quinta-feira, 2 de julho de 2015

Eu poderia dizer que o quadro do Picasso me fez pensar, mas não seria verdade. O estalo veio mesmo das pessoas, do fato de ter tantas pessoas desconhecidas por perto.  Parada ali, no meio daquele salão cheio de quadros, me dei conta de que há muito tempo eu não via tanta gente, não fazia parte de uma multidãozinha. Já havia notado antes, relendo meus posts aqui no blog, que estava monotemática. Eu só falo de escola, tem um tempo em que só tenho sido professora. Nunca ousarei dizer pros outros, mas aqui posso dizer: eu gosto do lugar em que trabalho, gosto do que faço, tô muito bem. É tão confortável ter a sensação de que você tá no lugar certo.E a gente se agarra ao que é bom  porque é mais fácil . A rotina, os horários, o livros didáticos, o dia da ortografia dão uma sensação de que as coisas estão bem ajeitadas, de que posso controlar alguma coisa nessa vida. É uma ilusão, eu sei.  Mas é a ilusão que, muitas vezes, faz a gente ficar um tantinho mais forte, faz a gente deslizar pelo que pesa sem afundar tanto.

Poderia dizer que ter Jaqueline tão perto também me fez pensar, e seria uma verdade. Fazia tanto tempo que não éramos do jeito que costumamos ser: ela digitando a senha errada do vale refeição e eu lendo em voz alta demais trechos de livros bonitos na livraria. Ela esteve um ano inteiro longe, de muitas formas longe. Agora, tê-la por perto é como dar corda num relógio antigo. Posso contar pra ela minhas histórias de escola e ouvir sua risada entusiasmada. Jaqueline tem sido minha ouvinte há muito tempo. 

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Tô lendo o livro do Stephen King sobre escrita e tenho me lembrado da garotinha que eu era. Quando me perguntavam o que eu queria ser quando crescesse, eu dizia "escritora". Na verdade, na verdade, eu não queria ser qualquer escritora, queria ser igual à Agatha Christhie. Queria escrever livros que todo mundo lesse, queria fazer com que alguém sentisse o que eu sentia quando lia Agatha. Imagina você escrever um troço e uma pessoa que você nem conhece ficar louca de curiosadidade/ encantamento/ tristeza/ alegria só porque leu o que você escreveu...

Tô ainda no comecinho do livro do King...

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Comprei muitos livros nos últimos meses, mas não tenho lido nada. Daí hoje eu nem queria entrar na livraria pra não cair em tentação. Não preciso de mais livros: tenho um kobo, toda uma estante no meu antigo quarto em Nova Iguaçu, uns vinte livros no chão do quarto atual. Mas aí eu esbarrrei em dois livrinhos pequenininhos e me faltou o fôlego. De verdade.

Que coisa incrível é isso de alguém escrever um livro lá em outro país, num ano que não é o de agora, e de repente, você abre o livro numa livraria, numa noite qualquer, e perde o fôlego.

Caramba! 

É muito incrível, né?


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Os livrinhos são esses:








3 comentários:

Luciana Nepomuceno disse...

Gosto muito do JLPeixoto, tenho vários livros dele e os nomes são sensacionais. Além de Morreste-me (gosto tanto que já fiz uns 3 posts usando esse título) tem um que se chama O Livro. Né legal?

Cheshire cat disse...

Fiquei curiosa com o Livro do King, qual é o nome?

Tiago Cavalcante disse...

"Morreste-me" é um nome de tirar o fôlego.