quarta-feira, 25 de junho de 2014

Melhor lugar

Eu ia pro Chile, mas desisti. Ia pra Lisboa, mas o passaporte não saiu a tempo. Então vim pra cidade mais delicada.






O tanto que amo Tiradentes, gente!


domingo, 22 de junho de 2014

A beleza

Acabei de descobrir essa mulher e ainda não consegui tirar o queixo do chão e enxugar as lagriminhas:



Lendo Sobre a Beleza





Eu andava à caça de um livro daqueles que prendem a gente; acho que encontrei. Fui na livraria pra comprar um presentinho de aniversário, saí de lá com Sobre a Beleza, da Zadie Smith. Já tinha lido qualquer coisa sobre esse romance, mas o que me fez comprar foi o precinho, 13 reaizinhos. Comecei a ler no trem, indo pra Nova Iguaçu. Deu uma má vontade no início, porque tem uns e-mails que o rapaz manda pro pai, depois tem uma cena meio insólita na casa do rapaz do e-mail, enfim, não tava um início legal. Cheguei em Nova Iguaçu, fui fazer compras com minha mãe e minha prima, me estressei ( odeio bater perna! Odeio!), deu dor nos pés, minha garganta não tava boa, me encostei num canto da loja e fiquei lendo. De alguma maneira, me acostumei ao estilo detalhista da escritora e me vi grudada no livro. As compras podiam durar a eternidade depois daquele momento em que o livro me pegou, mas, claro não duraram.

Daí que hoje de tarde, voltei pra casa de metrô,o livro e eu voltamos. O vagão cheio de gringo tagarelando, um cara cantando funk (cantava bem à beça), umas pessoas meio putas com aquela barulheira e eu lendo. Desci, fui pro ponto esperar o ônibus, que demoooooora.  Pego esse ônibus todo dia e todo dia faço uma promessa pra vários anjos de guarda pra que ele venha rapidinho - funciona, às vezes. Hoje, não prometi nada; sentei no banquinho do ponto e abri o livro. Vejam bem, a tal da Zadie Smith é tão boa que eu esqueci que tava esperando ônibus numa rua deserta do Centro do Rio e achei que tinha me teletransportado pros EUA, pra festa na casa da Kiki e do Howard. Ah, me deixem explicar quem são eles. Howard é um professor universitário reclamão, Kiki é a mulher dele. Os dois são casados há 30 anos, têm 3 filhos e levam uma vida abastada e americana. Howard tem um "rival", um professor renomado e conservador, que está de mudança pra vizinhança e pra universidade onde ele trabalha. A rivalidade e um breve romance entre os filhos de Howard e do colega parecem ser a força motriz do livro. Digo " parece" porque estou na página 150 - são mais de 400. Até agora, tô adorando. Adorando tanto que não prestei atenção nos ônibus que passavam e peguei o primeiro que pareceu familiar.

Peguei o ônibus que passa pertinho do meu trabalho; de vez em quando  venho pra casa nele. Entrei, sentei e abri o livro. Tava tranquila, conhecia aquela rua ali à direita, depois aquela à esquerda, voltei pras bodas de 30 anos do Howard e da Kiki. Quando ergui os olhos novamente... epa, peraê, que rua é essa? Eu já tava no bairro vizinho. Fiquei esperando que o ônibus virasse uma rua qualquer e  fizesse o caminho pra minha casa. Não fez. O ônibus circular tava indo pro bairro onde fica a escola em que trabalho, e não voltando de lá. Quando dei por mim, estava passando em frente ao Maracanã, vendo os turistas tirando fotos, mais adiante a Mangueira - e eu sem ter ideia de onde descer, de que ônibus poderia pegar pra voltar. Acabou que fui parar perto do meu trabalho. Desci, peguei um ônibus conhecido, mas dessa vez deixei o livro fechado. Era melhor não arriscar, né?

Tomara que o livro continue legal!


quinta-feira, 19 de junho de 2014

Playlist feliz

Estou há 4 horas com o notebook no colo, baixando músicas pro meu aniversário. Faço 30 anos semana que vem e vai ter uma festa. Se eu deixasse por conta da família, seria um novo baile de debutante, então  fiz zvaler minha fama de difícil  e consegui transformar a festança numa festinha pros meus poucos amigos, meia dúzia de convidados, um churrasco pro almoço, uma festinha junina na hora do chá. Estou ansiosa como sempre, achando que não vai ninguém. Todo ano o mesmo drama: chega junho e eu começo a questionar essa minha personalidade de falsa extrovertida, que nunca poderia dar festão por falta de convidados. Passo o ano inteiro bem satisfeita com a minha meia dúzia de melhores amigos, mas no aniversário vem a crise. Esse ano, ao menos, me fingi de adulta e poupei os amigos do drama. Mas, aqui no fundo, o medo de sempre já se instalou: não vai ninguém, não vai ninguém, não vai ninguém. Dessa vez, tenho até uma certa razão: duas das minhas melhores amigas vão estar mesmo longe, em outros continentes.

