domingo, 31 de maio de 2015

Minha rainha, meu tesouro

A vontade de escrever esse post me surgiu na noite do dia das mães, mas só agora começo a escrevê-lo. O nome disso é preguiça, vocês sabem. Pelo menos, ainda é maio. Não tenho nada contra o dia da mães, aliás comemoro todos os anos. Minha família se reunia lá em casa, sempre tinha churrasco, às vezes eu dava presente pra minha mãe. Esse ano, minha mãe teve de trabalhar, então a gente foi jantar no sábado mesmo, e eu passei o domingo sozinha, com o notebook na mão, vendo as declarações de amor que as pessoas fizeram para suas mães. O Facebook no dia das mães me deixa meio deprimida. Longe, muito longe de mim, julgar o que as pessoas escrevem no Facebook. Depois que anunciei a morte e o enterro da minha vó por lá, entendi  porque tanta gente escreve coisas mais ou menos íntimas naquela rede social. Às vezes, a gente só quer  um jeito mais fácil de todo mundo saber. Eu tô aqui num blog diarinho falando coisinhas da minha vida. As pessoas no Facebook só querem falar das suas vidas também. Acho que é simples assim. Mas, vamos ao ponto, por que é que tu falou que fica meio deprimida com o facebook no dia das mães? Vou explicar.

Você abre a rede azul no dia das mães e estão lá umas fotos lindas, uns textos ainda mais lindos, muitos "eu te amo". Eu mal tenho fotos com a minha mãe porque ela não se acha fotogênica. Esse ano, decidi colocar uma foto no perfil e precisei recorrer a uma do início de 2014, porque as poucas mais recentes não eram boas de se apreciar. Tá bem, esqueçamos as fotos? Eu poderia escrever um textinho bonitinho. De vez em quando, eu escrevo umas coisinhas agradáveis, não seria muito esforço escrever  coisinhas agradáveis pra minha mãe. Seria. Quer dizer. Vou explicar: não sei dizer sobre a minha mãe as coisas que são ditas sobre as mães. Minha mãe não é minha melhor amiga, não é uma rainha, nem é um modelo a ser seguido, não é a pessoa mais legal. Passei muitos anos da minha vida sentindo raiva pelos nãos que ela me disse, falei mal dela pras minhas amigas, não sei lidar com muitos aspectos  da sua personalidade. Minha mãe me irrita bastante, reclama bastante, faz o único feijão que eu não consigo comer. Somos muito mais felizes agora que moramos em casas diferentes. Pode perguntar pra ela. 


E não, eu não odeio minha mãe. Não,  eu não a quero  bem  longe mim. Muito pelo contrário. Acho que a gente se dá muito bem, especialmente agora que sou adulta e sei olhar pra ela como os adultos olham uns pros outros. Minha mãe me criou do jeito que sabia, do jeito que foi possível, e eu tô aqui viva, mas não vejo na história dela nada que a aproxime do heroísmo, da linhagem dos guerreiros. Sobre minha mãe, posso dizer coisas ótimas que não têm necessariamente a ver com fato de que ela me pariu e me criou. Ela conserta chuveiros, nunca faz fofoca nem fala mal dos outros, tem muita empatia, não foge das responsabilidades, tem uma ótima percepção das pessoas. Só por conviver com ela, aprendi que livros são um excelente modo de usar o tempo, que posso ir pra onde  quiser e como  quiser, que há coisas que a gente precisa fazer e ponto. Minha mãe é uma pessoa bacana. Muito. E, provavelmente, já era bem bacana antes de eu existir e vai continuar sendo se eu morrer agora. Entende? Não acho que ser minha mãe a torna , incrível, uma pessoa da realeza.

Levei mais de 25 anos pra aprender a viajar com a minha mãe de bom grado, acho mesmo que ela não sai bem nas fotos, raramente dou abraços apertados nela. Escrever texto fofo no facebook no dia das mães seria uma falsidade, mas às vezes me pergunto se minha mãe não espera as declarações públicas, os presente convencionais. Quer dizer. Eu acho que minha mãe não espera nada, não, e eu não sou assim tão preocupada em ser uma filha que escreve textos fofos. Mas o dia das mães no Facebook me faz sentir como aquela menininha que na festa das mães na escola não seguia direito a coreografia que a turma ensaiava. Se bem que eu nem era essa garotinha. Eu era  a menina que mais dançava e se empolgava, mas meio que em vão porque minha mãe trabalhava e as escolas da década de 90 ignoravam as mães que  trabalhavam. Enfim,  mas essa é uma outra história.





