quarta-feira, 29 de abril de 2015

Minha cara

Sempre acontece. Alguém chega perto de mim e diz: nossa, você é igualzinha à minha prima/vizinha/colega ou à irmã da enteada do meu avô. Ouço também: Você é irmã/prima/ sobrinha/ qualquer parente da (do) fulaninha (o)? Ouço tanto que já tenho resposta no automático. Não, eu não tenho irmãos de sexo nenhum e não me pareço com nenhum parente meu. E eu não pareço mesmo com os meus parentes mais próximos. Eu não me pareço com a minha mãe.

( não tô sabendo organizar esse post em parágrafos decentes, então vou abrir um outro parágrafo agora porque ninguém merece um blocão enorme de texto)

 Alíás,  se estiverem 3 mulheres numa sala, todas com a mesma idade da minha mãe, e eu pedir  que apontem quem é a minha mãe, tenho certeza de que vão indicar a pessoa errada. Já aconteceu! Quer dizer, não aconteceu, nunca fiz esse experimento. Mas já aconteceu  assim: minha mãe e eu fazíamos parte de um grupo. Esse grupo se via toda semana. Eu não ficava perto da minha mãe quando o grupo se reunia, ficava perto das minhas amigas porque era mais legal ficar perto delas. Passei uns 3 anos nesse grupo. Durante uns dois anos, as pessoas  achavam que eu era filha da moça que sentava do lado da minha mãe. Descobri isso num dia em que falei uma coisa óbvia tipo " peraê que vou perguntar pra minha mãe" e fiz a pergunta pra pessoa sentada ao lado daquela que todo mundo achava que era minha mãe. Uma maluquice!

As pessoas me achavam parecida com a minha vó. Eu nunca achei. Quer dizer, numas fotos minhas lá pelos 6, 7 anos, até vejo umas semelhanças. Mas depois fiquei tão grande e bochechuda que não consigo mais ver semelhança entre mim e a figura pequena da minha vó. A gente tinha vozes parecidas ao telefone, as pessoas confundiam. As pessoas achavam minha mãe em minha vó parecidas. Nunca achei. Minha vó era igualzinha à irmã mais nova dela. Tão parecida que eu me assustava de ver a cara da minha vó no corpo de alguém com um jeito tão diferente. Olhar pra minha tia era como olhar pra uma versão meio desconfigurada da minha vó. Já a outra irmã tem o cabelo e a personalidade bem parecidos com os da minha vó, então todo mundo dizia que eram idênticas, mas nunca foram. As pessoas se deixam influenciar por um corte de cabelo.

( Vou abrir um outro parágrafo. Ainda tô falando da mesma coisa, mas vocês vão sentir falta de um link entre o parágrafo aí de cima e esse novo. Devia ter rolado aquela coisa de articular as partes do texto, mas não rolou!)

Acabei de lembrar de uma história aqui. Eu tava numa van, voltando do trabalho, quando uma mulher olhou pra mim e disse: "poxa, você não levou água lá em casa hoje? Ficamos sem água!" E eu com cara de "hã?". A mulher insistiu: " não lembrada de mim? Sou fulanete! Da rua X." Olha, moça, a senhora tá me confundindo com alguém. " Ué, você não é a menina lá do depósito de água?" Não, não sou! " Mas é igualzinha! Nossa! Muito igual!" tive que contar pra ela que eu trabalhava naquela escola ali atrás, que eu morava muito longe dali, que nunca vendi água pras pessoas. Sempre penso que numa dessas de " mas é igualzinha!" apanho na rua sem saber por quê. Seria bom ter uma cara menos comum.  Seria mais seguro.

( coesão e coerência, mandaram um beijo pra esse post, mas, tudo bem, o importante é sentir vontade de escrever aqui e não largar pela metade!)


Pensei que precisava do conforto que só vem de comida e me veio à cabeça cenouras  - raladinhas, com azeite, huuum... chego a sentir o cheiro. De onde tirei a ideia de que cenoura é comfort food?

Pensei em cenouras e em me enrolar na minha mantinha azul. Pensei em chorar um cadinho mais, depois levantar, ralar cenouras, fazer arroz fresco e comer quietinha. Emma deitada na sua caminha azul ali no canto da cozinha.

Pensei em muito silêncio e no gostinho de cenoura e azeite na boca.

terça-feira, 14 de abril de 2015

- O que você fez no cabelo?
- Penteei.

A pergunta foi feita pela colega. A resposta foi minha.



***
 - Tá bonita! Você não vinha bonita assim quando dava aula pra gente!

 A., 12 anos, minha ex-aluna. Nesse dia, eu tava usando brinco. Nunca lembro de botar brinco às 6h da manhã.

