terça-feira, 8 de julho de 2014

Não sou mãe de ninguém- nem tia, nem irmã mais velha. No máximo, chego a prima mais velha e madrinha. Sei alguma coisa sobre autoridade, broncas e puxão de orelha metafórico porque dou aulas  e, como digo mil vezes aos alunos que me chamam de chata, sou paga pra ser mais que chata; sou paga pra ser a mala sem alça. Ser chata é um prazer e dever, querido aluno! Meus alunos têm 12 anos. Pra que fossem meus filhos, eu precisaria ter dado à luz aos 18. Quando muitos deles dizem que tenho a idade dos pais deles, eu acredito, claro, mas não consigo encontrar nenhuma identificação com essas pessoas que tiverem filhos jovens e agora são responsáveis por aquelas crianças que me enlouquecem. Não tenho a menor ideia do que significa ser responsável pela vida de uma pessoa. Só posso imaginar. Mas ontem me vi entendendo o que uma mãe sente ao ver uma menina - uma menina sua -metendo os pés pelas mãos. 

Não sou de dar conselhos, não sou de virar amiga de aluno. Dou aula pra crianças de 12 anos ( pra mim, 12 anos é idade de criança, sim! Vai conversar com uma pessoa de 12 anos e me diz depois se não é criança). Não tem como ser professora/ amiga de pessoas dessa idade. Pelo menos, eu não tenho a menor ideia de como se faz isso. Então não foi como amiga que chamei uma aluna num canto, depois da aula, e disse pra ela que eu tava preocupada, que tava tudo errado, que eu ia passar sermão mesmo, que eu ia chamar os responsáveis dela. Dei um sermão. Mas não foi um sermão daqueles pra fazer criança ficar quieta e prestar atenção na aula. Olhei aquela menina nos olhos, tomada por uma necessidade de que ela me entendesse, de que ela pudesse ver a vida dela sob minha perspectiva. Conversando com aquela menina, eu me senti adulta pela primeira vez na vida. Adulta de um jeito assustador: por um lado, eu conseguia antever as consequências dos atos dela e tinha propriedade pra garantir a ela que nenhum sofrimento é infinito; por outro, me vi ansiosa pra que minhas palavras não entrassem por um ouvido e saíssem por outro.

A menina me ouviu atentamente; olhos rasos, vermelhos. Ela não brigou, não gritou , não me disse que eu não sabia de nada da vida dela. Mas aqueles olhos me disseram algo que nunca ninguém tinha me dito: você é adulta,  você não sabe como é ter 12 anos como eu. 

E deve ser verdade. Não me lembro mesmo como é ter 12 anos.


(Esse post tá meio capenga nos quesitos coesão, coerência, palavras no lugar certo. Tentei dar jeito, mas não consegui. Relevem, por favor! =/)

Um comentário:

Tales Gubes disse...

Bah, me senti no teu lugar.

Lembrei de uma vez que senti isso eu com 26 e meus alunos com 18. Medo mortal de um dia me deparar com criaturinhas de 12. =p