sábado, 17 de agosto de 2013

" Mas o engraçado é que não tendo absolutamente nada o que  dizer,  dá uma vontade enorme de dizer. O quê? Quando não tenho o que dizer, fico com vontade de " passar a limpo" tudo ou então de " apagar tudo" e recomeçar, recomeçar  não ter o que dizer. Ou então viro criança  minha vontade seria depender inteiramente de outra pessoa e esperar dela todos os ensinamentos. Ou então viro mãe e me preparo toda pra dizer grave: as coisas são assim e assim, meu filho. Preparo-me bem grave, tenho gesto maternal de começar a informar - e na hora de abrir a boca não tenho o que dizer, viro de novo ignorante  em vez de dizer o discurso, imploro: por favor, diga! E assim é que , por não ter absolutamente nada o que dizer, até livro já escrevi, e você também."

Trecho de Cartas perto do Coração, pág.115


Clarice e Sabino passam metade do tempo pedindo desculpas por não terem o que dizer, por não saberem dizer, por não dizerem o que querem dizer. Eu sofro do mesmíssimo mal.  Ler as cartas deles, então, me serve de consolo. A diferença entre mim e eles é que , por não saberem  que dizer, escrevem livros; eu só não digo nada, mesmo.

2 comentários:

Rute de Almeida disse...

Lembrei de "O que eu quero te dizer", que foi uma das coisas mais doces e lindas que li esse ano: http://docedeclinio.wordpress.com/2013/03/02/o-que-eu-quero-te-dizer/

Rita disse...

Anotadinho aqui.