quinta-feira, 13 de outubro de 2016

As Gilmore e aquele povo todo


Peguei esse desenho fofo aqui.


Estou vendo Gilmore Girls. Quem não está?

Nasci no mesmo ano que a  Rory, vi 4 temporadas na época em que éramos jovenzinhas. Naquele tempo:

1) Rory me intimidava com tanta perfeição.
2) queria uma mãe como Lorelai.
3)achava Chris bonito demais pra ser um pai.
4) achava Luke sujinho, mas queria ele e Lorelai juntinhos.
5) queria um Dean pra mim.
6) odiava o Jess.
7) tinha muita pena da Lane.
8) não tinha a menor paciência com Paris.
9) queria morar em Stars Hollow.
10) odiava Emily e Richard.
11) achava Sookie linda
12) não conheci Logan.



Hoje tenho a mesma idade que a Lorelai na primeira temporada e só consigo pensar que...

1)  eu jamais poderia ser responsável por uma adolescente.
2)  o Luke podia jogar aquele casaco verde fora.
3)  Dean e Jess  não são bons nem ruins, são  apenas muito jovens.
4) o sorriso de Logan e a voz de Zach derretem meu coração.
5) Rory é mimadinha, Lorelai é tagarela e carente, mas eu seria amiga delas e não admito que falem mal.
6) Lorelai podia ter feito terapia e nos poupado um pouco,
7) Emily faz o que pode, do jeito que sabe, como todo nós. Aliás, Richard me irrita mais do que a Emily.
8) Lorelai tem razão de ter tanta mágoa.
9) Sookie  é linda.
10) Mrs. Kim é maravilhosa e Lane é corajosa.
11) thanks god por minha mãe ser muito diferente da Lorelai. Há muitos problemas naquela relação.
12) o figurino, a make e o cabelo de Lorelai são sofríveis.
13) Luke também poderia ter deitado um pouquinho divã. Seríamos todos mais felizes.
14) Chris poderia permanecer como o pai ausente de Rory. Nada contra o Chris, mas pra quê, né?
15) Lorelai poderia limpar mais aquela casa.
16) não aguento mais ouvir aquela música de abertura.
17) aquele tanto de junkie food me embrulha o estômago.
18)  não se deram ao trabalho de contratar adequadamente a atriz que interpreta Nicole. A gente nem consegue ter uma opinião ou sentir raiva dela. A mulher nem aparece.
19) a irmã e o cunhado do Luke  poderiam desaparecer.
20) 25/11 tá demorando muito pra chegar.

 Estou no episódio 5 da 6ª temporada. Sei de algumas coisinhas que vão acontecer em breve, sei  também que a 7ª temporada é meio vergonha alheia, mas não me contem nada, por favor.


terça-feira, 27 de setembro de 2016

27/09

Ando muito sem jeito com as palavras, mas não quero deixar essa data passar em branco. Sempre terei muito a dizer sobre o dia 27 de setembro, ainda que eu desaprenda a escrever e a falar.

Na falta de palavras novas, o post de 24/02/14:

Fui ver Bethânia novamente - mesmo show, outra companhia. Cheguei certa de que sabia tudo daquele show lindo; sabia a ordem das músicas de tanto que vi e revi os vídeos de fãs na internet. Senti os mesmos arrepios, a voz embargou nas mesmas músicas. Fui pra reviver, pra me comover mais uma vez, pra renovar os sinais de beleza que Bethânia havia deixado em mim no ano passado.

Mas a gente tá nessa vida pra ser surpreendida; a vida taí pra mostrar pra gente quem manda. Ao final do show, no  bis, Bethânia agradeceu a nossa presença e disse que era uma honra cantar pras crianças ( o show foi em prol de uma instituição infantil). Aí aquela voz divina começou a cantarolar uma música que minha vó cantava quando  eu era menina- uma canção sobre Cosme e Damião. Minha vó era devota desses santos, distribuía doce no dia deles, como é tradição aqui no Rio de Janeiro. Minha vó morreu no dia 27 de setembro.

Bethânia cantou e eu não me aguentei. Uma coisa se rompeu dentro de mim. Durante aqueles segundos, estive em algum lugar delicado e indefinível.Durante aqueles segundos, fui de novo neta de uma vó viva. Foram segundos tão infinitos.




sábado, 27 de agosto de 2016

31 perguntas para quebrar um silêncio constrangedor

São três da manhã do meu último dia de férias. Na verdade, não estou de férias. Esses 30 dias que fiquei em casa foram uma versão melhorada do recesso escolar do meio do ano. Taí um legado da Olimpíada que deveria permanecer mesmo. Pois bem, em sinal de protesto pelo fim desse período mágico, meu sono resolveu não comparecer, então  eu tava aqui  relendo HP e o Enigma do Príncipe (Hermione acaba de tacar os passarinhos em Ron. Adoro! Mereceu! Eu teria feito pior!) e olhando blogs, quando me deparei com um meme intitulado 31 perguntas para quebrar um silêncio constrangedor. Nada mais adequado para  o momento atual deste blog, né? 


Peguei as perguntas no blog da Clarissa, o A Life less odinary.


Vamos lá:



1. Você gosta de coentro ou acha que tem gosto de sabonete?
Odeio, mas comi aos montes na Bahia e nem percebi.
2. O que você acha de áudios do WhatsApp?
Eu só me comunicaria por eles, mas as pessoas são cheias de frescuras com áudios, telefonemas e afins. Odeio digitar no celular.
3. Você também comia o chocolate da Turma da Mônica pelas bordinhas?
Sim, ia mordendo conforme o contorno dos personagens.
4. Qual é a melhor consoante do alfabeto?
L
5. Qual é a primeira rede social que você vê de manhã?
Twitter
6. Você acha que existe alguma bala melhor que 7 Belo?
Sim, aquela bala de morango cuja embalagem imita um morango. 
7. Que cor você acha menos confiável?
Azul- marinho. Fácil de confundir com preto.
8. Qual foi o último filme que você viu e odiou?
Eu não gosto muito de ver filmes e nem tenho bom gosto pra escolhê-los. Se eu estiver vendo um filme, pode ter certeza de que é ruim. O último ruim foi Drinking Buddies. 
9. Qual animal parece mais simpático, um pato ou um golfinho?
Pato.
10. Toddy ou Nescau?
Nescau.
11. Você acha que bebês conversam uns com os outros?
Não.
12. Sabia que todo mundo é feito de poeira de estrelas?
Aprendi no O Mundo de Sofia.
13. Ouro Branco ou Sonho de Valsa?
Nenhum dos dois.
14. Qual era seu desenho favorito na infância?
Doug.
15. Que série você jamais reveria?
Smaville. Meu amor por Tom Welling não chegou até os dias de hoje.
16. Qual personagem do Harry Potter você menos gosta?
Slughorn. 
17. Qual é sua opinião sobre barrinhas de cereal?
Eca!
18. Com quem você dividiria um Bis?
É tão pequeno que  é melhor dar o Bis todo pra pessoa.
19. O que você faria se achasse R$ 50 na rua?
Se não soubesse quem era o dono, iria ficar muito feliz e compraria o livro que tô querendo e não comprei por pão-durice.
20. Quanto tempo uma comida precisa estar na geladeira para você considerar ela velha?
Ah, eu sou muito fresca.  No momento em que vai pra geladeira, a comida já tá velha. Se eu pudesse, só comeria comida feitinha na hora. Mas né? 
21. Qual é seu número preferido?
9
22. Qual é o aplicativo mais inútil do seu celular?
Spotify. Nunca lembro de usar.
23. Quem você tiraria do elenco de “Friends” se fosse obrigado?
A Janice.
24. Você é contra ou a favor de comer macarrão com arroz?
Contra. Sou a favor apenas de macarrão com farofa.
25. Qual foi a última vez que você precisou usar a Fórmula de Bhaskara?
Ano passado, Usei  pra provar pros alunos do 9º ano que essa fórmula é inesquecível.
26. Você acha que dá para morrer de overdose de rúcula?
Não dá pra comer rúcula.
27. Quanto tempo você levou para entender como funciona o Snapchat?
Muio tempo, muitas tentativas e ainda não vi encanto pra além dos filtros .
28. Qual é sua opção favorita no restaurante por quilo?
Batata frita
29. Você gosta de “Sorry” do Justin Bieber?
Nem gosto nem desgosto, mas cantarolo.
30. Você prefere passar muito frio ou muito calor?
Muito calor. Odeio qualquer tipo de frio.
31. Você está dormindo e sobe uma barata na sua cara. Você prefere continuar dormindo e nunca saber ou acordar e fazer alguma coisa?
Continuar dormindo. O que olhos não veem o coração não sente.

