sábado, 25 de outubro de 2014

"Obinze descobrira que a tristeza não diminuía com o tempo; na verdade era um estado volátil. Às vezes, a dor era tão abrupta quanto no dia em que a empregada havia telefonado para dizer que ela estava deitada sem respirar; às vezes, ele esquecia que ela tinha morrido e, sem pensar, planejava ir para o leste do país para vê-la."
 (trecho de Americanah, de Chimamanda N. Adichie)


Essa semana fui à farmácia comprar um remédio pra insônia. É um fitoterápico que minha vó tomava e que o médico me disse que eu podia tomar de vez em quando. O balconista da farmácia pediu que eu repetisse o nome do medicamento e me informou: 

- Olha, xxxxx não é mais produzido. Tenho  aqui dois outros com a mesma fórmula. Quer ver?
- Como assim, não é mais produzido? Foi proibido?
- Não. Esse laboratório parou de fabricar. Tem os outros dois. Vou chamar o farmacêutico pra confirmar pra você.

O moço cruzou a portinha que dava pros fundos da loja, e eu peguei o celular na bolsa. Cara! Minha vó vai ficar maluca quando souber que o xxxx não é mais vendido. Ela toma ele há anos. Peguei o telefone, disquei o número da casa da minha mãe. Só depois do segundo toque é que me dei conta de que ninguém ia atender. Minha mãe estava no trabalho. Minha vó está morta há um ano.

Te entendo muito, Obinze!

Nenhum comentário: