quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Bem perto

Estou apaixonada, muito apaixonada. Fazia tempo que não ficava tão apaixonada. Estou apaixonada por Cartas perto do Coração. André me deu esse livro no meu aniversário do ano passado, e eu simplesmente guardei na estante. Devo ter folheado um pouco, nenhuma química deve ter rolado entre o livro e eu, guardei. Daí que na terça eu queria alguma coisa pra ler, corri os olhos pela estante cheia de livros não lidos e pensei: por que não o Cartas? Não sei nada do Sabino, mas gosto da Clarice. Tive minha fase de tiete da Clarice. Ler as cartas que ela escreveu para seu grande amigo, o também escritor Fernando sabino, não seria nada mal nessa nova fase da minha vida, em que passo um tempão dentro do ônibus. 



Cartas é um livro muito querido pelo André -sei disso faz tempo-, Sabino é um escritor importante e tal,mas eu só fui ler Cartas por causa da Clarice.  Fiquei imaginando que a correspondência trocada por dois escritores poderia ser meio chatinha, meio pedante, porém tinha quase certeza de que as cartas da Clarice salvariam o livro. Conheço Clarice de suas crônicas deliciosas reunidas em A Descoberta do Mundo. Clarice que ama o Chico Buarque, Clarice que pensa e escreve doidices, Clarice que matou os peixes. Cartas da Clarice certamente serão legais de ler, pensei eu. Pois é, me enganei. Quer dizer, as cartas de Clarice são tão deliciosas quanto eu supus, no entanto fui surpreendia pelo o tanto de encantamento que as mensagens do Sabino foram  capazes de provocar. Eu já ri, já chorei, já sublinhei trechos inteiros, lendo  o Sabino. Sei lá por que estava esperando que o Sabino escrevesse cartas empoladas e bestinhas. Nada disso. Cartas perto do Coração foi escrito por Fernando e Clarice, pessoas físicas, gente de carne e osso, grandes amigos que querem bem um do outro. As cartas deles são iguaizinhas àqueles e-mails, sms, whatsapp que a gente manda  pros amigos no meio do dia. Clarice e Fernando falam de angústia, de tristeza, de rotina, de livros, de frivolidades, de alegrias. Dá vontade de ser amiga deles. 

Ainda não terminei o livro. Estou na página 102, faltam mais 100. Só não terminei ainda porque  tenho lido apenas no ônibus. Minha vontade era  devorar o livro todinho de uma vez, mas não dá. Então, eu vou lendo devagar,  tão devagar quanto o ônibus cruza a Avenida Brasil engarrafada. E entre uma página e outra, vou mandando whatsapp pro André dizendo que o livro é lindo,   que eu tô amando, nossa, que legal esse livro. Aí o André me responde: " Como  é que você ainda não tinha lido?!"

Pois é. Como é?

                                                                    <3 <3 <3


P.S. : Eu assino embaixo do que o Gabriel disse no blog dele: eu também copiaria o livro todo aqui.

Outro p.s. o título do livro faz referência ao MARAVILHOSO livro da Clarice, Perto do Coração Selvagem.

2 comentários:

Luciana Nepomuceno disse...

Eu <3 esse livro...

Cheshire cat disse...

Nunca gostei da Clarice. Implicância mesmo. Toda vez que tentei pensava em várias outras coisas que me interessavam mais e desistia. Sim, é uma falha de caráter mas terei que conviver com isso.

Já o Sabino, meu deos, é muito amor. Li as crônicas dele quando criança ainda, 11, 12 anos, numa coleção chamada "Para gostar de ler" (haha, funcionou)e gente. Só não amo mais que o Rubem Braga. Como eu disse lá no twitter, queria que o Sabino, o Rubem Braga e o Paulo Mendes Campos fossem meus tios de ir lá em casa no domingo fazer churrasco.