domingo, 22 de junho de 2014

Lendo Sobre a Beleza





Eu andava à caça de um livro daqueles que prendem a gente; acho que encontrei. Fui na livraria pra comprar um presentinho de aniversário, saí de lá com Sobre a Beleza, da Zadie Smith. Já tinha lido qualquer coisa sobre esse romance, mas o que me fez comprar foi o precinho, 13 reaizinhos. Comecei a ler no trem, indo pra Nova Iguaçu. Deu uma má vontade no início, porque tem uns e-mails que o rapaz manda pro pai, depois tem uma cena meio insólita na casa do rapaz do e-mail, enfim, não tava um início legal. Cheguei em Nova Iguaçu, fui fazer compras com minha mãe e minha prima, me estressei ( odeio bater perna! Odeio!), deu dor nos pés, minha garganta não tava boa, me encostei num canto da loja e fiquei lendo. De alguma maneira, me acostumei ao estilo detalhista da escritora e me vi grudada no livro. As compras podiam durar a eternidade depois daquele momento em que o livro me pegou, mas, claro não duraram.

Daí que hoje de tarde, voltei pra casa de metrô,o livro e eu voltamos. O vagão cheio de gringo tagarelando, um cara cantando funk (cantava bem à beça), umas pessoas meio putas com aquela barulheira e eu lendo. Desci, fui pro ponto esperar o ônibus, que demoooooora.  Pego esse ônibus todo dia e todo dia faço uma promessa pra vários anjos de guarda pra que ele venha rapidinho - funciona, às vezes. Hoje, não prometi nada; sentei no banquinho do ponto e abri o livro. Vejam bem, a tal da Zadie Smith é tão boa que eu esqueci que tava esperando ônibus numa rua deserta do Centro do Rio e achei que tinha me teletransportado pros EUA, pra festa na casa da Kiki e do Howard. Ah, me deixem explicar quem são eles. Howard é um professor universitário reclamão, Kiki é a mulher dele. Os dois são casados há 30 anos, têm 3 filhos e levam uma vida abastada e americana. Howard tem um "rival", um professor renomado e conservador, que está de mudança pra vizinhança e pra universidade onde ele trabalha. A rivalidade e um breve romance entre os filhos de Howard e do colega parecem ser a força motriz do livro. Digo " parece" porque estou na página 150 - são mais de 400. Até agora, tô adorando. Adorando tanto que não prestei atenção nos ônibus que passavam e peguei o primeiro que pareceu familiar.

Peguei o ônibus que passa pertinho do meu trabalho; de vez em quando  venho pra casa nele. Entrei, sentei e abri o livro. Tava tranquila, conhecia aquela rua ali à direita, depois aquela à esquerda, voltei pras bodas de 30 anos do Howard e da Kiki. Quando ergui os olhos novamente... epa, peraê, que rua é essa? Eu já tava no bairro vizinho. Fiquei esperando que o ônibus virasse uma rua qualquer e  fizesse o caminho pra minha casa. Não fez. O ônibus circular tava indo pro bairro onde fica a escola em que trabalho, e não voltando de lá. Quando dei por mim, estava passando em frente ao Maracanã, vendo os turistas tirando fotos, mais adiante a Mangueira - e eu sem ter ideia de onde descer, de que ônibus poderia pegar pra voltar. Acabou que fui parar perto do meu trabalho. Desci, peguei um ônibus conhecido, mas dessa vez deixei o livro fechado. Era melhor não arriscar, né?

Tomara que o livro continue legal!


2 comentários:

Luciana Nepomuceno disse...

total empatia, já perdi hora, passei do ponto, me esqueci da vida tantas vezes dentro dum livro...

Felipe Fagundes disse...

Ultimamente, só As Crônicas de Gelo e Fogo tem me fisgado assim. E quando leio de manhã e fico o dia todo ansiando pela volta pra casa pra poder ler mais? Já perdi minha estação no Metrô mais de uma vez. E também peguei Metrô voltando achando que estava indo :P