domingo, 21 de setembro de 2014

É setembro de novo, e eu quase me espanto ao olhar o calendário. Parte de mim, viu todos esses meses passarem, parte de mim viveu todos esses dias, mudou de casa, viajou, foi pro trabalho, respirou. Uma outra parte, silenciosa e resistente, permanece no setembro anterior. Na horas mais calmas, nos segundos antes do sono vir, essa parte me puxa pela mão e me leva  praquele dia de setembro do qual ela nunca saiu. Uma parte de mim, está aqui escrevendo, no sofá de uma nova casa, esperando o cabelo curto secar. A outra parte parou na porta da capela onde o corpo da minha vó foi velado e ficou. Nem um segundo se passou nesses 365 dias. Nem um grão de poeira se moveu. Parte de mim nunca viu o corpo morto da minha vó, parte de mim não teve coragem de cruzar aquela porta.

Um ano. Poderiam ser quinhentos ou três milhões. O tempo não me diz nada. 






Nenhum comentário: