sábado, 28 de dezembro de 2013

4 anos



Hoje o Fina Flor completa 4 anos. A gente pisca, e o tempo passa voando. Não parece que o blog existe há tanto tempo. Considerando minha enorme capacidade de largar tudo pela metade, é quase um milagre que nós ainda estejamos aqui, com mais ou menos regularidade, mas sempre aqui - e eu adoro estar.O Fina Flor trouxe pra perto pessoas com as quais, provavelmente, eu nunca esbarraria. Me permite jogar conversa fora. Guarda nas suas linhas o que vai sumindo da minha memória -acho que todo mundo que tem um blog diarinho quer simplesmente não esquecer. Mas a coisa mais legal sobre o Fina Flor é que ele vai, de post em post, contando pra mim mesma um pouco de mim. O Fina Flor é o meu exercício involuntário de doçura. Minha amiga Sueli me disse uma vez que há um lado meu que não aparece no blog, e ela tem razão. Eu diria que o que aparece nas palavras delicadas do Fina Flor não costuma aparecer na vida; não porque eu faça escolhas mais duras de propósito, mas porque o blog foi me revelando essas delicadezas.  

O Fina Flor é também a minha conversa fiada, é o meu bate-papo demorado no telefone, é o meu contar pra todo mundo sobre aquele livro, é o meu observar as espuminhas que se formam nas ondas do mar, é a janelinha onde me debruço e olho um cantinho do mundo. Faz quatro  anos que me posiciono aqui no peitoril e aceno pra vocês.Que bom que vocês acenam de volta, entram pra tomar um capuccino  imaginário e se fazem em casa!

Voltem sempre!

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Cinco livros que amei ler esse ano e ...

 ... um  perfeitamente dispensável.


A ordem dos livros obedece ao critério "conforme fui lembrando".


1-  Cartas perto coração, do Sabino e da Clarice.

Escrevi sobre o meu processo de leitura aqui e aqui. Amei, amei, amei esse livro.




2- Fim de caso, do Graham Greene.


Livro incrível, incrível, incrível. Entrou  pra lista dos favoritos da vida toda. Também escrevi sobre ele aqui.



3- Como eu era antes de você, da Jojo Moyes.



Não sou muito fã de livros melosinhos, mas esse é uma delicinha. Nesse livro, a gente fica sabendo como  a Lou, uma moça fofa  que leva uma vidinha morna, conhece o Will, um cara legal que se esforça pra não parecer tão legal.

Uma delicinha de ler.

4- Pergunte ao Pó, do John Fante.


 Apena que: John Fante é um craque.

5- A resposta, da  Kathryne Stockett



Apenas que: <3 <3 <3 <3 <3<3 <3 <3 <3 <3<3 <3 <3 <3 <3<3 <3 <3 <3 <3<3 <3 <3 <3 <3

Falei dele aqui.

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Não precisava. Bridget não merecia mais do mesmo.  Ainda adoro a Bridget, mas passaria muito bem sem esse novo livro.




quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Fina Flor Noel

Sorteio feito, galerinha!



O nome da pessoa sorteada aparece em 2:09.

Pessoa sorteada, já tô cheia de ideias de presentes pra vocês.


Feliz Natal!


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O blog da pessoa sorteada é esse aqui.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Acabouuuuu

Fériaaaaaaaaaaaaaaaaaaasssss!

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Chegou ao fim o ano letivo mais hardcore. Comecei trabalhando em 2 escolas. A tradicional desorganização do meu antigo empregador me levou a trabalhar em 5 escolas em abril. Também em abril, tive que tomar decisões. Em junho, dois dias antes do meu aniversário, mudei tudo. Agosto foi mês de adaptação. Setembro exigiu um equilíbrio que não eu  imaginava que teria. Outubro foi triste. Novembro se arrastou. Dezembro testou os limites. 

No dia 19, ACABOU.

2013 foi extenuante, mas resgatou o meu prazer de estar na escola. 