Pois bem, sentei pra baixar músicas felizes pra festa, mas acabei me dando conta de que não sei o que é isso. Só ouço coisinhas melancólicas. Música agitada me irrita um pouco, e a tristeza é quase sempre tão bonita. Eu ouço música pra deitar no chão da sala e chorar. Ouço música  de amor delicado, de despedida; quanto mais manso, melhor soa nos meus ouvidos. Mas eu tô aqui pensando em animar uma festinha, tive que deixar a melancolia de lado.

Por enquanto, tem funk carioca das antigas:

Adoro Mc Marcinho!

Tem uma Bethânia pra cirandar:
Passaria um dia inteiro só cantando essas músicas com ela.



Tem música que minha vó cantava pra mim:
Quando eu era menina, meu sonho era conhecer uma Lia e cantar essa música pra ela.
Lia, pra você!


Aceito dicas de músicas felizes pra churrasco e festa junina.






segunda-feira, 9 de junho de 2014

Geladeira

Na geladeira da minha mãe tem: gelatina, iogurte, brócolis, couve-flor, batata, carne congelada, gelo, feijão, tomate, laranja.

Na geladeira aqui de casa tem: água

(e graças a um milagre, porque, com filtro de barro na cozinha, não bebo água gelada.)

De-tes-to supermercado. De-tes-to.


P.S.: Minha mãe comprou brócolis e iogurte pra mim, e eu esqueci de trazer.  Minha tia me mandou trazer feijão pronto e dobradinha, mas eu disse: não, não precisa, vou fazer comida amanhã. Não contem a verdade pra elas, por favor!

Lição

A resposta é bem simples: a pessoa simplesmente não se importa. Mas a gente quer saber, quer entender, quer perguntar se não sentiu falta.

Como pode viver sem a minha gentileza, minha prontidão, sem meus ouvidos disponíveis, sem minha flexibilidade, sem todas as minhas concessões? 

Como é isso de respirar sem mim?


segunda-feira, 2 de junho de 2014

Sobre todas as coisas

Estou sentada no chão da minha casa nova, que nem é tão nova assim, porque eu já conhecia antes. A casa em que moro agora é também a casa da minha amiga que foi morar longe. O tapete em que estou sentada é o tapete dela, assim como quase tudo aqui. Estou num processo de apropriação do espaço. Ainda não me meti na tarefa de guardar o que não quero usar, o que tem a ver com a minha amiga e não comigo. Quer dizer, comecei ajeitar sim. Arrumei o banheiro, trouxe pra cá o meu pente amarelo, troquei a chave do chuveiro pra " sempre quentinho". Também comprei lençóis macios pra cama,  um travesseiro confortável. Ainda faltam vir meus livros e meus dvds. Falta também trazer Emma. Pretendo encher a casa de fotos; só tá faltando a coragem pra procurar porta-retratos bonitos. Que preguiça de comprar porta-retratos, toalhas, panela, comida! Continuo me alimentando basicamente de iogurte, laranja, biscoito, comida da escola e comida do restaurante do lado da escola.

Ando bem cansada. Tudo me cansa. Pra chegar em casa, encaro uma ladeira e umas escadas. Minha escola tem 4 andares. Tem sempre trânsito. Os alunos demandam muita energia. Então, tudo que faço é entrar em casa, tomar banho, comer e deitar na minha cama com lençóis macios e dormir. Tem dias em que não durmo, não consigo me aquietar. Tem coisa demais acontecendo: viagem que não vai mais acontecer, viagem que quero que aconteça, mais uma melhor amiga indo morar longe, planos pra festinha de aniversário, gente reaparecendo e por aí vai.  Quero aquietar a cabeça pra dormir, mas não consigo, então  converso no whatsapp com André e Tiago, ouço música no youtube, vejo vídeos sobre a melhor forma de passar delineador.

A vontade de escrever no blog aparece quando estou no metrô, então tento usar o aplicativo do blogger, mas, de uns tempos pra cá, acho que tudo que escrevo está truncado. Tal qual na vida, quero dizer, mas adoraria que alguém lesse minha mente pra poupar energia.  Alguém aí tem poderes telepáticos?

***

Passei o dia cantando essa delícia tristinha. Significa?


        (Vienna- Billy Joel)