terça-feira, 27 de setembro de 2016

27/09

Ando muito sem jeito com as palavras, mas não quero deixar essa data passar em branco. Sempre terei muito a dizer sobre o dia 27 de setembro, ainda que eu desaprenda a escrever e a falar.

Na falta de palavras novas, o post de 24/02/14:

Fui ver Bethânia novamente - mesmo show, outra companhia. Cheguei certa de que sabia tudo daquele show lindo; sabia a ordem das músicas de tanto que vi e revi os vídeos de fãs na internet. Senti os mesmos arrepios, a voz embargou nas mesmas músicas. Fui pra reviver, pra me comover mais uma vez, pra renovar os sinais de beleza que Bethânia havia deixado em mim no ano passado.

Mas a gente tá nessa vida pra ser surpreendida; a vida taí pra mostrar pra gente quem manda. Ao final do show, no  bis, Bethânia agradeceu a nossa presença e disse que era uma honra cantar pras crianças ( o show foi em prol de uma instituição infantil). Aí aquela voz divina começou a cantarolar uma música que minha vó cantava quando  eu era menina- uma canção sobre Cosme e Damião. Minha vó era devota desses santos, distribuía doce no dia deles, como é tradição aqui no Rio de Janeiro. Minha vó morreu no dia 27 de setembro.

Bethânia cantou e eu não me aguentei. Uma coisa se rompeu dentro de mim. Durante aqueles segundos, estive em algum lugar delicado e indefinível.Durante aqueles segundos, fui de novo neta de uma vó viva. Foram segundos tão infinitos.