domingo, 15 de janeiro de 2017

Anos atrás, estava eu lamentando que as pessoas me viam sempre muito dura. Silvana me chamava de opressora. Nossa, como esse adjetivo pesava! Eu dizia pra minha primeira analista: queria que me vissem suave, porque eu também sou suave, queria ser maciazinha, por que não me veem maciazinha? Que difícil! Ai, como eu sofro! Deve ser tudo culpa da minha mãe, claro.

2017, e cá estou eu às voltas com as pessoas me chamando de fofinha. As pessoas que não convivem muito comigo me acham muito fofinha, e eu fico meio nervosa porque não adianta dizer: ó, amiga, cuidado com isso aí que você acha porque não é bem assim. Minha voz é fofa, meus dentes pequeninos formam um sorriso fofo, meus olhos somem quando sorrio, estalo a língua e faço pausas dramáticas. Eu sou assim. Só isso. E as pessoas me chamam de fofinha. E eu fico com medo do que fofinha significa. Tenho um medo danado de a pessoa chegar pertinho e se decepcionar tanto.

Uma vez  tava falando pra uma colega que eu ficava puta porque as pessoas achavam que podiam me fazer de idiota, daí a menina riu e disse: " Ninguém te acha idiota, Juliana. Você nem de longe parece idiota. Você é na sua, não arranja encrenca, mas quando tem que pá, você pá. Não bate palma pra maluco dançar."

É isso aí mesmo: eu só não bato palma pra maluco dançar.

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 Tenho a impressão de que não sei mais escrever em blog, mas tava aqui pensando essas coisas e onde mais eu poderia escrever uma bobagem aleatória como essa senão aqui?

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Até pensei em escrever algo sobre 2016, mas deixa esse ano blergh lá no passado, né? Deixa lá que tá ótimo!

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Tenho um olhar absolutamente cafona e romântico pros fogos de Copacabana. Acho aquele céu ,à meia-noite, de uma lindeza. Aquelas luzes sempre me reanimam, me dão uma esperancinha. Nesse ano, eu tava desanimada num nível meio bizarro. Sabe quando o Mario perde todas as vidas no jogo e fica só aquele Mario meio fantasminha, piscando bem tênue? Eu tava assim no dia 31. Minha vontade era a de que a noite da virada não existisse porque eu não tinha energia nenhuma pra celebrar. Mas acabou que fui parar em Copacabana, aquele lugar cheio de gente de todo tipo, aquela noite quente do Rio, com  aquela expectativa de que algo de bom estivesse por vir. Porque até mesmo o mais desanimado e entristecido de nós espera que a virada de um ano traga qualquer migalhinha de boas novas. Cheguei na praia às 11h30, naqueles 30 minutos finais do ano cansativo, naqueles minutos em que todo mundo vai ficando mais ansioso.

Sentei na praia e esperei. 

2017 surgiu bem luminoso.

15 dias depois e eu ainda tô animadinha.




2 comentários:

Felipe Fagundes disse...

Este blog não pode morrer nunca, gente. Amo tudo que vc escreve aqui :)

Kari disse...

Quando eu era criança, minha mãe vivia brigando comigo porque umas meninas do prédio não paravam de me fazer de boba. Iludiam, riam, me faziam dizer coisas estúpidas. Fiquei tão traumatizava que acho que endureci um pouquinho naquela época. "Nunca mais ninguém vai me fazer de boba". O problema é que a sociedade gosta das mocinhas indefesas. Gosta de salvar a garota em apuros, inocente e perdida.
Que me achem grossa então. Porque aprendi naquele prédio, com aquelas crianças horrorosas a dizer um NÃO bem dito e agora não desaprendo mais :)