sábado, 27 de dezembro de 2014

Eu desejo que vocês tenham uma roommate como a minha, que faz coisas como essa com as próprias mãos e manda Papai Noel entregar.


Em breve, a porta do meu quarto será como a porta da Monica.

***

Meu amigo trabalha como Papai Noel. Na tarde do dia 24, ele trabalhou numa loja perto da casa da minha mãe. Minha prima e eu levamos as crianças pra verem o Papai Noel. Quando chegamos, meu amigo me chamou pelo nome. Meu coração disparou quando Papai Noel disse meu nome. Cês não têm noção.

****

Quando poderia imaginar que teria  o plano de passar  o réveillon na minha casa ( que não  é só minha, mas  vocês entenderam)? Minha mãe me perguntou: " você vai passar o réveillon na sua casa?" Inacreditável!

***

2014 tem sido de uma gentileza comigo. Não foi o ano perfeito, claro, mas foi manso. O ano dos encaixes. Todas as coisinhas que vinha desejando - e pelas quais estive trabalhando internamente há anos - aconteceram. Se máquinas do tempo existissem e eu aparecesse na frente da Juliana de dezembro de 2011 por exemplo, contando como tem sido a vida em 2014, ela daria gargalhadas gostosas. 

***
2014, o primeiro ano em que vivi sem minha vó. 




quinta-feira, 18 de dezembro de 2014



Acabou ano letivo de 2014. 

E, na medida do que é possível ser feliz no trabalho, eu fui feliz.

Prestem atenção que agora vou escrever a palavra mais maravilhosa da língua portuguesa:

FÉRIAS!

FÉRIAS!

FÉRIAS!

FÉRIAAAAAAAAAAAAS!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Presente, presente, presente

Já é dezembro, faltam 10 dias pro natal e vocês já tavam achando que não ia ter sorteio esse ano, né?. Fiquei esperando que uma ideia sensacional aparecesse, gente! Pensei em contratar publicitários premiados,  ia chamar o Tony Ramos e o Roberto Carlos pra entregarem o presente mas nada rolou. Então, serei repetitiva.   Vou inclusive copiar e colar o texto do sorteio do ano passado. Tá tão bem explicadinho... Então, ó, mais uma vez:



  
        vou enviar um presente pra alguém que lê o Fina Flor

O esquema é o mesmo dos outros anos. Eu faço o sorteio, eu escolho o presente. À pessoa sorteada, caberá a tarefa mais legal: escolher alguém para ganhar um presente também. Serão dois presentados: o/a sorteado/a e a pessoa que ela/ele escolher.Ai, Juuuu, que máximo! Posso escolher a minha mãe? Posso indicar o porteiro do meu prédio, aquele fofo que recebe minhas encomendas? Posso indicar meu namorado e assim economizar a grana do presente dela? Não, quer dizer, pode... Ai, melhor explicar direito.  A pessoa sorteada deve indicar alguém  para ganhar um presente escolhido por mim, mas a pessoa indicada tem que ser alguém que tenha um blog ou leia blogsQualquer um que tenha blog, qualquer um que que leia blog? Você vai poder indicar qualquer pessoa que escreva em qualquer tipo de  blog ( não precisa ser leitor do Fina Flor, nem precisa ser um blog que eu conheça) ou alguém que goste de blogs. 

Um sorteio, dois presentes, simples assim.

Pois bem:

1- Vou sortear uma pessoa pra ganhar um presente. As chances de que algum de vocês receba um livro é gigantesca, viu!
2- A pessoa sorteada escolherá  uma outra pessoa, blogueira ou leitora de blogs, para a qual eu também enviarei um presente. A pessoa indicada não precisa ser leitora do Fina Flor e nem precisa ter um blog, mas precisa estar na blogosfera de algum jeito.
3- Deixem um comentário NESTE POST dizendo que querem participar do sorteio.
4- Sorteio no dia 30/12. A sorteada ou o sorteado deve entrar em contato até o dia 05/01. Se não houver nenhum sinal de vida dentro desse prazo, refaço o sorteio.
5- Peço aos leitores silenciosos  e àqueles que não têm blog que deixem um e-mail ou o twitter, para que eu possa avisar se forem sorteados.

6- O sorteio vale pra pessoas que moram no Brasil e fora dele, viu?
7- Não vale me escolher. Adoro ganhar presente, nada impede que vocês me encham de presentinhos,  sempre tenho planos de fazer um sorteio cujo prêmio seja me presentear, mas, desse sorteio, eu não participa.
 

sábado, 29 de novembro de 2014

Aconteceu no final da aula. Todos saindo, aquela balbúrdia de adolescente que acaba de se ver livre das aulas. Com os do sexto ano, sou mais chata. Se fazem muito barulho, mando esperar e vão saindo de um em um. Mas sétimo ano, gente, sétimo ano é o reduto dessa força incontrolável da natureza conhecida como pessoas de 13 anos. Não tente domar, conter, acalmar uma turma de sétimo ano. Não vai adiantar. Eu, com meu perfil de escandalosa e chiliquenta, descobri a duras penas que a gente só conquista o silêncio chegando com um conto incrível do Moacyr Scliar ou contando um detalhezinho inocente do seu fim de semana. Só assim.

Pois bem, estavam todos saindo, e eu na minha mesa, ajeitando minhas tralhas. Eu tenho muitas tralhas: caderno, livro, caneta pilot, microfone, pasta, outra pasta, mochila, garrafinha de água. Distraída com minhas tralhas, não percebi a aproximação da B., aquela menina de quase 1,80m. Só me dei conta de que algo estava acontecendo quando senti o ar me faltar.

- Ai, meu deus! Mas o que é isso?

B. tinha passado os braços em volta da minha cintura e estava me apertando - apertando muito e desajeitadamente.

- Olha, J! Olha, L.! - ela gritou pras amigas, exibindo o seu gesto, e eu sendo amassada feito uma boneca de pano gigante.As meninas olharam sorrindo.

- Mas o que é isso? Uma aposta pra ver quem vai matar a professora sufocada? - eu perguntei com o meu tom de deboche que eles sempre apreciam.

- Não. É que eu te amo, professora! 

E esmagou minha bochecha com um beijo barulhento.

Ser a adulta em posição de autoridade e ouvir um " te amo " de uma  adolescente equivale a encontrar cinco mil reais no bolso da calça na hora de lavar. Acho que tenho estoque de amor até o final do ano.



segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Ué, já não era dezembro?

Chegou a época do ano em que fico maluca. Eu não deveria estar porque as coisas estão bem encaminhadas: lancei as notas, entreguei testes, combinei festinhas de despedidas. Mas se não respiro fundo tem sempre uma lágrima querendo escapulir. Hoje foi no final da aula do sétimo ano. Não aguento vê-los crescidos e lindos, não aguento saber que não serão meus ano que vem. Nessa turma, tenho duas xarás. Ambas boas alunas, inteligentes e interessadas. Uma delas está naquela categoria de aluno que você gostaria que te adorasse mas não te adora. Minha xará não me dá a menor confiança, mas eu me iludo. Atribuo a indiferença à timidez dela. Passei todo 2014 querendo que essa mocinha gostasse de mim, mas não rolou. Sou um fracasso.




Novembro: o mês com 365 dias.


O que dizer de um dia que termina com você matando sem querer uma barata com o pé descalço?

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Eu acho que amizade é um evento. É uma coisa como a chuva.  A gente até sabe como a chuva acontece, sabe que tem algo a ver com pressão, ar, vento, ciclo, mas chuva é mesmo encantamento, aquele monte de água caindo do céu, enchendo tudo, molhando e deixando cheiro na terra e no asfalto. Não é sempre que paro pra prestar atenção na chuva, mas  quando paro, fico meio confusa pensando: meu deus, tá caindo água do céu! Não é incrível que caia água do céu? Eu acho incrível.

Amizade é feito chuva.  Tem algo a ver com o lugar onde você mora, quanto dinheiro você tem, que livros você lê, quem é a sua família. Tem a ver com o ano em que você nasceu. Tem a ver com condições favoráveis e ciclos. Mas se a  gente para pra pensar nada disso faz sentido. É coisa mais maluca você viver toda uma vida longe de alguém e , de repente ( não tão de repente como um passo de mágica, é um de repente mais processual), uma vida se encaixa em outra vida e uma pessoa passa ser como uma casa.

Amigo é uma casa. A gente deita no ombro na alegria e na tristeza. A gente se esconde entre os braços quando tudo pesa. A gente dança em torno do amigo pra celebrar. Amigo é pra onde a gente volta.

Eu não me canso de me deslumbrar com a amizade. É um afeto que não arde, não dói. Amizade é uma coisa macia. Amizade é o colchão da cama da gente.


sexta-feira, 14 de novembro de 2014

The Beatles Book Tag




Blog da Tati: Little doll house
Blog da Aline: No país das entrelinhas


1. Twist and Shout – um livro que sempre te deixa feliz.
2. All my loving - um livro com uma história romântica
3. Across the universe – um livro transcendente
4. Help! – um livro onde o protagonista sofra/coma o pão que o diabo amassou.
5. Beatles For Sale – um best seller favorito
6. Penny Lane - um livro que te lembre o lugar onde você nasceu
7. In my life – biografia ou memória favorita
8. Strawberry Fields Forever - um livro que te fez crescer de alguma forma
9. Revolver – livro policial favorito
10. Sgt. Pepper’s Lonely Heart Club Band – livro fantástico favorito
11. Magical Mistery Tour – um livro que contenha um universo mágico, fantasioso, surreal.
12. White Album – um calhamaço (só porque o álbum é duplo, rs)
13. The long and winding road – um livro triste
14. Revolution – um livro com personagem questionado


Sobre Filho eterno e Precisamos falar sobre Kevin:
Filhos eternos  e Eu não precisava falar



Amy cantando lindamente All my loving:


domingo, 9 de novembro de 2014

Eu tava tão chateada e cansada que a possibilidade de ficar sozinha pareceu mais cansativa que o dia. Então, peguei o metrô lotado no sentido contrário, enfrentei o trânsito, só pra não ficar sozinha. Fui recompensada com pizza, costelinha de porco, discussões sobre enfeites de festa e compreensão. É incrível como a distância facilita a vida. A saudade faz com que sua comida favorita apareça quentinha no seu prato.

***

Sempre achei que soubesse tudo de solidão porque sempre fui meio sozinha. Filha única aprende a se virar com que tem. Minha melhor companheira de infância era a goiabeira lá de casa. Nós brincávamos de comadres- a madrinha das minhas bonecas era uma árvore. Mas brincar com árvores ou passar horas andando de bicicleta nada têm a ver com essa coisa maluca que é ser a única pessoa capaz de sentir (e lidar com) suas próprias dores e seus próprios prazeres. A gente pode tentar explicar, pode ainda compartilhar, pode ser confortada, mas o que é seu, é seu - ninguém dá conta. É apavorante e bom.

***

Eu devia me meter menos na  vida das pessoas. Quer dizer, eu não me meto, só dou palpite se me pedirem. Mas fico agoniada esperando que as coisas mudem, que aquele " não aguento mais" seja verdadeiro. Se eu cuidasse só da minha vida, não ficaria puta com as eternas concessões. Não ficaria puta quando me dissessem que ficar sozinho dá medo. Vontade de dizer: " Feliz ou infeliz, a gente tá sempre sozinho, meu bem! Melhor que seja feliz!" Fico só na vontade porque não dá pra repetir um clichezão desses e sair incólume. 

Só que, meu deus, cuidar um pouco da própria vida e encarar uns tempos de tristeza e sentimento de fracasso não matam ninguém.


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Tenho a impressão de que a vida se divide em correr atrás do próprio rabo e em tentar não correr atrás do próprio rabo. Às vezes, os dois ao mesmo tempo - e acho que assim deve ser melhor mesmo.

***
 
Chegou o cansaço de fim de ano. Soube que tinha chegado quando mandei uma aluna sumir da minha frente. Toda paciência que não tenho na vida tenho no trabalho. Mas estamos em novembro. A paciência que tinha secou, e não existe chuva de paciência. Ouvir uma resposta atravessada  da professora não vai matar a menina.

Daí que no dia seguinte àquele  em que descobri o fim da paciência, me irritei e saí da sala de aula. Simples assim. Tá certo que faltavam só 10 minutos pro fim da aula. Tá certo que o inspetor por perto. Ainda assim... eu nunca tinha saído de uma sala de aula com tanta raiva - e olha que já vivi situações muito ruins no trabalho. Mas quer me matar? Esfrega indolência na minha cara. 
Bem, eu não deveria trabalhar com adolescentes, então, né!

Como sobreviverei à novembro?

***
Status atual: um poço de amargor





quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Não contei que estou fazendo curso de inglês. Pois é, hoje foi a última lição do book 1.  É muito divertido voltar a ser aluna, ter dever de casa, essas coisas. Até a aula de hoje, eu estava me sentindo como se tivesse voltado pra 1998 e fosse a menina estudiosinha e interessada que eu costumava ser. Mas o tempo é um senhor implacável. Hoje, diante da adolescente relapsa que não largava o whatsapp e do menino desdenhoso que não sabe dizer quem trabalha no hospital, me dei conta de que, sim, tenho 30 anos, graças a Deus. Não lembro mesmo como é ser tão jovem.

A diferença entre ter 15 e ter 30 é saber que a droga do celular não vai evaporar se ficar umas horinhas dentro da bolsa. É   receber o boleto de mensalidade no seu e-mail e pensar nele quando dá preguiça de ir pra aula. É ter vontade de esganar um moleque que não tem a menor vergonha de  chegar 40 minutos atrasado  e que não se dá o trabalho de pedir licença, nem em inglês nem em português. 
A arrogância da adolescência é um saco.   Arrogância de meia tigela, né! Porque o pessoal não tava sabendo usar present continuous. A pessoa frequenta um curso que arranca todo mês um pedacinho da córnea dos pais e não aprende a colocar ING no final de uma meia dúzia de palavras? Se eu fosse mãe desses moleques...

 No início, só havia 2 adolescentes na minha turma: dois irmãos fofos e interessados. A menina até fica grudada no whatsapp, mas, sei lá como, presta atenção na aula e jamais fala besteira. O menino é igualmente fofo. Hoje chegou atrasado ( disse que tava fazendo trabalho da escola), mas teve a dignidade de ficar vermelho ao interromper a aula. Uns amores. Ótimos coleguinhas de turma. Era muito mais legal quando só eles tinham 15 anos na nossa turma.