Porta que ninguém vai atender






"Meu coração bate sem saber
Que meu peito é uma porta que ninguém vai atender
Meu coração bate sem saber
Que meu peito é uma porta que ninguém vai atender

Quem sente agora está ausente
Quem chora agora está por fora
Quem ama agora está na cama doente
Só corre nunca chega na frente
Se chega é pra dizer vou embora
Sorriso não me deixa contente"

sábado, 30 de maio de 2015

Há uma história triste que não pode ser contada aqui, então vou contar uma história fofa, porque hoje eu preciso de fofices:

Aconteceu ano passado. Os envolvidos são duas lindezas, daquelas pessoas que você queria que fossem suas. Ela é aluna modelo, está se tornando uma adolescente tímida e um dia vai saber usar direitinho o  talento que tem pra mandar em todo mundo. Ele é  moleque malandro, simpático, agitado, inteligente. Esse ano, não são meus alunos e estão em turmas diferentes. Pois bem. Certa vez, um outro menino fofo disse pra todo mundo - inclusive pra mim - que ele gostava dela. Ele não desmentiu; gostava dela sim, mas num passado muitíssimo distante, lá no quarto ano. Ela não disse nada, apenas sorriu tímida, tímida como sempre. Já eu tenho uma opinião formada sobre o assunto, baseada em todo um ano pedindo pra que ele não grudasse tanto a cadeira na cadeira dela.

Houve, então, aquele dia em que passei uma atividade em que precisavam citar  um defeito. Ela, aquela lindeza de menina, levou muito a sério a questão e ficou um tempão pensando. Ele, com a cadeira grudada na dela, escrevia e escrevia concentrado.

- Tá difícil?  - Perguntei porque tava começando a ficar aflita com tanto que ela pensava. - É só colocar um defeito seu.
- Eu não sei.. 
Autoconhecimento não é uma coisa tão fácil assim, né?
- Pensa o que você não gosta em você ou algo que alguém reclama sobre você...
Achei que ela fosse pensar mais um pouco, mas a menina preferiu virar pro menino sentado na cadeira ao lado:
- Diz um defeito meu.
Ele sorriu satisfeito com a solicitação, já tinha uma listinha pronta a recitar. Ela foi mais esperta:
- Só não pode dizer que eu sou chata e feia porque isso você diz todo dia. Responde a sério.
O sorriso do mocinho murchou. Ele baixou os olhos pra seu próprio caderno e respondeu bem rápido, quase não consegui entender:
- Então, você não tem defeito, não.

Uma fofice.

***

Eu conto histórias fofinhas  sobre  escola porque as não fofinhas são quase sempre muito ruins. 

***

Um sentimento recorrente:

 Dez réis de esperança
Antonio Gedeão
Se não fosse esta certeza
que nem sei de onde me vem,
não comia, nem bebia,
nem falava com ninguém.
Acocorava-me a um canto,
no mais escuro que houvesse,
punha os joelhos á boca
e viesse o que viesse.
Não fossem os olhos grandes
do ingénuo adolescente,
a chuva das penas brancas
a cair impertinente,
aquele incógnito rosto,
pintado em tons de aguarela,
que sonha no frio encosto
da vidraça da janela,
não fosse a imensa piedade
dos homens que não cresceram,
que ouviram, viram, ouviram,
viram, e não perceberam,
essas máscaras selectas,
antologia do espanto,
flores sem caule, flutuando
no pranto do desencanto,
se não fosse a fome e a sede
dessa humanidade exangue,
roía as unhas e os dedos
até os fazer em sangue.

***

Bem, a menina  ficou toda vermelha com a resposta que ouviu, mas não se deu por satisfeita, então eu tive que dar uma ajudinha a ela. Contei pra ela que meu maior defeito é ser muito ansiosa e expliquei como isso era chato pra minha vida. Claro que  recorri a uma mentira; eu não poderia dizer pra aluna que meu maior defeito é achar que sempre tô certa. Eu era a professora dela, claro que eu estava sempre certa. A bem da verdade, se eu fosse bem honesta mesmo, diria que o maior defeito, aquilo que me incomoda de verdade é ter um coração blindadinho e muito desconfiado. Não, melhor não! Deixa o " eu sou muito ansiosa" mesmo. 

Ela acabou escrevendo que às vezes queria se expressar com mais clareza e não ter medo de parecer boba. Eu sorri.  Porque, né? Todas nós, meu bem! Todas nós!

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Não consigo dormir porque só consigo pensar nas coisas que não posso controlar. Minha garganta arranha de um nervoso requentado. Fico repetindo sem intervalos, sem fôlego, que não, por cima do meu coração ninguém vai passar, não serei obrigada a condescendências que não quero, não é assim o amor. 