sábado, 2 de julho de 2016

Tanto faz

Se alguém em 2012 dissesse  que eu choraria de tristeza ao pensar em você, a gente daria muita gargalhada. 


Hoje eu só sei que preciso aceitar que acabou. Amizades também acabam.  

E eu não consigo escrever mais uma palavra  sobre isso.







sexta-feira, 24 de junho de 2016

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Snap

Gente, eu estou obcecada por aqueles filtros do Snapchat. E vocês?

Me adicionem lá: jufinaflor.

E o snap de vocês qual é?

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Uns sonhos

Domingo: sonhei que meu tio era assassinado numa chacina e eu via nitidamente o corpo largado numa rua enlameada.

Segunda: sonhei que havia um assassino em série no meu trabalho. Vários dos meus ex-alunos eram mortos. Por fim, um dos meninos descobria que a assassina era eu. No sonho, eu não sabia que estava cometendo aqueles crimes. Eu era uma espécie de "a professora e o monstro".

Terça: sonhei que bandidos cercavam o bairro onde minha mãe mora e eu não conseguia entrar em nenhuma das ruas.  Havia muita lama por toda parte também

Hoje: tô com medinho de dormir.

Todos os sonhos eram assustadores. Acordei todas as noites sem fôlego e demorei muito até voltar a dormir.

E, bem, minha analista está de licença-maternidade.


domingo, 29 de maio de 2016

Um único assunto

Um dia desses, falei a palavra "gato" numa turma e os alunos todos gritaram: "nãããããooo!". Primeiro, levei um susto. Depois, perguntei qual era o problema. Alguém respondeu:

- Não fala de gato, porque a J. vai começar falar também. Ela só sabe falar de gato!

 A turma toda sacudia a cabeça enfaticamente, concordando. A J., claro, se defendeu:

- Que exagero, gente! Eu falo só um pouquinho. E agora nem tenho mais do que falar porque o Araújo morreu. Professora, eu te falei que o Araújo morreu? Morreu e agora tenho um outro gatinho. Mas tô querendo dar ele. Nossa, o bichinho é muito brigão.  Você não quer um gatinho, não?Tá muito difícil de cuidar dele. O Araújo era mais fácil, porque...

Eu respirei fundo.

- J., depois você me fala do seu gatinho. Vamos voltar aqui pra aula, tá?

Um outro dia mais tarde,  passei um trabalho que consistia em escolher um livro e fazer uma resenha sobre ele.  Expliquei que deveriam apontar pra qual faixa etária o livro era indicado. Como sempre agem diante de alguma informação que não conhecem, fizeram um alvoroço. Foi um coro de "Como assim? Não entendi nada. Não vou fazer! Isso é muito difícil! Faixa o quê?"

-Vocês têm que dizer se o livro é pra criança pequena, pra criança mais velha, pra adolescente, pra adulto.

- Ah, já sei, professora! - J. disse mais alto que todo mundo. -  Vou escolher um livro indicado para... GATOS.


Acho que a menina é mesmo monotemática, mas não posso julgá-la pois meu celular tá cheinho de fotos assim:





















sábado, 28 de maio de 2016

Trust no one

Uma coisa que eu não faço nessa vida é confiar no que me dizem. Até acho que devia, mas não consigo. É muitíssimo mais forte do que eu. Não é que eu ache que as pessoas todas são horríveis e desonestas. Não acho mesmo. A questão é que afirmações cheias de certeza podem estar baseadas em dados que não foram questionados, verificados. Um exemplo: nunca acredito num relógio que não seja o meu. Esqueço  o relógio de pulso, celular está descarregado, preciso saber a hora, pergunto pra uma pessoa qualquer que estiver por perto, claro. Registro  a hora que ela me disse e vou atrás de um outro relógio pra ver se a informação bate. Você pode pensar que é um desperdício de energia. Não é. Vou contar uma história pra ilustrar meu ponto de vista, mas no próximo parágrafo porque senão esse vai ficar enorme.


Eu pego no trabalho em horários que variam entre 7h30 e 9h30. Isso significa que eu durmo um pouquinho mais ou um pouquinho menos conforme o dia da semana. Na terça-feira, eu entro 8h20, então acordo 6h45, saio 7h30, tudo no esquema. Daí que houve uma terça em que segui o esqueminha  certinho, mas, ao chegar na esquina da escola, saquei que tinha algo errado. Havia umas crianças na calçada. Ué? Às 8h20, estão todos na sala de aula. Entrei na escola e o clima estava errado: nenhum sinal de agitação, nenhum movimento. Entrei na sala dos professores. Mais silêncio. Uma das minhas colegas estava sentada, preguiçosamente, mexendo no celular. Ué, ela não devia estar na sala de aula? Peguei meu celular. 7h20. Virei pra colega e perguntei a hora. 8h20. Arregalei os olhos. Não era possível. Levantei  confusa e fui na secretaria olhar o relógio da parede. 7h20. Meu deus do céu! Me senti tão maluca, tão perdida. Eu costumo ser muito perdida a maior parte do tempo. Jamais sei a data ou o dia da semana. Tô acostumada. Não me orgulho, mas tô acostumada, Mas ser enganada pelo meu próprio celular já é demais. Pior sensação da vida você viver em um fuso horário particular. Pois bem, imaginem agora se alguém tivesse me perguntado a hora no ônibus. Eu diria a hora errada e essa pobre pessoa poderia tomar decisões ruins baseada nessa informação. Ou pior: poderia duvidar da própria capacidade de perceber o tempo, Ué, saí de casa 7h e já são 8h?! Seria uma tragédia gigantesca. Por isso que eu não acredito no relógio das pessoas.


Cês podem estar aí pensando: ô, Juliana, deixa de ser exagerada! Se alguém tivesse te perguntado a hora, a pessoa teria percebido que a informação tava meio estranha e você poderia ter  dado uma olhadinha num desses sites que informam a hora certa. Sim, vocês têm razão. Tenho que concordar. Mas, ó, se a pessoa pra quem eu perguntar a hora for igual a uma conhecida minha que tá sempre com o relógio 20 minutos adiantado?  E esse sempre é tão sempre que ela esquece e acaba te dizendo a hora sem explicar o pequeno detalhe do muitos minutos a mais. Fico nervosa só de imaginar. Não, prefiro continuar não confiando no que as pessoas dizem.


P.S.: Eu comecei esse post querendo falar de A e acabei falando de G. Vou guardar A pra outra ocasião. Só espero que eu tenha usado o tom certo pra que vocês não fiquem preocupados comigo. hihihi




terça-feira, 24 de maio de 2016

Ninguém com os pés na água

Fiz algo inédito: pisei na areia usando tênis.

Fiz algo inédito e não planejado: disse que tinha medo do  que estava por vir.

Olhei pro mar sem chorar.  Um mar cinza, um céu cinza e eu sentindo uma paz meio maluca. Fiquei de pé no meio da areia, olhando as ondas e desejando alguma coisa entre ser como elas e ser parte delas. 

Tudo tão cinza, eu com um cachecol vermelho. 



quarta-feira, 18 de maio de 2016

Sobre blogs e o blog dos blogs

Eu  já me peguei contando uma história que li num blog como se fosse de um amigo próximo.

Já escrevi posts mentais incríveis no metrô, aí sentei na frente do notebook e não saiu uma linha.

Já achei que "ninguém lê essa bagaça, vou deletar", e aí alguém escreveu um comentário tão legal e o Fina Flor escapou com vida.

Já chorei de soluçar lendo coisas tão bonitas que alguém escreveu em blog.