Eu não mereço ter de lidar com adolescentes chatos, gente! Não mereço! Quero só os adolescentes legais  perto de mim.


sábado, 25 de outubro de 2014

"Obinze descobrira que a tristeza não diminuía com o tempo; na verdade era um estado volátil. Às vezes, a dor era tão abrupta quanto no dia em que a empregada havia telefonado para dizer que ela estava deitada sem respirar; às vezes, ele esquecia que ela tinha morrido e, sem pensar, planejava ir para o leste do país para vê-la."
 (trecho de Americanah, de Chimamanda N. Adichie)


Essa semana fui à farmácia comprar um remédio pra insônia. É um fitoterápico que minha vó tomava e que o médico me disse que eu podia tomar de vez em quando. O balconista da farmácia pediu que eu repetisse o nome do medicamento e me informou: 

- Olha, xxxxx não é mais produzido. Tenho  aqui dois outros com a mesma fórmula. Quer ver?
- Como assim, não é mais produzido? Foi proibido?
- Não. Esse laboratório parou de fabricar. Tem os outros dois. Vou chamar o farmacêutico pra confirmar pra você.

O moço cruzou a portinha que dava pros fundos da loja, e eu peguei o celular na bolsa. Cara! Minha vó vai ficar maluca quando souber que o xxxx não é mais vendido. Ela toma ele há anos. Peguei o telefone, disquei o número da casa da minha mãe. Só depois do segundo toque é que me dei conta de que ninguém ia atender. Minha mãe estava no trabalho. Minha vó está morta há um ano.

Te entendo muito, Obinze!

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Livro, tempo, empatia e abraços não requisitados




Estou lendo Americanah porque metade das pessoas que conheço na internet está lendo - eu, pouquíssimo influenciável. Ainda estou no meio do caminho, mas já morro de amores por Ifemelu e Obinze.

" Ifemelu pousou a cabeça contra a de Obinze e sentiu, pela primeira vez,o que sentiria muitas vezes em muitas outras ocasiões com ele: uma autoafeição. Ele fazia com que gostasse de si mesma. Com  Obinze, Ifemelu se sentia confortável; era como se a sua pele fosse do tamanho certo."


***

Às vezes, fico irritada com o tanto que as pessoas reclamam. Sou uma hipócrita, claro.Também reclamo de tudo e de todos. Mas me cansa a reclamação que bate ponto, que se repete todo dia. Dá vontade de dizer: pelo amor de deus, fala com a parede, não fala comigo.

Só que acontece também de a reclamação ganhar nuances. Hoje mesmo  eu tava ouvindo um cara reclamar. Falou, falou, falou  e eu concordei no que podia, porque não sou capaz de ter alcançar o que ele está falando. Ele começou a dar aulas em 1987. Em 1987, eu não era alfabetizada, mal sabia falar.

***
Contei pros meus alunos que o inimigo número 1 da escola no início da minha adolescência era o tamagochi.Contei que vi um celular de perto pela primeira vez em 1997. Contei que o primeiro vídeo que vi na internet foi uma cena de Arquivo X. Hoje em dia, só não vejo Criminal Minds em tempo real porque não entendo inglês, então espero dois dias
 até que saia a legenda feita por fãs. Mas em 98, a história era outra.  Pra ver o trecho de uma cena aguardadíssima, esperei que o vídeo de 30 segundos levasse duas horas carregando, bloqueando a linha telefônica da casa do meu pai.  Telefones fixos eram importantes em 1998, né?

-  Façam as contas de há  quanto tempo foi isso. Eu tinha 14. Hoje tenho 30.

E, pela milionésima vez desde que os conheço, aqueles adolescentes ´ficaram espantadíssimos ao ouvir minha idade. Acho que pra eles ter 30 anos é como ter duas cabeças ou estar à beira da morte. Como a minha cabeça está ok em cima do pescoço e pareço saudável, eles ficam confusos.

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A melhor coisa sobre abraços é que são quentinhos. A segunda melhor coisa é que são íntimos. A terceira melhor coisa é poder abraçar só quem a gente quer.  Ao contrário dos beijinhos na bochecha, abraço não é ritual social. Quer dizer, pra mim não é. Por isso morro de constrangimento morro de constrangimento toda vez que alguém adulto que mal conheço, com quem tenho uma relação superficial, de quem nem gosto nem desgosto arranja motivo pra me abraçar.  

Existe uma pedagogia do abraço que eu desconheço? 












quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Fina Florzinha

Chegou outubro, e já começam a aparecer as fotos da infância no Facebook. Eu adoro. Coloquei no meu perfil uma foto que amo. Essa aqui:



Não sei direito quantos anos tenho aí.  A foto é de um ano-novo, só   não sei de 1989 ou 1990. O certo é que não tenho mais que 6 anos. Lembro direitinho do momento em que minha prima e eu fomos fotografadas. Estávamos brincando no quarto, quando alguém apareceu na janela. Um fotógrafo muito talentoso, como vocês podem ver. Estou usando a blusa da escola em que fui alfabetizada: Jardim Escola Espertinho do Bozo. Belíssimo nome!

Adoro essa foto porque é uma das poucas em que apareço séria. A autoimagem que guardei da infância remete a uma menina pequena e tímida; duas inverdades, claro, visto que  sempre pareci mais velha do era e participava de todos os  eventos da escola.Mas não me lembro de ter sido uma menina extrovertida ou simpática. Na minha memória, eu fui essa pessoinha da foto, com essa carinha invocada.

domingo, 21 de setembro de 2014

É setembro de novo, e eu quase me espanto ao olhar o calendário. Parte de mim, viu todos esses meses passarem, parte de mim viveu todos esses dias, mudou de casa, viajou, foi pro trabalho, respirou. Uma outra parte, silenciosa e resistente, permanece no setembro anterior. Na horas mais calmas, nos segundos antes do sono vir, essa parte me puxa pela mão e me leva  praquele dia de setembro do qual ela nunca saiu. Uma parte de mim, está aqui escrevendo, no sofá de uma nova casa, esperando o cabelo curto secar. A outra parte parou na porta da capela onde o corpo da minha vó foi velado e ficou. Nem um segundo se passou nesses 365 dias. Nem um grão de poeira se moveu. Parte de mim nunca viu o corpo morto da minha vó, parte de mim não teve coragem de cruzar aquela porta.

Um ano. Poderiam ser quinhentos ou três milhões. O tempo não me diz nada. 






domingo, 14 de setembro de 2014

Contei que não moro mais sozinha? Pois é, agora - tem mais de mês já -, divido a casa com dois outros seres vivos, duas amigas: uma é a pessoa, a outro é uma gata. A amiga pessoa é a antiga dona  da casa, que pretendia passar muito tempo morando longe, mas voltou logo. A amiga gata é a Emma, que tinha passado uns tempos aqui, mas agora veio de vez. A chegada desses dois seres vivos mexeu um bocado com os meus nervos e minhas crenças. Porque sempre acreditei que sou a pessoa difícil de qualquer relação e convivência; porque sou mimada e bagunceira; porque não importa o quão crescida eu seja, tenho sempre a certeza de que vai-dar-merda. E eu não quero que dê merda justamente com a pessoa com que mais falei ao telefone nos últimos anos, sabe. Tô nem aí se der merda com gente de quem não gosto, mas com gente de quem eu gosto quero que fique tudo sempre certo, arrumadinho, cheirando a amor e risadas. Bem, até agora vai tudo bem. É melhor ter companhia que viver sozinha, sabe. 

Esses meses em que estive sozinha nessa casa me dei conta de que não sou boa com solidão. Antes, eu imaginava que meu calcanhar de aquiles seria a desorganização e a cabeça avoada. Quer dizer, a minha (enorme) capacidade de não lembrar de nada e a falta ( enorme) de ordem me deixaram meio enlouquecida, mesmo. Tive de sentar e traçar um esquema pra limpeza da casa, pra lavagem da roupa - coisas com as quais nunca precisei lidar de modo, digamos, mais efetivo. Morar a vida inteira com uma vó que só me mimava não me ensinou a coisa mais importante sobre trabalho doméstico: hábito. Claro que sei cozinhar minimamente, lavar o banheiro minimamente, prender o botão que caiu da camisa minimamente, mas me falta aquele toque de capricho que só a a repetição nos ensina. Essa casa nunca teve cara de casa limpinha e cheirosa durante o período que foi só minha. Agora que minha amiga pessoa está aqui, o banheiro tem até um troço grudado no vaso pra desinfetar e dar cheirinho. Uma evolução.

Mas o que mais pesou nesse período foi  mesmo o estar sozinha. Eu já antevia que seria difícil passar tanto tempo só, mas não imaginei que seria  tão ruim. Bem, ruiiiiim não é, nem terrível, nem insuportável. Tem um lado meio maravilhoso, aquele em que você chega do trabalho e há tanto silêncio disponível que só lhe resta deitar no chão da sala e ficar imóvel por toda uma eternidade. Você não precisa lidar com as demandas, com as carências, com as cobranças das relações familiares. Você tá sempre nesse quarto! Você não conversa com a gente! Vem pra cá ver a novela. Aliás, nada melhor prum relacionamento familiar do que morar em outra casa. Todo mundo me dizia isso - e eu acreditava-,mas  agora tenho conhecimento de causa. Nossa, melhor conhecimento de causa! É muito bom ser a visita que tem a chave da casa. Nossa! Nossa! Nossa! Ah, mas tem o lado não maravilhoso: a melancolia. Eu sou uma melancólica, sempre soube disso. Uma melancólica extrovertida e agitada, mas melancólica. Na maior parte do tempo, esse aspecto da minha personalidade aparece na preferência por músicas e livros triiiistes, numa atitude meio contemplativa. Ser melancólica não é ruim, pelo contrário. Eu gosto de me sentir suave e macia, de ter territórios inacessíveis, de ser um pouco triste. Só que existem fases em que perco a medida da tristeza, e é preciso um esforço pra não me agarrar a ela, um esforço pra não me perder da rotina, da praticidade da vida.  A solidão potencializa meu lado melancólico. Eu andava mais ensimesmada e reservada do que o costume. 

Antes de minha amiga pessoa voltar, eu fiquei meio paranoica. Tive medo de que a convivência detonasse a nossa amizade. Porque uma coisa é ser amigo, outra coisa é dividir uma casa. Um amigo meu brincou dizendo que eu ia viver como num casamento, mas, ó, eu acho que não tem nada a ver com casamento, não. Quer dizer, eu nunca fui casada, então não sei como é, mas faço uma ideia. Dividir a casa tem sido mais como ter um gato:  você adora conviver, tem que manter um certo nível de ordem e de higiene, nunca está sozinho, mas tem espaço e passa bastante tempo cuidando da sua vida. Gato exige pouquíssimo de você. Dividir a casa com a minha amiga tem sido assim: fácil como ter um gato.  

E por falar em gato, eu ia falar da Emma, da vinda dela ( aleluia! finalmente!) pra cá, do meu estresse com essa fase de adaptação, mas o post já está enorme. Só pra vocês terem uma ideia, tive uma crise de choro ontem, achando que ela tinha sumido pra sempre, que eu não devia ter tirado a bichinha da casa dela, que pessoa horrível eu sou, cadê minha gata, meu deus? Um estresse. Mas estamos todos bem, ela tá ali dormindo na estante, e eu preciso cuidar da vida.

Update: ao reler esse post, fiquei com a impressão de que  pode soar meio estranha a comparação entre dividir a casa e ter um  gato. Eu amo gatos, tenho uma gata e essa comparação é a única imagem que me ocorre. Se alguém achar que realmente soa estranho, peço que pense no melhor sentido possível pro que eu disse. =)


terça-feira, 2 de setembro de 2014

Desafeto

Eu estava fazendo aquela cena de chamar o aluno na mesa e corrigir a prova na frente dele. Corrigir prova é um saco; sentar uma pessoa de 12 anos na tua frente e esfregar os erros na carinha dela é uma maldade sem fim. Bem, mas eu acredito que professor tem permissão pra certas ruindades, daí que chamei criança por criança e deixei baixar a rainha do drama.

- Vixi, vou ter de  pedir um adicional no salário pra compensar o esforço pra entender essa letra!
- Vou pedir a Deus que tenha misericórdia de você, alminha que não sabe o que é conflito gerador, tá?
- Criança, o gato comeu o título do seu texto?

Eis que chega a vez do Lucas, menino fofinho, tímido, dedicado, voraz jogador de jogo da velha. Lucas fica tenso só de ouvir o nome dele e vem com um sorriso nervoso estampado na cara. 

- A letra melhorou, hein, Lucas!
Ele não diz nada, continua sorrindo e sua um pouquinho.
-  A letra melhorou, mas a pontuação sumiu. - Lucas não colocou uma vírgula sequer no texto dele. - Meu amor, cadê as vírgulas? Cadê os pontos do seu texto? Cadê  a pontuação?

E Lucas,  menino fofo, aluno dedicado,  me deu a seguinte resposta:
-Ah, eu não gosto de pontuação, professora!

Melhor resposta!

A vida deveria ser mesmo assim: a gente não gosta, a gente não usa. Simples.

Eu vou levar o exemplo do Lucas pra vida e abolir o ponto-e-vírgula. Não gosto do ponto-e- vírgula.

E vocês? De qual sinal de pontuação vocês não gostam? Quem é o seu desafeto gramatical?



domingo, 31 de agosto de 2014

Acho que a minha vida poderia ser resumida na seguinte afirmação: eu adoraria ser Hermione, mas sou Ron. Um Ron adulto e interessado em livros, mas muito Ron.

Sinto que tudo seria mais fácil se eu dissesse isso por aí e todos entendessem direitinho a referência. 




sábado, 23 de agosto de 2014

TAG






Confissões de uma bibliófila
( achei esse título tão sééééério hihihi)

Perguntas:
1. Qual é o gênero de literatura que você se mantém longe?
2. Qual é o livro que você tem na estante e tem vergonha de não ter lido?
3. Qual é o seu pior hábito enquanto leitora?
4. Você costuma ler a sinopse antes de ler o livro? (Esta pergunta nós inventamos; a original tratava de livros enviados antes da publicação e nós não recebemos livros assim; por isso mudamos a pergunta.)
5. Qual é o livro mais caro da sua estante?
6. Você compra livros usados/em sebo?
7. Qual é a sua livraria (física) preferida?
8. Qual é a sua livraria online preferida?
9. Você tem um orçamento (mensal) para comprar livros?
10. Quem você "tagueia"?