De tudo que vivi profissionalmente esse ano, sempre me lembro de uma coisinha que ouvi com meus ouvidos biônicos de professora. Não foi dito pra que eu ouvisse, mas eu ouvi - a gente sempre ouve. Eu tinha acabado de explicar crase na turma mais irritante e mais legal que conheci. Tavam lá os adolescentes com aquelas caras de quem ainda não sabe bem o que entendeu; no meio deles, uma das meninas que jamais deu confiança pro meu jeito meio simpático/meio irônico virou pra colega e disse no que era pra ser um sussurro:
- Cara, eu nunca tinha entendido pra que serve crase!

Ganhei meu ano ali. De verdade, sem demagogia. A gente se estressa, fica puta, quer arrancar o fígado dessa juventude preguiçosa e displicente - ninguém reclama mais que eu. Aí você percebe que alguém prestou atenção no que você disse e, daquele dia em diante ( pelo menos por um tempo), vai parar e analisar se o acento grave é necessário. Não é legal?


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Notebook consertando.

Carregador do celular sumido.

Flash da câmera se recusando a funcionar.

Correria pra comprar presentinhos.



Eu tinha marcado o sorteio pro dia 21, né, então, diante da revolta dos  meus aparelhos eletrônicos só me resta adiar. Assim que meu notebook voltar pra casa, eu faço o sorteio.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Fomos pra praia mais distante em busca do pôr do sol. Havia mais nuvens que sol, o céu estava fosco. Não houve pôr do sol visível, mas ganhamos uma festa de presente. Com os pés na água, espiamos o casamento que acontecia logo adiante. Vimos os padrinhos jogarem o noivo pro alto, vimos as daminhas correndo fofas, vimos os noivos e sua primeira dança. O vestido da noiva girava leve e suave. Confesso: sou uma romântica no que diz respeito a casamentos.

Não estivemos na festa nem tivemos pôr do sol, mas ficamos ali, ouvindo e cantarolando as músicas bonitas, a praia só pra nós, o céu anoitecendo com aquele azul nublado. Estávamos cansados da semana e da vidinha, mas naquela noite fomos alegres, exatamente como os convidados daquele casamento deviam estar.

Uma noite de trégua. 

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Os noivos dançaram ao som dessa lindeza:







Eu nem sou fã do Milton, mas, jesus...



segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Eu tava chata, chatíssima. Sei que é difícil imaginar alguém tão maravilhosa como eu tendo uma crise de chatice, mas olha... Quando fico chata assim, tudo me incomoda, reclamo, choramingo, fico ainda mais indelicada. Há de se ter paciência; eu mesma preciso ter autopaciência. Daí que eu peguei trânsito, vi uma moça morta na estrada, senti um calor desgraçado, meu estômago não tava bom, esqueci a roupa de dormir em casa, descobri que a cama era pequena demais, o chinelo não cabia no meu pé.Tudo isso mais a semana pesada resultou num enjoo de pessoa.

Eu não queria entrar no mar gelado, não queria ficar com  o pé cheio de areia, não queria colocar o maiô - e vejam bem, eu não sou assim, não mesmo.  Mas a gente não vai pra praia pra ficar de frescura,né? Então, coloquei meu chapéu novo lindo, me armei de boa vontade e fui. O sol tava ameno e gostosinho. A água clarinha veio lamber meu pé, decidindo por mim que era hora de deixar aquele guarda-sol pra lá. Me levantei cautelosa, medi cada passo, estremeci cada vez que as ondas me alcançavam. As sereias e os peixes deviam estar se perguntando o que tinha acontecido com aquela Juliana que nunca teve medo de água fria.  Um, dois, três, entrei. De uma vez, sem hesitações que é pra não perder a coragem. O mar me recebeu generoso, como sempre. Meu corpo reagiu feliz. 

Acho que agora dá pra aguentar até o fim da semana.