Quando minha vó morreu, houve noites em que não dormi, então eu pegava o celular e lia os posts da Rita sobre a morte da mãe dela. Eu me sentia tão menos sozinha.

Já tive paixonite séria por um moço que  tem blog. A palavra seduz, né?

Já tive vergonha de deixar comentário em blog porque achava a pessoa muito fodona  e ficava tímida. Aliás, encontrar pessoas cujos blogs leio me deixa intimidada.

Quando tentei me lembrar a idade da Emma, corri aqui no blog porque sabia que tinha escrito um post sobre a chegada dela.

No momento, um dos meus livros favoritos ( e que não é fácil de achar) está na casa de uma moça cujo blog eu leio.

Já passei por blogueira na rua e na hora achei que era alguém da tv. 

Poucas pessoas da minha vidinha off line sabem da existência do Fina Flor - e eu gosto assim!

Tentei explicar pra minha mãe de onde conheço o Felipe e a Rute, mas ela não entendeu.

Em geral, as pessoas que leem este blog me acham fofinha. Ninguém que não conhece o Fina Flor. me acha fofinha.  Blogs também podem ser propaganda enganosa.

Nunca me recuperei do fim do Google reader.

Nem todos os blogs que leio estão linkados aqui porque  seria um blogroll  muito gigante.

Então, todo esse papo sobre blogs é  só um pretexto pra falar daquilo que pode ser considerado um blogroll enorme:  um blog que reúne e exibe as atualizações de vários blogs. A Central do Textão surgiu da vontade de juntar  blogs  num canto só, pra que a gente não se perca uns dos outros outros nesse mar efêmero de redes sociais.   A  ideia da Central veio da cabecinha da Tina, a garota mais popular da blogosfera, a amiga de geral. Ela teve o trabalho de chamar os conhecidos, de organizar uma vaquinha pra que a Juliana fizesse esse blog dos blogs tão lindinho.

Vão lá  conhecer a Central do Textão e  um monte de gente que acha que escrever em blog é muito, muito legal.














sábado, 14 de maio de 2016

Mesmo calada a boca, resta o peito

"Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta

Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado" *

Comecei várias vezes esse post. Escrevi uns parágrafos e apaguei. Postei um vídeo e apaguei. Há tanta coisa que eu queria dizer, mas não consigo levar ao fim um texto elaborado. As palavras ainda não superaram a angústia. Deixei então que o Chico dissesse por mim - ele, de quem nem gosto tanto; essa música, na qual nunca prestei muita atenção e que andei cantarolando tanto essa semana.

Tenho me sentido tão confusa, com medo de ser ingênua, me sentido tão ignorante por saber tão pouco de política, de história, de economia, de direito e direitos. Sou uma mulher adulta, uma nascida em 1984, mas por esses dias tenho me sentido como uma criança vulnerável. As pessoas falam em luta, em não aceitar calados, mas acho primeiro que terei que me desacostumar com o que sempre pareceu tão sólido. 

Mas já tenho planos pra quando quando conseguir organizar a cabeça: serei uma pessoa de argumentos. Tenho vivido baseada nos valores que me minha mãe me ensinou e no aprendizado que a experiência enfia goela abaixo. Não dá mais pra acreditar na ilusão de que só isso basta. Vou me apropriar dos rótulos, porque esses primeiros dias já nos mostraram que não serão tempos de sutilezas.


P.S.: Ah, eu moro no  Rio de Janeiro, e isso significa estar duplamente ferrada. 

* acho que Chico Buarque e a sua Cálice não precisam de apresentação, né? Na verdade, eu cantarolo a versão que os alunos de São Paulo fizeram






sábado, 30 de abril de 2016

Se minha próxima refeição fosse a minha última refeição, eu pediria azeitona, salame, palmito, brócolis, farofa e azeite.

Se houvesse uma penúltima refeição, eu pediria pão francês bem quentinho com manteiga.

Se houvesse uma antepenúltima, eu pediria suco de laranja bem gelado.


