulo Victor assim que  cheguei do desfile da Mangueira. Coloquei o chapéu da fantasia pra todo mundo ver, e Paulo Victor foi lá e tirou a foto. Não são fotos sérias, claro, mas são bonitas. Não dizem que a gente tem que botar foto bonita no perfil do face? A minha é bonita.

Aí um coleguinha me disse que preciso colocar uma foto mais séria no perfil, que é importante ter uma foto legal no perfil do face. Eu disse pra ele que da próxima vez coloco a 3x4 da minha identidade. Seriíssima.

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Eu tô em processo de transição; saindo do confortável pro novo. Mudando de espaço. Aí eu achei o espaço novo todo feio e estranho. Falei pra todo mundo que o espaço novo era péssimo. Aí a Sueli disse assim:
" As paredes são de tijolinhos vermelhos? Nossa, iguais às paredes da nossa escola."

A escola em que estudei no Ensino Médio é toda feita de tijolinhos vermelhos, grades e foi um dos lugares que mais amei.  As salas tinham uma iluminação ruim, o chão era escuro, tudo bem escuro, mas  um monte de gente foi bem feliz lá, inclusive eu. Essa escola escura e de tijolinhos vermelhos me deu muita coisa boa, inclusive as melhores amizades.

Resolvi dar uma chance ao novo prédio de tijolinhos vermelhos.

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Uma vez, o André me disse uma coisa que não esqueci. Ele tava participando de um processo seletivo e tinha contado pros amigos todos. Eu estranhei. Eu sou do tipo que só fala das coisas quando elas tão certíssimas. Perguntei pro André se ele não achava ruim que tanta gente soubesse do processo; essas pessoas ficariam decepcionadas se ele fracassasse.

E ele respondeu: -Se eu fracassar, pelo menos vai ter um monte de gente pra me consolar; é uma rede de apoio.

E não é que é mesmo assim? 

Sozinha, tudo fica mais maluco.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Passei todo o dia pensando que eu deveria escrever, que eu precisava escrever, que eu queria escrever. Estive no ônibus, na sala dos professores, no banho, escrevendo mentalmente o post perfeito pra esse momento. Porque hoje é um dia que eu queria registrar; eu não quero esquecer que hoje eu chorei de soluçar na praça de alimentação do shopping. Eu tava triste, mas não queria chorar. Aí tocou uma música e eu desabei. Chorei porque é muito difícil dizer adeus, ir embora, fazer escolhas.

Escolher é uma merda. Porque, ainda que você passe três meses na terapia só falando das suas opções, ainda que você tenha certeza absoluta de que quer aquilo e não isto, ainda que você suponha que não criou vínculo nenhum, é foda. Chega o momento em que nada te prende mais àquilo que você deixou pra trás. Eu já deixei muita coisa pra trás. Já saltei fora, sem piedade, sem pesar, de situações que não me agradavam, que exigiam de mim aquilo que não posso dar. Mas hoje, pela primeira vez, eu me desvinculei de vez de algo que eu amava. Não trabalho mais no lugar mais legal em que trabalhei. Não sou mais professora do grupo de alunos mais legal que já tive. 

Eu escolhi sair. Eu escolhi não estar mais lá. Eu escolhi e não me arrependo. Eu escolhi e sei bem  dos meus motivos. Eu escolhi. 

Mas não queria estar sentindo esse vazio. Por enquanto, não sei o que fazer com esse vazio.

***
Eu tava no shopping almoçando e tocou essa música:
Que sacanagem do acaso comigo! 

Aí eu entrei no facebook meia hora depois e esta citação foi a primeira coisa que apareceu:


Eu não vejo a menor graça no Pequeno Príncipe, mas, gente, abri o facebook e isso apareceu!


domingo, 7 de julho de 2013

Playlist


Pra suavizar, pra amenizar, pra sorrir no engarrafamento:

 Versão da LINDA da Céu pra Eu amo você, do Tim


Pra você eu digo sim, da Rita Lee
( essa música foi feita pra mim, sabe)

Minha Rainha, do Luiz Melodia

minha versão favorita de Dindi, com o Jamie ( amor da vida) Cullum

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Festa surpresa surpreendente

Tô com uma preguiça danada de escrever. Uma preguiça enooooorme mesmo. Olha. Mas eu queria contar que ganhei uma festa surpresa no domingo. Foi surpresa, surpresa mesmo. Não desconfiei de nada, nadinha. E agora todos têm a confirmação de que sou mesmo uma tonta. Houve mil pistas: sms enviado pra pessoa errada, prima fazendo pedidos estranhos, amigo fazendo drama repetino, gente querendo minha presença, uma suposta panela de salsicha pra cachorro- quente congelada há duas semanas. E eu, a ingênua, indo pra casa do amigo pra comer cachorro-quente congelado e talvez assistir ao jogo da seleção.

Cheguei lá e encontrei uma festa - não era qualquer festa. Era esta festa:

Com este bolo:



Quando digo que tenho os amigos mais legais, tô com a razão, né? Porque só pessoas muito legais planejam surpresa quando a gente tá com preguiça de fazer festa; só pessoas legais fazem festa temática, só pessoas legais vêm de longe pra festa, só pessoas legais não vêm pra festa mas participam dela de alguma forma, só pessoas legais te dão a chance de usar óculos do Harry Potter e chapéu de bruxo.

Eu usei o cachecol da Grifinória, gente!

Foi mágico.

P.S.: As más línguas vão dizer que passei o mês inteiro dizendo que não comemoraria o aniversário pra dar chance aos amigos de fazerem uma festa surpresa, mas ninguém deve acreditar nas más línguas.

Outro P.S.: Minha amiga Sueli fez o bolo e a decoração. Não ficaram legais?