domingo, 9 de novembro de 2014

Eu tava tão chateada e cansada que a possibilidade de ficar sozinha pareceu mais cansativa que o dia. Então, peguei o metrô lotado no sentido contrário, enfrentei o trânsito, só pra não ficar sozinha. Fui recompensada com pizza, costelinha de porco, discussões sobre enfeites de festa e compreensão. É incrível como a distância facilita a vida. A saudade faz com que sua comida favorita apareça quentinha no seu prato.

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Sempre achei que soubesse tudo de solidão porque sempre fui meio sozinha. Filha única aprende a se virar com que tem. Minha melhor companheira de infância era a goiabeira lá de casa. Nós brincávamos de comadres- a madrinha das minhas bonecas era uma árvore. Mas brincar com árvores ou passar horas andando de bicicleta nada têm a ver com essa coisa maluca que é ser a única pessoa capaz de sentir (e lidar com) suas próprias dores e seus próprios prazeres. A gente pode tentar explicar, pode ainda compartilhar, pode ser confortada, mas o que é seu, é seu - ninguém dá conta. É apavorante e bom.

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Eu devia me meter menos na  vida das pessoas. Quer dizer, eu não me meto, só dou palpite se me pedirem. Mas fico agoniada esperando que as coisas mudem, que aquele " não aguento mais" seja verdadeiro. Se eu cuidasse só da minha vida, não ficaria puta com as eternas concessões. Não ficaria puta quando me dissessem que ficar sozinho dá medo. Vontade de dizer: " Feliz ou infeliz, a gente tá sempre sozinho, meu bem! Melhor que seja feliz!" Fico só na vontade porque não dá pra repetir um clichezão desses e sair incólume. 

Só que, meu deus, cuidar um pouco da própria vida e encarar uns tempos de tristeza e sentimento de fracasso não matam ninguém.


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Tenho a impressão de que a vida se divide em correr atrás do próprio rabo e em tentar não correr atrás do próprio rabo. Às vezes, os dois ao mesmo tempo - e acho que assim deve ser melhor mesmo.

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Chegou o cansaço de fim de ano. Soube que tinha chegado quando mandei uma aluna sumir da minha frente. Toda paciência que não tenho na vida tenho no trabalho. Mas estamos em novembro. A paciência que tinha secou, e não existe chuva de paciência. Ouvir uma resposta atravessada  da professora não vai matar a menina.

Daí que no dia seguinte àquele  em que descobri o fim da paciência, me irritei e saí da sala de aula. Simples assim. Tá certo que faltavam só 10 minutos pro fim da aula. Tá certo que o inspetor por perto. Ainda assim... eu nunca tinha saído de uma sala de aula com tanta raiva - e olha que já vivi situações muito ruins no trabalho. Mas quer me matar? Esfrega indolência na minha cara. 
Bem, eu não deveria trabalhar com adolescentes, então, né!

Como sobreviverei à novembro?

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Status atual: um poço de amargor





Um comentário:

livroseoutrasfelicidades disse...

Ah, o fim do ano... Ah, as pessoas que dizem que querem mudar e não mudam... Ah, as pessoas que preferem antes mal acompanhado do que só...