segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Minha vó está internada há 5 dias em estado grave. Ela foi internada depois de um longo período de idas e vindas ao médico, de noites de muita dor, de dias muito estressantes pra ela e pra nós. Ela precisa estar no hospital, o médico dela - em quem a gente confia, um daqueles raros médicos que  trata paciente e família com humanidade - nos disse que é preciso, apesar dos protestos dela, apesar do nosso pavor.

Eu estou apavorada. Todos nós estamos.Minha cabeça dói de pavor. Eu não me lembro de ter sentido antes essa dor de cabeça dissociada de gripe. A têmpora dói tanto que me pego esfregando os dedos na cabeça sem perceber. Eu estou cansada, estamos todos cansados. Minha vó está cansada. E o que mais consome a gente nem é o risco da morte, o pior é esse limbo, essa incerteza, esse medo de atender o telefone, essa agonia estampada na cara dos meus parentes.

Eu queria poder sentar num canto qualquer silencioso e chorar até não poder mais. Mas eu não choro. Meus olhos tão secos. Junto com o medo, só sinto um vazio. Minha cabeça tá um vácuo. É como se eu  pressentisse a chegada de um vendaval. É como se eu  soubesse que em breve meus ombros vão rachar.

E não há nada que possa fazer.

Tá difícil, tá puxado.

8 comentários:

Júuh . disse...

E eu queria poder te dizer coisas que te deixassem mais forte ou ao menos que você pudesse me passar um pouco desse peso pra eu te ajudar a carregar. Passei por isso por 1 ano e meio (que parecia ser um limbo eterno), meu pai não conseguiu vencer o câncer no auge dos seus 45 anos. Presenciei todo o seu sofrimento e seu último suspiro de vida. Foram dias agonizantes pra mim, minha mãe e irmã. Junto com toda família.

Enfim, de tudo, só te desejo força e que Deus esteja com a sua família, fortalecendo vcs nessas horas angustiantes. E que Ele esteja cuidando da sua vózinha e faça o melhor pra ela e por ela!

Força Ju, força!
Beijo grande :*

Anália disse...

Muita força. Tente viver um dai após o outro.
Beijo grande,
Anália

Luciana Nepomuceno disse...

querida,

eu não sei o que dizer, queria ser um abraço, colo, qualquer coisa pra aliviar seu cansaço, suas dúvidas, sua dor. Viver é doer, a gente quase esquece, aí vem a vida e nos atropela. Tô aqui, viu?

Rita disse...

Querida, a vida tem disso, né. Eu não faço ideia se posso dizer qualquer coisa que tenha a mínima chance de te dar um afago. Só posso dizer que me lembro de que nos píores momentos de minha vida, apesar da solidão da dor (intransferível), eu me sentia acolhida e amada por quem me dava carinho. Então saiba que gosto muito de você e mando daqui toda minha torcida para que você se sinta assim também, pelo menos.

Boa sorte, querida. Força aí.

Felipe Fagundes disse...

._.

Tati disse...

Ju, são palavras tão doloridas que só consigo pensar em te abraçar. Um beijo enorme e saiba que estou pensando em você!

Cheshire cat disse...

Ju, passei por isso com meu pai e hoje, quase 20 anos depois, ainda me pergunto - como é que eu aguentei? Aguentei porque a vida não dá pra gente um fardo maior do que o que a gente consegue carregar. Somos fortes e nem sabemos.
Um abraço e muita força aí pra você.

Rute de Almeida disse...

Ju, se eu pudesse, tiraria todo o peso do seu ombro, só pra ouvir sua gargalhada gostosa.

Hold on. ♥