segunda-feira, 29 de junho de 2015

Parece que os brigadeiros ficaram bons. Se bem que a opinião de pessoas que recebem bolinhas de chocolate numa manhã de sexta-feira não é lá muito isenta. Devo confessar que precisei de ajuda pra encontrar o ponto perfeito pra enrolar. Liguei pra mãe, pra prima, mas foi a amiga que tava aqui em casa que salvou a receita. A massa voltou pra panela, com mais manteiga e muuuuuuito mais tempo no fogo ( eu não sabia que brigadeiro requer paciência) e, no fim, deu tudo certo.

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Eu estava certa quanto ao número de festas. Houve mesmo duas na escola - uma na sexta, outra hoje. Para terem uma ideia de como foram essas comemorações de aniversário surpreendentes, imaginem várias pessoas de 11 anos unidas para um propósito, sem orientação direta de um adulto. Imaginou? Então, tipo isso aí mesmo. Uma das festas teve um bolo redondo e muito fofo, tão fofo que se esfarelava, e um outro bolo menor com cobertura de coco. Elogiei os bolos, mas expliquei que preferia comer uma coisinha salgada, então me deram 3 saquinhos de pipoca. Na festa de sexta, não teve bolo. A mãe da menina que ia fazer o bolo chegou muito tarde do trabalho, então cantamos parabéns com  pudim. Achei ótimo.

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Me pergunto o tempo todo se meus alunos estão me ouvindo de verdade, se estão aprendendo alguma coisa, porque, quase sempre, a sensação é a de que as paredes são mais atentas que eles. Daí acontecem umas coisas que podem até não ser garantia de que seu trabalho tem efeito mas ao menos aquecem o coração. Ganhei um presente delicioso na sexta-feira que se encaixa nessa categoria. Ano passado, eu dei aula prum sétimo ano agitadérrimo, uma turma cheia de alunos que adoro mas que nunca me adoraram na mesma medida. Eles me chamavam de chata, achavam que eu brigava demais, que passava dever demais, que reclamava demais. Dentre esses alunos, há um que tinha o prazer de reclamar de tudo o que eu fazia, de colocar o fone no ouvido quando eu me distraía. Pois bem, no final da aula de sexta, esse adolescente reclamão apareceu na porta da sala que ele não frequenta mais com um tabuleiro de torta salgada. Como eu sei que você não come bolo, professora, fiz uma torta salgada pra você! Meu queixo caiu! Sabe deus quando foi que eu comentei algo sobre não gostar de bolo, mas  fato é que o menino reclamão estava ouvindo. Que bom que ele ouviu, porque a torta estava um absuuuuuuurdo de gostosa. 


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Minha família também fez festa surpresa, mas nenhuma festa cheia de comida é realmente inesperada numa família na qual esquecer um aniversário é motivo pra ser deserdada. Minha prima também fez torta salgada.

Um aniversário, duas tortas salgadas, três festas: acho que venci na vida.

3 comentários:

Andrea disse...

O adolescente reclamão: <3

E gente, eu ainda estou tentando entender como assim você não gosta de bolo. É a mesma coisa de pessoas que me dizem que não gostam de chocolate. Não faz sentido na minha cabeça! :P

Juliana disse...

Andrea, prazer, eis aqui uma pessoa que não come bolo nem brigadeiro! =p

Cheshire cat disse...

Acho que gostar de fazer aniversário já é vencer na vida, porque taí uma arte que eu não domino.

Que bom que teu aniversário foi legal!