Hoje quis muito silêncio, meu quarto, o livro repetido. Comprei sorvete pra ver se os clichês dos filmes funcionam. A minha cabeça dói. Parece que fui mesmo rasgada.Eu sei que passa. Já estive aqui muitas vezes. Mas, enquanto não passa, faço Emma deitar sobre meus pés e me cubro até a cabeça. Embaixo do cobertor é escuro e quente. Abro olhos e fagulhas douradas riscam o espaço. Respiro e o ar interno do meu corpo se junta ao ar envolto pela coberta. Consegui meu silêncio. Tenho pelo de gato tocando meus pés. Minha garganta arde, mas tá chovendo. Barulho de chuva traz uma esperançazinha pro mundo da gente.

terça-feira, 12 de maio de 2015

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Brincando de resenhar : Rizzoli & Isles

Tô apaixonada pelos livros da série  Rizzoli e Isles, da Tess Gerritsen, e quero que vocês se apaixonem também.

Cliquem no play, aí, gente!

* eu sigo hesitante e apressada
* repetirei  a palavra "estereótipo" umas 317 vezes.
*o segundo livro é O Dominador.
*o canal da Denise é esse aqui ó: Cem anos de literatura - Denise Mercedes. Mas eu me dei conta de que  na verdade foi esse post do blog dela que chamou minha atenção pra série.
* Silvana é a minha roommate.



Esse blog era tão melhor em 2012. Eu não era uma pessoa melhor nem 2012 foi um ano memorável, mas o blog certamente era mais bacana. 

Eu queria ser a blogueira que eu era em 2012. Ignorem os posts de 2015, gente! Vão lá no arquivo e leiam o que escrevi há 3 anos.

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Se eu escrevo no celular (como agora), há 150% de chance de o post ficar uma bosta.


Fora que o App do Blogger não tem o recurso de alinhar o texto. Fica tudo recuado à esquerda. Que desespero! Odeio posts recuados à esquerda.

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Dia desses, eu li um post da Maeve em que havia uma observação pequenininha no final, dizendo que ela sentia falta de as pessoas perguntarem por que ela estava escrevendo tão pouco no blog. Eu interpretei essa afirmação  como sintoma de algo que tb sinto: uma crise provocada pela falta de comentários nos posts. Muito me identifiquei com a Maeve.

Pois bem, num mundo ideal, eu teria deixado um comentário dizendo que sinto mesmo falta de mais posts dela, que leio tudo que ela escreve assim que vejo atualização. No mundo real, li o post, adorei, continuarei lendo o blog da Maeve, mas não deixei nenhum comentário. Eu dificilmente deixo comentários nos blogs. Quanto mais gosto de um blog, menos comentários eu deixo. Eu nunca tenho o que dizer sobre nada, imagina sobre um texto tão legal que a pessoa disse tudo.


Gosto de acreditar que vocês são como eu. To imaginando vcs lendo esse post silenciosamente, depois fechando a página e pensando: gosto tanto do Fina Flor, tomara que a Ju escreva logo outro post pra eu voltar aqui.

Não decepcionem a minha imaginação, por favor!

***
O blog tem essa página no facebook, cujo link tá aí do lado, e, dentre as pessoas que curtiram a página, há alguém que tem um nome composto formado pelo meu nome e o nome da minha mãe. Eu acho tão incrível que exista alguém com o nome assim. Minha mãe ia gostar de saber da existência dessa porque nossos nomes foram primeiro os nomes das avós dela. 

Vou contar pra minha mãe!

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Assim que publicar esse post, vou abrir o Blogger no computador e alinhar o texto. Não consigo me concentrar na vida se tiver um texto desalinhado no Fina Flor.

Não fica melhor tudo alinhadinho?

Fica sim!

domingo, 3 de maio de 2015

Ainda sobre semelhanças

Entrei na sala dos professores e minha colega disse: 

- Você assim, entrando, de longe, pareceu um pouco com a K.

E eu me dei conta de que o post anterior está incompleto.  K. é a minha chefe, e a frase que  eu mais ouço no trabalho é " eu pensei que fosse a K." Minha chefe e eu temos em comum a cor da pele, o tipo de cabelo e nada mais. Ela é uns 20 anos mais velha, eu sou 20 quilos mais gorda. Somos muito diferentes. Mas os alunos vivem me confundindo com ela, especialmente quando tão subindo as escadas, fazendo merda.

- Ih, lá vem K. ! Corre! 

 E saem todos desembestados escada acima. Ninguém quer que a diretora te veja brincando de lutinha nos degraus do terceiro andar, então todo mundo corre quando aparece o vulto de uma mulher de pele escura e cabelo preto e curto. Mas sempre tem um mais atento que percebe que aquele vulto é mais encorpado, que a voz que tá brigando é mais aguda:

- Não é a K., não! É  só aquela professora de português.

aquela professora de português!

Que bom que a minha autoestima está em dia, né?