Se, em vez de últimas refeições, eu pudesse pedir uma refeição impossível, seria a dobradinha com batata feita pela minha vó. Só de pensar, sinto o cheirinho - e é tudo o que posso ter. A minha mãe faz uma dobradinha bem boa, mas a da minha vó era inigualável.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Uma sugestão

Se você não estiver muito feliz hoje, veja esse clipe. Aposto  que ao menos um sorrisinho magro vai aparecer na sua cara, nem que seja um bem magrinho.




Funcionou?

Toda vez que vejo esse clipe, eu fico girando pela sala, fingindo que também estou sob uma chuva de papel picado.

A musica é Ho Hey (que nome ótimo!) e a banda é The Lumineers. A letra é tão lindinha.







quinta-feira, 24 de março de 2016

Falta um pedaço

Os alunos são uns interessados na nossa vida. Querem saber se a professora tem marido, tem filhos, onde mora, por que não compra um carro. Eu particularmente sou um caso que deixa as crianças um pouco confusas. Sou uma mulher de "não tenho". 
Não tenho marido.
Não tenho filhos.
Não tenho carro.
Não tenho irmãos.

Mas o "não tenho" que mais causou comoção foi descoberto nessa semana. Um grupinho estava comentando o capítulo de uma novelinha infantil do SBT. A discussão rolava acaloradíssima, e alguém achou por bem pedir a minha opinião. Primeiro, eu disse que não conhecia a novela. Como assim, professora? Como assim? Todo mundo no universo e em todas as dimensões conhece essa novela.  Diante de tanto espanto, resolvi explicar o motivo da minha ignorância:

- É que eu não tenho televisão.

Silêncio. Todos  na sala olharam pra mim. Todos os olhos se arregalaram. Todas as bocas se abriram. Uma chuva de perguntas desabou sobre mim:

- Por que você não tem? Quebrou? Está no conserto? 
- Não, gente! É que eu me mudei, saí da casa da minha mãe e nunca comprei. 

Talvez se eu tivesse falado em grego, eles teriam entendido melhor. 

-Como assim? Como Assim?
- Gente, não tenho, ué. Não me faz  falta. Não gosto muito de novela, não vejo o jornal. Se eu quiser ver alguma coisa, posso achar na internet.

Minhas palavras entraram por um ouvido e saíram por outro. Continuaram todos chocados, e a televisão que não tenho virou tema do dia. Ainda tentei argumentar, explicar, mas decidi me calar depois de ouvir a sentença, proferida por uma criatura que ainda não chegou à segunda década da vida:

- Professora, você precisa de uma televisão. sua vida está incompleta.

P.S.: Eu não tenho netflix. Cancelei porque pagava e não usava.




quinta-feira, 10 de março de 2016

Acontece muito de eu estar subindo as escadas do colégio depois do recreio e alguém vir reclamar que o fulano tá implicando/puxando o cabelo/ tirando meleca do nariz e passando na blusa da colega. Daí que ontem eu tava lá subindo as escadas ( que são muitas) e equilibrando minhas tralhas  (que são muitas também), quando uma menina do sexto ano me puxou pelo braço e disse:

-Tia, o fulaninho ficou o recreio inteiro incomodando a gente. 

A menina não estava só, umas três outras meninas estavam lá com ela. As três sacudiram a cabeça, ratificando a fala da outra.

- Ah, é? O que ele tá fazendo? Vou conversar com ele.

- Ele tá  chamando  a gente de criança porque a gente trouxe boneca pra brincar no recreio.

Por um segundo, achei que tinha entendido errado. Elas têm 11 anos. Todo mundo diz que as meninas dessa idade não brincam de boneca.

- Vou conversar com ele. Pode deixar.

A menina continuou ainda inflamada:

- É, professora ( ainda estamos na fase de alternância entre tia e professora), briga com ele. Manda ele deixar a gente me paz. Porque a gente brinca de boneca, mas a gente não é criança.

É, não são, não!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Aparentemente, moro no bairro mais legal do Rio. Toda, ênfase no "toda", pessoa pra quem eu conto onde tô morando sorri simpaticamente e diz: " Ah, que legal. Gosto tanto de lá! ". Existem as pessoas que nunca estiveram aqui mas que, ainda assim, têm certeza de que este bairrozinho é um lugar que elas certamente gostam de antemão.

Eu mesma nunca tinha colocado os pés nas ruas daqui antes, e a primeira impressão não foi das melhores. Quando vim conhecer o apartamento, peguei um taxista que se guiava pelo GPS e acabei fazendo um caminho tão bizarro que nem sei reconstituir. Era um fim de tarde bem cinza e não me lembro de ter visto o monte de carros e ônibus que passam ali na esquina. A árvore grandona que faz sombra no meu rosto enquanto escrevo me pareceu melancólica e meio assustadora.

Agora, faz quase um mês que recebo correspondências ( contas, obviamente) neste endereço. Um colega do trabalho me disse que este é o melhor bairro pra quem gosta de beber. Eu ri. Eu não bebo. Ele disse que, morando aqui, eu iria começar a beber. Já imaginei os donos dos bares forçando cerveja ( odeiooo, eca, é amarga) por minha goela abaixo. Ou então uma rede de abastecimento caseiro de bebida alcoólica: todas casas providas de encanamentos de água, esgoto, gás e cachaça.  Até agora, não descobri a torneira de cachaça da minha casa. As duas melhores descoberta até agora foram um sanduíche  divino de linguiça e a comidinha boa do bar da esquina ( boa, gente, muito boa! E barata!).  Ter comida apetitosa por perto deveria ser critério na hora de escolher onde morar. No meu antigo bairro, não havia nenhuma comida que realmente trouxesse felicidade. Passei muitos finais de semana, desejando que a minha pizzaria favorita em Nova Iguaçu tivesse um serviço de delivery beeeeem abrangente. Não tinha. Era sofrido.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Casa, gata, promessa e teto

Emma dorme na beirada da cama. Está estranha a minha gata. Perdeu o útero, a casa, os filhotes, tudo de uma vez. Passou dias miando doído, grudada na porta que ela já sacou que leva pra a rua. Eu também estranhei a casa, mas, ao contrário da Emma, estou aqui por vontade própria. Passei dois meses entrando e saindo de  outras casas menos legais até saber que viria pra essa. Na verdade, esse. É um apartamento. Há pessoas respirando, dormindo, fazendo sexo, cortando as unhas dos pés sobre a minha cabeça.Já não moro na casa silenciosa e fresquinha. Moro nesse apartamento luminoso, fincado numa esquina barulhenta. Passei noites sentindo o frear dos ônibus reverberando na sola dos meus pés. Que agonia. Por duas madrugadas, enfiei espuminhas protetoras nas orelhas pra forjar silêncio. 

***

Aqui perto, bem perto, tem uma livraria. Nunca morei tão perto de uma livraria. Fui lá hoje em busca de um livro que me apetecesse. Nenhum me apeteceu. Acho que não sou mais uma pessoa de livros. Para não dizer que não li nada, abri um livro sobre gatos e acabei por descobrir que Emma pode ser surda. Vocês sabiam que gatos completamente brancos com olhos azuis têm mais chances de terem problemas auditivos? Emma é absurdamente branca, tem olhos azulzíssimos e é a gata mais silenciosa que já vi. Me disseram que a castração deixa o gato mais manso: tive medo de que Emma virasse de vez enfeite de estante. Li num blog que um bom teste de audição para gatos é ligar o aspirador de pó e observar a reação do bicho. Não me lembro como Emma se comporta na presença do aspirador e tô com preguiça de ligá-lo. Ainda não decorei onde ficam as raras tomadas dessa casa.

***

Fiz promessas de ano novo. Escrevi num guardanapo como a JoutJout e guardei bem guardadinho para que as promessas não se perdessem na mudança. Não tenho ideia de onde enfiei. Ter uma boa memória não é uma promessa que eu possa fazer. Mas, tudo bem, não preciso do guardanapo pra lembrar. Minhas promessas são desejos, e o desejo tá sempre aqui.

Uma das promessas vai ficar registrada: quero ser uma pessoa interessante. 

***
O teto do meu quarto é o universo: tem lua, estrelas, Saturno. Há dois quartos nessa casa.  No da Silvana, tem um armário imenso. No meu, tem decalques que brilham no escuro.