Blog da Tati:http://nopaisdasentrelinhas.blogspot.com.br/

Canal da Denise:https://www.youtube.com/user/mercedesblog2009


Canal da Inês:https://www.youtube.com/user/InesBooks

Vídeo da criadora da TAG:http://youtu.be/EA-nlwA-4B8


quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Cabelo, cabelo, cabelo

Contei pra vocês que cortei o cabelo? Cortei muito, estou com o cabelo mais curto que já tive e totalmente natural. Venho cortando  desde fevereiro o ano passado. Da primeira vez, quis mudar de cara, acabei gostando do cabelo curto e vi que era possível viver sem relaxamento. Passei todo esse tempo com parte do cabelo natural e parte com relaxamento - situação trabalhosíssima, uma vez que a parte com química estava detonada. Ao longo desse tempo, fui querendo deixar  natural, mas o medo era maior que essa vontade. Passei quase toda minha vida com o cabelo preso ou com relaxamento; nenhuma dessas práticas me deixava muito feliz, mas o fato de não ter ideia de como cuidar  me mantinha no ciclo vicioso. Tenho o cabelo fino, qualquer creme de pentear deixa ensebado, qualquer máscara deixa pesado. Só que, por outro lado, precisava  dos produtos " ensebantes" pra " domar" o cabelo com química. Faz uns 3 meses, porém, que descobri esse mundo de blogs e canais do youtube sobre cabelos crespos e cacheados e estou no paraíso. Achei um monte de gente que tem o cabelo como o meu, aprendi umas técnicas de finalização,  rotinas de lavagem e tomei coragem pra meter a tesoura.

Cortar nunca é um processo fácil. Ainda mais se você vai lidar com um cabelo que  não conhece direito. Tive mesmo que me encher de coragem pra sentar na cadeira da cabeleireira. Como meu cabelo já estava curto e eu queria deixar só o natural, o resultado foi um corte curtiiiiiinho mesmo. Foi estranho me ver com tão pouco cabelo na cabeça, mas foi um pouco libertador também. As primeiras reações positivas vieram das cabeleireiras do salão que não paravam de dizer que meu cabelo era lindo. Depois vieram as opiniões positivas dos amigos e parentes. Mas pra falar a verdade o que me deixou mais segura mesmo foi a reação dos meus alunos. Se adolescentes dizem que você tá bonita, é porque você tá bonita! 

Agora tô vivendo de experimentar. O creme de pentear que eu usava antes  não dá o mesmo efeito agora. Adaptei umas receitinhas do youtube pra realidade do meu cabelo e do meu dia a dia. Tô pensando em trocar a rotina de uso reduzido de xampu - o Low Poo - para o método que não utiliza xampu nenhum - o No Poo. Vamos ver! Vamos ver!  Um passo de cada vez.


Se alguém gostar de vídeos sobre cabelo, tem muitos canais legais no Youtube. Eu gosto muito dessas 4 meninas:

A Mari é didática, fofa e dá umas dicas legais. Esse vídeo dela sobre No e Low Poo é muito bom pra conhecer essas técnicas.


A Maraisa é uma blogueira conhecida. Adoro o jeito engraçado e desencanado dela. O canal dela não é focado só em cabelo, mas os meus vídeos favoritos são aqueles em que ela mostra pra gente como tá sendo usar o cabelo natural.


Descobri o canal da Abigail ontem e tô apaixonada. Ela é muito engraçada, um tanto ácida e diz coisas muito bacanas.


Tem também a Brenda, que eu acho linda e articulada.



Na prática, eu não faço quase nada dos que elas indicam, mas o que vale é a  intenção. hihihi

domingo, 17 de agosto de 2014

Houve um tempo em que tive medo de você não gostar de mim. É que sempre tenho esse medo mesmo- com qualquer pessoa-, e seria uma tragédia se você não gostasse  de mim pra sempre. Então chegou esse tempo de agora em que você corre pra me abraçar quando eu chego, em que me oferece jujubas, em que me convida pra ver Peppa, em que diz que ama a minha gata.  A minha recíproca vem em forma desse encantamento que se expande dentro de mim quando você diz " não gosto de beijo, hein!". Penso em você e minha garganta aperta. Hoje te vi deitado numa piscina de bolinhas, deleitado nesse prazer que deve ser mergulhar num montão de esferinhas coloridas , e quis saber todas as palavras bonitas pra contar direitinho o que senti. 


Meu amor por você é mansinho e quente.


sexta-feira, 8 de agosto de 2014

[i carry your heart with me(i carry it in]

eu levo o seu coração comigo
(e. e. cummings)

eu levo o seu coração comigo (eu o levo no
meu coração) eu nunca estou sem ele (a qualquer lugar
que eu vá, meu bem, e o que que quer que seja feito
por mim somente é o que você faria, minha querida)
       tenho medo
que a minha sina (pois você é a minha sina, minha doçura) eu não quero
nenhum mundo (pois bonita você é meu mundo, minha verdade)
e é você que é o que quer que seja o que a lua signifique
e você é qualquer coisa que um sol vai sempre cantar

aqui está o mais profundo segredo que ninguém sabe
(aqui é a raiz da raiz e o botão do botão
e o céu do céu de uma árvore chamada vida, que cresce
mais alto do que a alma possa esperar ou a mente possa esconder)
e isso é a maravilha que está mantendo as estrelas distantes

eu levo o seu coração (eu o levo no meu coração)


(Tradução: Regina Werneck)


O original pode ser lido aqui.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014


Eita blog empoeirado esse!

Sempre quero escrever, aí chego em casa, ligo o computador, abro o blogger e ... Cri!Cri!Cri!

Queria contar do meu cabelo novo, das mudanças aqui em casa, dos alunos, das decisões, da saudade, mas a preguiça é maior que eu. 

Repetindo sempre: nenhuma preguiça é maior que a minha.


terça-feira, 22 de julho de 2014

Eu devia ter uns 16 anos. Estava indo pela primeira vez, sozinha, pra um encontro religioso. Tava cheia de expectativas boas, toda animada, certa de que ia conhecer um monte de gente, de que ia fazer amigos pra vida toda. Na rodoviária, esperando o ônibus, esbarrei num menino que também ia pro encontro. Puxei papo, toda simpática, falei que ia ser tudo lindo e maravilhoso, e o menino, com uma arrogância bem adolescente, me chamou de tonta e disse que o pessoal do lugar pra onde a gente ia era conhecido por não dar confiança pra gente nova. O menino foi um balde de água fria, e eu fiquei putíssima. Passei um sermão nele. Não tenho ideia do que falei, mas sei que falei um monte. Eu era uma menina boa em sermões. 

Não lembro bem do que aconteceu depois dessa conversa afável e salutar na rodoviária, mas a sementinha da insegurança se instalou, claro, no meu coração juvenil.  E pior: o menino tinha uma certa dose de razão. Meus dois primeiros dias  no evento foram um inferno. Ninguém falava comigo. Todo mundo se conhecia dos anos anteriores, os grupos tavam formados; poucas vezes me senti tão deslocada na vida. Vi o menino várias vezes ao longo desses dois dias, mas ele fazia questão de me ignorar. Houve uma vez apenas em que ele chegou perto de mim, só pra dizer: eu não tinha razão? Olha, que raiva daquele menino. Eu devia ter cortado pescoço dele ali mesmo, mas  meu espírito cristão conteve meus instintos assassinos.