***

Meus sapatos nunca foram muito limpos, mas ficam piores quando uso no trabalho. Minhas horas na escola envolvem muitos pisões no pé, muitos mesmo. Não são pisões violentos, não chego nem a dar gritinhos ao sentir a pressão dos pezões juvenis sobre os meus. São mais esbarrões. Aquelas pessoas de 12 anos não sabem chegar perto de mim sem esbarrar na minha sapatilha rosa mais ou menos limpa.  Olho pra baixo e vejo as marquinhas de tênis na ponta do meu pé. " Meu pé, toma cuidado com meu pé!" Acho que vou fazer uma plaquinha. É uma ideia, hein!

Uma professora horrorosa que tive na faculdade tinha alertado que as pessoas do sexto ano são adeptas do contato físico. São abraços, beijos, um cutucão no cotovelo, um  esbarrão nas costas. A professora falava como se tudo isso fosse uma tortura.

Essas pessoas não conseguem ficar na tua frente quietas. Falam e puxam tua blusa. Falam e se apoiam na teu ombro. Falam e testam a capacidade 
de extensão do teu cabelo. " Teu cabelo esticaaaa, professora! E, se soltar, enrola de novo!" E nisso as mechas puxadas nunca voltam pro lugar em que cuidadosamente as coloquei de manhã. Eu prefiro que não mexam no meu cabelo, sabe.

***

Antes do almoço, lavo as mãos e uma aguinha preta escorre delas. Tinta da caneta pilot. Só não odeio mais a caneta pilot pq usei giz por um ano e nada pode ser pior que sair de uma sala de aula com a roupa cheia de giz. 

***
Eu gosto dos abraços que recebo na escola. Não são torturantes. Muitas vezes são os únicos que recebo na semana toda. 

sábado, 11 de abril de 2015

33 perguntas

Peguei no blog da Raquel.



1. Por que você costumava levar bronca quando criança?
Por se chorona, o que acabou me transformando numa adulta que só chora em enterros ou no divã.

2. Qual foi a última vez em que você saiu sem rumo?
15 de maio de 2014. Mas sair sem rumo pra mim nunca significa coisa boa.

3. Três objetivos para seu futuro…
Viajar, conseguir aprender inglês o suficiente pra viajar sozinha e deixar o cabelo crescer.

4. O que você encontraria se abrisse a geladeira neste exato momento?
Na minha parte da geladeira, tem requeijão, iogurte e legumes que não serão comidos. Os bombons e o sorvete são da roommate.

5. Qual tecnologia ocupa mais o seu tempo?
Celular.

6. Uma coisa usada que você comprou…
Metade dos meus livros veio de sebos.

7. Qual a primeira coisa que você faz ao acordar?
Corro pro banheiro.

8. Do que você precisa neste exato momento?
Coragem pra me levantar da cama.

9. Qual foi a última coisa que você leu, ouviu ou assistiu que te inspirou?
Faz muito tempo que não me sinto inspirada.

10. Um souvenir que você comprou ou ganhou…
Ih, nenhum!

11. O que te deixa estressada?
Desrespeito e gente que fica de mimimi eternamente.

12. Já morou em outro país além do Brasil?
Não, e não consigo me imaginar morando fora do Rio.

13. Você tem tatuagem?
Não tenho e, provavelmente, nunca terei. Tenho certeza de que me arrependeria de qualquer tatuagem assim que levasse a última agulhada. 

14. Qual foi a última coisa que você pesquisou no Google?
O endereço de uma papelaria.

15. Qual a sua maneira de ser egoísta?
Tenho uma tendência a ser chantagista emocional. Não me julguem. Não é culpa minha, é culpa do meu signo. Desculpem.

Ah, eu não gosto de dividir comida. Juliana doesn´t share food!

16. O que demora demais?
Ver filmes no cinema. Me dá um desespero passar 2 horas sentada, olhando pra frente. Cinemas com botão de pausa, faz favor!

17. A última vez em que você ficou acordada durante a noite toda…
Quarta passada. A insônia me ama.

18. Qual comida que todo mundo ama mas que você odeia?
Bolo. Não gostar de bolo me torna uma pária da sociedade. 


19. O que você está vestindo agora? O que essa roupa diz sobre você?
Um vestido. Essa roupa diz: " Juliana tá com calor!"

20. Já fez amigos ou se apaixonou por alguém que você conheceu pela internet?
Em que outro lugar a gente consegue conhecer gente legal se não for na internet? Aliás, esse blog me permitiu conhecer pessoas com as quais eu nunca esbarraria na vida. Já fiz amigos por aqui, agora só falta me apaixonar. Candidatos, deixem comentários sedutores!

22. Qual foi a primeira coisa que você comprou com seu dinheiro?
Com o dinheiro do estágio do Ensino Médio, eu pagava o curso de inglês. Me senti muito adulta por isso; uma adulta muito pobre porque o dinheiro não dava pra mais nada.