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Faltam 5 dias pras férias.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Eu tenho medo de esquecer ,todo meu esforço está direcionado pra não esquecer. Mas ainda assim me distraio e me pego quase acostumada com o fato de que ela não está. Quase. Me acostumar de verdade seria como negar que ela existiu. Às vezes, a imagem do rosto dela e das flores no caixão salta diante dos meus olhos. Tantas vezes eu brinquei sobre a  morte dela, dizia que usaria todas as roupas e bibelôs guardados. Quando mais menina, eu tinha sonhos frequentes em que chorava muito depois do enterro. Hoje, eu preciso espremer a memória pra me lembrar que não são dela os passos que cruzam o quintal. Olho pras fotos dela e não sinto nada. As fotos me fazem esquecer que houve uma morte. Nas fotos, ainda vejo vida.

Ainda olho pra escadas e penso em como seria cansativo pra ela subir. Ponho os copos nos mesmos lugares em que sempre estiveram. Nunca usei nenhuma de suas toalhas. Quando eu dizia que gastaria todas as moedas do cofrinho, ainda não sabia nada sobre a morte!

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Dias desses, entrei na sala de aula e encontrei os alunos do sexto ano escandalizados. 
- Tia, olhaaaaa o que desenharam no quadro.

 Alguém do turno da noite tinha feito uma daquelas representações bem infantis de um pênis. Sabem aquele desenho com as duas bolinhas e tal, então. Fiquei desconcertada por uns dois segundos e logo fui caçar o apagador na mochila. E os alunos de 11,12 anos absolutamente escandalizados tentando me convencer que aquele desenho era a coisa mais chocante do mundo. Eu ainda tentei me fazer um pouco de boba, mas nem deu. O desenhista fez questão de nomear sua obra com letras garrafais.


Em meio ao debate acalorado entre os alunos, comecei a apagar o quadro. Quando eu estava na metade do desenho, uma menina- uma doçurinha de menina- falou:
- Que que tem o desenho, gente? É só um peixe.


Um peixe. Tive que apertar os lábios pra não gargalhar.

A ingenuidade é uma coisa fofa.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Os bebês não são muito diferentes uns dos outros, mas você acha que aquele seu bebê ( no meu caso, nem é meu) é a melhor e maior novidade na Terra desde a invenção da roda. É que você nunca ouviu aquela vozinha antes, nunca ouviu aquela risadinha antes. Se você pensar direito, seu bebê está fazendo aquilo que a humanidade faz desde sempre- andar e falar -, mas não importa: tudo naquela criança é novo, aquela criança é o próprio mundo reinventado.

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Dia desses, cheguei na casa de Vinícius e fui recebida por seu convite animado: - Enta! Enta!
Daí me pegou pela mão, me levou até o sofá e bateu vezes seguida no assento. Era pra eu entrar e sentar. Entrei e sentei. Então, Vinicinho me deu um de seus carrinhos e voltou lá pra sua brincadeira.
Um perfeito anfitrião. Me ofereceu o que tinha de melhor em casa, um carrinho sujo de sei lá o quê.

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Num outro dia desses, tava jogando no celular, quando ouvi Vinícius dizer:
- Ania! Ania! Ania!
Levei um tempo pra perceber que a Ania em questão era eu.  As pessoas costumam arranjar muitos modos de reduzir meu nome, mas Ania é uma novidade. Ele aprende a língua e reinventa meu nome.

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Minha vó não gostava muito de ser chamada de bisavó. Dizia que Bisa era coisa pra gente muito velha. Então,ela falava: " Dá um beijo na vovó, Vini! Senta aqui com a vovó, pretinho!" Ela falava vovó; nós falávamos bisa. Minha vó morreu antes que Vinícius soubesse falar qualquer uma dessas palavras.

Daí que estava ele olhando as fotos no meu celular- o moleque adora fotos e touch screen-, quando parou numa foto que não conhecia: minha vó no hospital, no último dia em que a vi. Vini apontou o dedinho pro celular e disse:
- Bisa!
- O que foi que você disse? 
- Bisa!
Meu coração deu um saltinho. De todas as coisas tristes sobre a morte, o esquecimento é uma delas  - talvez a pior. Todos os dias me vejo num embate entre esquecer e lembrar. A ausência da minha vó já é mais forte que sua presença. Todos os dias, ela vai morrendo mais e mais, e esse desaparecimento contínuo é o que mais dói. Ela não vai estar aqui no Natal, Vinícius não vai comer as rabanadas que ela fazia, Vinícius não vai ouvir a voz da minha vó. Vinícius vai ser gente grande nesse mundo em que minha vó não está. Enquanto ele vai crescendo, ela vai desaparecendo.

