domingo, 15 de dezembro de 2013

Eu tenho medo de esquecer ,todo meu esforço está direcionado pra não esquecer. Mas ainda assim me distraio e me pego quase acostumada com o fato de que ela não está. Quase. Me acostumar de verdade seria como negar que ela existiu. Às vezes, a imagem do rosto dela e das flores no caixão salta diante dos meus olhos. Tantas vezes eu brinquei sobre a  morte dela, dizia que usaria todas as roupas e bibelôs guardados. Quando mais menina, eu tinha sonhos frequentes em que chorava muito depois do enterro. Hoje, eu preciso espremer a memória pra me lembrar que não são dela os passos que cruzam o quintal. Olho pras fotos dela e não sinto nada. As fotos me fazem esquecer que houve uma morte. Nas fotos, ainda vejo vida.

Ainda olho pra escadas e penso em como seria cansativo pra ela subir. Ponho os copos nos mesmos lugares em que sempre estiveram. Nunca usei nenhuma de suas toalhas. Quando eu dizia que gastaria todas as moedas do cofrinho, ainda não sabia nada sobre a morte!

2 comentários:

Iolanda Lopes disse...

Já perdi pessoas queridas, mas a senhora minha mãe, está bem de saúde, com a graça de Deus, então não tenho a real noção desta saudade que sente.
E saudade dói muito.
Eu costumo pensar que nosso espírito é eterno, que um dia encontraremos os entes que nos precederam no túmulo, que durante o sono a misericórdia de Deus pode nos permitir uma breve visita.
E assim não tenho a cura, mas o remédio que alivia.
E aí a vida segue, e outro dia chega.
Boa semana

http://feitocomcarinhodemae.blogspot.com

Lilian Silva disse...

Acontece o mesmo aqui, Ju. Estou pensando em começar um diário pra anotar os detalhes pra não esquecer de coisas sobre minha mãe...