Os dois primeiros dias foram mesmo terríveis. Eu senti frio, eu me senti sozinha, eu quis voltar pra casa. Aí no terceiro dia, conheci uma menina legal, a Fernanda. Ela era mais velha que eu, tava na faculdade, fazia serviço social, se bem me lembro.  Conheci também a Kelly, a Laura - conheci outras pessoas cujos nomes não lembro mais. No último dia, já não queria ir embora. No último dia, na última atividade do evento, todo mundo se abraçando, todo mundo se despedindo, o menino veio falar comigo. Eu já não tava com ódio dele, então falei com ele também. A gente se abraçou, e ele me disse , no meio do abraço, que eu era uma pessoa muito especial e que eu tinha razão no que tinha dito.

Eu tinha razão,viu ,gente! Só não tenho a menor ideia do que eu disse pra ele na rodoviária.

Nem  lembro o nome do menino. A gente nunca mais se viu. Também nunca mais soube da Fernanda. Acho que nem sei mais que caras eles tinham. Sei lá por que me lembrei dessa história hoje. 

Só sei que é bom ter razão.

hihihi

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Dar aula no sexto ano é ...

... entrar na sala e encontrar duas meninas segurando bolas de aniversário.

- Gente, tem festa hoje?
Aí uma delas vira a bola e vejo nela um rosto desenhado com canetinha.
- É o meu filho, professora! Ele veio aprender português hoje.

E passaram a aula inteira com essas bolas, até que veio uma colega e estourou.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Vou pelo caminho ouvindo Chico e Carminho cantando Carolina. Ouço a mesma música mil vezes até cruzar o portão da escola.  Chego a sentir um pontada na barriga quando a voz do Chico me chega nos ouvidos. Outro dia, chorei no ônibus, o rapaz do lado me olhou preocupado, sorri pra tranquilizá-lo. Não tem como explicar que não é tristeza, é melancolia. Não estou triste, moço, é só que a beleza tá doendo em mim. Só as personagens de Clarice dizem coisas assim.

Depois de tanto tempo, meu dias entraram numa rotina. Por esses dias, só por esses dias, sei como é controlar um universo. Deito no chão de piso frio da sala e presto atenção no silêncio. Até esqueço que tenho uma voz. Solidão não me apavora; a solidão me traz melancolia . Então me torno essa pessoa que fecha os olhos pra sentir o peso do sol nos cílios. O raios de sol no inverno são macios e me fazem sorrir enquanto atravesso a passarela do metrô.



Sexto

Só quem trabalha em escola sabe  o mundo de significados por trás do sintagma "sexto ano". Talvez quem tem filhos de 11, 12 anos possa ter uma vaga ideia do que significa estar numa turma de sexto ano. Não tem aquela criança de 11,12 anos que você conhece? Então, agora imagina mais 30 dessas num mesmo espaço durante 4 horas por dia. Pois é, amiguinhos! Quer apavorar um professor do segundo segmento do ensino fundamental? Chegue pertinho dele, assim, quando estiver distraído, cantarolando, e diga "sexto ano". Acredite! Ele vai gritar: nãoooooooooo! Igualzinho a um personagem de filme de terror. Hihihi.

Ano passado, quando cheguei na escola em que trabalho, fui agraciada com 3 turmas de sexto ano. Três! Sentei na frente da minha nova chefe e ela foi logo dizendo: ó, você vai pegar 3 sextos anos, seus horários são esses, são as três piores turmas da escola... A partir daí não ouvi mais nada do que ela disse; só pensei nas rotas alternativas pra montanhas. O sexto ano sempre, sempre, sempre sobra pros recém-chegados.  É a prova de fogo! Seis meses se passaram, e eu sobrevivi, de alguma forma, até o fim do ano. As turmas eram de querer arrancar todos os cabelos da cabeça com pinça, mas eu já tinha enfrentado coisas piores. Porque, apesar de toda encheção de saco, de toda  necessidade de mostrar quem manda, de todo  tia -meu- lápis-sumiu,  existe uma ternurinha, uma fofurice, uma ingenuidade que você não encontra em nenhum outro lugar da escola.

Dia desses, um menino veio até a minha mesa só pra me contar que tinham assaltado a padaria perto da casa dele. Nossa! Sério?Achei que  fosse me contar de tiros, reféns, sangue, essas coisas. Nada! Ele tava chocado mesmo era com o fato de que os ladrões tinham levado todo o estoque de sorvete. Agora onde a gente vai comprar sorvete, professora? E os colegas que ouviram a conversa também se demostraram preocupados e passaram a trocar informações sobre pontos de venda de sorvete alternativos. Prioridades, né, gente?  Houve também o dia em que senti um enjoozinho no meio da aula. Eu sou dada a enjoos, meu estômago é chato, mas os alunos não sabem disso, então, saí da sala rapidinho pra lavar o rosto e todo um boato sobre um futuro filho meu se formou. Quando voltei, uns 3 minutos depois, meu filho já tinha nome e sobrenome - havia até uma disputa sobre quem seriam os padrinhos da criança. Hoje, por exemplo, uma menina chegou por trás e passou a mão no meu cabelo. Tomei um susto. Calma, tia! Eu só queria mexer no seu cabelo. Faz tempo que eu queria. Parece miojo! E ficou apertando as mechas do meu cabelo, enquanto eu corrigia o dever dela. 

Aliás, essas pessoas do sexto ano gostam de dar abraços, não reclamam (muito) se você aperta as bochechas delas. Só odeiam ser chamadas de criancinhas;  implicante como sou, faço ainda melhor: chamo de criancinhas bonitinhas do meu coração. Em resposta, dizem que vão me chamar de professora Jujuba. É só brincadeira, claro, porque eu sou old school, e pessoas do sexto ano só me chamam de professora. Não tem essa de Juliana, Juliana. Só abro concessão pro tia.  Tenho colegas que preferem morrer a ser chamados de tia e tio; eu não me importo. A irritação aparece quando falam tia, tia, tia, tia, todos juntos feitos grilos. Um de cada vez que meus ouvidos não são biônicos-  e eles riem dessa piada péssima. O sexto ano ri de qualquer coisa, se interessa por qualquer história que você conta. E lembram do nome da sua gata, do nome do seu afilhadinho, perguntam por que você tá usando um brinco só. Ih, perdi o outro, nem vi.