Mas aí acontece de esse bebê que está aprendendo o mundo olhar a foto da minha vó e dar a ela o nome certo.  Meu coração dá saltinhos sempre que me lembro.  Minha vó morta existe nesse mundo que a Vinícius inventa enquanto aprende português. 
Eu fiz planos de alegria pra hoje, mas  termino o dia triste. Levo mais tempo que todo mundo pra perceber que os encantos acabam. E detesto o que é feito só pra cumprir agenda. Detesto relações protocolares.

Não sei - e nem quero aprender- estar pela metade. A gente já  tem que aturar tanta chatice na vida, engolir sapos, conviver tempo demais com quem não importa, por isso eu prefiro o afeto e a inteireza. Eu prefiro os abraços inteiros, prefiro o aconchego. Porque, de superficiais e mornas, me bastam as horas perdidas no trânsito.

Eu pensei que o post de hoje seria alegre. Eu preferia que fosse. Tava acostumada com a alegria.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Presentinhos

Dezembro, gente! Dezembro! 
(Pausa pra todos aqueles comentários sobre a passagem meteórica do ano)

Dezembro é mês de natal,  de ano-novo e de presente no Fina Flor. Mais uma vez vou me oferecer para o cargo de ajudante do Papai Noel e 

vou enviar um presente pra uma das pessoas que lê o Fina Flor



Quem esteve por aqui ano passado, vai se lembrar que o sorteio do ano passado foi um sucesso, o Felipe e a Lílian ganharam presentinhos e fomos todos felizes. Por isso, vou repetir o método de sorteio e de escolha do presente: eu faço sorteio, eu escolho o presente. À pessoa sorteada, caberá a tarefa mais legal: escolher alguém para ganhar um presente também. Serão dois presentados: o/a sorteado/a e a pessoa que ela/ele escolher.Ai, Juuuu, que máximo! Posso escolher a minha mãe? Posso indicar o porteiro do meu prédio, aquele fofo que recebe minhas encomendas? Posso indicar meu namorado e assim economizar a grana do presente dela? Não,quer dizer, pode... Ai, melhor explicar direito.  A pessoa sorteada deve indicar alguém  para ganhar um presente escolhido por mim, mas a pessoa indicada tem que ser alguém que tenha um blog ou leia blogsQualquer um que tenha blog, qualquer um que que leia blog? Você vai poder indicar qualquer pessoa que escreva em qualquer tipo de  blog ( não precisa ser leitor do Fina Flor, nem precisa ser um blog que eu conheça) ou alguém que goste de blogs. 

Um sorteio, dois presentes, simples assim.


Pois bem:

1- Vou sortear uma pessoa pra ganhar um presente. As chances de que algum de vocês receba um livro é gigantesca, viu!

2- A pessoa sorteada escolherá  uma outra pessoa, blogueira ou leitora de blogs, para a qual eu também enviarei um presente. A pessoa indicada não precisa ser leitora do Fina Flor e nem precisa ter um blog, mas precisa estar na blogosfera de algum jeito.

3- Deixem um comentário NESTE POST dizendo que querem participar do sorteio.

4- Sorteio no dia 21/12. A sorteada ou o sorteado deve entrar em contato até o dia 30/12. Se não houver nenhum sinal de vida dentro desse prazo, refaço o sorteio.

5- Peço aos leitores silenciosos  e àqueles que não têm blog que deixem um e-mail ou o twitter, para que eu possa avisar se forem sorteados.

6- O sorteio vale pra pessoas que moram no Brasil e fora dele, viu?

7- Não vale me escolher. Adoro ganhar presente, nada impede que vocês me encham de presentinhos,  sempre tenho planos de fazer um sorteio cujo prêmio seja me presentear, mas, desse sorteio, eu não participa.


Participem, gente!