23. O que tem na sua prateleira?
Minha prateleira no momento está em processo de pintura.

24. Como você se acalma depois de um dia estressante?
Falando feito uma matraca.

25. Escreva sobre algo que você quebrou…
Eu quebrei o desencaroçador de azeitonas ao tentar quebrar uma noz no lugar errado.
Exercício para casa: 
Aponte na figura o desencaroçador de azeitona e o quebra-nozes. Em seguida, disserte sobre o risco de enfiar uma noz no desencaroçador.

26. O que você mais gosta de comer no café da manhã?
Iogurte e pão com manteiga

27. Como quer que sua vida de aposentada seja?
Saudável

28. O que você leva em consideração ao votar em um partido político?
Eu não sei votar em partidos. Não entendo nada de política.

29. A religião é um fator importante na sua vida? Por quê?
Não, porque eu já fui uma péssima religiosa.

30. Como está sua casa agora, limpa, suja?
Precisando de uma boa varrida.

31. Você não economiza quando o assunto é…
Não sou de esbanjar dinheiro.

32. Você separa o lixo para reciclagem?
Não. /o\

33. Sua sobremesa favorita?
Sorvete de chocolate

Adoro perguntinhas!

quarta-feira, 8 de abril de 2015

De saia branca costumeira

Quando eu era menina, jurava que  Sá Marina era eu:




Roda pela vida afora
E põe prá fora esta alegria
Dança que amanhece o dia
Pra se cantar


Está em cartaz aqui no Rio um musical sobre a vida do Simonal. Eu vi duas vezes e veria uma terceira vez se o ingresso não fosse tão caro.

domingo, 5 de abril de 2015

Eu não sabia que era possível amar uma pessoa, mas não gostar muito dela de vez em quando. Pior: não sabia que era possível não gostar de alguém que você ama só quando determinadas  outras pessoas estão por perto. Faz pouquíssimo tempo que descobri essa possibilidade. É uma coisa maluca demais!

Certas pessoas despertam o pior de outras. E pode ser bastante ruim ver esse pior, conviver com ele e não poder fazer nada.


sábado, 4 de abril de 2015

Sobre nada, nadinha

Passei a semana sonhando com a minha vó e acordando todas as noites às 3h45. Minha mãe se esforça pra não se assustar com meus sonhos e com essa coisa do horário repetido. Ela mandou que eu contasse os sonhos pra analista. Acho que minha mãe credita muitos poderes à minha analista.

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Nunca pensei que teria 30 anos e estaria esperando por novos episódios de Arquivo X. A porta do meu quarto é igual à da Mônica Geller, mas meu coração tem sido de Arquivo X desde 1998. David Duchovny foi o maior amor da minha adolescência, chorei quando descobri que meus guias de temporadas mofaram no armário. 

2015 e vão produzir 6 episódios inéditos. Morro de medo do que estar por vir. Me recuso até hoje a ver as  desnecessárias últimas temporadas, lamento aquele segunda filme péssimo, mas tô aqui que não me aguento. 

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Recebi uma orientação equivocada de um veterinário e... poft! Tenho 5 gatos em casa. Não sei lidar com 5 gatos, é quase uma odisseia conseguir um lar pra 4 filhotes. 

Emma não faz barulho, usa a caixa de areia, deita na estante e parece um enfeite de porcelana. Os filhos dela não são nada disso. E eu sinto vontade de chorar quando eles se põem a miar ao mesmo tempo.

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Comprei uns 6 livros, nenhum que prestasse. Quero um livro que me faça desejar que o trânsito pare. Vocês conhecem algum?

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Vinicinho agora me manda áudios e fotos tortas no whatsapp. Uma dessas fotos  é do clube secreto. O clube secreto é uma caixinha azul, enfeitada com desenhos do Pequeno Príncipe, onde ele guarda o carrinhos. 

A mãe do Vinicinho foi chamada na escola porque ele não obedece.


Cês se lembram de quando eu escrevia posts sobre o bebê que não gostava de ficar no meu colo?

Tempo, tempo, tempo.

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Meu cabelo cresceu ao ponto de perder o corte e cair na minha cara, mas continua tão curto que não chega ao ombro.

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Fiz um óculos bonito, mas o grau tá errado. Dois médicos, graus diferentes. Um diz que agora sou míope, o outro diz que foi só o astigmatismo que aumentou.    Marquei consulta com o oftalmologista de sempre; na semana da consulta, o cara foi internado sem previsão de alta. Preciso de óculos, sempre precisei. Só preciso saber como devem ser as lentes.



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Fiz um novo mapa astral e tô aqui esperando que seja tudo verdade de novo. Meu céu tá uma lindeza!
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Nem sou da classe média, mas tô aqui rezando pro dólar baixar. Baixa dólar, baixa!

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Às vezes, eu tenho vontade de escrever aqui, mas fico com a sensação de que não há nada pra falar. Blogs diarinhos nunca têm mesmo nada a dizer, mas eu tô me sentindo como se tivesse menos ainda. Aí eu não escrevo e sinto uma falta enorme de escrever sobre nada.