No final do ano  passado, a diretora me disse que, ao me conhecer, não levou fé de que eu sobreviveria às tais turmas terríveis. Ninguém nunca leva fé em mim, tô acostumada.Os sextos anos tenebrosos agora são sétimos anos cheios de adolescentes que riem feito bobos se você falar "linguiça".Pois é!Respirem fundo comigo, amiguinhos! Minha chefe depois chegou à conclusão de que tenho o perfil pra trabalhar com o sexto ano. Eu neguei, claro! Não trairei minha classe. Nenhum professor gosta do sexto ano, ora! Mas não dá pra explicar o quanto é divertido você chegar no corredor e ouvir o barulho de correria e cadeiras. A Juliana tá vindo! A Juliana tá vindo! Daí você para no meio do caminho, espera uns segundos pra criar um clima e uma cena - a expectativa é a alma do negócio-   e entra naquela sala de aula imprevisível.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Brincando de resenhar

Tô há dias querendo falar de Sobre a Beleza, mas não sabia  nem por onde começar um post; daí apelei pro SoundCloud:




Atenção:
* vocês vão ouvir a palavra "muito" várias vezes,
* uso adjetivos grandiloquentes acompanhados do advérbio "muito", mas não quero dizer nada além de " muito bom";
* se eu parecer sem fôlego, é porque estou sem fôlego mesmo. Se eu parasse pra respirar, o arquivo ficaria com uns 40 minutos. hihihi
*Eu hesito, hesito, hesito, gaguejo, me perco, mas o importante é que o livro é muito bom  e vocês têm que ler.



P.S.: Um amigo me disse que a pronúncia do nome da autora do livro é essa que eu uso, e eu acredito nele.
Eu quase me acostumo, chego a ter certeza de que me acostumei, aí vem a saudade de repente. É como se alguém sussurrasse seu nome no meu ouvido, só eu ouço, e o costume volta. Nessas horas, penso em ligar pra casa em que nem moro mais, ou penso nas suas falas no presente. Dura segundos, não mais que segundos. Pisco e o costume some, e a realidade da sua morte volta pra mim.  Sua morte acontece de novo. Ás vezes, me lembro do seu corpo no caixão, me lembro do seu túmulo, me lembro de que seu coração parou.

Queria falar da sua vida,  da falta, da confusão que sua ausência causa. Dizem que eu preciso falar mais sobre tudo isso.  Mas eu sei que não vou conseguir porque na verdade quero um impossível: quero não apreender sua morte. Tô cansada da sua morte. Tô cansada de usar o pretérito. 

Tô muito cansada!

domingo, 13 de julho de 2014

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Ano passado,  a Tati me mostrou um tumblr muito legal, o  Leitura ao Pé do Ouvido. A proposta era reunir áudios de pessoas dos mais diversos lugares do Brasil lendo trechos de livros queridos. Nada de leitura à la narrador de comercial de televisão com voz bonita, a graça estava em ouvir gente comum lendo aquele monte de palavras  que os nossos autores do coração tão bem sabem arranjar.

Eu estava aqui mexendo no meu e-mail, quando me deparei com a gravação que mandei pros organizadores. Aí pensei: vou postar lá no blog. Li o meu trecho favorito do  meu livro favorito  Precisei gravar umas duas vezes porque sou expert nessa arte de hesitar e atropelar as palavras. Vocês não vão botar reparo, né?

Vão lá no Leitura ao Pé do Ouvido, gente!

terça-feira, 8 de julho de 2014

Não sou mãe de ninguém- nem tia, nem irmã mais velha. No máximo, chego a prima mais velha e madrinha. Sei alguma coisa sobre autoridade, broncas e puxão de orelha metafórico porque dou aulas  e, como digo mil vezes aos alunos que me chamam de chata, sou paga pra ser mais que chata; sou paga pra ser a mala sem alça. Ser chata é um prazer e dever, querido aluno! Meus alunos têm 12 anos. Pra que fossem meus filhos, eu precisaria ter dado à luz aos 18. Quando muitos deles dizem que tenho a idade dos pais deles, eu acredito, claro, mas não consigo encontrar nenhuma identificação com essas pessoas que tiverem filhos jovens e agora são responsáveis por aquelas crianças que me enlouquecem. Não tenho a menor ideia do que significa ser responsável pela vida de uma pessoa. Só posso imaginar. Mas ontem me vi entendendo o que uma mãe sente ao ver uma menina - uma menina sua -metendo os pés pelas mãos. 

Não sou de dar conselhos, não sou de virar amiga de aluno. Dou aula pra crianças de 12 anos ( pra mim, 12 anos é idade de criança, sim! Vai conversar com uma pessoa de 12 anos e me diz depois se não é criança). Não tem como ser professora/ amiga de pessoas dessa idade. Pelo menos, eu não tenho a menor ideia de como se faz isso. Então não foi como amiga que chamei uma aluna num canto, depois da aula, e disse pra ela que eu tava preocupada, que tava tudo errado, que eu ia passar sermão mesmo, que eu ia chamar os responsáveis dela. Dei um sermão. Mas não foi um sermão daqueles pra fazer criança ficar quieta e prestar atenção na aula. Olhei aquela menina nos olhos, tomada por uma necessidade de que ela me entendesse, de que ela pudesse ver a vida dela sob minha perspectiva. Conversando com aquela menina, eu me senti adulta pela primeira vez na vida. Adulta de um jeito assustador: por um lado, eu conseguia antever as consequências dos atos dela e tinha propriedade pra garantir a ela que nenhum sofrimento é infinito; por outro, me vi ansiosa pra que minhas palavras não entrassem por um ouvido e saíssem por outro.

A menina me ouviu atentamente; olhos rasos, vermelhos. Ela não brigou, não gritou , não me disse que eu não sabia de nada da vida dela. Mas aqueles olhos me disseram algo que nunca ninguém tinha me dito: você é adulta,  você não sabe como é ter 12 anos como eu. 

E deve ser verdade. Não me lembro mesmo como é ter 12 anos.


(Esse post tá meio capenga nos quesitos coesão, coerência, palavras no lugar certo. Tentei dar jeito, mas não consegui. Relevem, por favor! =/)

sábado, 5 de julho de 2014

Presente

Quando menina, eu queria algumas coisas, dentre elas: ficar presa num ônibus no meio de uma avalanche e conhecer Salzburgo. Tudo por causa desse livrinho:



Um ônibus do tamanho do mundo foi o livro que mais reli durante a infância. Escrevi muitas histórias depois das releituras porque queria inventar uma história como aquela eu mesma. E isso é bonito em livro, né: essa vontade que desperta na gente de ter um pouco daquele poder de criar.

Em junho agora, quase realizei esse desejo de menina. As burocracias, no entanto, me fizeram colocar o desejozinho em stand by, mas aí veio meu aniversário, veio o André e Salzburgo tá de novo pertinho de mim.

Agora vou reler o meu livrinho. Será que tem chance de cair uma avalanche de neve no Rio de Janeiro? 

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Meu namorado

Ouço e os cabelinhos do braço ficam tudo de pé:

A versão incrível da Carminho


A versão original da Simone


quarta-feira, 2 de julho de 2014

Beijo, Balzac!

Tenho uma idade nova. Agora tenho 30. Já me perguntaram como é ter 30, e eu respondi a verdade: não tenho a menor ideia. Faz menos de uma semana que mudei de idade. Por enquanto, posso dizer que 30 é melhor que 29; eu detestava 29 -  é um número antipático. Já me perguntaram também se a crise dos 30 me pegou, e eu respondi que até agora não e nem tô esperando que ela chegue. Se eu tivesse que falar algo sobre os 30 anos, diria aquele clichê de que " estou muito melhor hoje do que aos 20". Um ótimo clichê, uma verdade no que diz respeito a mim. Aos 20, eu era milhões de vezes mais insegura, mais cheia de manias, tinha os ovários cheios de cistos, sofria de ansiedade generalizada e não sabia, não tinha dinheiro pra nada. Dez anos depois,  não sou nem de longe um modelo de sucesso nem aquilo que eu imaginava que seria aos 30 anos, mas tô bem, tô mais em paz com a rotina,  viver cansa e dói menos - ou talvez eu tenha me acostumado com o fato de que a vida dói mesmo e ponto. Aos 30, faço menos mimimi, eu acho.

No mais esse aniversário, foi exatamente como os outros. Quer dizer, foi não. Dessa vez, passei parte do dia dormindo ( e babando) no banco traseiro de um carro, voltando de Minas. E no domingo,  teve festa junina, o tipo de festa que eu jamais pensei que faria. Foi um arraiá bom, do jeito que eu espero que as festas sejam: com as pessoas que realmente importam e comida boa.











E como eu sou mimadíssima, não tive nenhum trabalho pra que essa festa acontecesse. Minha prima organizou tudo, minhas tias e minha mãe cozinharam, meus tios assaram o churrasco, Sueli se juntou à minha prima na decoração, Fabrício estendeu bandeirinhas e fez o bolo de aipim mais disputado. A minha única contribuição foram as plaquinhas pra identificar a comida, com suas bandeirinhas mal desenhadas.

Ahhh, claro, preciso citar ainda que esse aniversário também foi diferente porque tive a honra da presença ilustre do Felipe. Uma pessoa da internet na minha festa, gente! hihihi

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Melhor lugar

Eu ia pro Chile, mas desisti. Ia pra Lisboa, mas o passaporte não saiu a tempo. Então vim pra cidade mais delicada.






O tanto que amo Tiradentes, gente!


domingo, 22 de junho de 2014

A beleza

Acabei de descobrir essa mulher e ainda não consegui tirar o queixo do chão e enxugar as lagriminhas:



Lendo Sobre a Beleza





Eu andava à caça de um livro daqueles que prendem a gente; acho que encontrei. Fui na livraria pra comprar um presentinho de aniversário, saí de lá com Sobre a Beleza, da Zadie Smith. Já tinha lido qualquer coisa sobre esse romance, mas o que me fez comprar foi o precinho, 13 reaizinhos. Comecei a ler no trem, indo pra Nova Iguaçu. Deu uma má vontade no início, porque tem uns e-mails que o rapaz manda pro pai, depois tem uma cena meio insólita na casa do rapaz do e-mail, enfim, não tava um início legal. Cheguei em Nova Iguaçu, fui fazer compras com minha mãe e minha prima, me estressei ( odeio bater perna! Odeio!), deu dor nos pés, minha garganta não tava boa, me encostei num canto da loja e fiquei lendo. De alguma maneira, me acostumei ao estilo detalhista da escritora e me vi grudada no livro. As compras podiam durar a eternidade depois daquele momento em que o livro me pegou, mas, claro não duraram.

Daí que hoje de tarde, voltei pra casa de metrô,o livro e eu voltamos. O vagão cheio de gringo tagarelando, um cara cantando funk (cantava bem à beça), umas pessoas meio putas com aquela barulheira e eu lendo. Desci, fui pro ponto esperar o ônibus, que demoooooora.  Pego esse ônibus todo dia e todo dia faço uma promessa pra vários anjos de guarda pra que ele venha rapidinho - funciona, às vezes. Hoje, não prometi nada; sentei no banquinho do ponto e abri o livro. Vejam bem, a tal da Zadie Smith é tão boa que eu esqueci que tava esperando ônibus numa rua deserta do Centro do Rio e achei que tinha me teletransportado pros EUA, pra festa na casa da Kiki e do Howard. Ah, me deixem explicar quem são eles. Howard é um professor universitário reclamão, Kiki é a mulher dele. Os dois são casados há 30 anos, têm 3 filhos e levam uma vida abastada e americana. Howard tem um "rival", um professor renomado e conservador, que está de mudança pra vizinhança e pra universidade onde ele trabalha. A rivalidade e um breve romance entre os filhos de Howard e do colega parecem ser a força motriz do livro. Digo " parece" porque estou na página 150 - são mais de 400. Até agora, tô adorando. Adorando tanto que não prestei atenção nos ônibus que passavam e peguei o primeiro que pareceu familiar.

Peguei o ônibus que passa pertinho do meu trabalho; de vez em quando  venho pra casa nele. Entrei, sentei e abri o livro. Tava tranquila, conhecia aquela rua ali à direita, depois aquela à esquerda, voltei pras bodas de 30 anos do Howard e da Kiki. Quando ergui os olhos novamente... epa, peraê, que rua é essa? Eu já tava no bairro vizinho. Fiquei esperando que o ônibus virasse uma rua qualquer e  fizesse o caminho pra minha casa. Não fez. O ônibus circular tava indo pro bairro onde fica a escola em que trabalho, e não voltando de lá. Quando dei por mim, estava passando em frente ao Maracanã, vendo os turistas tirando fotos, mais adiante a Mangueira - e eu sem ter ideia de onde descer, de que ônibus poderia pegar pra voltar. Acabou que fui parar perto do meu trabalho. Desci, peguei um ônibus conhecido, mas dessa vez deixei o livro fechado. Era melhor não arriscar, né?

Tomara que o livro continue legal!


quinta-feira, 19 de junho de 2014

Playlist feliz

Estou há 4 horas com o notebook no colo, baixando músicas pro meu aniversário. Faço 30 anos semana que vem e vai ter uma festa. Se eu deixasse por conta da família, seria um novo baile de debutante, então  fiz zvaler minha fama de difícil  e consegui transformar a festança numa festinha pros meus poucos amigos, meia dúzia de convidados, um churrasco pro almoço, uma festinha junina na hora do chá. Estou ansiosa como sempre, achando que não vai ninguém. Todo ano o mesmo drama: chega junho e eu começo a questionar essa minha personalidade de falsa extrovertida, que nunca poderia dar festão por falta de convidados. Passo o ano inteiro bem satisfeita com a minha meia dúzia de melhores amigos, mas no aniversário vem a crise. Esse ano, ao menos, me fingi de adulta e poupei os amigos do drama. Mas, aqui no fundo, o medo de sempre já se instalou: não vai ninguém, não vai ninguém, não vai ninguém. Dessa vez, tenho até uma certa razão: duas das minhas melhores amigas vão estar mesmo longe, em outros continentes.

Pois bem, sentei pra baixar músicas felizes pra festa, mas acabei me dando conta de que não sei o que é isso. Só ouço coisinhas melancólicas. Música agitada me irrita um pouco, e a tristeza é quase sempre tão bonita. Eu ouço música pra deitar no chão da sala e chorar. Ouço música  de amor delicado, de despedida; quanto mais manso, melhor soa nos meus ouvidos. Mas eu tô aqui pensando em animar uma festinha, tive que deixar a melancolia de lado.

Por enquanto, tem funk carioca das antigas:

Adoro Mc Marcinho!

Tem uma Bethânia pra cirandar:
Passaria um dia inteiro só cantando essas músicas com ela.



Tem música que minha vó cantava pra mim:
Quando eu era menina, meu sonho era conhecer uma Lia e cantar essa música pra ela.
Lia, pra você!


Aceito dicas de músicas felizes pra churrasco e festa junina.