sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Tá tudo muito bom, tá tudo muito bem. Foz  é legal demais, amanhã tem casamento, a companheira de viagem é  ótima, comi a melhor picanha da vida, a cama do hostel é melhor que a da minha casa, meu cabelo tá amando essa umidade. Mas têm horas como essa  em que escrevo que a tristeza vem. Tristeza por nada. Uma melancolia. Alguma coisa desencaixada aqui dentro.

Amanhã, vou acordar encaixada outra vez, eu sei. Por hoje, agora, queria minha casa. Eu deitaria na minha cama que precisa urgentemente ser trocada. Encostaria a cabeça no travesseiro metido à besta que minha mãe me deu.  E aí me daria conta de que aquela casa mudou, assim como a vida.Às vezes, a tarefa de reinventar essa vida sem minha vó pesa . O vazio que a morte deixa confunde a cabeça da gente. Nesse momento, eu queria o impossível: dormir sabendo que nada mudou.

Hoje eu queria ligar pra casa e contar pra minha vó que comprei um rolo de macarrão vermelho, muito legal. Ela entenderia por que fiquei tão feliz  com a minha aquisição. Queria que ela sentasse do meu lado da próxima vez que eu fizer joelhinhos e usar o rolo. Queria que ela reclamasse da bagunça da cozinha. Queria. Só queria.

2 comentários:

Lilian Silva disse...

Imagine como me senti quando fui a Ouro Preto e não podia contar pra minha mãe das minhas descobertas, dos lugares que visitamos juntas e que eu revi e que tudo que eu queria era poder ligar pra ela e gritar MÃEEEEEEE VOEI DE AVIÃO E SOBREVIVI. Ela tinha muito medo de avião, disse que nunca iria comigo e sei que teria ficado com o coração na mão e que depois a gente riria horrores disso.
Eu ainda acho que vou acordar desse pesadelo.
Eu ainda não sei como reinventar minha vida.

Tati disse...

Outro dia eu li um livro em que a autora relatava sua experiência de perda de um parente e disse uma coisa que me emocionou muito: a gente pode se acostumar com a ausência e a não ter mais a pessoa ao lado, mas nunca vamos deixar de lembrar e chorar. E é isso que eu sinto também ao lembrar de mim e ler um texto como o seu.
Espero que Foz te traga muitas coisas lindas!
Beijo!