sábado, 27 de julho de 2013

Diário de viagem



Era um pote com um molho vermelho, colocado ao lado das massas e do queijo parmesão ralado. Enchi duas colheres com o molho e derramei sobre meu  prato.  Um molho vermelho ao lado de lasanhas só pode ser molho de tomate, certo? Errado. Era molho de pimenta - pimenta malagueta. 

Foi uma experiência difícil.

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Estávamos descendo a Brigadeiro Luís Antônio em direção ao Ibirapuera - descíamos pelo lado errado, mas ainda não sabíamos disso. De repente, não mais que de repente, um rapaz parado na calçada anunciou que algodão doce estava sendo distribuído de graça.  Eu não como algodão doce, mas meus amigos comem, então fomos lá pra pequena fila formada por adultos encasacados.  Um frio danado, um céu cinza, tanto asfalto e concreto e, de repente,  algodão doce.

Achei poético.

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Eu sempre durmo mal fora de casa - o que não me impede de dormir fora de casa, no entanto.  Dormir  naqueles colchões infláveis é o grau máximo de desconforto que suporto. Há quem diga que sou uma dondoquinha - não concordo nem discordo. Se não há escolha, durmo no colchão inflável, mas já me deito certa de que será uma noite ruim. Dessa vez, havia um frio inacreditável pra dar mais emoção à empreitada. Dormi de casaco, calça, pantufa  e mais um edredon e um cobertor. 

Na primeira noite, senti tanto frio que minha cabeça doeu.
Na segunda noite, tive pesadelos, acordei com falta de ar.
Na terceira noite, tive um pesadelo envolvendo todos os meus fantasmas, TODOS mesmo.

Não foi legal.



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Paulo Victor e eu costumamos brincar de ver quem consegue ficar mais tempo embaixo d´água.  A sensação é sempre a mesma: o ar vai acabando, uma coisa avoluma no peito, uma pressãozinha na cabeça, aí você destampa o nariz e tira a cabeça da água. É divertido. Daí que na segunda noite, acordei com essa mesma sensação e não foi divertido. Foi meio assustador, porque minha cabeça não estava submersa. Eu nunca tinha sentido falta de ar na vida. 

Sempre acho difícil respirar em São Paulo. O ar entra pelo nariz e sai detonando tudo. Minha garganta nunca sobrevive.


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A gente se guiou pelo mapa e se deu mal. Aí o Fabrício pediu informação prum moço que deu meia volta e nos levou até o ponto certo. Eu sempre estranho a gentileza dos traseuntes paulistanos.

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Comi novamente a pizza fantástica.
Compramos a tangerina e a frua do conde mais cara do mundo só porque esbarramos com um excelente vendedor.

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Não tenho senso de direção, portanto não entro em discussões sobre que caminho seguir.
Não tenho paciência pra organizar dinheiro, portanto só empresto dinheiro pra quem não vai me enrolar.


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Se não houver amor e querer bem, não há convivência. Eu já devia ter aprendido essa lição. Agora, aprendi.

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Tudo fica mais fácil quando se tem um amigo que dirige por horas sem reclamar, quando se tem uma amiga que sabe enrolar lenços e cachecóis no teu pescoço, quando se tem uma amiga que liga, diz " Vamos!" e já planejou tudo.


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As fotos que a Silvana tirou:






















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4 comentários:

Rita disse...

Delícia. Adorei as fotos. E imaginei vc sofrendo no frio, tadinha.... bj!

Rita disse...

Delícia. Adorei as fotos. E imaginei vc sofrendo no frio, tadinha.... bj!

Cheshire cat disse...

Ai que fotos lindas. Quem disse que não há beleza nesse cinza todo?

P.S.: Na próxima visita a São Paulo, façamos o favor de nos encontrarmos para tomar um café, ok?

Lia disse...

A Silvana manda bem. Lindas fotos :]