quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Livro, tempo, empatia e abraços não requisitados




Estou lendo Americanah porque metade das pessoas que conheço na internet está lendo - eu, pouquíssimo influenciável. Ainda estou no meio do caminho, mas já morro de amores por Ifemelu e Obinze.

" Ifemelu pousou a cabeça contra a de Obinze e sentiu, pela primeira vez,o que sentiria muitas vezes em muitas outras ocasiões com ele: uma autoafeição. Ele fazia com que gostasse de si mesma. Com  Obinze, Ifemelu se sentia confortável; era como se a sua pele fosse do tamanho certo."


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Às vezes, fico irritada com o tanto que as pessoas reclamam. Sou uma hipócrita, claro.Também reclamo de tudo e de todos. Mas me cansa a reclamação que bate ponto, que se repete todo dia. Dá vontade de dizer: pelo amor de deus, fala com a parede, não fala comigo.

Só que acontece também de a reclamação ganhar nuances. Hoje mesmo  eu tava ouvindo um cara reclamar. Falou, falou, falou  e eu concordei no que podia, porque não sou capaz de ter alcançar o que ele está falando. Ele começou a dar aulas em 1987. Em 1987, eu não era alfabetizada, mal sabia falar.

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Contei pros meus alunos que o inimigo número 1 da escola no início da minha adolescência era o tamagochi.Contei que vi um celular de perto pela primeira vez em 1997. Contei que o primeiro vídeo que vi na internet foi uma cena de Arquivo X. Hoje em dia, só não vejo Criminal Minds em tempo real porque não entendo inglês, então espero dois dias
 até que saia a legenda feita por fãs. Mas em 98, a história era outra.  Pra ver o trecho de uma cena aguardadíssima, esperei que o vídeo de 30 segundos levasse duas horas carregando, bloqueando a linha telefônica da casa do meu pai.  Telefones fixos eram importantes em 1998, né?

-  Façam as contas de há  quanto tempo foi isso. Eu tinha 14. Hoje tenho 30.

E, pela milionésima vez desde que os conheço, aqueles adolescentes ´ficaram espantadíssimos ao ouvir minha idade. Acho que pra eles ter 30 anos é como ter duas cabeças ou estar à beira da morte. Como a minha cabeça está ok em cima do pescoço e pareço saudável, eles ficam confusos.

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A melhor coisa sobre abraços é que são quentinhos. A segunda melhor coisa é que são íntimos. A terceira melhor coisa é poder abraçar só quem a gente quer.  Ao contrário dos beijinhos na bochecha, abraço não é ritual social. Quer dizer, pra mim não é. Por isso morro de constrangimento morro de constrangimento toda vez que alguém adulto que mal conheço, com quem tenho uma relação superficial, de quem nem gosto nem desgosto arranja motivo pra me abraçar.  

Existe uma pedagogia do abraço que eu desconheço? 












7 comentários:

Felipe Fagundes disse...

Você parece eu com as séries. Só gosto de assistir séries que outras pessoas assistem, pra me sentir parte de alguma coisa :P (Menos Survivor. Survivor é amor, não escolhi, a série que me escolheu). Mas essa Chimamanda é tipo uma deusa, né? Só vejo falarem bem dos discursos dela.

Eu já sou super fácil no abraço. Os beijinhos me deixam constrangido. Trocaria por abraços.

Aline Aimée disse...

"Acho que pra eles ter 30 anos é como ter duas cabeças ou estar à beira da morte." Eu ri.

Adorei os drops! E já peguei Americanah também.

Cheshire cat disse...

Olha, eu também tenho dificuldade com abraço, aliás com contato físico no geral. Nunca abracei meus alunos adultos.

Mas os pequenos eu abraço, abraço mesmo. Não sei por que, mas com criança é diferente.

A não ser quando eles voltam do recreio ou da educação física. Aí não abraço não, hehehe.

Tati disse...

Pior que existe pedagogia do abraço. Mas também não entendo essas pessoas que saem abraçando por aí desconhecidos, o que elas fazem com as pessoas que gostam então? hahahahaha
Para seus alunos ter 30 anos deve ser a mesma coisa quando ouço que alguém nasceu em 2003. Dá um susto, como assim existe gente nesse mundo que pensa em nasceu em 2003? Meio que entendo eles :P
Americanah <3
Beijos!

Annie Adelinne disse...

To doida pra pegar esse livro. Vc viu como eu fiquei com os trechos que publicaram no blog da Cia, né? Muito <3

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Olha a reviravolta na minha vida: agora eu tenho um adolescente em casa. Sim, eu tenho a guarda, repare bem, de um adolescente de 14 anos, que antes era apenas um cunhado que morava muito, muito longe.

Essas criaturas adolescentes parecem máquinas de reclamação, né? Só de pensar em ouvir ele reclamando já nasce uma irritação aqui dentro. Reclama até de brincadeira, gente oO

E eu aqui reclamando dele.

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Eu gosto daqueles abraços q duram tempo suficiente pra vc se balançar um pouquinho enquanto está abraçando a pessoa. Mas né, tem pessoas que são mais abraçáveis que outras. Vc é tão gostosa de abraçar, Ju!

livroseoutrasfelicidades disse...

Que perolazinhas ;-)

Cristiano disse...

Veja decada de 90 a decada que nos conectou no canal natgeo... acho q vc vai gostar...